1ª Geração Divina ![]()
Erinas - Έρινύς ![]()
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| Etimologia: | Em grego Έρινύς (Erinýs), já se tentou aproximar Erínia do verbo όρίνειν (orínein), "perseguir com furor", arcádico έρινύειν (erinýein), "estar furioso", mas tal etimologia é fantasiosa. |

As Erínias eram deusas violentas, com as quais os Romanos identificavam as Fúrias. Titulares muito antigas do panteão helênico, encarnam forças primitivas, que não reconhecem os deuses da nova geração, como se observa na trilogia de Ésquilo, Oréstia, particularmente nas duas últimas tragédias. Coéfora e Eumênides. A princípio não havia um número certo de Erínias e nem se lhe conheciam os nomes, mas, depois de Hesíodo, fixaram-se em três e cada uma recebeu uma denominação: Aleto, Tisífone e Megera. Aleto, em grego Άληχτω (Alektó) significa "a que não pára, a incessante, a implacável"; Tisífone, é o grego Τισιφόνη (Tisiphóne), "a que avalia o homicídio, a vingadora do crima"; Megera, do grego Μέγαιρα (Mégaira), "a que inveja, a que tem aversão por", significados todos de cunho popular.
Apresentação como verdadeiros monstros alados, com os cabelos entremeados de serpentes, com chicotes e tochas acesas nas mãos.
De início eram as guardiãs das leis da natureza e da ordem das coisas, no sentido físico e moral, o que as levava a punir todos os que ultrapassavam seus direitos em prejuízo dos outros, tanto entre os deuses quanto entre os homens.
Só mais tarde é que elas se tornaram especificamente as vingadoras do crime, particularmente do sangue parental derramado. Protetoras da ordem social, punem todos os crimes suscetíveis de pertubá-la, bem como a "démensure", o descomedimento, através do qual o homem se esquece de que é humus, terra, argila, um simples mortal. Eis por que as Erínias não permitem que os adivinhos revelem com precisão o futuro, a fim de que o homem, permanecendo na incerteza, não se torne por demais semelhante aos deuses.
A função essencila dessas temíveis divindades, no entanto é a punição não só do homicídio valuntário, mas do homicídio, porque o assassínio é um miasma, uma terrível mancha religiosa que põe em perigo todo o grupo social em cujo seio é praticado. De modo geral, o assassino é banido da pólis e erra de cidade em cidade até que alguém se disponha a purificá-lo. Orestes, o assassino da própria mãe, com o voto de Atena, o célebre voto de Minerva, foi absolvido da pena, mas não da culpa, Para se libertar de suas Erínias, foi necessário que Apolo o purificasse. De resto, quem derrama o sange parental é acometido de loucura, como Orestes e Alcméon.
De outro lado, como divindades ctônias, cuja residência se localiza nas trevas do Érebo, e portanto ligadas profundament à Terra-Mãe, não podem permitir que esta seja impunemente manchada. É que, sento a Terra a mãe universal, o sangue parental derramado é o sangue da própria Terr-Mãe, que clama por vingaça. O Corifeu das Coéfoas, a segunda tragédia da trilogia esquiliana, é muito explicito a essa respeito:
É uma lei que as gotas do sangue derramado na Terra exigem outro sangue, pois o assassino clama pela Erínia, para que, em nome das primeiras vítimas, ela traga nova vingança sobre a vingança. (Coéf., 400-404)
Na sua perseguição implacável aos culpados, as Erínias são comparadas a cadelas que não deixam em paz as suas vítimas. Orestes teve uma visão destes monstros:
Não são fantasmas que me atormentam. Está claro: são elas, as cadelas furiosas de minha mãe. (Coéf., 1053-1054)
Depois que se estabeleceu uma crença mais firma na outra vida e que esta foi dividida em compartimentos, dois impermanentes (Érebo e Campos Elísios) e um permanente, para os condenados a suplícios eternos (Tártaro), as Erínias foram concebidas como divindades da expiação e do remorso, encarregadas de punir, no Tártaro, todos os grandes criminosos. Esta função das filhas do sangue de Urano já aparece com bastante nitidez a partir de Ésquilo, mas só se firmou, em definitivo, na Eneida de Vergílio. No canto 6, a Sibila de Cumas, em cuja companhia Enéias descera oniricamente à outra vida, pinta para o herói troiano um quadro assustador dos tormentos infligidos aos réprobos pelas Erínias. A Sibila, todavia, tem pressa de chegar aos Campos Elísios, e diz ao filho de Afrodite que, se tivesse cem bocas, cem línguas e uma voz de ferro, tudo isto não lhe bastaria para narrar os crimes dos supliciados e as espécies de castigos a que são submetidos.
Uma visão mais popular dessas Vingadoras atribuía a cada uma determinada função específica. Tisífone açoita os culpados; Aleto, bem de acordo com sua Etimologia, os persegue initerruptamente com fachos acesos; e Megera grita-lhes, dia e noite, no ouvido, as falhas cometidas. Aliás, Megera acabou permanecendo entre nós para designar certos tipos de sogra, o que certamente é de todo injusto...
As Erínias são os instrumentos da vingaça divina em função da Hýbris, o descomedimento dos homens, que elas punem, semeando o pavor em seu coração. Já na antiguidade clássica eram identificadas com "a consciência". Interiorizadas, simbolizam o remorso, o sentimento de culpabilidade, a autodestruição de todo aquele que se entrega ao sentimento de uma falta considerada inexpiável. De qualquer forma, podem transformar-se em Eumênides, isto é, em Benevolentes, Benfazejas, como na terceira tragédia da Oréstia de Ésquilo, quando a razão, simbolizada por Atena, reconduz a "consiência mórbida" tranquilizada a uma apreciação mais equilibrada dos atos humanos.
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Ref. Bibliográfica: |
BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004; |







