1ª Geração Divina ![]()
A primeira fase do Cosmo segue-se o que se poderia chamar estágio intermediário, em que Urano (céu) se une a Géia (Terra), de que procede numerosa descendência: Titãs, Titânidas, Ciclopes, Hecatonquiros, além dos que nasceram do sangue de Urano e de todos os filhos destes e daqueles.
A União de Urano e Geia é o que se denomina uma hierogamia, um casamento sagrado, cujo objetivo precípuo é a fertilidade da mulher, dos animais e da terra. É que, na expressão de Mircea Eliade, o (hieròs gámos), o casamento sagrado, "atualiza a comunhão entre os deuses e os homens; comunhão, por certo passageria, mas com significativas consequencias. Pois a energia divina convergia diretamenet sobre a cidade - em outras palavras, sobre a Terra - santificava-a e lhe garantia a prosperidade e a felicidade para o ano que começava". Essas hierogamias se encontram em quase todas as tradições religiosas. Simbolizam não apenas as possibilidades de união do homem com os deuses, mas também uniões de princípios divinos que provocam certas hipóstases. Um das mais célebres dessas uniões é a de Zeus (o poder, a autoridade) e Têmis (a justiça, a ordem eterna) que deu nascimento a Eunomia (a disciplina), Irene (paz) e Dique (a Justiça).
Curioso é que o casamento, instituição que preside à trasnmissão da vida, aparece muitas vezes aureolado de um culto que exalta e exige a virgindade, simbolizando, assim, a origem divina da vida, de que as uniões do homem e da mulher são apenas projeções, receptáculos, instrumentos e canais transitórios. No Egito havia as esposas de Amon, deus da fecundidade. Eram normalmente princesas, consagradas ao deus e que dedicavam sua virgindade a essa teogamia. Em Roma, as Vestais, sacerdotisas de Vesta, deusa da lareira doméstica, depois deusa da Terra, a Deusa Mãe, se caracterizavam por uma extrema exigência de pureza.
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