1ª Geração Divina ![]()
Queres - Κήρες ![]()
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| Etimologia: | Em grego Κήρες (Kêres, com e aberto ), é aproximado por alguns da raiz, *ker, que significa genricamente "devastar". Os verbos keraínein e keraidzein "destruir, arruinar", talvez não sejam estranhos à mesma família etimológica. O latin tem Caries, caruncho, podridão, cárie. "que destrói", o dente. |

É muito difícil determinar com exatidão o conteito de Queres no mito grego. De Homero a Platão, se de um lado esse conceito evoluiu, de outro, essas filhas da Noite, desde a Ilíada, já tinham uma tendência a confundir-se ora com a Moîra, o Destino Cego, ora com as Erínias, as vingadoras do sange derramado. Verdadeiros monstros, são representadas com Gênios alados, vestidas de preto, com longas unhas aduncas. Despedaçam os cadáveres e bebem o sangue dos mortos e feridos. Aparecem normalmente, por isso mesmo, nas cenas de batalhas e nos momentos de grande violência.
Sua função, todavia, não se restringe apenas ao papel de Valquírias dos campos de batalha. já na Ilíada surgem com aglutinadas, "destinadas" a cada ser humano, personificando-lhe não só o gênero de morte, mas também o gênero de vida que a cada um é predeterminado. Assim, Aquiles "pôde" escolher entre duas Queres, uma lhe proporcionaria na pátria uma vida longa e tranquila, mas inglória, outra a que ele escolheu, lhe daria um renome imperecível, mas cujo preço era a morte prematura.
São igualmente as Queres de Aquiles e de Heitor que Zeus, na presença de todos os deuses, pesa na balança, para saber qual dos dois deveria perecer no combate final diante das muralhas de Ilíon. Como o prato da balança de Heitor se inclinasse em direção ao Hades. Apolo de imediato, abandonou seu preferido ao destino que lhe coubera.
Hesíodo na Teogonia, ora fala de uma Quere, irmã de Tânatos e de Moro, ora de várias Queres, irmãs das Moîras. O gato se explica ou por interpolação ou, o que é mais provável, pelo caráter popular e vago da concepção de Quere, que tanto se apresenta como divindade única, quanto um poder imanente ao indivíduo. É assim que, na Ilíada, uma Quere é atribuída aos aqueus, outra aos troianos. O que se pode concluir é que a noção de Quere podia ter um valor coletivo.
Na época clássica as Queres tornaram-se tão somente reminiscências literárias e foram confundidas com as Moîras e as Erínias, com as quais se parecem por seu caráter ctônio e selvagem.
Platão considerava-as como gênios malévolos, semelhantes às Harpias, que poluem tudo aquilo em que tocam. Por fim, a tradição popular acabou por identificá-las com as almas maléficas dos mortos, que se devem apaziguar com determinados sacrifícios, como acontecia no terceiro e último dia dos solenes festejos dionisíacos das Antestérias.
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Ref. Bibliográfica: |
BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004; |
