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Mitologia Grega - Heróis

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Heróis da Mitologia Grega

Ajax Aquilles Asclépio Belerofonte Eneias
Édipo Heitor Heracles Jasão Orfeu
Perseu Teseu Ulisses    

Belerofonte - Βελλερφόντης

Pais:

Glauco I e Eurínome

Filhos:

Filhos com Filônoe: Isandro, Hipoloco, Laodâmia.

Etimologia: Em grego Βελλερφόντης (Bellerophóntês), significa, etimologicamente, segundo Albert Carnoy, "aquele que é cheio de força". O primeiro elemento bel- seria uma raiz indo-européia com o sentido geral de potência, vigor, como o sânscrito bala-, que teria o mesmo significado. Tal acepção poderia ainda ser verificada através do comparativo grego (baltíón), "mais forte, melhor". A final - ( phóntês) equivaleria, talvez a "abundante, cheio de".

Dioniso - Escultura Grega

Ascensão - Proveniente da casa real de Corinto, o herói é filho de Posídon, seu godfather, mas tem por "pai humano", Glauco, filho de Sísifo. sua mãe, quer se chame Eurímede ou Eurínome, é uma das filhas de Niso, rei de Mégara. Após os ritos iniciáticos de praxe, o herói iniciou suas aventuras, mas a primeira delas foi trágica. Matou, sem o querer - é o tema do famoso (phónos akúsios) - seu próprio irmão,cujo nome varia muito nas tradições: uns chamam-no Delíades, outros Píren, epíteto que estaria etimologicamente relacionado com a fonte de Pirene, e ainda Alcímenes ou Bélero. Este último nome serve de base para a etimologia popular de Belerofonte, o assassino (phóntes) de Bélero, que, neste caso, seria um tirano de Corinto.

Exilado, segundo o costume, dirigiu-se a Tirinto, onde foi purificado pelo rei local, Preto. Foi durante sua permanência na corte de Tirinto que lhe aconteceu terrível desventura. A esposa do rei, Antéia, como lhe chama Homero, ou Estenebéia, consoante os trágicos, se apaixonou perdidamente pelo hóspede. No relato homérico, bastante dramático por sinal, a rainha "deixou-se dominar por uma paixão furiosa" (epeménato) por Belerofonte. Repelida por este, Estenebéia acusou falsamente o filho de Glauco de tentar violentá-la (outro exemplo do motivo putifar). Tal era o furor eroticus da rainha, que chegou mesmo a ameaçar Preto, caso o rei não matasse o "sedutor". Embora enfurecido com o hóspede, o soberano de Tirinto teve escrúpulo em eliminar aquele aquem havia purificado.

Enviou-o, pois, a seu sogro Ióbate, rei da Lícia, com uma carta em que solicitava desse morte ao portador. Não desejando violar a sagrada hospitalidade e porque também já havia sentado à mesa para comer com ele, o que estabeleceria tarefas, cuja finalidade é a purificação e a consequente individuação do efebo. Pouco importa se as "provas iniciáticas" são apresentadas, no mito, como um meio de se castigar, afastar ou de se eliminar o herói, com fez Euristeu com Héracles, Pélias com Jasão e tantos outros exemplos: a finalidade dos Trabalhos impostos é sempre a catarse, "a sujeição do invólucro carnal", como diria Plotino.

Para não manchar suas mãos e, ao mesmo tempo, desejando satisfazer e cumprir a mensagem do genro, Ióbate ordenou a Belerofonte que matasse Quimera. Em grego (Khímaira) significa, ao que parece, cabra, mas uma cabra que teve apenas um "inverno", (khêima), isto é cabritinha.

Tifão e Équidna, além do cão ortro, de Cérbero, Hidra de Lerna, Fix e Leão de Neméia, geraram também Quimera. Trata-se de um monstro híbrido, com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente e, segundo outros, de três cabeças: uma de leão, a segunda de cabra e a terceira de serpente e que lançava chamas pelas narinas. Criada por Amisódaro, rei da Cária, vivia em Patera, devastando o país e sobretudo devorando os rebanhos.

Certo de que o herói jamais retornaria de tão perigosa missão, Ióbates ficou tranquilo em relação, principalmente, ao pedido de seu genro Preto.

Belerofonte e Pégaso - Escultura grega em bronzeOs deuses, no entanto, vieram em auxílio do inocente filho de Glauco. Segunda a versão mais seguida, Atena entregara-lhe, já selado o cavalo pégaso. outras versões, porém, relatam que o cavalo alado fora um presente de Posídon ao herói, ou ainda que este encontrara o animal bebendo na fonte de Pirene.

De qualquer forma, foi cavalgando Pégaso que Belerofonte obteve sua primeira grande vitória: o cavalo divino elevou-se no ar e, de um só golpe, o jovem paladino matou Quimera. Ióbate enviou-o então contra os sólimos, como narra Homero. Estes sólimos habitavam nas vizinhanças da Lícia e, como filhos de Ares, eram ferozes e belicosos. Facilmente o herói os venceu. O rei, dessa feita, deu-lhe incumbência bem mais séria e arriscada: defrontar-se com as temíveis Amazonas. Montando Pégaso, o filho de Glauco dirigiu-se para o páis das perigosas guerreiras e fez um grande massacre. Face a tão retumbantes vitórias, o soberano da Lícia reuniu um numeroso grupo dos mais bravos guerreiros e ordenou-lhes que fizessem uma embosacada e liquidassem o aguerrido cavaleiro. Nenhum dos soldados regressou à corte: Beleforonte matou-os todos.

Reconhecendo, afinal, que seu hóspede era de origem divina e admirando-lhe as gestas, mostrou ao herói a carta de Preto, solicitando-lhe ao mesmo tempo, que permanecesse em seu reino. Deu-lhe a filha Filônoe em casamento e, ao morrer, legou-lhe o trono.

Atena assistindo belerofonte - Gravura - DesconhecidoUm herói, quando caluniado ou injustamente punido, jamais deixa de vingar-se, pois que a represália faz parte intrínseca de sua natureza, de sua timé aviltada. Não podia ser diferente com Beleforonte. Assim que terminou as quatro tarefas impostas por Ióbatet, voou com Pégaso para Tirinto. Preto procurou ganhar tempo, a fim de que sua esposa Estenebéia pudesse fugir, furtando o cavalo alado. A rainha cavalgou pouco tempo, porque Pégaso a lançou para fora do arnês, atirando-a no mar. Seu corpo, recolhido por pescadores, não muito distante da ilha de Melos, foi traslado para Tirinto. Uma outra versão narra que, ciente do retorno do Herói, a esposa de Preto se matou.

É lamentável que se tenha perdido a tragédia de Eurípedes, Estenebéia, que dramatizava precisamente esse fecho das aventuras de Belerofonte, após suas retumbantes vitórias na Lícia.

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Decadência -

Belerofonte e Quimera - Estátua em terracota - Melos 450 a.e.c.Com Filônoe o herói teve três filhos, Isandro, Hipóloco e Laodamia. Esta, unindo-se a Zeus, foi mãe do grande Sarpédon.

O mais cruel e terrível infortúnio do herói não foram as provas, as tarefas, os trabalhos com que foi sobrecarregado. Afinal, "as provas" visavam a temperá-lo para a vida, mas, por uma espécie de fatalidade, essas mesmas tarefas, uma vez concluídas vitoriosamente, despertam-lhe o monstro latente adormecido em seu interior, a Hýbris, que o levou inexoravelmente à ultrapassagem do métron, ao descomedimento. E a pior das hýbreis é aquela em que o herói, sob o impulso de sua timé e areté, que afinal são outorga de um deus, seu godfather, seu ancestral, se lança na competição com o divino ou até mesmo na loucura de desejar ultrapassá-lo. O "conhece-te a ti mesmo" e o "ser o sonho de uma sombra" da poesia pindárica não foram gravados ou escritos para os heróis, para os ándres, mas para os simples mortais, os thnetói, que não conhecerão a ilha dos Bem-Aventurados, mas as "trevas e lama" do Hades, onde patinarão como eidola como fantasmas abúlicos.

Belerofonte, sonhou alto demais. Cavalgando seu corcel alado, o herói ferido de orgulho, após tantas vitórias memoráveis, conquistadas com o respaldo divino, tentou nada mais nada menos que escalar o Olimpo. Zeus, que vela pela ordem cósmica, fulminou-o, lançando-o por terra, fazendo-o regredir ao telúrico, à Banalização. Se, ao revés, enquanto o herói, Beleforonte guardasse a moderação, estaria munido da bússula que o guiaria para a ilha de Avalon, onde, tranquilamente, poderia escalar qualquer Olimpo.

Ainda bem que a Lícia e Corinto honraram-no como herói, como dáimon, como intermediário entre os homens e os deuses. Apesar do silêncio do mito, é bem possível que Belerofonte, "recuperando os sentidos", tenha escalado, como Héracles, um monte bem mais acessível, um Eta e, exinta a chama da hýbris na chama da dor, tenha sido convidado por seu godfather a ocupar alguma outra Ilha Branca, onde a dor e os sofrimentos não se justificam mais.

Quanto a Pégaso, por se um cavalo alado, símbolo, portanto, do desnivelamento, da "imaginação criativa e de sua elvação sublime", foi arrebatado aos céus e metamorfoseado em constelação.

Árvore Genealógica

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Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol III. Petrópolis, Vozes, 2004;

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