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Mitologia Grega - 2ª Geração Divina

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Deuses Olímpicos

Demeter Hades Hera Hestia Posídon Zeus

Demeter - Δημήτηρ

Pais:

Crono e Reia

Filhos:

Filhos com Zeus: Persefone ou Core

Etimologia: Em grego Δημήτηρ (Deméter), cuja etimologia é muito discutida. Deusa e mãe da terra cultivada foi compreendida pelos antigos como um equivalente de (guê méter), "mãe-terra", em que (guê), terra, teria por correspondente o dório dã>de,onde (Damáter)>(Deméter). Mera hipótese.

Demeter e Persefone ao fundo - Gravura - Boris

Consoante o historiador Heródoto 484-408 a.e.c., os cultos mais antigos de Demeter foram afogados pelas invasões dórias, a partir do século XII a.e.c. Ficaram, no entanto, alguns vestígios dessa fase antiga, particularmente na Arcádia, onde a deusa estava associada ao primitivo Posídon, o Posídon-cavalo, bem como em Elêusis. Nos arredores de Telpusa, querendo escapar dos deus, que a perseguia, disfarçou-se em égua, mas Posídon, tomando a forma de um garanhão, fê-la mãe do cavalo Aríon e de uma filha, cujo nome só os iniciados conheciam. O povo chamava-a simplesmente (Déspoina), a Senhora. Foi por causa da cólera, provocada por essa violência de Posídon, que a mãe de Aríon passou a ser denominada também Demétir-Erínis. Recebeu, igualmente, o epíteto de Lúsia (a que se banha), pelo fato de ter-se purificado dos contatos do deus-cavalo no rio Ládon. Perto da Figalia, ainda na Tessália, chamavam-na (Mélaina), a Negra, porque, em seu ressentimento, cobriu-se com véus pretos e retirou-se para o fundo de uma caverna, onde sua estátua era encimada por uma cabeça de cavalo. Em Fêneo ainda havia traços de mistérios primitivos, celebrados num antro rochoso, onde o sacerdote tirava de um esconderijo uma máscara de Deméter, dita (Kidária), cobrindo o rosto e ferindo o solo com um bastão, rito destinado a provocar a fertilidade e evocar as forças ctônias. O termo Grego (Kídaris) designa uma espécie de turbante e o sobrenome Kidária poderia derivar de máscara, mas deixa entrever que um coro bárbaro de sobrevivência zoomórfica não era estranho a esse culto primitivo. Ainda na Arcádia, as duas deusas, a dupla Deméter-Senhora, tinham características acentuadas de (Pótnia therôn), "Senhora das feras", associadas ao mundo animal e à fertilidade dos campos. Na região de Licúria (a montanha dos lobos) sua companheira era uma Artemis arcaica. à dupla se ofereciam frutos diversos e animais não degolados, mas despedaçados vivos. Em certos locais da Arcárdia, Artemis passava por filha de Deméter e um templo, consoante Pausânias lhes era dedicado em comum.

Um mito cretense, recolhido por Hesíodo, atesta que a grande deusa se uniu a Iásion sobre um terreno lavrado três vezes e que dessa ligação nasceu (Plutos). Existem algumas reminiscências de uma hierogamia à época das semeaduras e a Idéia desse tipo de união rústica se encontra talvez na Demeter de Olímpia, denominada Caminéia, isto é, "que está na terra". Sob esse epíteto se viu uma divindade oracular, mas que acabou sendo relacionada com o antigo hábito, segundo o qual o camponês e sua esposa dormiam sobre a terra que deveria ser cultivada, a fim de provocar a vegetação. Homero, na Odisseia, sem mencionar Pluto, refere-se à mesma tradição, ao dizer que o herói Iásion foi fulminado por Zeus, cujo mito olímpico, mais tarde codificado pelo mesmo Hesíodo, faz de Zeus esposo de Demeter, que dele teria tido Core, a jovem, ou Perséfone. Os sofrimentos por que passou a deusa, quando sua filha, com o consetimento e ajuda do pai, foi raptada por Hades, são relatados no importantíssimo Hino Homérico a Deméter, coposto lá pelos fins do século VII a.e.c. e que, salvo um ou outro pormenor, pode e deve ser considerado como o (herós lógos), o "discurso sagrado" do Santuário de Elêusis. Nele a deusa augusta da terra é proclamada a maior fonte de riqueza e alegria. Com efeito, quando Demeter recuperou, por dois terços do ano, a companhia de Perséfone, a deusa devolveu (karpón pherésbion), o grão de vida, que ela própria, em sua cólera dolorosa, havia escondido. Confiou-o, em seguida, a Triptólemo, que o Hino menciona apenas acidentalmente entre os chefes de Elêusis. Mais tarde este herói se tornará filho de Metanira e Céleo, rei de Demeter entregando o grão a TriptolemoElêusis. Triptólemo recebeu a missão sagrada de levar o grão de vida a todos os povos e ensinar-lhes a prática do trabalho. A esses dons a deusa de Elêusis acrescentou uma recompensa suprema: no templo que Céleo lhe mandou construir, exatamente no local em que se asilou, Demeter instituiu para sempre (órguia kalá, semná), belos e augustos ritos, penhor de felicidade na vida e para além da morte. Além do mais, as "duas deusas", mãe e filha, a todos os homens piedosos, que as cultuam, enviam-lhes Pluto, o deus da riqueza agrária. Demeter é, pois a Terra-mãe, a matriz universal e mais especificamente a mãe do grão, e sua filha Core o grão mesmo de trigo, alimento e semente, que, escondida por certo tempo no seio da Terra, dela novament brota em novos rebentos, o que, em Elêusis, fará da espiga o símbolo da imortalidade. Pluto é a projeção dessa semnt. Se verdadeiramente o deus da riqueza agrária ficou eclipsado no Hino a Demeter pela evocação patética de Core perdida e depois "re-encontrada", uma estreita relação sempre existiu, desde tempos imemoriais, entre os cultos agrários e a religião dos mortos, e é assim que o rico em trito, Pluto, acabou por confundir-se com outro rico, o rico em hóspedes, (polydégmon), que se comprimem no palácio infernal. Pois bem, esse rico em trigo, com uma desinência inédita, se transmutou, sob o vocábulo (Plúton), Plutão, num duplo eufemístico e cultural de (Hádes).

Fundamentalmente agrário, o culto de Demeter está vinculado ao ritmo das estações e ao ciclo da semeadura e colheita para produção do mais precioso dos cereais, o trigo.

Deusa maternal da Terra, sua personalidade é simultaneamente religiosa e mítica, bem diferente, já se salientou, da deusa Géia, concebida como elemento cosmogônico. Divindade da terra cultivada, a filha de Crono e Réia é essencialmente a deusa do trigo, tendo ensinado aos homens a arte de semeá-lo, colhê-lo e fabricar o pão. tanto no mito quanto no culto. Demeter está indissoluvelmente ligada à sua filha Core, depois Perséfone, formando uma dupla quase sempre denominada simplesment As Deusas. As aventuras e os sofrimentos das Deusas constituem o mito central, cuja significação profunda somente era revelada aos Iniciados nos Mistérios de Elêusis. Core crescia tranquila e feliz enttre as ninfas e em companhia de Artemis e Atena, quando um dia seu tio Hades, que a desejava, a raptou com o auxílio de Zeus. O local varia muito, segundo as tradições: o mais correto seria a pradaria de Ena, na Sicília, mas o Hino homérico a Demeter fala vagamente da planície de Misa, nome de cunho mítico, inteiramente desprovido de sentido geográfico. Outras variantes colocam-no ora em Elêusis, às margens do rio Cefiso, ora na Arcádia, no sopé do monte Cilene, onde se mostrava uma gruta, que dava acesso ao Hades, ora em Creta, bem perto de Cnossos. Core colhia flores e Zeus, para atraí-la, colocou um narciso ou um lírio às bordas de um abismo. Ao aproximar-se da flor, a Terra se abriu, Hades apareceu e a conduziu para o mundo ctônio.

Demeter e Persefone - Estátua gregaDesde Então começou para a deusa a dolorosa tarefa de procurar a filha, levando-a percorrer o mundo inteiro, com um archote aceso em cada uma das mãos. No momento em que stava sendo arrastada para o abismo, Core deu um grito agudo e Demeter acorreu, mas não conseguiu vê-la, e nem tampouco perceber o que havia acontecido. Simplesmente a filha desaparecera. Durante nove dias e nove noites, sem comer, sem beber, sem se banhar, a deusa errou pelo mundo. No décimo dia encontrou Hécate, que também ouvira o grito e viu que a jovem estava sendo arrastada para algum lugar, mas não lhe foi possível reconhecer o raptor, cuja cabeça estava cingida com as sombras da noite. Somente Hélio, que tudo vê, e que ja, certa feita, denunciara os amores secretos de Ares e Afrodite, cientificou-a da verdade. Irritada Contra Hades e Zeus, decidiu não mais retornar ao Olimpo, mas permanecer na terra, abdicando de suas funções divinas, até que lhe devolvessem a filha.

Sob o aspecto de uma velha, dirigiu-se a Elêusis e primeiro sentou-se sobre uma pedra, que passou, desde então a chamar-se pedra sem alegria. Interrogada pelas filhas do rei local, Céleo, declarou chamar-se Doso e que escapara, há pouco, das mãos de piratas que a levaram à força, da ilha de Creta. Convidada para cuidar de Demofonte, filho recém-nascido da rainha Matanira, a deusa aceitou a incumbência. Ao penetrar no palácio, todavia, sentou-se num tamborete e, durante longo tempo, permaneceu em silêncio, com o rosto coberto por um véu, até que uma criada, Iambe, fê-la rir, seus chistes maliciosos e gestos obscenos. Demeter não aceitou o vinho que lhe ofereceu Metanira, mas pediu que lhe preparassem uma bebida com sêmola de cevada, água e poejo, denominada (kykeón), cuja fonte é o verbo (kikân), "agitar de modo a misturar, perturbar agitando", onde ciceon, além de "mistura", significa também "agitação, perturbação". Trata-se, ao que parece, de uma bebida mágica cujos efeitos não se conhecem bem.

Demoronte - Pintura em tela - DesconhecidoEncarregada da educação do caçula Demofonte, " o que brilha entre o povo", a deusa não lhe dava leite, mas, após esfregá-lo com ambrosia, o escondia, durante a noite, no fogo, "como se fora um tição". A cada dia, o menino se tornava mais belo e parecido com um deus. Demeter realmente desejava torná-lo imortatl e eternamente jovem. Uma noite, porém Metanira descobriu o filho entre as chamas e começou a gritar desesperada. A deusa interrompeu o grande rito iniciático e exclamou pesarosa: "Homens ignorantes, insensatos, que não sabeis discernir o que há de bom ou de mal em vosso destino. Eis que tua loucura te levou à mais grave das faltas! Juro pela água implacável do Estige, pela qual juram também os deuses: eu teria feito de teu filho um ser eternamente jovem e isento da morte, outorgando-lhe um privilégio imorredouro. A partir de agora, no entanto, ele não poderá escapar do destino da morte". Surgindo em todo seu esplendor, com uma luz ofuscante a emanar-lhe do corpo, solicitou, antes de deixar o palácio, que se lhe erguesse um grande templo, com um altar, onde ela pessoalmente ensinaria seus ritos aos seres humanos. Encarregou, em seguida, Triptólemo, irmão mais velho de Demofonte, de difundir pelo mundo inteiro a cultura do trigo.

Construído o santuário, Demeter recolheu-se ao interior do mesmo, consumida pela saudade de Perséfone. Provocada por ela, uma seca terrível se abateu sobre a Terra. Em vão Zeus lhe mandou mensageiros, pedindo que regressasse ao Olimpo. A deusa respondeu com firmeza que não voltaria ao convívio dos Imortais e nem tampouco permitiria que a vegetação crescesse, enquanto não lhe entregassem a filha. Como a ordem do mundo estivesse em perigo, Zeus pediu a Hades que devolvesse Perséfone. O rei dos Infernos curvou-se à vontade soberana do irmão, mas habitualmente fez que a esposa colocasse na boca uma semente de romã e obrigou-a a engoli-la, o que a impedia de deixar a outra vida. Finalmente chegou-se a um consenso: Perséfone passaria quatro meses com o esposo e oito com a mãe.

Reencontrada a filha, Demeter retornou ao Olimpo e a terra cobriu-se, instantaneamente de verde. Antes de seu regresso, porém a grande deusa ensinou todos os seus mistérios ao rei Céleo, a seu filho Triptólemo, a Díocles e a Eumolpo "os belos ritos, os ritos augustos que é impossível transgredir, penetrar ou divulgar: o respeito pelas deusas é tão forte, que embarga a voz".

A instituição dos Mistérios de Elêusis explica-se, pois, pelo reencontro das duas deusas e como consequencia do fracasso da imortalização de Demofonte.

 

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Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

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