1ª Geração Divina ![]()
Moiras - Μοίρα ![]()
Pais: |
|
Filhos: |
|
| Etimologia: | Em grego Μοίρα (Moîra), a palavra grema Moîra povém do verbo meíresthai, obter ou ter em partilha, obter por sorte, repartir, onde Moîra é parte, lote, quinhão,aquilo que a cada um coube por sorte, o destino. Associada a Moîra tem-se, como seu sinônimo, nos poemas homéricos, a voz árcado-cipriota, um dos dialetos usados pela poeta, Aîsa.Note-se loto o gênero feminino de ambos os termos, o que remete à idéia de fiar, ocupação própria da mulher: o destino simbolicamente é "fiado" para cada um. |
O destino jamais foi personificado e, em consequência, Moîra e Aísa não foram antropomorfizadas: pairam soberanas acima dos deuses e dos homens, sem terem sido elvadas à categoria de divindades distintas. A Moîra, o destino, em tese, é fixo, imutável, não podendo ser alterado nem pelos próprios deuses. Há, no entanto, os que fazem sérias restrições a esta afimação e caem no extremo oposto "aos olhos de homeno, Moîra confunde-se com a vontade dos deuses, sobretudo de Zeus". É bem verdade que em alguns passos dos poemas homéricos parece existir realmente uma interdependência, uma identificação da Moîra com Zeus.
As Moîras são a personificação do destino individual, da "parcela" que toca a cada um neste mundo. Originalmente, cada ser humano tinha a sua moîra, a saber, "sua parte, seu quinhão" de vida, de felicidade, de desgraça. Parsonificada, Moîra se tornou uma divindade muito semelhante às Queres, sem, no entanto, participar do caráter violento, demoníaco e sanguinário que estas possuíam. Impessoal e inflexível, a Moîra é a projeção de uma lei que nem mesmo os deuses podem transgredir, sem colocar em perigo a ordem universal. É a Moîra, por exemplo, que impede um deus de prestar socorro a um herói no campo de batalha ou de tentar salvá-lo, quando chegou sua hora de morrer. Um exemplo foi Apolo que abandonou Heitor, seu herói favorito, quando o prato da balança do baluarte de Tróia se inclinou para o Hades. Num simples e doloroso hemistíquio, Homero nos mostra como os deuses, nos caso Apolo, que tantas vezes salvou Heitor da morte certa, obedecem, sem hesitar, à vontade da Moîra.
A pouco e pouco se desenvolveu a idéia de uma Moîra universal, senhora inconteste do destino de todos os homens. Essa Moîra, sobretudo após as epopéias homéricas, se projetou em três Moîras: Cloto, Láquesis e Átropos, tendo cada uma função específica, de acordo com sua Etimologia:
Cloto - Em grego Κλωθώ (Klothô, com o o aberto), do verbo klóthein, Fiar, significando, pois Cloto, a que fia, a fiandeira. Na realidade Cloto segura o fuso e vai puxando o fio da vida.
Láquesis - Em grego Λάχεσις (Lákhesis), do verbo lankhánein, em sentido lato, sortear, a sorteadora: a tarefa de Láquesis é enrolar o fio da vida e sortear o nome de quem deve morrer.
Átropos - Em grego Άτροπος (Átropos) de α (a, "alfa privativo"), não,e o verbo (trépein), voltar, quer dizer, Átropos é a que não volta atrás, a inflexível. Sua função é cortar o fio da vida.
Como se observa, a idéia da vida e da morte é inerente à função de fiar. Nos dois poemas homéricos o fio da vida simboliza o destino humano. Aquiles, como todos os mortais, está sujeito ao sorteio macabro de Láquisis, isto é, o filho de Tétis e Peleu "deverá sofrer tudo aquilo que Aîsa fiou para ele".
As três fiandeiras são filhas da noite, em Hesíodo, mas, uma vez personificadas, tornaram-se para o mesmo poeta filhas de Zeus e Têmis.
Frequentemente se encontram as Moîras formando um mesmo grupo com ilítia, o que facilmente se explica pelo fato de tanto aquelas como esta serem deusas também do nascimento. A junção com Týkhe, Tique a sorte, o Acaso, configura apenas uma "noção vizinha".
Em Roma, as Parcas, a pouco e pouco, identificadas com as Moîras, tendo assimilado todos os atributos das divindades gregas da morte. Na origem, todavia, as coisas eram possivelmente, diferentes: as Parcas, ao que parece, presidiam sobretudo aos nascimentos, conforme, aliás, a etimologia da palavra. Com efeito, Parca provém do verbo parere, "parir, dar à luz". Como no mito grego, eram três: chamavam-se Nona, Décima e Morta. A primeira presidia ao nascimento; a segunda, ao casamento; e a terceira, à morte. Diga-se, de passagem, que morta tem a mesma raiz que Moîra, possivelmente com influência de mors,morte.
Tão grande foi, porém, a influência das Moîras sobre as Parcas, que estas acabaram no mito latino tomando de empréstimo os três nomes gregos, com suas respectivas funções. Nona, Décima e Morta passaram a ser apenas "nomes particulares".
----------------------------------------------------- ▲Subir▲
Ref. Bibliográfica: |
BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004; |


