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Mitologia Grega - Principais Mitos Gregos

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Ares, o Deus da Guerra

Ares - Escultura grega - Sec. I d.e.c.As crônicas não referem nenhum detalhe maravilhoso ou extravagante a respeito da concepção ou do nascirnento do velho Ares grego, senão que era fliho de Zeus e Hera. Uma versão apócrifa, entretanto, pouquíssima referida, diz que Hera concebeu o turbulento deus de um contato que teve com uma flor cultivada nos campos de Oleno, na Acaia. Flora, a deusa da vegetação, teria sido a inspiradora da terna idéia. Mas como conciliar esta concepção lírica e bucólica, em meio aos pássaros e as flores, com o caráter rude deste deus brutal e sanguinário? Quanto ao aspecto físico, todos são unânirnes em atribuir a Ares um belo porte marcial, e de ostentar em seu peito uma soberba e reluzente armadura. E afora isto pouco mais de bom há para ser dito a seu respeito.

O fato é que nenhum de seus pares de imortalidade parecia lhe devotar a menor simpatia, nem mesmo seu suposto pai, Zeus, que Ihe teria dito: “Não me venha com seus choramingos, ó inconstante! É para mim o mais detestável dos deuses que habitam o Olimpo, pois ama unicamente a discórdia. a guerra e os combates. Tem o espirito intratável e teimoso de sua mãe, Hera, que sé a custo consigo reprimir com palavras. (... ) Se fosse filho de qualquer outro deus, já há muito teria sido rebaixado entre os filhos do céu!” (Iliada. canto V). Apenas a bela Afrodite, deusa do amor, nutria uma afeição por ele — desconcertante paradoxo.

Ares, pois, na condição de deus da guerra. anda sempre na companhia de seus dois filhos de tremenda figura, o Medo e o Terror. Quando seu carro ardente surge, precedido por estes pavorosos arautos, anunciando que a fúria das batalhas está prestes a se Ares - Pintura sobre Tela - Peter Paul Rubens - 1577-1640desencadear, poucos, com efeito, podem reprimir urn espasmo de rnedo e terror. A Discórdia, com cabelos de serpentes que estão sempre a verter incessantemente uma baba infecta, vai um pouco mais adiante, espalhando a intriga e a calúnia. Porque tal é a sua vocação: onde houver dois interesses minimarnente contrapostos, é sua obrigação torná-los irreconciliáveis. Se adiante vai esse perverso conjunto de arautos, fechando o cortejo estão aquelas que recebern o espantoso apelido de “cadelas de Hades”. São as Queres, deusas sanguinárias, antecessoras dos nossos modernos vampiros, que merguIham sobre as vítirnas abatidas para dilacerar suas carnes e beber seu sangue, arrastando-as depois para a morada das sombras. Tais são as agradáveis companhias de que desfruta o belicoso deus.

Paradoxalmente. as histórias das derrotas sofridas por Ares são muito mais abundantes do que os relatos de suas vitórias. O pior dos seus fracassos seria quando Ares viu-se aprisionado durante treze rneses dentro de uma jarra de bronze por causa de uma afronta feita aos dois gigantes Aloídas. Durante a Guerra de Tróia, também não se saiu melhor com Diomedes, guerreiro aqueu, que o feriu com uma lança, dirigida pela mão de Atena — talvez o maior dos desafetos que Ares encontrou pela frente. Quando se retirou a lança, contudo, Ares não se portou com tanta bravura quanto se poderia esperar, pois lançou aos céus um grito tão alto quanto o de “nove ou dez mil guerreiros”, conforme Hornero. Compreende-se, contudo, o motivo dessa divina rixa: é que Atena, irmã de Ares e deusa também associada a guerra, representa a tática e a diplomacia, apelando sempre ao instinto nobre do guerreiro, enquanto que seu tresloucado irrnão representa unicamente o aspecto sanguinário das contendas, apreciando, simplesmente, a morte pela morte.

Hefesto surpreendendo Afrodite e Ares - Pintura em Tela - Paris Bordon 1500-1571Essa rixa culminou com um enfrentarnento de ambos, ainda diante das muralhas da disputada Tróia: Ares lançou um dardo contra a irmã, que se desviou dele com facilidade, remetendo em seguida uma pedra sobre o pescoço do agressor que o deixou estendido ao solo, sem sentidos. Como se isto não bastasse, ainda teve de escutar os deboches que Atena vencedora lhe lançou. Mas seus fracassos pessoais não acabam aqui: sua coragem naufragou, também, quando, por duas vezes, teve de fugir vergonhosamente da fúria do invencível Héracles; depois, ao pretender vingar a morte da amazona Pentesiléia, morta por Aquiles, recebeu na cabeça o raio irado do próprio pai, Zeus. Esse é Ares, deus menor e privado de qualquer virtude, que so foi verdadeiramente cultuado com fervor pelos romanos.

Mas como esta cruel divindade pôde inspirar amor a Afrodite e dar a ela um filho como Eros? (em algumas versões); Talvez porque sendo o amor também uma batalha, com todos os lances e estratégias de uma guerra, fosse natural que dois deuses tão opostos acabassern por se sentir inevitaveimente atraídos o fato de que, mesmo no amor, o atrapalhado deus não se saiu tão bem quanto esperava, pois apesar de ter conseguido render a sua amada Afrodite, teve que passar pelo dissabor de ser flagrado em pleno leito pelo marido desta, o não menos truculento Hefesto, deus das forjas. Aprisionados ambos numa rede indestrutível, confeccionada pelo próprio Hefesto, Ares ardoroso e Afrodite infiel foram expostos a execração pública, diante de todos os deuses do Olimpo.

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