Sobre o Autor | Contato

Mitologia Grega - 1ª Fase do Universo (Seres Primordiais)

small logo

Seres Primordiais

Cinco Eras Caos Mito, Rito e Religião Érebo Ilha de Creta Eter Ilha de Creta Eros Ilha de Creta Geia
A Invasão dos Aqueus Hemera Invasão dos Dórios Montes O Legado Nix Ilha de Creta Pontos Ilha de Creta Tártaro
A Invasão dos Aqueus Urano        

Urano - Οΰρανός

Pais:

Geia

Filhos:

Seu sêmen caído na terra: Erínias - Gigantes - Ninfas dos Freixos - Meliades

  Seu sêmen caído na Geia: Os Hecatonquiros (Briaréu, Gias e Coto) - Os Ciclopes (Arges, Estérope, Bontes) - Os Titãs (Oceano, Ceos, Crio, Hiperion, Jápeto, Crono) - As Titãnidas (Téia, Réia, Febe, Mnemósina, Temis e Tetis).
Etimologia: Em grego Οΰρανός (Uranós). Não mais se aceitando a aproximação com Varuna, talvez se pudesse cotejar o vocábulo grego com Fορσανός (worsanós), sânscrito varsa-, "chuva", onde Urano seria "o que chove", fecundando Geia.

É a personalização do Céu, enquanto elemento fecundador de Geia. Urano Céu era concebido como um hemisfério, a abóbada celeste, que cobria a terra, concebida como esférica, mas achatada: entre ambos se interpunham o Éter e o Ar e, nas profundezas de Geia, localizava-se o Tártaro, bem a baixo do próprio Hades. Do ponto de vista simbólico, o deus do céu traduz uma proliferção criadora desmedida e indiferenciada, cuja abundância acaba por destruir o que foi gerado. Urano caracteriza assim a fase inicial de qualquer ação, com alternância de exaltação e depressão, de impulso e queda, de vida e morte dos projetos.

Deus celeste indo-europeu, símbolo da abundância, o deus do céu é representado pelo touro. Sua fertilidade, todavia é perigosa, além de inútil. A mutilação de Urano por Crono põe cobro a uma odiosa fecundidade e faz surgir Afrodite, nascida do esperma ensanguentado do deus, a qual introduz no mundo a ordem e a fixação das espécies, impossibilitando qualquer procriação desordenada e nociva. André Virel, com base na mitologia grega, caracterizou as três fases da evervescência caótica e indiferenciada, chamada cosmogenia; Crono (Saturno) é o podador, corta e separa. Com um golpe de foice ceifa os órgãos de seu pai, pondo fim a secreções indefinidas. Ele é o tempo da paralisação. É o regulador que bloqueia qualquer criação no universo. É o tempo simétrico, o tempo da identidade. Sua fase denomina-se esquizogenia. O reino de Zeus (Júpiter) se caracteriza por uma nova partida, organizada e ordenad e não mais caótica e anárquica: a esta fase A. Virel chama autogenia Após a descontinuidade, a criação e a evolução retomam seu caminho.

A únião de Urano e Geia é o que se denomina uma hierogamia, um casamento sagrado, cujo objetivo precípuo é a fertilidade da mulher, dos animais e da terra. É que, na expressão de Mircea Eliade, o hierós gámos, o casamento sagrado, "atualiza a comunhão entre os deuses e os homens; comunhão, por certo passageira, mas com significativas consequências. Pois a energia divina convergia diretamente sobre a cidade - em outras palavras, sobre a Terra - Santificava-a e lhe garantia a prosperidade e a felicidade para o ano que começava". Essas hierogamias se encontram em quase todas as tradições religiosas. Simbolizam não apenas possibilidades de união do homem com os deuses, mas também uniões de princípios divinos que provocam certas hipóstases. Uma das mais célebres dessas uniões é a de Zeus ( o poder, a autoridade) e Têmis (a justiça, a ordem eterna) que deu nascimento a Eunomia (a disciplina), Irene (a paz) e Dique (a justiça).

Curioso é que o casamento, insituição que preside à transmissão da vida, aparece muitas vezes aureolado de um culto que exalta e exige a virgindade, simbolizando, assim, a origem divina da vida, de que as uniões do homem e da mulher são apenas projeções, receptáculos, instrumentos e canais transitórios. No Egito havia as esposas de Amon, deus da fecundidade. Eram normalmente princesas, consagradas ao deus e que dedicavam sua virgindade a essa teogamia. Em Roma, as Vestais, sacerdotisas de Vesta, deusa da lareira doméstica, depois deusa da Terra a Deusa Mãe, se caracterizavam por uma extrema exigência de pureza.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

---------------------------------------------------▲Subir

Sobre o Autor | Mapa do Site | Publique seu Artigo | Contato | ©2007 Templo de Apolo - Por Odsson Ferreira