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Mitologia Grega - Heróis

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Heróis da Mitologia Grega

Ajax Aquilles Asclépio Belerofonte Eneias
Édipo Heitor Heracles Jasão Orfeu
Perseu Teseu Ulisses    

Orfeu - Όρφεύς

Pais:

Apolo(Rei Eagro) e Calíope

Filhos:

 

Etimologia: Em grego Όρφεύς (Orpheús), por ter descido às trevas do Hades, alguns relacionam o nome do citaredo trácio, ao menos por etimologia popular, com (orphnós), "obscuro", (órphne), "obscuridade", mas não se conhece, realmente, a etimologia do herói.

Orfeu tocando para Cérbero, no Hades - Pintura sobre tela - Angelo Scetta 1845

Trata-se de uma personagem mítica, possivelmente de origem trácia. Era filho de Calíope, a mais importante das nove Musas e do rei Eagro. Este, por motivos político-religiosos, é frequentemente subtituído por Apolo. De qualquer forma, Orfeu sempre steve vinculado ao munda da música e da poesia: poeta, músico e cantor célebre, foi o verdadeiro criador da "teologia" pagã. Tangia a lira e a cítara, sendo que passava por ser o inventor desta última ou, ao menos, quem lhe aumentou o número de cordas, de setet para nove, numa homenagem às Nove Musas. Sua maestria na cítara e a suavidade de sua voz eram tais, que os animais selvagens o seguiam, as árvores inclinavam suas copadas para ouvi-lo e os homens mais coléricos sentiam-se penetrados de ternura e de bondade.

O que importa é que Orfeu é um herói muito antigo, pois já o encontramos na expedição dos Argonautas. Sua existência era tão real para o povo, que em Anfissa, na Lócrida, se lhe venerava a cabeça como verdadeira relíquia. Educador da humanidade, conduziu os trácios da selvageria para a civilização. Iniciado nos "mistérios", completou sua formação religiosa e filosófica viajando pelo mundo. De retorno do Egito, divulgou na Hélade a idéia de expiação das faltas e dos crimes, bem como os cultos de Dionisio e os mistérios órficos, prometendo, desde logo, a imortalidade a quem neles se iniciasse.

As regressar da expedição dos Argonautas, casou-se com a ninfa Eurídice, a quem amava profundamente, considerando-a como dimidium animae eius, como se ela fora a metade de sua alma. Acontece que um dia (o poeta latino do século I a.e.c., Públio Vergílio Marão nos dá, no canto 4, 453-527, de seu maravilhoso poema As Geórgias, a versão mais rica e mais bela do mitologema) o apicultor Aristeu tentou violar a esposa do cantor da Trácia. Eurídice, ao fugir de seu perseguidor, pisou numa serpente, que a picou, causando-lhe a morte. Inconformado com a perda da esposa, o grande vate resolbeu descer às trevas do Hades, para trazê-la de volta.

Orfeu, encantanto a natureza com sua música - Pintura sobre tela - DesconhecidoOrfeu, com sua citara e sua voz divina, encantou de tal forma o mundo ctônio, que até mesmo a roda de Exíon parou de girar, o rochedo de Sísifo deixou de oscilar, Tântalo esqueceu a fome e a sede e as Danaides descansaram de sua faina eterna de encher tonéis sem fundo. Comovidos com tamanha prova de amor, Plutão ou Hades e Perséfone concordaram em devolver-lhe a esposa. Impuseram-lhe, todavia, uma condição extremameente difícil: ele seguiria à frente e ela lhe acompanharia os passos, mas, enquanto caminhassem pelas trevas infernais, ouvisse o que ouvisse, pensasse o que pensasse, Orfeu não poderia olhar para trás, enquanto o casal não transpusesse os limites do império das sombras. O poeta aceitou a imposição e stava quase alcançando a luz, quando uma terrível dúvida lhe assaltou o espíritot: e se não estivesse atrás del a sua amada? E se os deuses do Hades o tivessem enganado? Mordido pela impaciência, pela incerteza, pela saudade, pela "carência" e por invencivel póthos, pelo desejo grande da presença de uma ausência, o cantor olhou para trás, transgredindo a ordem dos soberanos das trevas. Ao voltar-se, viu Eurídice, que se esvaiu para sempre numa sombra, "morrendo pela segunda vez..." Ainda tentou regressar, mas o barqueiro Caronte não mais o permitiu.

Orfeu perdento Eurídice para o Hades - Pintura sobre tela - G. Kratzenstein 1793-1860Inconsolável e sem poder esquecer a esposa, fiel a seu amor, Orfeu passou a repelir todas as mulheres da Trácia. As Mênades, ultrajadas por sua fidelidade à memória da esposa, fizeram-no em pedaços. Há muitas variantes acerca da morte violenta do filho de Eagro ou Apolo. Vamos destacar duas delas. Conta-se que Orfeu, ao retornar do Hades, instituiu mistérios inteiramente vedados às mulheres. Os homens se reuniam com ele em uma casa fechada, deixando suas armas à porta. Uma noite, as mulheres enfurecidas, apoderaram-se dessas armas e mataram Orfeu e seus seguidores. Outra variante nos informa que, tendo servido de árbitro na querela entre Afrodite e Perséfone na disputa por Adônis, Calíope teria decidido que o lindíssimo filho de Mirra permaneceria uma parte do ano com uma e outra parte com outra. Magoada e irritada com a decisão, Afrodite, não podendo vingar-se de Calíope, vingou-se no filho. Inspirou às mulhers trácias uma paixão tão violenta e incontrolável, que cada uma queria o inexcedível cantor só para si, o que as levou a esquartejá-lo e lançar-lhe os restos e a cabeça no rio Hebro. Ao rolar da cabeça pelo rio abaixo, seus lábios chamavam por Eurídice e o nome da amada era repetido pelo eco nas duas margens do rio.

Punindo esse crime abominável das mulheres trácias, os deuses devastaram-lhe o país com uma grande peste. Consultado o oráculo sobre como acalmar a ira divina, foi dito que o flagelo só se extinguiria quando se encontrasse a cabçea do vate e lhe fossem prestadas as devidas honras fúnebres. Após longas buscas, um pescador finalmente a encontrou na embocadura do rio Meles, na Jônia, em perfeito estado de conservação e ali mesmo foi erguido um templo em honra de Orfeu, cuja entrada era proibida às mulheres. A cabeça sagrada do cantor passou a servir de oráculo. Se a lira do poeta, a qual após longos incidentes, foi parar na ilha dos Bem-Aventurados ou do próprio Olimpo, onde, revestido de longas vestes brancas, Orfeu canta para os imortais.

Jovem Orfeu - Pintura sobre tela - DesconhecidoCabeça de orfeu no rio - Pintura sobre tela - DesconhecidoOrfeu desceu à mansão do Hades e poderia ter trazido a esposa de volta, se não tivesse olhado para trás. A catábase de Orfeu é a do tipo tradicional, xamântico: o iniciado morre aparentemente e na contemplação do além, "encontrando-se", torna-se detentor do saber e dos mistérios, nos quais procurará orientar seus seguidores, para que, preparando-se adequadamente nesta vida, "se encontrem" na outra.

Na realidade, o grande desncontro de Orfeu no Hades foi o de ter olhado para trás, de ter voltado ao passado, de ter-se apegado à matéria, simbolizada por Eurídice. Um órfico autêntico, jamais "retorna". Desapega-se, por completo do viscoso do concreto e parte para não mais regressar. Certamente o citaredo da Trácia ainda não estava preparado para a junção harmônica e definitiva com sua anima Eurídice. Seu despedaçamento pelas Mênades, supremo rito iniciático, o comprova. Como Héracles, que, apesar de tantos ritos iniciáticos e até mesmo uma catábase ao munod das sombras, somente escalou o luminoso Olimpo após uma morte violenta numa fogueira no monte Eta. Orfeu olhou para trás, transgredindo o tabu das direções. Estas, bem como os lados e os pontos cardeais, possuíam, nas culturas antigas, um simbolismo muito rico.

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Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol III. Petrópolis, Vozes, 2004;

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