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Mitologia Grega - 2ª Geração Divina

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Deuses Olímpicos

Demeter Hades Hera Hestia Posídon Zeus

Posídon - Ποσειδών

Pais:

Crono e Reia

Filhos:

Filhos com Anfitrite: Tritão

  Filhos com Toosa: Polifemo
  Filhos com Medusa: Crisaor - Pégaso
  Filhos com Amimone: Náuplio
  Filhos com Ifimedia: Os alóadas (Gigantes Oto e Efialtes)
  Filhos com Etra: Teseu
Etimologia: Em grego Ποσειδών (Poseidôn), Partindo-se da variante gráfica (Poteidáon), é possível, segundo Kretschmer, analisar o teônimo como justaposição do vocativo (*Pótei), v. (Pósis), "senhor, esposo" e de (Das), nome antigo da "terra", (dâ) e (Deméter), onde Posídon seria "o mestre, o senhor, o esposo da terra" conforme assinala Pierre Chantraine, com base no dórico, decompõe o vocábulo (Poteidân) em (Posis), "senhor" e (Dan), "água" e Posídon significaria "o senhor das águas", o que é pouco provável.

Demeter e Persefone ao fundo - Gravura - Boris

De qualquer forma, Posídon é o deus das águas, mas a princípio, e antes do mais, das águas subterrâneas. Veremos o motivo histórico desse fato linhas abaixo. Quando o Universo, após a vitória de Zeus sobre os Titãs, foi dividido em três grandes reinos, Posídon obteve, por sorte, mas para sempre, o domínio do branco mar. Embora tenha lutado valentemente contra os Titãs e "fechado sobre eles as portoas de bronze do Tártaro", o deus do mar nem sempre foi muito dócil à superioridade de seu irmão Zeus.

Tal independência explica o ter participado com Hera e Atena de uma conspiração para destronar o pai dos deuses e dos homens. A intentona teria surtido efeito, não fora a pronta intervenção do Hecatonquiro Briaréu, chamado às pressas por Tétis. Bastou a presença do monstro, para que os conjurados desistissem de seu intento. Como castigo, Posídon foi obrigado a servir durante um ano ao rei de Tróia, Laomedonte. Ali, juntamente com Apolo e o mortal Éaco, participou da construção da sólida muralha da fortaleza de Heitor.

Ao término da fatigante tarefa, Laomedonte se recusou a pagar o salário combinado. Posídon suscitou contra a região da Tróada um terrível monstro marinho e na Guerra de Tróia, apesar de sua prudência e temor de Zeus, colocou-se ao lado dos aqueus, exceção feita a certas vinganças pessoais contra Ájax da Lócrida e Ulisses. Disfarçado em Calcas, o deus encoraja os dois Ájax, exorta Teucro e Idomeneu e acaba tomando parte pessoalmente no combate, mas se retirou da refrega, sem discutir, quando Zeus assim o decidiu. Se salvou Enéias de morte certa nas mãos de Aquiles, talvez tal atitude se explique porque o herói troiano não estava ligado à família de laomedonte, mas a Trós, através de Anquises, Cápis e Assáraco ou ainda porque desejasse angariar um sorriso de Afrodite.

Posídon, e os cavalos do mar - Pintura sobre tela - W. Crane 1845-1915Como Zeus, o deus do mar também está ligado ao cavalo, ao touro, a Deméter, como divindade de fecundação. Casou-se com Anfitrite, que foi mãe do "imenso Tritão", divindade terrível e de grandes forças, que habita com sua mãe e seu ilustre pai um palácio de ouro nas profundezas das águas marinhas". Reina em seu império líquido, à maneira de um "Zeus marinho", tendo por cetro e por arma o tridente, que os poetas dizer ser tão terrível quanto o raio. Seu palácio "faiscante de ouro e indestrutível" ficava nas profundezas de Egas, cidade na costa norte da Acaia, onde estava localizado um de seus principais santuários. Percorria as ondas sobre uma carruagem tirada por seres monstuosos, meio cavlos, meio serpentes. Seu cortejo era formado por peixes e delfins e criaturas marinhas de todas as espécies, desde Nereidas até gênios diversos, como Proteu e Glauco. Eis as facetas mais conhecidas do grande deus do mar, desde Homero. Subsistem porém, na própria epopéia vestígios de um Posídon mais antigo e bem difernte, revelado por epítetos frequentes e significativos e curiosamente sinônimos, como (enosíkhthon), (seisíkhton) e (ennosígaios), quer dizer o "sacudidor da terrra", o que corresponde a uma ação de baixo para cima, isto é, uma atividade exercida do seio da terra por uma divindade subterrânea. Posídon, com efeito, foi um antigo deus ctônio, muito antes de tornar-se um deus do mar. Em suma, estes três epítetos mostram que originalmente o deus foi uma divindade ativa que fazia a terra oscilar, quer se tratasse da seiva vital e de abalos sísmicos, quer se tratasse de todas as águas que escapavam do seio da Terra-mãe. Com os epítetos de (Phytálmios) e (Phýkios), isto é, "que faz nascer, que produz algas", Posídon aparece igualmente como o promotor da vegetação marinha e terrestre, sendo esta última alimentada pelas águas doces tidas como emanação do deus. Como Phytálmios, diga-se de passagem, o "sacudidor da terra" estava associado nas Haloas a Dionisio e Demter e no velho mito da Arcádia era considerado como esposo de Demeter-Geia. Essencialmente ctónio, o que não significa infernal, eis aí o Posídon dos primeiros invasores gregos, que, não conhecendo e não tendo um vocábulo seu para designar mar, não poderiam ter trazido consigo um deus do mar. Trouxeram, realmente, um "outro deus", o Posídon ctônio, senhor das águas subterrâneas, depois das águas "terrestres", nascentes, fontes e lagos, e, só depois, deus do mar.

Meillet, resume o problema do desconhecimento do mar por parte dos gregos e portanto da inexistência, a princípio, de um deus "das águas salgadas" com as seguintes palavras: "O mar não possui em grego uma denominação antiga e não existe para mar outro nome indo-europeu a não ser no grupo supracitado do lati mare..." Devem ter sido os emigrantes gregos que povoaram as ilhas e as regiões costeiras da Ásia Menor, esses "navegadores convertidos", que estenderam ao império das ondas o poder do deus que até então reinava apenas sobre as águas terrestres e ctônias.

Desse modo, Posídon, o "sacudidor da terrra", se tornou também o "sacudidor do mar" e recebeu o duplo privilégio de domador de cavalos e salvador de navios. Bem mais que "às crinas das ondas", as espumas das vagas, e ao galope do cavalo, que, como o touro, que lhe é igualmente associado, é um símbolo das forças subterrâneas, além de ser, por sua clarividência e familiaridade com as trevas, um guia seguro, um excelent psicopompo. O nome de cavalo, em grego (híppos), está ligado ao de algumas fontes, como Aganipe, Hipocrene. Numa versão tessália o deus foi pai de Esquífio, o primeiro cavalo, que ele teve de Géia, e no folclore da Arcádia foi pai de Aríon, o cavalo de crinas azuis, que ele gerou, após transformar-se em garanhão, para conquistar Demeter, metamorfoseada em égua. Hà um mito relatado por Pausânias, segundo o qual Posídon se salvara da fúria devoradora de Crono, metamorfoseado-se em potro. Segundo uma variante, na disputa com Atena pelo domínio da Ática, o deus teria feito sair da terra um cavalo e não uma fonte.

Posídon é o presenteador, por excelência, de cavalos alados e até dotados de palavra e de inteligência: Pégaso, o cavalo alado, foi dado a Belerofonte; os "inteligents" Xanto e Bálio foram presenteados a Peleu. Alguns heróis, que passam por filhos deus, Hipótoon, Nelu e Pélias, foram amamentados por éguas.

Posidon e seus cavalos - Pintura sobre tela - DesconhecidoA ligação entre Posídon e o cavalo é tão estreita, que o animal pode substituir o próprio deus. Na Ilíada, XXIII, 584, Menelau, desconfiado de que a vitória de Antíloco fora fraudulenta, convida-o a jurar por Posídon, estendendo a mão sobre seus cavalos e o carro. No culto, o deus é, muitas vezes, chamado de Hippios, "gerador de cavalos", particularmente em Olímpia, onde a disputa entre Pélops e Enômao se converteu num protótipo de concursos hípicos que se encontram, por vezes, em suas festas.

Não menor é a ligação do deus com o touro, sua vítima predileta, qu elhe era sacrificado no altar ou precipitada viva no mar. Na tragédia de eurípedes, Hipólito Porta-Coroa, o touro surge, dessa feita sob um aspecto monstruoso, pra destruir o inocente Hipólito, a pedido de Teseu, o filho de Posídon-Egeu.

Foi Igualmente Posídon o responsável pela paixão de Pasífae pelo lindíssimo touro de Creta, para punir o rei Minos, que não cumprira a promessa de sacrificar-lhe o animal.

Posidon e Anfitrite - pintura sobre tela - DesconhecidoO deus do mar teve, além da esposa legítima Antitrite, muitos amores, todos fecundos. Mas enquanto filhos de Zeus eram heróis benfeitores da humanidade, os filhos de Posídon, em sua maiorria, eram gigantes terríveis e violentos. Com Toosa gerou o monstruoso Ciclope Polifemo; com Medusa, o gigante Crisaor e o cavalo Pégaso; com Amimone, uma das cinquenta filhas de Dânao, teve Náuplio; com Ifimedia, os alóadas, isto é os gigantes Oto e Efialtes. Além destes foram filhos seus, Cércion e Cirão, grandes salteadores, ambos mortos por Teseu; o rei dos lestrigões, Lamo, e o caçador maldito, Oríon; com Hália foi pai de seis filhos e de uma filha chamada Rodos, que deu seu nome à ilha de Rodes. Os filhos homens de Posídon com Hália eram tão violentos e cometeram tantos excessos, que Afrodite os enlouqueceu. Como tentassem violentar a própria mãe, para não serem massacrados, Posídon os escondeu no fundo da terra. Desesperada, Hália precipitou-se no mar. Os habitantes de Rodes instituíram-lhe um culto, como a uma divindade, sob o nome de Leucotéia.

O mês ático Posídeon, que lhe era consagrado, e correspondia mais ou menos a dezembro, era o mês das tempestades de inverno, pois que Posídon é antes o deus do mar encapelado que da bonança. É invocado, por isso mesmo, como salvador dos navios e protetor dos passageiros. Talvez uma certa selvageria em seu caráter e modo de agir, e bem assim a violência da maioria de seus filhos configurem o aspecto sinistro dos elementos.

Quando os homens se organizaram em cidades, os deuses decidiram escolher uma ou váras delas, onde seriam particularmente honrados. Acontecia, frequentemente, no entanto, que duas ou três divindades escolhiam a mesma, o que provocava sérios conflitos, que eram submetidos à arbitragem de seus pares ou ao juízo de simples mortais. Nesses julgamentos Posídon quase sempre teve suas pretensões vencidas. Assim é que perdeu para Hélio a cidade de Corinto, por decisão de Briaréu. Desejou reinar em Egina, mas foi suplantado por Zeus. Em Naxos foi derrotado por Dionisio; em Delfos por Apolo; em Trezena, por Atena. A disputa maior, todavia, foi pela posse de Atenas e de Argos. Desejando ardentemente Atenas, foi logo se apossando da cidade. Para mostrar sua força, fez brotar da terra, como um golpe de trident, um mar, outros dizem que foi um cavalo. Atena, tendo convocado o rei de Atenas, Cécrops, tomou-o por testemunha de sua ação: plantou simplesment um pé de oliveira, símbolo da paz e da fecundidade.

A magna querela foi arbitrada, segundo uns por Cécrops e Crânao, também rei de Atenas, consoante outros pelos próprios deuses. Tendo Cécrops testemunhado que Atena plantara primeiro o pé de oliveira. foi-lhe dada a vitória. Irritado, o deus inundou a planície de Elêusis, fertilíssima em oliveiras. em Argos, disputada também pela deusa Hera, o árbitro foi Foroneu, o primeiro a reunir os homens em cidades. Lá igualmente se decidiu em favor da deusa. Posídon, em sua cólera, amaldiçoou a Argólida e secou-lhe todas as nascentes. Pouco depois, chegou à região Dânao com suas cinquenta filhas e não encontrou água para beber. Posídon, que se apaixonara por Amimone, levantou a maldição e os mananciais reapareceram. Talvez, por compensação, foi-lhe outorgada sem disputa uma ilha longíngua, mas paradisíaca: a Atlântida.

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Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

 

MEILLET, Antoine, Aperçu d'une histoire de la Langue Crecque. Paris, Hechette, 1935, p. 12 .

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