Riso, um instinto vital

Dois caçadores caminham pela floresta escura quando, de repente, um deles cai, imóvel. O outro chama uma ambulância pelo celular: “Meu amigo morreu! O que faço?”. Do outro lado da linha, o médico de plantão tenta acalmá-lo: “Fique tranqüilo, vou ajudar você. Em primeiro lugar, precisamos ter certeza de que ele está morto”. Silêncio. De súbito, ecoa um tiro. O caçador volta ao telefone e diz: “Pronto, está feito. E agora?”.

Se você ainda não conhecia essa, é possível que sua boca esteja agora produzindo uma série de sons vocálicos, cada um deles com duração de 1/16 de segundo, repetindo-se a cada 1/5 de segundo. O diafragma sacode, o coração bate mais rápido, a pressão arterial sobe e as pupilas se dilatam. Enquanto emite esses sons que mais parecem os de uma fanfarra, o ar sai de seus pulmões a mais de 100 km/h, antes que, passados cerca de dois segundos, você repita a operção. E tem mais: quem quer que esteja ouvindo essa barulheira, muito provavelmente vai ficar curioso e querer saber o que está perdendo.

Adultos riem 20 vezes por dia, em média. As crianças, até dez vezes mais. Rir é componente tão sólido da existência humana que esquecemos como são curiosos esses acessos de alegria. Por que rimos quando alguém conta uma piada ou nos toca de leve a sola dos pés? O sr. Spock, por exemplo, tripulante da nave Enterprisena série Jornada nas Estrelas, estranhava muitíssimo as risadinhas e gracinhas de seus colegas terráqueos: “Humor? É um conceito estranho. Não tem lógica”, dizia. O escritor húngaro Arthur Kõstler caracterizava o riso como um reflexo de luxo, cuja particularidade consistiria sobretudo no fato de não possuir nenhuma utilidade biológica.

De modo geral, porém, a natureza não faz investimentos insensatos e costuma livrar-se de desenvolvimentos inúteis. Portanto, o ímpeto de rir deve ter contribuído para a sobrevivência no decorrer da evolução, ou nossos ba ba ba teriam compartilhado o destino dos dinossauros. Filósofos da Antiguidade formularam teorias sobre a natureza do humor, mas, na ciência, o fenômeno permaneceu obscuro por muito tempo.

Atualmente há muito mais estudos sobre características humanas elementares, tais como a capacidade de sentir medo, e a pesquisa em torno do riso (a gelotologia) pouco a pouco ganha espaço. Novos procedimentos de diagnóstico por imagens permitem que neurologistas contem piadas enquanto observam como diferentes regiões do cérebro reagem ao efeito cômico das anedotas. E os resultados mostram: humor é assunto sério, que demanda certas capacidades mentais e desempenha papel central na vida em sociedade. Muitos gelotologistas chegam a considerar o riso a mais antiga forma de comunicação – uma espécie de esperanto. É provável que nossos antepassados tenham começado a rir muito antes do advento da fala.Do ponto de vista do desenvolvimento histórico, nossos centros da linguagem situam-se no córtex mais recente, ao passo que o riso provém de uma parte mais antiga do cérebro, responsável também por emoções tão primordiais no ser humano quanto o medo e a alegria. É por isso, aliás, que o riso escapa ao controle consciente. Não se pode rir de verdade atendendo a um comando e tampouco é possível reprimir voluntariamente um genuíno acesso de riso. “Estamos falando de algo bastante arraigado na natureza humana”, afirma Robert Provine, psicólogo da Universidade de Maryland, em Baltimore, Estados Unidos, um dos pioneiros na pesquisa do humor.

Rir é uma faculdade inata ou adquirida? Essa questão fundamental do desenvolvimento biológico também dividiu os pesquisadores. Um recém-nascido já sorri dormindo, mas trata-se aí apenas de reflexos incontrolados do sistema nervoso central. Só aos 3 meses de idade o primeiro sorriso “deliberado” vai se abrir no rosto do bebê, provocado pela visão de pessoas conhecidas, como os pais ou os irmãos. Por isso se diz que a criança começa a rir porque as pessoas próximas riem para ela com frequência.

Na década de 40, o psicólogo estadunidense James Leuba demonstrou que não era bem assim. Sempre que Leuba fazia cócegas em seus dois filhos e os provocava usava uma máscara, a fim de ocultar qualquer expressão facial que sugerisse diversão. Tão logo o dedo paterno roçava-lhes a barriga, as crianças explodiam numa gargalhada. O riso, portanto, não é mimético. Mesmo crianças nascidas surdas ou cegas começam a rir por volta dos 3 meses. Embora o padrão de som emitido por elas seja diferente, o desenvolvimento do humor segue vias mais ou menos próximas do normal. Isso sugere que o humor está firmemente instalado no cérebro.

É natural que um dom humano tão fundamental tenha despertado o interesse da neurologia. Armados de eletro-encefalogramas (EEG) e da tomografia por ressonância magnética funcional, os estudiosos do cérebro decidiram investigar o centro do humor.

Nessa busca, Itzhak Fried, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, Estados Unidos, teve ajuda do acaso. Em busca do local de origem dos ataques epilépticos de uma de suas pacientes, o neurocirurgião implantou eletrodos na superfície do cérebro da adolescente de 16 anos para observar de forma permanente a atividade neuronal. Mas esse método também permite estimular com fracas correntes elétricas determinadas regiões do cérebro e, a partir da reação ao estímulo, descobrir algo sobre as funções dessas áreas. Com isso, Fried e seus colaboradores conseguiram influenciar a competência lingüística da paciente, bem como a capacidade motora de sua mão. Então algo espantoso aconteceu. Quando os pesquisadores estimularam a chamada área motora suplementar (AMS), no lobo frontal esquerdo, ela de repente começou a rir. Fried elevou a corrente elétrica, colhendo retumbante gargalhada. O que era tão engraçado, quis saber. “Vocês, médicos!”, explicou a paciente, divertindo- se a valer. ‘Vocês são uns sujeitos engraçados, andando em volta da gente.”

A AMS, com seus poucos centímetros quadrados, desempenha papel central no planejamento das ações. Sempre que desejamos nos mover ou dizer alguma coisa, essa região é ativada. Os sinais avançam, então, rumo ao córtex motor, que controla os músculos necessários à execução da ação. Ao que tudo indica, também o alegre acionamento dos músculos do riso tem seu ponto de partida na AMS. A descoberta causou furor. A imprensa se apressou em anunciar que o centro do humor no cérebro havia sido encontrado. Mas logo na publicação de seus resultados Fried freou qualquer euforia precoce. O riso certamente teria um componente físico, mas também um componente cognitivo e outro emocional. Esse fato não autorizaria restringir o senso do humor a uma única região do cérebro.

Ouvir uma piada, achar engraçado, rir. Por trás dessa cadeia causal aparentemente tão cotidiana e natural oculta-se um trabalhoso processo cognitivo. De acordo com a chamada teoria da incongruência, o humor se baseia na percepção de uma incoerência, de um paradoxo. Entender uma piada verbal – lida ou contada – demanda vários passos do pensamento. Primeiro, especulamos sobre o desfecho lógico da história, substituído por um final inesperado. De início, a comicidade do arremate parece sem sentido, pois não se encaixa no contexto. Como notou corretamente o sr. Spock, não tem lógica! Por isso ficamos perplexos por um breve instante. Depois o cérebro se lança à solução do problema. Abandonamos, então, o ponto de vista inicial e procuramos uma perspectiva a partir da qual a comicidade da conclusão seja compatível com o restante da história. Por fim ocorre-nos que o sentido da piada adquirido com a mudança de perspectiva talvez não seja óbvio, mas é divertido – e atestamos esse novo e surpreendente conhecimento no mínimo com um sorriso.

O humor é uma espécie de viagem exploratória e criativa, na qual importa que nos apartemos com rapidez de expectativas e previsões aventadas no início. Saltamos para uma nova perspectiva e, como recompensa, vivemos uma divertida e surpreendente descoberta.

Peter Derks, da Faculdade William & Mary, na Virgínia, Estados Unidos, tornou visível esse salto mental com o auxílio do eletroencefalograma. Enquanto dez participantes de uma experiência liam ou ouviam uma série de piadas, o psicólogo registrava o padrão da atividade elétrica no cérebro. Para determinar com exatidão o momento da risada divertida, um eletrodo adicional foi fixado ao músculo zigomático dos participantes – responsável por elevar os cantos da boca quando rimos. Derks constatou que a atividade cerebral não se restringe a determinada área, mas, ao contrário, estende-se por boa parte do córtex. Em seguida, o psicólogo analisou mais profundamente a sequencia temporal das ondas e vales na curva da atividade elétrica cerebral e teve uma surpresa. Cerca de 1/5 de segundo depois do desfecho cômico de cada piada os potenciais elétricos disparavam de repente rumo a valores positivos. Outros 140 milissegundos e o pêndulo oscilava de forma igualmente abrupta na direção contrária, mas apenas nas pessoas que compreendiam a piada e riam. Dispondo dessas informações, Derks era capaz de prever se os participantes de sua experiência achariam engraçada ou não uma piada antes mesmo de a menor sugestão de um sorriso esboçar-se. O humor teria de fato sua fonte no cérebro e repousaria sobre mecanismos cognitivos.

Mas quais seriam esses mecanismos? Sabemos que o momento de oscilação de valores negativos para positivos reflete diminuição da atividade neuronal. No interior das células nervosas, o potencial elétrico toma-se negativo, o que aumenta o seu limiar de excitação e, em consequência, diminui a probabilidade de o neurônio emitir um impulso. O cérebro, por assim dizer, pisa fundo no freio e paralisa os processos mentais em andamento, a fim de capacitar-se para novos processos. Nos termos da teoria da incongruência, isso corresponde à fase em que se abandonam todas as expectativas levantadas quanto ao desfecho da piada.

Guinada mental

Num eletroencefalograma, oscilações negativas representam excitação neuronal. É como se o cérebro pisasse no acelerador. De novo irrefreadas, as células nervosas podem agora perseguir novas ideias e, assim, realizar a guinada mental necessária à compreensão do arremate cômico da piada.

Derks investigou também o que caracterizaria de fato uma boa piada. Pois prestem atenção, piadeiros contumazes! O refinamento do desfecho cômico desempenha aí apenas um papel secundário. Bem mais importante é a velocidade com que a guinada cômica é compreendida. Piadas simples e diretas proporcionam não apenas diversão mais rápida, como também acessos de riso mais duradouros e intensos.

Derks não pôde esclarecer que regiões cerebrais abrigam o senso do humor. O hemisfério direito do cérebro, no entanto, deve ter algo a ver com isso, em particular o lobo frontal direito. Pessoas com alguma lesão nessa região do córtex não apenas sofrem de alterações da personalidade, como tendem também a, indiscriminadamente, achar tudo engraçado: riem demais, e nos momentos errados.

A neuropsicóloga Prathiba Shammi, da Universidade de Toronto, Canadá, seguiu essa pista e testou o papel do lobo frontal direito. Numa espécie de teste de múltipla escolha apresentou piadas com diferentes finais aos participantes de sua experiência: final lógico, mas não engraçado, final com arremate cômico e final burlesco.

Por exemplo: um estudante se candidata a um emprego de férias. “No começo, você vai ganhar 150 euros por semana”, diz o patrão. “Mas, no próximo mês, o salário sobe para 200 euros”. As possíveis respostas do estudante: “Aceito. Quando começo?”. Ou: “Puxa, que legal. Volto no mês que vem, então!”. Ele ainda poderia dizer: “Ei, chefe, esse seu nariz é grande demais para sua cara”. A tarefa dos participantes consistia em escolher a versão mais engraçada. Tanto as pessoas saudáveis quanto aquelas com lesão cerebral fora da região do córtex frontal compreenderam sempre a piada, completando-a com o arremate cômico apropriado (a segunda opção), e se divertiram com ela. Mas os portadores de alguma lesão no lobo frontal direito em geral optaram pelo final burlesco (o último).

A comicidade depende do momento de surpresa – isso também esses pacientes parecem saber, mas não que o final burlesco não tenha sentido no contexto geral proposto. Como supõe Shammi, as piadas mais elaboradas lhes escapam porque eles não são capazes de dar o salto mental em direção à outra perspectiva, imprescindível à compreensão. Ainda assim, os participantes com lesões cerebrais foram perfeitamente capazes de tirar conclusões sensatas.

Até recentemente ignorava-se, em grande parte, o papel desempenhado pelo lobo frontal direito no homem. O córtex frontal é a esfera do nosso órgão do pensamento que mais cresceu no decorrer da história evolutiva. A ele o homem deve suas singulares capacidades cognitivas, uma vez que é tido como a sede do pensamento lógico. Ali são tiradas conclusões e resolvidos problemas complexos. De acordo com os estudos de Vinod Goel, da Universidade de Toronto, o lobo frontal direito confere a flexibilidade mental, e os pacientes com lesões nessa região têm dificuldade em abandonar ideias e noções já concebidas.

Os psicólogos gostam de testar essa flexibilidade mental com ajuda de exercícios que consistem em completar palavras. Eles propõem as sílabas iniciais e os pacientes devem completar com um final óbvio e outro mais original. Por exemplo, Cata…logo seria uma solução simples, ao passo que Cata…crese uma solução mais elaborada.

A “mudança de perspectiva” é crucial quando se passa de uma solução logicamente antecipada a um cenário desconcertante. Mas nós frequentemente mudamos de perspectiva sem rir a cada vez. Para entender esse mistério, e notadamente a diferença entre o fato de compreender uma piada e o de considerá-la engraçada, Goel decidiu estudar a vertente emocional do riso. Reuniu 14 pessoas saudáveis e as fez ouvir uma fita com piadas que seguiam sempre o mesmo padrão de pergunta e resposta: “Por que os tubarões não devoram advogados? Porque até os tubarões têm lá seu orgulho”. E, valendo-se da tomografia por ressonância magnética funcional, os pesquisadores mediam a atividade cerebral dos participantes. Que a porção posterior do lobo temporal esquerdo fosse se iluminar, isso eles já esperavam. Afinal, aí se situa uma área importante para o processamento da linguagem. Mas também a região correspondente do lado oposto revelou-se ativa, e isso foi algo incomum: em geral, o lobo temporal direito permanece quieto quando do trato com a linguagem. A fim de processar os jogos de palavras, porém, o cérebro dos participantes parecia se valer dos dois hemisférios.

Mas, como Goel suspeitava, essas atividades neuronais refletem apenas o processo meramente cognitivo. Faltava analisar o “aspecto afetivo”, o componente emocional. Entender uma piada é uma coisa,- divertir-se com ela é outra, bem diferente. Essa diferença se manifesta também no plano neurobiológico. Tão logo os participantes da experiência achavam graça numa piada, ativava-se ainda outra região de seu cérebro: o chamado córtex pre-frontal ventromedial. E quanto maior a diversão, tanto mais intensa a atividade. Sabemos, por outros experimentos, que essa região está ligada de alguma forma a nosso sistema de recompensa, que entra em ação, por exemplo, quando saboreamos um delicioso almoço, temos relações sexuais ou nos alegramos com algum sucesso intelectual. Portanto, o prazer de uma boa gargalhada compartilha das características de outros prazeres.

Quando se trata de comer ou se reproduzir, o prazer é uma recompensa que garante a perenidade dessas atividades e a sobrevivência da espécie. O fato de que exista um “prêmio pelo riso” sob forma de recompensa hedônica pelos mesmos circuitos neuronais sugere que o riso desempenhou um importante papel na evolução da espécie humana.

Trilhos do pensamento

Barbara Wild, neurologista da Universidade de Tübingen, na Alemanha, estuda de que maneira o cérebro reage aos desenhos animados espirituosos de Gary Larson. O observador precisa se pôr mentalmente no lugar das personagens da ação e, depois, abandonar esse posto, para então rir da situação infeliz em que se encontram.

Essa capacidade, chamada de “teoria da mente”, é considerada o cerne da consciência humana. Quando pesquisadores do humor investigam a neuro-biologia da piada, eles também fazem descobertas acerca de funções ainda mais enigmáticas do cérebro. Os primeiros resultados dessas pesquisas mostram que o desenho é processado em conjunto por diversas regiões cerebrais. Além do córtex frontal, ativam-se importantes centros da emoção em áreas cerebrais que, do ponto de vista evolutivo, são mais antigas, tais como a amígdala e o hipocampo. Isso evidencia como são fundas as raízes do senso de humor no cérebro.

Pouco a pouco, portanto, desfaz-se a névoa em torno dessa qualidade tão humana. Mas porque, afinal, a possuímos? A esse respeito, mesmo munidos de ressonâncias magnéticas e eletroencefalogramas, esses estudiosos só podem especular. Marvin Minsky, pensador e profeta da inteligência artificial, conjectura que o humor se desenvolveu para chamar nossa atenção para os erros em nosso pensamento lógico e nas conclusões que tiramos. A risada deteria o trem do pensamento quando ele avança por trilhos errados. Wild concorda: “O cérebro se ocupa constantemente de formular regras. Mas são as exceções a essas regras, as guinadas surpreendentes, que mais nos chamam a atenção”, explica. Tais mudanças abruptas podem gerar sentimentos negativos, mas despertam sentimentos positivos também. “Quando descobrimos que o novo não é nenhuma ameaça, rimos aliviados.”

Para o neurologista Vilayanur Ramachandran, da Universidade da Califórnia, em San Diego, um dos pioneiros na pesquisa neurológica da consciência, ” a principal utilidade do ato de rir consistia originalmente em dar ao indivíduo uma possibilidade de comunicar a seu grupo social que a anomalia por ele descoberta era trivial e não oferecia motivo para preocupação”. Ha ha ha significa desmobilização: não há perigo, relaxem. De resto, o riso desarma não apenas no âmbito proverbial, mas também no sentido biológico: ele rompe a reação de “lutar ou fugir” que situações ameaçadoras deflagram, faz cair o nível de adrenalina e contribui para reduzir a tensão.

Wild gostaria de fazer uso terapêutico desses efeitos positivos no tratamento, por exemplo, de pessoas depressivas. “Em psicoterapia, o humor parece ser tabu”, admira-se. “E, no entanto, rir liberta. Mais importante ainda, talvez: rir nos mostra que, a qualquer momento, podemos mudar nosso modo de encarar as coisas.” É precisamente a essência de toda piada que Wild gostaria de comunicar a seus pacientes – se necessário, com uma pitada de ironia. “Devemos compreender que nossos problemas podem ser encarados de uma perspectiva totalmente diferente, capaz de revelar seu lado cômico.”

Por Ulrich Kraft

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