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Apocalipse Textos
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8/9/2017 4:40:11 PM | Por Flávia Galil Tastch
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O final dos tempos no zoroatrismo

Zoroastro dividiu a história cósmica em três etapas distintas: Bundahishn (a criação), Gumêcishn (a mescla) e Frashegird (a separação ou a renovação). O Bundahishn se deu em duas fases: na primeira, Ahura Mazda concedeu a vida a todas as coisas em um estado espiritual e imaterial, que em pahlavi se chama de menog, totalmente vulnerável ao mal e passível de ataques por parte de Angra Mainyu. Daí a segunda etapa, na qual o estado inicial do menog se transforma, originando e adquirindo o getig, o aspecto material e físico da existência. A criação foi sucedida pelo Gumêcishn, momento em que o espírito mal mata o touro e o homem primordiais - de cujos sêmens nasceram tanto os animais bons quanto o primeiro casal humano (Mashya e Mashyãnag).

Durante essa etapa, Angra Manyu se juntou aos devaes e espíritos maus (que havia criado para fazer frente aos Amesha Spenta) para atacar os homens, infligindo-lhes tudo aquilo que poderia causar sofrimentos morais, espirituais e físicos. O mundo não era mais totalmente bom, mas uma mistura entre o bem e o mal.

Na terceira etapa, Frashegird (palavra em pahlavi que provavelmente significa renovação), marcada pela purificação no fogo e a transfiguração da vida, a humanidade junta-se aos vazatas para restaurar o mundo a seu estado inicial, ou seja, antes da existência e dos ataques de Angra Mainyu. Nesse momento, o bem é separado do mal, os justos dos injustos. Para Zoroastro, a separação é uma etapa infindável da história. É o período no qual Ahura Mazda, os seis Amesha Spenta e a humanidade viverão em perfeita harmonia, cercados pela bondade e paz eternas. Com a restauração, o mundo retorna ao estado inicial. Entre a primeira e a última etapa, está o momento em que o bem e o mal se enfrentam, uma batalha na qual deuses e homens lutam pelo mesmo ideal. Ora, a doutrina de Zoroastro não só concede a todos o livre-arbítrio como oferece à humanidade uma razão pela qual viver.

Mitologia - Mitologia Persa
8/2/2017 8:07:53 PM | Por Mirella Faur
Livre
Ragnarök, o fim dos tempos

Vários mitos nórdicos são permeados pela profunda compreensão e a resignada aceitação dos desígnios do destino, da transitoriedade da vida e da inexorabilidade da morte, as cujas leis eram submetidos todos os seres vivos e os próprios deuses. Por terem sido criados pela união de elementos opostos, gelo e fogo, gigantes e deuses, as divindades nórdicas não eram perfeitas nem eternas, tendo em si a semente da morte, assim como os seres humanos. A cosmogênese tem um perfil dramático, que segue em etapas até alcançar o clímax e depois se encerra de maneira trágica, mas entremeada pela justiça cósmica, com as inerentes punições e recompensas, como prenúncios de uma nova era. Os mais comoventes versos dos Eddas contidos no poema “Völuspa” são os que descrevem o dramático fim dos tempos, denominado Ragnarök ou Götterdämmerung em alemão (O Crepúsculo dos Deuses), título de uma ópera famosa do compositor Wagner. [86]

Um longo inverno, escuro e tenebroso, que se prolongou durante três anos — chamado Fimbulvetr – ocorreu após a trágica morte do deus Baldur, acompanhado por manifestações de ódio, violência, crimes, incestos, estupros, destruição da terra e guerras entre os homens. As leis e regras humanas foram infringidas e a ordem estabelecida pelos deuses no início do mundo foi distorcida e deturpada. Os desequilíbrios humanos provocaram e aceleraram cataclismos naturais, como secas ou inundações, terremotos, erupções vulcânicas e tempestades violentas.

A neve caía sem parar, camadas de gelo cobriram a terra, os ventos sopravam de todas as direções, o sol e a lua foram alcançados e devorados pelos ferozes lobos que os perseguiam. A terra estremeceu, as estrelas se desprenderam da abóbada celeste e todos os mundos de Yggdrasil mergulharam na escuridão e no caos.

Acordada pelo tumulto geral, a Serpente do Mundo — Jóimungand —saiu do seu esconderijo marinho e começou a se contorcer, levantando ondas imensas que causaram maremotos e dilúvios. Essa turbulência colocou em movimento o navio Nagilfar (construído com as unhas de todos os mortos), trazendo os gigantes liderados pelo vingativo Loki. Os galos de Midgard e o pássaro vermelho da deusa Hei alertaram com seus cantos o deus Heimdall, que soou sua corneta para dar o temido alerta: “Ragnarök está começando”, enquanto o galo vermelho Fialai, de Asgard, dava um grito agonizante. Imediatamente, todos os deuses e os guerreiros de elite de Odin (Einherjai) sacaram suas armas, montaram seus cavalos e atravessaram a galope a ponte do Arco-Íris, seguindo na direção da planície de Vigrid, palco da batalha final. Do norte, em meio a uma imensa neblina, chegava outro navio conduzido por Hrym, trazendo os gigantes de gelo. Niddhog começou a sacudir suas asas, criando pânico geral, enquanto os monstros Fenrir e Garm se libertaram dos seus cativeiros e saíram sedentos de vingança e ódio. Surt conduzia os gigantes de fogo e, brandindo sua espada flamejante, foi atear fogo nos palácios dos deuses de Asgard, despedaçando na sua passagem a ponte do Arco-íris. Antes do combate, Odin tinha ido à fonte de Urdh para obter uma orientação ou presságio das Nornes, mas elas permaneceram em silêncio e com os rostos velados. No campo de batalha os combatentes se alinharam: de um lado os deuses e os Einherjar, do outro os gigantes de fogo e de gelo, Loki e suas crias monstruosas (Hel, Garm, Fenrir, Jörmungand).

O embate final foi catastrófico; os deuses estavam em desvantagem apesar de lutarem com todas as suas forças e coragem. Odin tinha apenas um olho e, apesar dos seus atributos divinos, não sobreviveu ao ataque do mal personificado pelo lobo Fenrir, que assumiu proporções gigantescas e, com suas mandíbulas, abarcou o espaço entre o céu e a terra. Os outros deuses não puderam socorrer Odin, pois [87] todos estavam em situação crítica e o Pai Supremo foi engolido pelo monstro. Embora tivesse apenas um braço, Tyr conseguiu dominar o cão infernal Garm, mas não resistiu aos ferimentos. Thor venceu finalmente sua inimiga, a terrível Serpente do Mundo, mas sucumbiu ao seu veneno. Frey não estava mais de posse de sua espada (que ele tinha oferecido para conquistar a deusa Gerd) e, lutando apenas com os chifres de alce, logo foi vencido pelo gigante Surt. Loki e Heimdall — velhos rivais e inimigos — cruzaram armas em um prolongado duelo, mas ambos caíram mortos. Nenhum dos outros deuses ou dos guerreiros Einherjar sobreviveu ao massacre; somente os filhos de Odin — Vali e Vidar — e de Thor —Magri e Modhi — escaparam, após terem vingado a morte dos seus pais, matando o lobo Fenrir e o cão Garm. Vidar tinha escancarado a boca do lobo Fenrir, colocando nela seu pé com um calçado mágico especial e assim conseguiu rasga-la.
O dragão Niddhog, que roía as raízes de Yggdrasil, a árvore cósmica, desde o início dos tempos, renovou seus esforços, cortando de vez as raízes da árvore, que começou a trepidar e finalmente caiu. Os Nove Mundos se despedaçaram e pereceram nas chamas dos incêndios provocados por Surt e a sua horda de gigantes. A morada da humanidade — Midgard — foi totalmente queimada pelo calor das fogueiras e tudo o que nela existia e vivia foi reduzido a cinzas e, devagar, submergiu nas ondas revoltas do mar. A tragédia cósmica tinha chegado a seu fim e o Ragnarõk levou o mundo de volta ao caos primordial.

No entanto, como os antigos povos nórdicos acreditavam na eterna alternância dos ciclos naturais de vida, morte e regeneração, eles refletiram essa crença na continuação do mito, seguindo a universal “lei do retorno”, conceito existente também em outras religiões e culturas. Assim sendo, após uma demorada purificação pelo fogo e pela imersão na água do mar, a terra emergiu lentamente das ondas e, aos poucos, a sua superfície foi se cobrindo com o manto verde da vegetação. Como a deusa Sunna tinha dado à luz a uma filha um pouco antes de o lobo Skoll tê-la devorado, a nova deusa solar apareceu conduzindo o sol, menos cáustico do que o anterior, em uma nova carruagem dourada. De um esconderijo — talvez uma gruta ou o oco de um rebento de Yggdrasil —apareceu um jovem casal, Lif e Lifthrasir, que tinha sobrevivido à catástrofe, mergulhado em um sono letárgico e nutrido apenas pelo orvalho. Com o passar do tempo, seus descendentes povoaram novamente a terra e retomaram os antigos cultos e oferendas aos deuses.

Os filhos sobreviventes dos deuses Odin e Thor: Vali e Vidar, Mani e Modi — que haviam resgatado o martelo mágico do pai – se juntaram a Baldur, que surgiu brilhante junto ao irmão Hodur, vindos do reino dos mortos. Eles tinham se reconciliado após a trágica participação de Hodur na morte de Baldur [88] e nenhuma mágoa ou amargura do passado permaneceu entre eles. Juntos com a jovem Sunna voltaram para as ruínas daquilo que tinha sido o seu reino divino — Asgard — e descobriram que Gimli, o palácio mais alto, tinha permanecido milagrosamente intacto no meio dos escombros, na planície de Idavoll. Lá eles se refugiaram e retomaram suas atribuições, continuando as tarefas dos seus pais; assim reconstruíram as moradas celestes e restabelecerem a ordem cósmica. Eles designaram novas habitações para os anões e gigantes, por não terem sido eles os responsáveis diretos por um fim de ciclo programado pelas Senhoras do Destino, desde o começo dos tempos. Os anões foram morar nas montanhas e colinas e os gigantes em uma região com temperaturas mais amenas, pois o poder destrutivo do gelo tinha sido anulado.

Análise do mito
Como todos os mitos, Ragnarök pode ser analisado sob vários ângulos e compreendido em níveis diferentes. O enfoque principal, porém, será sempre o processo cíclico de destruição e reconstrução, de morte e renascimento, assim como também é a jornada da alma, que passa por etapas de finalização e recomposição, para assim alcançar novos patamares de evolução.

Alguns escritores fazem um paralelo entre o Ragnarök e o Apocalipse bíblico, sincretizando Baldur com Cristo, Loki com o Diabo e a corneta do deus Heimdall com a trombeta do anjo. Mesmo que tenha recebido adaptações e retoques cristãos — na transcrição ou tradução (pelos monges) do texto original —, não se pode afirmar que o Ragnarök seja um plágio cristão, pois as influências cristãs e as descrições apocalípticas (dos livros e as proferidas nos sermões após a conversão), não possuíam a base mítica e mágica das crenças ancestrais nórdicas, que as precederam por séculos.

Além da existência de conceitos semelhantes sobre o fim do mundo em outras culturas e tradições — como a iraniana ou a celta —, o desenlace do Ragnarök representa o fim inevitável de um universo múltiplo, criado pela união de forças opostas e antagônicas: fogo/gelo, gigantes/deuses. Tanto nos poemas e sagas islandesas, quanto nos Eddas, no folclore dinamarquês e sueco, encontram-se crenças populares sobre o fim do mundo, como o navio feito das unhas dos mortos, os monstros que devoram o sol e a lua, a queda das estrelas, a destruição do mundo por um gigante que se libertou do cativeiro, a terra submersa no mar, entre outras semelhanças como as descritas no poema “Völuspa”.

Outros povos antigos também temiam o fim do mundo e o melhor vaticínio é encontrado em um ensinamento dos druidas que diz: “A alma e o mundo são indestrutíveis, porém virá um dia em que o fogo e a água irão prevalecer”. [89]

A destruição pelo frio ou o calor intenso e a submersão da terra por inundações eram temas corriqueiros na vida da população da Islândia, onde geleiras, gêiseres, lagos de água quente e erupções vulcânicas faziam parte do cenário natural. A presença quase permanente do frio intenso, das chamas e das nuvens de fumaça, além das ondas gigantes invadindo as praias, eram lembranças reais das catástrofes naturais e habituais na Islândia. As imagens reais foram acrescentadas, com o passar do tempo, a mitos e histórias, enriquecendo a compreensão e aceitação da verdade histórica e do substrato mitológico. Os mesmos elementos míticos que tinham criado o mundo – fogo e gelo – podiam se tornar agentes da sua destruição, que seria seguida de uma reconstrução. A descrição poética da emergência de um novo mundo, purificado de todos os males e regenerado para começar um novo ciclo, pode ser vista como uma mensagem de esperança e sabedoria, que expressava crenças ancestrais pré-cristãs e revelava o desejo universal de renascimento da alma após a morte física.

Além das inscrições rúnicas pré-viking sobre pedras memoriais, encontradas em Skarpaler, na Suécia – citando a inevitável destruição do mundo —, existem pedras gravadas com cenas que evocam as descrições do Ragnarõk, como as encontradas no norte da Inglaterra, em Gosforth, originárias do século X. Nas cenas gravadas, são vistos monstros amarrados, um guerreiro abrindo a boca de um monstro com a mão e o pé (assim como Vidar fez para estraçalhar o lobo Fenrir, que tinha matado Odin, seu pai), um homem tocando uma corneta, outro lutando com serpentes, dois grupos de guerreiros se enfrentando, entre outras semelhanças com as descritas no poema “Võluspa”.

Acredita-se que, no século X, existisse um amplo acervo de lendas, informações míticas e folclóricas sobre o fim do mundo e o extermínio de deuses e seres humanos, que serviu como fonte de informação popular, ancestral e pré-cristã para o “Võluspa”.

Na Islândia algumas cavernas vulcânicas se chamam Surtshelli e havia várias estórias sobre Surt, um gigante dos vulcões que provocava sua erupção, jogando chamas e fumaça para o céu. A erupção do vulcão Skaptar Yõkul, em 1783, lembra a sequência de eventos descritos em “Võluspa”: tremores de terra, a desaparição do sol debaixo de nuvens de fumaça e cinzas, as chamas derretendo as geleiras, que inundavam os campos, e as ondas do mar, subindo e cobrindo a terra. Essa catástrofe real era idêntica à descrição do poema, por isso é fácil compreender por que a elaboração do mito surgiu na Islândia, onde a interação de calor e frio, vida e morte era um elemento da realidade cotidiana. Mesmo que a destruição pelo fogo e pela água fizesse parte dos temores atávicos de vários povos, ela era mais presente nas regiões distantes do norte europeu, onde havia longos e gélidos invernos, [90] mares tempestuosos, erupções vulcânicas ocasionais, e persistiram durante séculos as antigas lendas sobre o fim do mundo e o seu renascimento do mar.

Embora seja fácil observar e compreender a semelhança entre os fatores ambientais, as circunstâncias naturais e sua assimilação e adaptação no poema “Võluspa”, permanecem alguns enigmas e fatos inexplicáveis na narração dos episódios relacionados à participação das divindades. São mencionados os atos heróicos e a morte dos principais deuses e a sobrevivência de alguns dos seus filhos. No entanto, apenas uma deusa —Sunna — é citada, a sua mãe tendo sido morta pelo lobo que a perseguia e a filha com o mesmo nome assumindo a missão materna no Novo Mundo. Nenhuma outra deusa, nem mesmo as Valquírias, são mencionadas na batalha final, nem nos eventos subsequentes a ela. Essa omissão é estranha e surpreendente, dando margem a diversas suposições e questionamentos sobre a ausência das grandes deusas como Frigga e Freyja, as regentes da terra — Erda ou Nerthus — e principalmente, as Senhoras do Destino, as Nornas, que tudo sabiam e teciam fatos e tempos na sua intrincada teia cósmica e telúrica. Essa lacuna torna-se inexplicável dada a riqueza de detalhes dos outros eventos narrados pela vidente.

Existe uma menção, no mito Vafthrudhnismal sobre a sobrevivência das divindades Vanir e a morte dos Aesir, que descreve a chegada de três grupos de mulheres sábias vindas do além-mar e tornando-se protetoras da terra. Talvez elas tenham sido as Nornas, as Disir e as Valquírias; no poema “Võluspa” menciona-se a chegada ao início do mundo de três mulheres gigantes, sábias e poderosas, cuja função era determinar o destino, englobando fatos positivos e destrutivos. Acredita-se que, além da possível omissão voluntária dos colecionadores e tradutores (monges cristãos) dos textos originais, estava implícita na visão da vidente a permanente existência das deusas, sendo elas expressões e manifestações do princípio divino feminino, responsável pela geração, nutrição e sustentação da vida.

A comprovação está na continuidade do planeta Terra, que, purificado pelo fogo, renasceu renovado do oceano, o ventre primordial gerador da vida. O casal que sobreviveu depois de se abrigar em uma gruta (útero da Mãe Terra) ou nos galhos de Yggdrasil (a Arvore do Mundo) se tornou responsável pela população da terra, sendo protegido e abençoado pelas forças celestes e telúricas em um novo ciclo. O fato mais importante e evidente é que nenhuma deusa provocou ou participou da guerra e da destruição do Ragnarók, pois se sabe que, desde sempre, as mulheres — por serem as que geram e protegem a vida dos filhos — relutavam em enviar seus filhos para serem mortos ou feridos nas guerras. Elas mesmas somente participavam das batalhas para defender a si próprias ou as suas famílias dos ataques, saques ou violências dos invasores. [91]

Mitologia - Mitologia Nórdica
8/2/2017 7:18:50 PM | Por A. S. Franchini
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Ragnarok, o crepúsculo dos deuses

Aquele inverno tinha sido o mais gelado de quantos os deuses podiam ter lembrança. Para começar, não fora um só, mas três invernos encadeados. A neve caíra sem cessar dia e noite, com flocos imensos, congelando rios e mares. Mas, quando a terceira estação de frio consecutivo se anunciou, os deuses em Asgard começaram verdadeiramente a se preocupar. - Já vamos para o terceiro inverno, Odin...! - disse-lhe Frigga, sua esposa, toda recoberta por peles. - Isto não é normal! - Sua voz traía um terror inconfesso, embora sua alma ainda relutasse em admitir que aquele pudesse ser o primeiro e temido prenuncio de Ragnarok, o Crepúsculo dos Deuses. - É um inverno excepcionalmente frio, apenas isto; coloque mais roupas e trate de sossegar - disse o velho deus, com o cenho carregado.

Odin na verdade passara a vida toda se preparando para este pavoroso dia; não por acaso mandara construir o majestoso Valhalla, o palácio onde abrigava o exército de seus melhores combatentes mortos trazidos dos campos de batalha pelas valquírias, suas filhas guerreiras. Mas, nem por isto, a palavra fatal fora pronunciada, lá ou em Asgard, uma única vez, a não ser por alusões ou eufemismos, pois todos sabiam que aquela guerra seria a ruína não só dos deuses, como do mundo todo.

O terceiro inverno prosseguiu cada vez mais frio e apavorante. Mas isto não era tudo: rumores de uma guerra iminente surgiam a todo instante, ou então, de guerras que já estavam em pleno andamento. Guerras de homens contra gigantes, de anões contra elfos, de homens contra homens, de todos contra todos. Nunca os anões haviam trabalhado tanto como nos últimos tempos: avisados de algo, ou simplesmente premidos pelas circunstâncias, suas forjas há muito tempo não se apagavam, produzindo, noite e dia, milhares de espadas, lanças e escudos de Iodos os tipos e feitios. Rios de ouro desaguavam às portas de suas cavernas em pagamento pelos artefatos, pois todas as raças sabiam que, muito em breve, pilhas de ouro não teriam valor algum diante de uma boa espada ou de um escudo razoavelmente sólido.

O Galo de Ouro cantou, como fazia todos os dias no topo do portão de Asgard. Sua saudação ao sol, entretanto, soou inútil, pois naquele dia o sol não nasceu. Corriam rumores horríveis pelo mundo acerca dos filhos de Fenris, o lobo gigantesco. Diziam estas vozes apavoradas que um deles, finalmente, conseguira engolir o sol, enquanto que o outro, a lua.

- Já não há mais sol nem lua pelos céus, Odin supremo! - disse um mensageiro, após atravessar Bifrost, a ponte do arco-íris que levava a Asgard. - É o começo do fim!

Uma escuridão espectral espalhara-se pelo mundo e, agora, a noite era a soberana do universo. Odin aproximou-se da janela e tentou escutar os rumores que chegavam do mundo lá embaixo. Algo como o ruído surdo e contínuo de um terremoto rolava da escuridão até chegar aos portões de Asgard como um rosnar ameaçador. O deus, tomando de sua lança Gungnir, correu até o seu trono mágico, de onde podia observar tudo quanto se passava nos nove mundos.

Nada podia ser mais aterrador: em todos eles, reinava a mais negra escuridão e somente se podia enxergar algo graças aos clarões das tochas e dos incêndios que lavravam por toda parte, Incêndios provocados por vulcões - que irrompiam do chão, violentamente, e sem aviso, engolindo populações inteiras - e das guerras de pilhagem promovidas por vândalos e seus exércitos arregimentados unicamente pelo caos.

- Então, finalmente, chegou o dia... - disse Odin, abaixando a cabeça como quem espera a iminente realização de uma funesta profecia. - Thor, mande reunir todos os deuses capazes de empunhar uma lança e os avise de que todos devemos rumar para o Valhalla - disse o velho deus, recuperando aos poucos a altivez. -Chegou a hora de unir nossos exércitos e nos preparar para a última batalha.

***

Os tremores de terra não haviam somente destruído casas e matado populações inteiras. Haviam também conseguido deslocar as pedras de duas cavernas onde estavam presos, há muito tempo, dois personagens que o destino escolhera para protagonizar o começo da ruína dos deuses.

Numa destas cavernas estava Loki, o perverso filho dos gigantes, preso às rochas, desde há muito tempo, por sólidas correntes. Entretanto, durante a noite, o prisioneiro barbudo vira cessar o seu tormento, o qual consistia em ter uma serpente a gotejar, permanentemente, sua baba pestilenta sobre o seu rosto. Por que ela teria cessado, espontaneamente, de o atormentar?, perguntara-se Loki a noite inteira. Teriam os deuses o perdoado? Cessara, afinal, a mágoa no peito de Odin pela morte de seu adorado filho Balder?

Estrondos sacudiram tudo a noite inteira até que um tremor mais forte deslocou as duas pedras que mantinham presas as suas correntes.

- Oh, será verdade? - disse ele, pondo-se em pé depois de muitos e muitos anos. - Estou livre, finalmente, livre...!

Loki gritou e sapateou como uma criança até que uma idéia iluminou a sua mente: - Se estou livre, isto só pode significar uma coisa... - disse ele, custando a crer que o seu dia chegara. - Soou a hora do grande confronto com os deuses!

De repente, porém, suas palavras foram cortadas por um terrível uivo: era Fenris, seu filho lobo, quem também se via livre de suas correias. Um exército de gigantes conseguira localizá-lo e libertá-lo das indestrutíveis cadeias forjadas pelos anões. O velho lobo ainda podia sentir na boca o gosto da mão de um deles, Tyr, o deus audaz, que ousara arriscá-la para garantir o sucesso da trapaça de seus companheiros.

- Vamos, Fenris! - bradou um dos gigantes, carregando uma pesada clava. - Chegou a hora de ajustar as contas com o velho deus!

O lobo, também sem poder acreditar, despedira, então, o seu pavoroso uivo, que prenunciava a sua vingança, o qual Loki escutara da sua caverna.

Lançando longe as suas cadeias, Loki tratou de rumar, logo, para a região sombria de Musspel, onde sabia que um poderoso exército de gigantes mortos o aguardava. Ele, Loki, teria a honra de ser o timoneiro do navio que conduziria o exército espectral para o confronto, enquanto Surt, o deus do fogo, guiaria também, com sua espada chamejante, os seus exércitos rumo a Asgard. Ao mesmo tempo, a terrível Iormungand, a Serpente do Mundo, provocava maremotos colossais ao fazer a sua marcha em direção a terrível batalha final.

Antes do fim do dia, estavam todos reunidos, prontos para galgar o último obstáculo que os separava dos deuses entrincheirados: a ponte Bifrost, guardada por Heimdall, inimigo figadal de Loki.

- Todos a Asgard! Morte aos Aesires! - bradava Loki, feito agora comandante supremos das forças destrutivas.

Os exércitos maciços começaram, então, a subir a ponte, em um arremesso que escureceu e fez abalar inteiro o arco-íris, enquanto que, pela segunda vez naquele dia, o Galo de Ouro fazia ouvir a sua estridente voz.

***

Alertado pelo canto do galo, Heimdall, o guardião da ponte, acorreu logo à toda pressa para a trombeta gigante, instalada ao lado do portão de Asgard. Apesar de ter esperado por isto a vida inteira, Heimdall sentiu-se francamente surpreso com a reação que isto despertara nele: era um misto de terror, aflição e, ao mesmo tempo, de euforia. Sim, de euforia, pois, agora, a angústia - aquele sentimento daninho que roía seu coração dia após dia - finalmente, acabara: chegara, afinal, a hora do confronto: de resolver, de uma vez, a pendenga que, durante milênios, opusera os deuses a seus inimigos mortais.

As forças de Odin - os melhores guerreiros que o universo já pudera produzir - estavam prontas para o combate. Montado em seu cavalo Sleipnir, Odin, cercado por Thor e Freyr, aguardava apenas o momento certo para dar a ordem de ataque, quando escutou o ruído da trombeta. Durante alguns instantes, só se ouviu o soar, majestosamente aterrador, daquele instrumento poderoso, até que a fúria e a gana de combater começou a inflamar o peito dos guerreiros. Todos sabiam que iriam perecer, mas a eles bastava a consciência de saber que o fariam com coragem e altivez e que seus inimigos também iriam misturar o seu sangue ao dos heróis. Se tudo se resumia a uma grande batalha - a maior de quantas já houvera - e, se eles iriam ter a honra suprema de ser protagonistas dela, então estava tudo muito bem.

- Odin, as forças inimigas já sobem por Bifrost...! - exclamou Heimdall, montado em seu cavalo branco e de lança enristada.

- Aguardaremos que rompam o portão; então, atacaremos sem nenhum medo ou piedade - disse o líder dos deuses sem demonstrar qualquer vestígio de receio.

Entretanto, quando os gigantes e as outras criaturas sinistras estavam quase para chegar aos portões de Asgard, escutou-se o ruído pavoroso de algo que ruía. Todas as cabeças voltaram-se para a direção do ruído estrepitoso, mas somente Heimdall pôde observar um espetáculo digno dos deuses: a ponte Bifrost ruíra, lançando para baixo todos os exércitos numa confusão de braços e pernas humanos misturados a patas de cavalos e de outros seres repulsivos.

Um estrépito de vivas! sacudiu as colunas de Asgard. Inflamados por aquele breve triunfo inicial, todos comemoravam, menos Odin, que parecia mergulhado num supremo devaneio: - Thor, não sei se, para você, a sensação é a mesma - disse ele, cochichando ao ouvido do filho as suas últimas palavras -, mas estou me sentindo leve, agora... muito leve! - Um sorriso, quase de êxtase, brilhava por baixo de suas barbas esbranquiçadas.

- Sim, meu pai, sinto o mesmo - disse Thor, empunhando com ainda mais força Miollnir, o seu inseparável martelo. - Parece que vai começar, agora, a melhor de todas as brincadeiras!

- Sim... a melhor de todas as brincadeiras...! - repetiu Odin e, antes que pudesse retomar o fôlego, despediu um grande grito: - Adiante, guerreiros de Odin! Pela honra dos Aesires, empunhemos as espadas!

Os portões de Asgard foram abertos pela última vez. Numa gigantesca cavalgada, os exércitos divinos desceram pelo que restava da ponte do arco-íris indo, diretamente, de encontro às forças inimigas que já estavam reorganizadas nos campos de Vigrid, local, agora, do último e apocalíptico combate.

***

Os exércitos engalfinharam-se num choque de espantosa brutalidade, que tirou, imediatamente, a vida de milhares de combatentes. As espadas e as lanças começaram a retinir, enquanto verdadeiros rios de sangue escorriam pelos pés dos guerreiros. Os inimigos declarados procuravam-se por entre as hordas anônimas e parecia que cada qual sabia, exatamente, o papel que deveria executar, pois, um a um, os inimigos pessoais foram se encontrando para seus ajustes e desforras pessoais.

Freyr, o deus que viera a Asgard como um intruso e acabara caindo nas graças de Odin, foi o primeiro a se defrontar com seu inimigo, o gigante Surt.

Segurando sua espada flamejante, o gigante avançara impávido na direção do deus. Nenhum disse qualquer palavra, mas Freyr soube, desde o primeiro instante, que marchava para a morte. Sem portar a sua espada mágica - que tivera a desventura de entregar há muito tempo a seu descuidado servo Skirnir -, Freyr ergueu a sua lança e tentou aparar o golpe da terrível arma de seu oponente. Mas, foi tudo em vão: a lança partiu-se e o deus caiu morto sob o golpe certeiro do gigante em chamas.

Um pouco mais adiante, Tyr, o deus maneta, após ter matado centenas de inimigos, perecia nos dentes de Garm, o cão de guarda infernal, parecendo ser sua sina ser sempre alvo dos dentes de algum animal de poderosas mandíbulas. Mas, antes de morrer, enterrara no coração da fera o aço escaldante de sua espada, vingando, assim, a morte do mais valente dos deuses.

Loki e Heimdall, que tantas disputas travaram anteriormente, estão agora frente a frente. Seus dentes estão cerrados, mas, curiosamente, parecem sorrir ao mesmo tempo. Em seguida, os dois atiram-se um ao outro com suas espadas afiadas, mas são logo engolfados por uma multidão de combatentes que atiram às cegas as suas cutiladas. Quando a multidão se desfaz - em sua maioria caída e morta ao chão - vê-se que Loki e Heimdall estão ambos caídos também lado a lado. Nenhum registro se fez da maneira como ambos deram um fim à vida do outro e à rivalidade que sempre os uniu.

Quanto a Thor, teve, finalmente, a oportunidade de travar seu duelo com a Serpente do Mundo, duelo tão esperado que todos os combatentes que estavam por perto abaixaram as suas armas apenas para observá-lo. Era, afinal, um espetáculo único, que pouquíssimas criaturas poderiam ter o privilégio de assistir - e, quem sabe, um dia, contar em algum outro lugar, caso houvesse ainda um lugar para se ir depois daquele fim de mundo. Thor arremessou-se com seu martelo ao pescoço da serpente e, após abraçar-se a ela, desferiu com toda a força a sua arma sobre o crânio da fera que desfaleceu, em seguida com os miolos botados para fora.

- Thor, você venceu, afinal! - exclamou Odin, que vira tudo de longe.

Mas, infelizmente, à sua vitória seguiu-se, logo, a sua própria morte, pois após dar quatro passos para trás, Thor caíra morto ao chão, bafejado que fora pelo veneno da serpente. Sua mão, no entanto, não desgrudou do martelo Miollnir e nenhum outro combatente teve força bastante para fazê-lo abandonar, mesmo depois de morto, a sua querida arma, que diziam ter amado mais do que à sua própria esposa, a adorável Sif dos cabelos dourados.

Odin, então, cego de ódio, procurou por entre a multidão o seu inimigo, que não poderia ser outro, senão o grande lobo Fenris. - Aqui estou, fera assassina! - bradou o deus, ao avistar o lobo, procurando já a própria morte.

Esporeando seu cavalo de oito patas, Odin empunhou pela última vez sua lança Gungnir e se lançou ao encontro do terrível inimigo. O lobo, entretanto, com uma única bocada, engoliu o maior dos deuses. Um silêncio mortal caiu sobre o campo ensangüentado de Vigrid.

- Meu pai, não! - exclamou Vidar, um dos filhos do velho deus, desmontando de seu cavalo e indo em direção ao vitorioso lobo. Um sorriso parecia arreganhar ainda mais os dentes manchados de sangue de Fenris. Mas, desta vez, ele encontraria seu próprio fim, pois Vidar, enlouquecido pela fúria, ousou entrar dentro da própria boca do lobo para matá-lo e o fez da seguinte maneira: firmando bem os pés sobre a língua do animal, antes que este pudesse entender o que o agressor fazia, empurrou o maxilar superior do lobo para cima até rasgar o animal em dois. Este fato encheu de assombro deuses e gigantes, que viram no filho um legítimo sucessor do pai.

Mas a guerra ainda continuou por muito tempo, mesmo depois de mortos os seus protagonistas, até que Surt, vendo que tudo estava consumado, empunhou um imenso facho, que parecia um novo sol e saiu pelo mundo a colocar fogo em tudo.

O pânico estabeleceu-se nos dois exércitos, quando perceberam que, agora, não havia mais inimigo algum a combater, senão, a própria morte e que o melhor a fazer era tratar de salvar a vida.

Mas agora, definitivamente, já era tarde para pensar em salvação: o mar secara inteiramente; a terra abrasara-se em um incêndio arrasador; e o próprio céu derreteu, caindo sobre a terra como uma imensa cortina em chamas.

***

O grande cataclismo terminara com a queda de Yggdrasil, a grande Árvore da Vida. Após ter sido roída, dia após dia, pelos dentes afiados da serpente Nidhogg, ela não pudera suportar a grande catástrofe e ruíra, liquidando com todos os nove mundos e com quase todos os seus habitantes. Diz a lenda que, entre os homens, apenas um casal pôde sobreviver: ele se chamava Lif e ela Lifthrasir, e foi justamente graças à portentosa árvore, que puderam fazê-lo, pois esconderam-se dentro de sua espessa casca, como no ventre da natureza e da própria Vida.

Também alguns poucos deuses conseguiram escapar ao flagelo destrutivo -entre eles, Vidar, o filho que vingara a morte de Odin; e Magni, um dos filhos de Thor. Também Balder, o mais puro dos deuses, ressuscitara, junto com Hoder, o desastrado irmão cego que o matara, inadvertidamente, por uma astúcia de Loki.

E assim, Lif e Lifthrasir repovoarão o mundo, enquanto que, segundo os versos da Edda imortal:

Os Aesir vão se encontrar novamente no Idavoll

e relembrarão a poderosa Serpente do Mundo,

lembrando também os decretos maravilhosos

e os mistérios do antigo e poderoso deus.

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