Civilização Grega - História da Civilização

Períodos de Formação da Civilização

Moeda Ateniense Moeda Ateniense

Linha do Tempo na Era Negra ou Idade das Trevas

Invasão dos Dórios 1ª Diáspora Grega Formção da Comunidade Gentílica Homero e seus poemas
1200 a.e.c.
1200 a.e.c
1200-900 a.e.c
800 a.e.c
Invasão dos Dórios 1ª Diáspora Grega Formação da Comunidade Gentílica Homero e seus Poemas Épicos

 

Os Dórios

A civilização micênica havia pois atingido seu climax, quando Ia pelos inícios do século XII a.e.c. chegaram a Hélade as últimas levas de invasores indo-eunopeus, tradlicionalmente denominados dórios. É inteiramente impossível, todavia, localizar no tempo um movimento que se processou lentamente e ao longo dos séculos. Uma coisa, porém, parece indiscutível: o incêndio de Hatusa, capital do império hitita na Ásia Menor, com o conseqüente desmoronamento deste mesmo império; a ameaça que pesou sobre o Egito por parte dos povos do mar, contida com dificuldade por Ramsés III, nem como a destruição dos grandes centros da civilização micênica, Seguida de uma completa ruptura e desagregação politica, religiosa e cultural do mundo aqueu, devem-se a erupcão violenta dos dôrios.

Partindo do Danúbio ou da Ilíria, esses “gregos” conhecedores do ferro, aguerridos e violentos, penetraram em vagas sucessivas pelo Epiro e, através da Macedônia e da Tessália, lograram apossar-se, grosso modo, de toda a Grécia continental, bem como de várias ilhas, principalmente de Creta, chegando ate Rodes.

Dessa grande calamidade sobraram, ao que parece, as ilhas de Eubéia, Chipre e a Atica, com sua Atenas eterna, talvez deixada de lado pela pobreza de seu pequeno território.

Invasão dos DóriosAo apagar das luzes do século XI a.e.c, chegou ao fim a catástrofe que submergiu toda a civilização micênica. Exatamente como as invasões dóricas, as migracöes aquéias, jônicas e eólicas, fugindo ao vencedor, se fizeram paulatinamente, no tempo e no espaço, em direção a Ásia Menor. Essas migraçôes, é bom acentuar, que ja haviam começado em plena época micênica, bem antes portanto das invasöes dóricas e que prosseguiram durante e por causa das mesmas, tiveram continuidade, por motivos outros, sobretudo de ordem politica e econômica, ate o século IX a.e.c.

Assim, a época da provável “composicão” da Iliada (século IX a.e.c.), a Grécia da Asia, reduzida a um esquema muito simples, apresenta-se secionada em três zonas étnicas: ao forte, a Eólida, com as ilhas de Ténedos e Lesbos; ao centro, a Jónia, com as grandes cidades de Mileto, Cólofon, Focéia, Éfeso e as ilhas de Samos e Quios; ao sul, a Dórida, com as cidades de Halicarnasso, Cnido e as ilhas de Cós e Rodes.

Com as invasôes dórias houve, uma completa ruptura e desagregação politica, social, religiosa e cultural do mundo aqueu. Durante séculos se afirmou que os dórios haviam “criado” na Hélade duas novidades de importância capital: a metalurgia do ferro e a cerâmica geométrica e que a conquista do Peloponeso se devera a superioridade das armas de ferro dórias sobre o arrnamento de bronze dos aqueus. Quanto ao ferro, não foi o mesmo “inventado” nem tampouco usado pela vez primeira pelos dórios. A metalúrgia do ferro já se conhecia bem antes na Anatólia e seu monopólio pertencia aos Hititas. Com a ruina do império centrado em Hatusa, o uso do ferro se difundiu pela Palestina e Creta, e depois pela Grécia, possivelmente, isto sim, através dos dórios. A cerâmica geométrica, que predominou na Hélade de — 1100 a 750 a.e.c., não é também uma criação dória: surgiu, na realidade, da arte micênica e, coincidentemente, alcancou seu maior esplendor em terras não dominadas pelos dórios: Atenas e a ilha de Chipre.

As grandes “novidades” dórias foram no plano social e religioso. Fortemente onganizados em torno de seus chefes militares, os invasores estavam ainda muito presos e ligados a primitiva e belicosa sociedade indo-européia. Reinava entre eles uma patrilinhagem feroz, dada a superioridade do homem como guerreiro. Houve, nesse sentido, um retrocesso muito sério em relação aos reinos aqueus, onde a mulher, mencê da influência matrilinear cretense, gozava de uma liberdade, de uma estima e de urn respeito, que nunca mais ela terá, ao menos na Grécia continental. Vivendo em comunidades, indissoluvelmente Iigados pela camaradagem bélica, os homens prolongavam na vida diaria essa convivência Intima, própria da guerra em que estavam de contínuo empenhados. Desse modus uiuendi originaram­se, certamente, dois hábitos, que se hão de perpetuar no helenismo: a nudez do atleta e a pederastia.

Estrabão (63 a.e.c. - 19 d.e.c.), misto de filósofo estóico, historiador e geógrafo, nos fala em sua Geografia, 10, 483, de certos habitos cretenses herdados dos dórios: o jovem, em plena adolescência, antes de ser admitido na classe dos adultos, era raptado por um homem mais velho e com este passava dois meses no campo. Ao retornar, recebia do amante uma armadura completa e tornava-se seu companheiro inseparavel no combate. Só então, após esse “rito iniciático”, era o adolescente admitido no andreîon, isto é, no clube dos homens.

No plano religioso, o retrocesso dório foi responsável também por algumas transformações bem acentuadas. O equilíbrio “pâtriomatrilinear” conquistado a duras penas pela civiiização micênica, mercê da influência cretense, acentue-se mais uma vez, foi, no mundo dório, inteiramente rompido. As deusas, hipóstases da Grande Mãe, foram alijadas e instaurou-se uma sociedade divina de feição patrilinear, a imagem e semelhança da sociedade viril dónica, uma vez que a mulher espartana, abandonando a dança e a música, tão cotadas na educação micênica, transformou-se em “atleta”. A graça e a feminilidade de outros tempos foram substituídos por uma concepção utilitarista e crua: a mulher tinha o dever sagrado, antes do mais, de se preparar para ser mãe fecunda de filhos robustos.

Por outra: a muiher espartana tornou-se matriz sadia, uma espécie de laboratório eugénico, como aconteceu, guardadas as devidas proporções, com a juventude dos estados totalitários do tipo fascista, na Gioventu’ fascista, na Hitlerjugend e continua a acontecer nos milenarismos utópicos.

Dodona e Olimpia, outrora possessão de deusas-mães, são solenemente ocupadas por Zeus. Delfos, outrora domínio de Géia e da serpente Píton, é, a sangue e fogo, ocupado por Apolo, que, não satisfeito, expulsa de Amiclas, cidade muito próxima de Esparta, a Jacinto, jovem herói pré-helênico da vegetacão. Em sIntese, ao equiibrio entre patrilinhagem e matrilinhagem que caractenizava o sincretismo creto-micénico sucedeu o mais grosseiro domínio masculino.

Sofreram igualmente transformacöes os hábitos funerários. A inumacão, que era o processo universalmente praticado em toda a Hélade, foi substitulda, a partir dos dórios, peia cremacão. De qualquer forma, as invasôes dórias foram um desastre. Nos inicios do século XII a.e.c., a civilizacão micênica foi varrida do solo helêthco. Micenas, Tirinto, Tebas, Pilos foram destruídas e incendiadas. A escrita, embora de carater administrativo, desapareceu ou deixou de ser usada. O contato e o comércio com o mundo exterior foram reduzidos a quase nada. A extraordinária arte micênica entrou em franca decadência. Durante pelo menos três séculos “a Grécia ficou isolada, empobrecida, paroquial”. Era a idade de ferro. Um Caos cultural envolveu em trevas dórias a Grécia continental.

Jônios, eólios, mas sobretudo os aqueus, tangidos pelos invasores, voltaram a Ásia Menor, não mais como conquistadores: eram agora suplicantes. Não formavarn, certamente, grupos naturais, compactos e fortes; não eram portadores do fogo sagrado de seus lares, nem os guiavarn seus deuses nacionais. O genos estava definitivamente rompido. Eram tão-somente refugiados e indigentes, sem deuses, sem pátria, sem lar. A pouco e pouco, todavia, começaram a fundir-se com seus antigos e esquecidos irmãos de outrora. Multiplicam-se os casamentos.

Até mesmo o poder politico dividiu-se, muitas vezes, entre os plutocratas senhores da Ásia Menor grega e os imigrados. Bem mais rápido do que era de se esperar, os dinastas da Jônia vangloriavam-se de sua origem continental. Eis aí como se apresenta a situação da Jonia, a época em que nasceu a Iliada, situacão que deveria ter sido outra, cerca de quatro séculos antes. Aportaram a Ásia Menor como imigrantes, mas esta situação era contrabalancada por um grande orguIho: a lembranca do império aqueu, de sua opulência e de suas conquistas.

O passado era sua riqueza: viviam em póthos, na doce lembrança da presença de uma ausência. Herdeiros da raça da idade dos heróis, tinham na lembranca que esta terra a que chegavam como suplicantes, seus ancestrais haviam-na pisado como conquistadores. A glória de uma de suas derradeiras facanhças, a destruição de Ilion ou tróia, mantinha-lhes a coragem, quando forçados a combater para conquistar urn lugar ao sol. Seus poetas e aedos, rememorando-Ihes este passado, alimentavam-lhes o sentimento e o orgulho de serem descendentes de uma idade heróica.

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Referência Bibliográfica:

  1. BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega Vol I 18ª Edição, Petrópolis-RJ, Ed. Vozes, 2004;
  2. GIORDANI, Mario Curtis. Historia da Grécia, Petrópolis-RJ, Ed. Vozes, 2000;
  3. MORKOT Robert, Historical Atlas of Ancient Greece, London, Penguin Group, 1996.
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