Civilização Grega - História da Civilização

Períodos de Formação da Civilização

Linha do Tempo no Helenismo

Alexandre, o Grande Os Espólios de Alexandre Os Selêucidas Os  Lágidas Os Antigônidas Anexação Romana A Batalha de Actium
336 a.e.c.
323 a.e.c.
312 a.e.c.
305 a.e.c.
Alexandre, o Grande Os Espólios de Alexandre Os Selêucidas Os Lágidas
276 a.e.c. 200 a.e.c. 31 a.e.c.
Os Antigônidas Anexação Romana A Batalha de Actium, o Fim do Helenísmo

 

 

Introdução

Ao morrer, Alexandre legava a História um imenso e complexo império que incluía a Macedônia, o Egito, a Asia desde o litoral do Egeu ate ao Pendjab, o sul da linha Cáucaso-Cáspio, com exceção da Arabia, da Armenia e do norte da Asia Menor. A maior parte das cidades gregas da Gréeia e da Asia Menor, com exceção de Esparta e das cidades do Mar Negro, eram aliadas de Alexandre.

Como Alexandre não houvesse deixado herdeiro e não tivesse tomado decisões com relação a continuidade do governo do Império (estivera impossibilitado de falar durante os últimos dias de sua inesperada enfermidade), o problerna de sua sucessão ia suscitar, desde logo, graves preocupações. Convém acentuar que, ate então, o enorme impérlo permanecera coeso graças ao prestígio de Alexandre. Os auxliares mais imediatos do jovem soberano, colaboradores efetivos de seus triunfos, estavam, na maior parte, em pleno vigor da idade e pertenciam quase todos a essa jovem raça macedônica a quem parecia reservado o domínio do mundo; esses auxiliares, como observa Hatzfeld, haviam participado muito de perto da atividade de Alexandre para aceitarem, doravante, o desempenho de papéis subalternos. Um exército belicoso, riquezas incomensuráveis, eis o que estava a disposição dos herdeiros do Império e ia despertar-Ihes a cobiça e levá-los a intermináveis e sangrentas dissenções.

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A partilha do Império

Os grandes chefes rnacedônios reunidos em Babilônia logo após a morte do jovem monarca decidiram que FIlipe Arrideu, irmão de Alexandre por parte de pai, embora débil mental, fosse proclamado rei. Das três esposas legítimas de Alexandre, só Roxana esperava o próximo nascimento de uma criança que, no caso de ser do sexo masculino, teria seus direitos sucessórios assegurados pelos generais. Com efeito, o filho pósturno de Alexandre foi reconhecido como herdeiro do trono com o nome de Alexandre IV.

Como nem o tio nem o sobrinho estivessern em condições reais de governar, organizou-se uma regência que foi confiada a Perdicas, que, na qualidade de quiliarca (função existente na hierarquia persa e que conferia a seu titular os poderes absolutos de um grão-vizir), possuía autoridade sobre os territórios asiáticos.

A Divisão do Império de AlexandreCrátero, com o tItulo de prostatés (intendente), recebeu a incumbência de zelar pelos negócios do Ocidente, proteger Arrideu e seu tesouro. AntIpater, que, como estratego, já governava a Macedonia e a Grécia, auxiliava Crátero. A imensidão do império exigiu, desde logo, uma nova divisão do poder: Ptolomeu recebeu o Egito; Antígono Monoftalmo, a PanfIlia, a Lícia e a Grande Frígia; Eumênio, a Paflagônia e a Capadócia; Leônatos, a Frígia Helespôntica; Lisímaco, a Trácia; Laomedonte, a Síria.

Como receberam Os POVOS do vasto império a morte de Alexandre e os atos dos diádocos (sucessores do conquistador)?

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Revoltas

No Oriente, registramos, apenas, uMa revolta de gregos na Bactriana. Tratava-se de colonos militares que desejavam aproveitar a oportunidade para regressarem à patria, mas que foram severamente punidos.

No Ocidente, devemos anotar a revolta da Grécia iniciada por Atenas que, ao tomar conhecimento da morte de Alexandre, resolveu recuperar sua plena independência. Demóstenes, que estava no exIlio, é chamado de volta. Com exceção de Esparta, unem-se a Atenas as populações da Grécia Central e do Peloponeso. O estratego Leóstenes ocupa as Termópilas e bate Antípater que se refugia em Lâmia (daí o nome de Guerra Lainíaca). Diante desta cidade Leóstenes é morto, Antipater é libertado por dois exércitos que obtêm uma vitôria decisiva em Crânon (322 a.C.) na Tessalia. A frota ateniense fora tambem derrotada em Amorgos.

Atenas foi, então, tratada com severidade, tendo que aceitar uma guarnição macedônica. Demóstenes, para não cair em mãos de seus adversários, buscou refúgio no templo de Posídon em Caláuria onde se suicidou tomando veneno.

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As Rivalidades

Entretanto, as rivalidades entre os diádocos se acentuavarn cada vez mais. Esboca-se uma coligação contra o quiliarca, na qual tomam parte AntIpater, Crátero, Antígono, Lisímaco e Ptolomeu. Perdicas, que contava com o apolo de Eumênio, foi assassinado em Pelusa (321) por um grupo de oficiais rebeldes chefiados por Seleuco, quando pretendia submeter Ptolorneu.

Em Triparadeisos, na Síria do Norte, foi, então, efetuada a segunda grande partilha do Império: Antípater tornava-se epimeletes (regente) dos reis; Ptolomeu era confirmado no governo do Egito; Antígono tornava-se estratego dos exércitos da Asia, Seleuco recebia a Babilônia como recompensa do crime praticado.

Eumênio de Cardia, que permanecera fiel a Perdicas, foi condenado a morte, cabendo a Antígono a missão de puni-lo. Acontece porém que Antipater morre de velhice tendo designado, antes, para sucessor Polyperchon, antigo general de Alexandre. Essa designação desgostou a Cassandro, filho de Antípater, que se aliou a Antígono, a Ptolomeu e Lisímaco (sátrapa da Trácia) com o fim de depor Polyperchon. Este, por sua vez, busca a aliança de Eumênio, na Asia, e procura apoio de Olimpia, a rainha mãe que, havia muito, vivia retirada no Epiro.

O Velho rancor de Olímpia provocou o massacre de Filipe Arrideu, de sua mulher e de todos os seus partidârios (317). Cassandro, entretanto, entra vitorioso na Macedônia e faz executar a velha rainha; completa, a seguir, a conquista da Grécia (316). O prestIgio de Cassandro aumenta em virtude de conservar retida Roxana e seu filho. Na Asia, Antígono consegue, após uma eficaz resistência de Eumênio, vencer o antigo aliado de Perdicas (316 a.C.), ficando senhor do Oriente.

Tal fato desperta, porém, a atenção dos demais diádocos que não se contentavam com a porção recebida e sonhavam com o restabelecirnento da unidade em proveito próprio. Seleuco abandona a Babilônia (316 a.C.) e vai ao Egito despertar a atenção de Ptolomeu sobre os projetos audaciosos de Antigono. Ptolomeu entra em entendimentos com Cassandro e Lisímaco no sentido de barrarem as pretensões do senhor da Asia. Este desenvolve intensa atividade diplomática e guerreira: anexa o litoral da Asia Menor, promete a completa independência as cidades gregas da península, une em uma liga os habitantes das Cícladas.

Mas a sorte das armas não foi sempre favorável a Antígono: seu filho Demétrio é derrotado em Gaza (primavera de 312) e Seleuco volta a Babilônia. Em 311 os adversários estabelecem uma trégua: Cassandro deveria permanecer no governo da Grécia até a maioridade do filho de Roxana; Ptolomeu reteria o Egito e Antígono a Asia. Seleuco não é mencionado, o que, parece, equivalia, a deixa-lo à mercê de AntIgono.

Em 310 Cassandro se desembaraça criminosamente de Roxana e de seu filho e no ano seguinte Ptolomeu rompe a paz, intervindo no mar Egeu e na própria Grécia (Corinto, Mégara e Atenas). Essa intervenção de Ptolomeu desperta o velho sonho de Antígono que, em 307, envia sen filho Demétrio Poliorcetes a peninsula helênica. Demétrio é recebido como libertador em Atenas e, em seguida (306), inflige grave derrota a esquadra de Ptolomeu em Salamina de Chipre. Antígono atribui, então, a si mesmo e a seu filho o tItulo de rei. No ano seguinte (305) esse gesto é igualmente imitado por Ptolomeu, Cassandro e Lisímaco. Seguem-se anos de luta entre os novos reis.

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Os Novos Reis

Novos ReinosDemétrio volta a Grécia vitorioso, restabelece a antiga liga de Corinto fazendo-se proclamar hegemon da mesma (303 a.e.c.). Na Asia, porém, Antígono é atacado pelos diádocos e chama seu filho em socorro. Em Ipsos, na Frígia Central, fere-se a memorável batalha: Antígono, derrotado, suicida-se; Demétrio consegue fugir (301 a.C.). Os vencedores efetuaram uma terceira partilha do Império:

A Macedônia e a Grécia couberam a Cassandro cujo reinado através de seus sucessores iria estender-se até o ano de 146 a.e.c.

A Síria e a Armência do Norte couberam a Seleuco, fundador da dinastia dos Selêucidas.

Lísimaco recebeu a Trácia e a Ásia Menor até o Taurus.

Ptolomeu (que não participara da batalha de Ipsos) conservou apenas o Egito, fundando a dinastia dos Lágidas, que reinaria na antiga terra dos faraós ate o ano 30 a.e.c.

Ipsos delineia os grandes reinos que sucederam ao império de Alexandre. A partilha, entretanto, não satisfizera a todos, Seleuco desejava obter de Ptolomeu a Síria Meridional; Lisímaco pretendia aumentar seus domínios. Seleuco aliou-se a Demétrio (que conservara, depois de Ipsos, sua poderosa frota e numerosas fortalezas), Lisimaco a Ptolomeu. Quando Cassandro, que se conservara a margem das duas facções, morreu em 297, Demétrio tentou dominar a Grécia. Depois de um cerco de dois anos torna Atenas (294), conquista a Beócia, a Tessália e a Macedônia proclamando-se rei em 293 a.e.c. e estabelecendo na Grécia as oligarquias no poder. Em 289 o poderio de Demétrio atinge o apogeu. No ano seguinte, porém, Ptolomeu, Lisímaco e Pirro do Epiro formam uma aliança contra o rei da Macedônia. Derrotado na Europa, Demétrio passa a Asia onde, na Cilicia se rende a Seleuco (286 a.C.), morrendo prisioneiro em 283 a.e.c

LisÍmaco entra em luta com Pirro, afasta-o da Macedônia e invade a peninsula helênica, mas é derrotado e morto em Curupédion (Planície de Cyro) a oeste de Sardes na Asia Menor (281 a.e.c.) pelas forças de Seleuco. Este anexa a seu reino, então, Os territórios da Asia Menor pertencentes a Lisímaco, fazendo-se proclamar rei da Macedônia.

Ao preparar-se para conquistar a Macedônia, Seleuco é assassinado em Lisimaquéia (280 a.e.c.) por Ptolomeu Keraunos, filho de Ptolomeu I. O prIncipe fora deserdado por seu pai e buscara a protecão de Seleuco. A morte deste assinala o desaparecimento dos diádocos (Ptolomeu I já havia falecido em 282) e, de certo modo, o fim dos desmembramentos do Império de Alexandre. Os herdeiros dos diádocos ficaram conhecidos na História com a designação de epigonos.

Ptolomeu Keraunos foi morto em 279 ao tentar deter uma invasão de celtas na Grécia. Antígono Gonatas, filho de Demétrio, concluí um tratado de amizade com Antíoco, filho de Seleuco, e dirigese para a Grécia, derrotando os bárbaros na Trácia e fazendo-se proclamar rei da Macedonia (276).

Estabelecia-se, agora, após quase meio século de lutas sangrentas, um equilIbrio de forças e de paz: Ptolomeu no Egito, Antioco na Síria e AntIgono na Grécia e na Macedônia. Iniciava-se um novo capitulo na História do Helenismo.

As cidades gregas do Helenismo- 8'45"

 

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Referência Bibliográfica:

  1. GIORDANI, Mario Curtis. Historia da Grécia, Petrópolis-RJ, Ed. Vozes, 2000;
  2. MORKOT Robert, Historical Atlas of Ancient Greece, London, Penguin Group, 1996.
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