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Mitologia Grega - 1ª Fase do Universo (Seres Primordiais)

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Seres Primordiais

Cinco Eras Caos Mito, Rito e Religião Érebo Ilha de Creta Eter Ilha de Creta Eros Ilha de Creta Geia
A Invasão dos Aqueus Hemera Invasão dos Dórios Montes O Legado Nix Ilha de Creta Pontos Ilha de Creta Tártaro
A Invasão dos Aqueus Urano        

Eros - Ερως

Pais:

Caos; Nix; ou Hermes e Afrodite. (Em algumas variantes)

Filhos:

Etimologia: Em grego Ερως (Éros), significa desejo incoercível dos sentidos.

Pintura sobre tela - C.G. Kratzenstein 1793-1860Personificado, é o deus do amor. O mais belo entre os deuses imortais, segundo Hesíodo, Eros dilacera os membros e transtorna o jízo dos deuses e dos homens. Dotado, como não poderia deixar de ser, de uma natureza vária e mutável, o mito do deus do amor evoluiu muito, desde a era arcaixa até a época alexandrina e romana, isto é, do século IX a.e.c., ao século VI d.e.c. Nas mais antigas teogonias, como se vê em Hesíodo, Eros nasceu do Caos, ao mesmo tempo em que Geia e Tartaro. Numa variante da cosmogonia órfica, o Caos e Nix (noite) estão na origem do mundo. Nix põe um ovo, de que nasce Eros, enquanto Urano e Geia se formam das duas metades da casca pertida. Eros, no entanto, apesar de suas múltiplas genealogias, permanecerá sempre, mesmo à época de seus disfarces e novas indumentárias da época alexandrina, a força fundamental do mundo. Garante não apenas a continuidade das espécies, mas a coesão interna do cosmo. Foi exatamente sobre este tema que se desenvolveram inúmeras especulações de poetas, filósofos e mitólogos.

Para Platão, no Banquete, pelos lábios da sacerdotisa Diotima, Eros é um Demônio, quer dizer, um intermediário entre os deuses e os homens (não do sentido pejorativo de Diabo, para os gregos, "daimónion" eram seres semideuses que vagavem entre deuses e homens, sendo como os anjos são para os cristãos hoje) como o deus do amor está a meia distância entre uns e outros, ele preenche o vazio, tornando-se assim, o elo que une o Todo a sim mesmo. Foi contra a tendência generalizada que lhe atribuiu nova genealogia. Consoante Diotima, Eros foi concebido da união de Póros (expediente) e de Penia (Pobreza), no jardim dos Deuses, após um grande banquete, em que se celebrava o nascimento de Afrodite. Em face desse parentesco tão díspar, Eros tem caracteres bem definidos e significativos: sempre em busca de seu objeto, como Pobreza e "carência", sabe, todavia, arquitetar um plano, como Expediente, para atingir o objetivo, "a plenitude". Assim, longe de ser um deus todo-poderoso, Eros é uma força, uma ένέργεια (enérgueia), uma "energia", perpetuamente insatisfeito e inquieto: uma carência sempre em busca de uma plenitude. Um Sujeito em busco do Objeto.

Com o tempo, surgiram várias outras genealogias: umas afirmam se o deus do Amor filho de Hermes e Ártemis ctônia ou de Pintura sobre tela - Giovanni Baglione 1573-1644Hermes e Afrodite urânia, a Afrodite dos amores etéreos; outras dão-lhe como pais Ares e Afrodite, enquanto filha de Zeus e Dione e, nesse caso, Eros se chamaria Ânteros, quer dizer, o Amor Contrário ou Recíproco. As duas genealogias, porém, que mais se impuseram, fazem de Eros ora filho de Afrodite Pandêmia, isto é, da Afrodite popular, a Afrodite dos desejos incontroláveis, e de Hermes, ora filho de Artemis, enquanto filha de Zeus e Perséfone, e de Hermes. Este último Eros, que era alado, foi o preferido dos poetas e escultores.

Aos poucos, todavia, sob a influência da poesia, Eros se fixou e tomou sua fisionomia tradicional. Passou a ser apresentado como um garotinho louro, normalmente com asas. Sobe a máscara de um menino inocente e travesso, que jamais cresceu (afinal a idade da razão, o lógos, é incomparável com o amor), esconde-se um deus perigoso, sempre pronto a traspassar com suas flechas certeiras, envenenadas de amor e paixão, o fígado e o coração de suas vítimas.

O fato de Eros ser uma criança simboliza, sem dúvida, a eterna juventude de um amor profundo, mas também uma certa irresponsabilidade. Em todas as culturas, a Aljava, o arco, as flechas, a tocha, os olhos vendados significam que o Amor se diverte com as pessoas de que se apossa e domina, mesmo sem vê-las (o amor, não é raro, é cego), ferindo-as e inflamando-lhes o coração. O globo que ele, por vezes, tem nas mãos, exprime sua universalidade e seu poder.

Gravura - DesconhecidoEros, de outro lado, traduz a complexio oppositorum, a união dos opostos. O Amor é a pulsão fundamental do ser, a libido, que impele toda existência a se realizar na ação. É ele que atualiza as virtualidades do ser, mas essa passagem ao ato só se concretiza mediante o contato com o outro, através de uma série de trocas materiais, espirituais, sensíveis, o que faltamente provoca choques e comoções. Eros procura superar esses antagonismos, assimilando forças diferentes e contrárias, integrando-as numa só e mesma unidade. Nessa acepção, ele é simbolizado pela cruz, síntese de correntes horizontais e verticais e pelos binômios animus-anima e Yang-Yin. Do ponto de vista cósmico, após a explosão do ser em múltiplos seres, o Amor é a δύναμις (dýnamis), a força, a alavanca que canaliza o retorno à unidade; é a reintegração do universo, marcada pela passagem da unidade inconsciente do Caos primitivo à unidade consciente da ordem definitiva. A libido então se ilumina de progresso moral e místico. o ego segue uma evolução análoga à do universo: o amor é a busca de um centro unificador, que permite a realização da síntese dinâmica de suas potencialidades.

Dois seres que se dão e reciprocamente se entregam, econtram-se um no outro, desde que tenha havido uma elevação ao nível de ser superior e o dom tenha sito total, sem as constumeiras limitações ao nível de cada um, normalmente apenas sexual. o Amor é uma fonte de progresso, na medida em que ele é efetivamente união e não apropriação. Pervertido, Eros, em vez de se tornar o centro unificador, converte-se em pricípio de divisão e morte. Essa perversão consiste sobretudo em destruir o valor do outro, na tentativa de servir-se do mesmo egoísticamente, ao invés de enriquecer-se a si próprio e ao outro com uma entrega total, um dom recíproco e genroso, que fará com que cada um seja mais, ao mesmo tempo em que ambos se toram eles mesmos. O Erro capital do amor se consuma quando uma das partes se considera o todo. O conflito entre a alma e o amor é simbolizado pelo mito de Eros e Psiqué.

Ref. Bibliográfica:

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Greva Vol I. Petrópolis, Vozes, 2004;

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