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Mitologia Grega - Principais Mitos Gregos

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Dioniso Aprisioinado

Dioniso - Escutura Grega datada do século II a.e.c.Assim que Dioniso, fliho de Zeus e de Sêmele, nasceu da coxa do próprio pai, este chamou Hermes e ordenou-lhe que levasse o garoto para ser criado pelas ninfas do Nisa, um lugar ameno e paradisíaco. — La ele estará em perfeita segurança — disse Zeus, com alegria. o pequeno Dioniso foi entregue as ninfas e também a um estranho e divertido ser chamado Sileno, fliho do deus Pã, que se tornou o pai adotivo do futuro deus das vinhas.

Durante seus prirneiros anos Dioniso participou, junto com Sileno — sernpre bêbado e a cair de cima de seu inseparável burrico —, de toda espécie de brincadeiras. Mas se o velho Sileno sabia ser brincalhão — e mesmo irresponsável, rnuitas vezes —, tarnbérn sabia demonstrar que era dono de profundos conhecirnentos, que sua aparência exótica e pouco respeitável podia fazer adivinhar. — Deixe que falem —hic! — o que quiserern! — dizia Sileno, erguendo-se do chão, arnparado pelo jovem pupilo. — Sileno sabe mais — hic! — que todos os sabichöes da Terra...

Um dia o jovem Dioniso, vestido corn seu manto púrpura, resolveu ir ate a terra e adormeceu. Neste Interim havia se aproximado da costa um grande navio — na verdade, um navio pirata — que andava a caça de nova presa. Um grupo de marinheiros desceu a terra para buscar água, e quando estes pisararn nas areias claras deram de cara com o belo rapaz adormecido. Sua tez delicada, seus labios rubros e o todo mais de sua aparência denunciavam que seria fliho, ao menos, de um senbor poderoso do lugar. Quem sabe, até, do próprio rei. — Varnos leva-lo conosco — disse o mais rude daqueles homens. — Poderemos pedir por ele urn belo resgate.

Entretanto, o timoneiro, Acetes, tinha bom olho para as coisas divinas e percebeu logo que o garoto tinha algo de estranho. — Deixemos o rapaz em seu lugar e vamos embora de uma vez — disse ele —, pois não pressagio nada de bom desta aventura. — Virou Cassandra, agora? — disse Licabas, o mais feroz e impiedoso dos piratas, com uma gargaihada assoprada que fez espirrar no rosto do pobre timoneiro uma chuva de seus perdigotos podres.

Acetes, conhecedor do estratagema do vilão, deixou para limpar depois o produto infecto da boca do asqueroso Licabas, pois sabia perfeitarnente —já vira, na verdade, por duas vezes acontecer o mesmo — que Iimpar o rosto diante dele era decretar a própria morte. o garoto foi, então, embarcado, mas não a força, porque não opôs nenhuma resistência contra seus raptores. Estranhamente calmo, Dioniso fazia observar docilmente aqueles homens sujos e cruéis. “Verdadeirarnente é um deus!”, pensava o bom Acetes, observando o rapaz. — Dirija direito este troço! — disse uma voz ao seu lado. Era urn dos piratas, que fora destacado pelo próprio LIcabas para vigiar o timoneiro.

DionisoEnquanto isto, Licabas, que fora se tornando cada vez mais de antipatia pelo jovem deus, ordenou de repente a um de seus marujos: — Amarrern esta mocinha! — disse, acentuando bem a últirna palavra. E antes que dessem cumprimento a sua nefanda ordern, aproximou bem a horrivel carranca do rosto delicado de Dioniso. — Frisou hoje cedo os lindos caracóis, menina loira? — disse o sórdido Licabas, arreganhando a horrivel dentadura, na qual se podiam perceber três dentes acava!ados a disputarem o mesmo espaço. Depois, tomando sua faca, enrolou urn dos cachos loiros sobre o fio, como se fosse frisá-lo, mas os fios partiram-se. — Ora, menina, que pena! — disse. — Eu só ia fazer mais um cachinho... Um jato de perdigotos explodiu da boca de Licabas, como a onda esbatida que o vento impele, no inverno, sobre a costa pedregosa — mas, curiosamente, nenhuma das gotas apodrecidas foi alojar-se no rosto do jovem Dioniso.

— Cadê a corda. sardinhas regurgitadas? — perguntou Licabas, que mudava de espirito como o céu muda durante o verão abrasante. Um boçal bem mandado surgiu carregando um role aspero de cordas. — Deixa ver — disse Licabas, esfregando um pedaço sobre a parte interna do brace. — Não serve; traga outra! Um role de fios de cobre espetado surgiu, nos braços do mesmo homem. Depois de testá-lo, o vil Licabas aprovou. — Amarrem-no, já! Três hornens fortes tomaram da corda e enrolaram Dioniso num abraço odio. Mas, cOisa estranha!, tÃo logo terminavam de fazer os nós, e!es se desmanchavam como por encanto, e a corda cala aos pés de todos, sem provocar o menor arranhão na vItima.

— Irnbecis! — disse Licabas. — Tratem de fazer um nó decente ou mandarei dar um nó nas tripas de cada um de vocés! Trinta nós foram feitos, e os mesmos trinta nós desfeitos, ate que o sol caisse. De repente, porém, o navio parou em meio ao rnar. Parou, simp!esrnente. Ninguém sabia explicar o motivo. — O vento cessou de todo — explicou Acetes ao capitão, temendo uma reação brutaL — Aos rernos! — ordenou Licabas, que sabia dividir o instante das punições com o instante da ação. Os rernos foram lançados com estrídulo à agua, mas na mesma hora viram se enrelados por urn emaranhado de algas. Ao mesmo tempo começou a subir pelo mastro a folhagem espessa das vinhas, que se espalhou por todo o convés. — Vejam, está chovendo! — disse um dos marinheiros, estendendo a mão.

DionisoMas aquilo não era uma chuva normal, e sim uma chuva de vinho, que num instante cobriu todos de verrnelho. Alguns, é verdade, gostararn da peça e abriam suas bocas para receber o produto da grande nuvem vermelha parada acima do barco. Mas quando Licabas, que não era homem para graças, enterrou uma espada dentro da garganta do primeiro, a brincadeira acabou-se ali. Corno quem rege um concerto de flautas, Dioniso agitava o seu cetro, com um sorriso alegre estampado no rosto — o sorriso da embriaguez divina! o convés encheu-se, também, de animais silvicolas, enormes e assustadores. Enormes felinos espalhavam-se por todo o barco — tigres, linces e um jaguar que parecia divertir-se imensamente com aquilo tudo —, o que tornou os marinheiros de pavor. — Verdadeiramente, este rapaz é um deus! — exclamou um deles, lançando-se borda afora. Muitos outros o seguiram, mas tão logo alcancavam a água, viam seus corpos mudarern abruptamente para algo inumano.

Licabas, o último que relutava, ainda, em abandonar o barco, de repente começou a perder o equilíbrio. — Mas o que é isso? Maldição! — disse, enquanto observava seus pés unindo-se por uma estranha membrana, quase transparente. Suas pernas tambérn foram perdendo o pêlo espesso que as recobria e tomando-se lisas como a pele de um peixe. Num úitimo instante, antes de enlouquecer, o sórdido LIcabas chegou a achar graça daquela estranha metamorfose que se operava em si próprio. — Estarei enlouquecendo, então? — exclamou, dando sua úitima gargalhada. Mas não foi de sua boca que saiu, desta vez, mas de uma protuberância instalada bem no alto de sua cabeça.

Lícabas, bem como todos os seus homens — a exceçäo do bom Acetes —, haviam se transformado em golfinhos, que tubarões ferozes perseguiam em alucinante disparada. — Sou Dioniso, deis do vinho e da alegria! disse o jovern, com os olhos refulgentes, ao timoneiro. — Leve-rne de volta e instaure uM ternplo, eM Meu nome, em todas as terras por onde andar, para que se possam celebrar neles os meus sagrados ritos. Assim se fez, e desde então Dioniso obrou ainda muitos outros prodígios.

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