Civilização Grega - História da Civilização

Períodos de Formação da Civilização

Linha do Tempo no Período Clássico

Revolta das Cidades Gregas 1ª Guerra Médica 2ª Guerra Médica Hegemonia Ateniense A Guerra do Peloponeso Hegemonia Espartana
499-496 a.e.c.
490 a.e.c.
480 a.e.c.
478 a.e.c.
Revolta das cidades Gregas da Jônia contra os Persas 1ª Guerra Médica 2ª Guerra Médica A Hegemonia de Atenas e a Formação da Liga de Delos
431-404 a.e.c. 404-371 a.e.c.
A Guerra do Peloponeso A Hegemonia de Esparta

 

 

Introdução
   
Péricles e o Império Ateniense - 5'54"  

Uma das principais conseqüências da guerra entre helenos e persas foi, a hegemonia de Atenas sobre as demais cidades gregas. Essa preponderância (poiltica e cultural) aparece sobretudo no período em que a capital da Atica está sob a orientação benéfica de um dos mais ilustres de seus fiihos: Pericles.

Dois acontecimentos caracterizam a História de Atenas imediatamente após a guerra com os persas: a reconstrucão da cidade e a criaçäo de seu império maritimo.

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A Reconstrução da Cidade

Idade do Ouro de Atenas - Pintura sobre Tela - Karl Friedrich 1781-1841

As ruínas de Atenas constituíam um espetácuio desolador e clamavam por uma imediata reconstrução da cidade. Esta foi realizada gracas aos esforços de Aristides e de Temistocles. Este último conseguiu habilmente iludir os espartanos os quais, com outras cidades, pretendiarn impedir que se levantassem as muralhas de Atenas a fim de que a mesma permanecesse a mercê de seus rivais. So depois de construidas suas defesas é que os atenienses passaram a edificar suas moradias. O importante porto do Pireu foi fortificado e mais tarde integrado a cidade pelos "Longos Muros". A reconstrução de Atenas obedeceu aos planos do arquiteto Hipódamos de Mileto que imaginou uma cidade com ruas retas e paralelas com uma grande Ágora no centro.

Péricles, em 443 a.e.c., leva a Assembleia a votar a reconstrução dos templos destruídos durante a guerra com os persas. A Acrópole de Atenas é uma das obras então efetuadas. Estas permitem empregar em longos trabalhos muitos cidadãos e escravos que haviam sido dispensados do serviço naval. Só o Parténon levou 15 anos a construir.

   
Péricles e o Partenon - 8'30"  

Após a pilhagem dos Persas em 480 a.e.c., o santuário de Atena, da cidade de Atenas, permanece em ruínas durante mais de trinta anos. É Heródoto, no livro VIII, 51-55, quem testemunha a pilhagem da Acrópole pelos Persas de Xerxes, que escalaram as defesas: "forçaram as portas e mataram os suplicantes. Em seguida, saquearam o templo e incendiaram a cidadela".

Pausânias, em I 27, 2, alude a uma anedota interessante a respeito da oliveira de Atena, que tinha sido incendiada quando deste trágico acontecimento. Esta oliveira representava o presente dado pela deusa aos atenienses, no momento da disputa entre Atena e Poseidon pela possessão da Ática. Compreende-se, então, sua importância aos olhos dos atenienses, e as lendas que foram criadas sobre esta árvore. Sobre a oliveira os atenienses não dizem mais que isso : é o testemunho que dá a deusa na desavença a respeito da possessão do país. Conta-se, também, o fato seguinte : esta oliveira foi completamente queimada quando os persas incendeiam Atenas ; mas, após ter queimado, no mesmo dia, ela brota em dois cubita.

Péricles Supervisionando Contruções em AtenasUm cubitum equivale a 46.3 cm ; o broto extraordinário mediria, então, quase um metro ! Os gregos tinham decidido não reconstruir os santuários antes que a ameaça persa não fosse totalmente descartada, o que acontece em 449 a.e.c., quando da chamada paz de Callias. A fim de marcar os espíritos e de conservar a lembrança das perdas acometidas pelo inimigo, os atenienses decidiram reutilizar os blocos de mármore previstos anteriormente para o Pré-Parthenon no muro circunda a Acrópole. Eles são visíveis ainda hoje.

Péricles se cerca dos melhores técnicos e artistas com o intuito de dar aos Atenienses seus locais de culto. Os trabalhos levados a termo sob o governo de Péricles concernem a muitos edifícios : a entrada da Acrópole, os propileus*, sob a responsabilidade de Mnesicles, é a primeira obra ; em seguida é construído o Parthenon, monumento magnífico que abriga a estátua criselefantina* de Atena Parthenos, feita por Fídias ;  organiza-se, igualmente, a fortificação que sustentará, rapidamente, o pequeno templo de Atena Nike ; enfim, não é mais que depois da morte de Péricles que será construído o Erecteion*, que substitui o templo de Atena Polias, destruído em 480 a.e.c. As ruínas deste último são visíveis ainda hoje, entre o Parthenon e o Erecteion.

Recontituição do Partenon e Acropole em seu apogeuSe Mnesicles concebe os propileus,  outros arquitetos e escultores tornam-se célebres trabalhando sobre o  maior e mais célebre monumento da Acrópole, o Parthenon (o escultor e responsável pela obra, Fídias, e seus alunos, por um lado, e Ictinos e Calícrates, arquitetos, por outro). Fora da Acrópole, os trabalhos de construção concernem também ao Odeon, ao sul, o templo de Hefestos sobre a ágora de Atenas, o templo de Ilissos, a  organização do porto de Atenas (Pireu) e o santuário de Deméter e Perséfone em Elêusis.

 

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A Liga de Delos

O Império AtenienseA fortificação do porto do Pireu era um sinai dos novos tempos. Doravante os gregos iriam continuar na ofensiva contra os persas iniciada em Mícale. Nessa ofensiva seria indispensâvel uma poderosa força maritima. Esparta recusava-se a transformar-se de potência continental em potência marítima. O caminho dos mares sem limites estava aberto a larga visão dos atenienses. O instrumento da expansão marítima de Atenas foi a Liga de Delos. Esta surgiu quando as cidades insulares de Quios, Samos e Lesbos ofereceram aos atenienses o comando de suas esquadras. Coube a Aristides a organizacão da liga na qual logo ingressaram numerosas outras cidades helênicas (principalmente, situadas em ilhas) que confiavam na proteção de Atenas.

Os aliados propunham-se tomar a ofensiva contra o império persa devastando os domínios ao alcance da esquadra confederada e preparar assim o terreno para uma futura Iibertação das cidades gregas ainda sob o jugo inimigo. Como sede da Confederação foi escoihida a pequena ilha de Delos onde existia urn importante santuário de Apolo; o tesouro da liga, produto da contribuição dos aliados, seria também guardado em Delos. Na realidade o Pireu era o verdadeiro centro da Confederação e essa liderança ateniense foi, durante muito tempo, aceita de boa vontade pelos aliados.

Sob o comando do filho de Milcíades, Címon, que adquirira urn grande prestígio em Atenas principalmente após o ostracismo a que fora votado Temistocles e a morte do influente Aristides, a liga de Delos obteve uma retumbante vitória sobre a frota persa na desembocadura do rio Eurimedonte em 468 a.e.c.

Vai começar então um período da História de Atenas conhecido como: "Imperialismo Armado" (462-446). Durante esse período Atenas se lança em guerras de conquista transformando a Confederacão de Delos em um instrumento belicoso de suas aspirações de domínio politico e econômico. As pretensões de Atenas levaram-na a uma feroz luta contra Esparta (chamada primeira guerra do Peloponeso) e a uma expedição infeliz contra o domínio persa no Egito. A derrota ateniense no Delta (456-454) provoca uma grave crise na liga de Delos a ponto de, por temor de um ataque persa, ser transferido o tesouro dos confederados para a Acrópole de Atenas. Címon, chamado do ostracismo a que fora votado (461-460) por seus adversários, conclui uma trégua de 5 anos com Esparta (451) e assume o comando da luta contra os persas, porém morre vítima de enfermidade. Cálias seu parente foi então encarregado de, em Susa, firmar um tratado de com Antaxerxes em 449 a.e.c. A sombra protetora do tratado de Cálias floresce o comércio entre Atenas e o Oriente. Ate navios fenicios trazem mercadorias ao Pireu onde Se falam os idiomas persa e aramaico. Heródoto realiza então sua famosa viagem pelas províncias do império persa. Em 446, fInda a trégua com Esparta, esta torna-se ameaçadora. Atenas, em plena defensiva, é salva graças a ação enérgica de Pericles, podendo concluir, em pé de igualdade, a paz de Trinta anos com Esparta. Essa paz, que não durou trinta anos e que era na verdade uma trégua, vai permitir a Atenas, guiada pela excepcional figura de Pericles, atingir o apogeu de sua gloria.

Na época clássica, em circunstâncias particulares, a Acrópole foi o ponto central de discussões de ordem financeira. O tesouro da Liga de Delos foi, por um tempo, abrigado na Acrópole ;  ele serviu a Péricles. Nós iremos vê-lo financiar trabalhos de reconstrução e de embelezamento da Acrópole entre 450 e 430 a.e.c, aproximadamente. As cidades pagavam um tributo (navios para as mais potentes, numerário para as outras). Depois do desastre da expedição do Egito em 454 a.e.c., o tesouro foi transferido para Atenas. As cidades que pagavam, até então, seu tributo em navios, foram obrigadas a fazê-lo em forma de numerário : a confederação torna-se, então, um verdadeiro império dirigido por Atenas. A ameaça persa não sendo mais verdadeiramente real, o dinheiro disponível foi utilizado por Péricles por sua própria conta : a conta de sua cidade. Péricles se justifica no excerto abaixo argumentando que a cidade assegura bem sua função (defender as cidades membros da Confederação de Delos contra o inimigo).

"A Grécia não pode esquecer que, pela mais justa e tirânica depredação, as somas que tinha destinado às despesas da guerra são empregadas a dourar, a embelezar a nossa cidade como uma mulher taful que se cobre de pedras preciosas, seja para erigir estátuas magnificentes, para construir templos que chegam a custar mil talentos*. – Péricles, por seu turno, mostrava aos Atenienses que não tinham que prestar contas aos aliados do dinheiro que deles recebiam. Nós combatemos, dizia ele, em sua defesa, e afastamos-lhes os bárbaros das fronteiras; eles não fornecem para a guerra, nem cavalos, nem galeras, nem soldados ; contribuem apenas com dinheiro que, uma vez pago, não pertence mais àqueles que o entregam, mas sim aos que o recebem, os quais não são obrigados senão a cumprir as condições que se impõem recebendo-o. (Plutarco, Péricles reformador de Atenas, XVIII-XIX. Trad. de A. Lobo Vilela. Lisboa: Editorial Inquérito, 1939). 

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Péricles

Péricles, tradicionalmente representando com um elmo na cabeçaPericles simboliza uma época: a época que permaneceu na História como o marco do apogeu da civilizacão helênica.

Sua aparência fIsica, suas qualidades morais e seus dotes intelectuais, tais como no-lo descrevem os antigos, justificam plenamente o título que lhe conferiram os contemporâneos: Olímpico. Sua longa permanência no poder exercendo apenas o mandato de estratego, explica­se não so pelas realizações mas principalmente pela magia de sua palavra clara, simples e eloquente com a qual dominava seus concidadãos. Se os discursos de Pericles houvessem sido escritos e publicados figurariam, sem dúvida, entre as jóias da Literatura Universal.

A linhagem aristocrática de Pericles não foi obstáculo a que o mesmo apaziguasse as paixões das classes sociais e sintonizasse seus esforços para a realização do bern comum.

politica externa de Pericles fol intransigente: visou a fortalecer o domínio de Atenas nos mares, transformando a antiga Confederação em verdadeiro Império Ateniense ao qual os antigos aliados devem inclinar-se submissos. Esse imperialismo ateniense chegou a abranger mais de duzentas cidades distribuídas em cinco distritos: a Jônia, a Carla, as ilhas, a Trácia e o Helesponto. A metrópole da Mica interfere na própria politica interna das cidades substituindo os governos aristocráticos por outros dernocráticos. Os tributos exigidos de maneira vexatória vem reforçar o tesouro de Atenas com o qual se confunde o antigo tesouro transportado da ilha de Delos para a Acrópole. Sob Pericles desenvolve-se o sistema de colônias já iniciado na época de Clístenes e conhecido como cleruquia.

A cleruquia era um prolongarnento de Atenas: seus habitantes, estabelecidos muitas vezes nas mais férteis terras tomadas a aliados revoltados ou simplesrnente considerados suspeitos, continuavam com os direitos de cidadania ateniense. Esses colonos asseguravam com as armas, se necessário fosse, o domínio imperialístico de Atenas.

A celebridade de Péricles não deriva unicamente de sua obra de construtor, mas, também, de suas qualidades oratórias, as quais testemunham muitas passagens de Plutarco. Compreende-se melhor os extratos seguintes quando se sabe que os contemporâneos de Péricles chamavam-no de Olímpico, em referência aos poderes de Zeus:

"As comédias desse tempo, cujos autores o tomavam muitas vezes para objeto das suas sátiras, umas vezes sérias, outras vezes jocosas, mostram que foi sobretudo pelos seus dotes oratórios que mereceu esse título. Eles dizem que, quando falava na assembléia do povo, lhe saíam da boca trovões e relâmpagos e a língua despedia raios."  (Plutarco, Péricles reformador de Atenas, X. Trad. de A.Lobo Vilela. Lisboa: Editorial Inquérito, 1939).  Tucídides, adversário político de Péricles, que não deve ser confundido com o célebre historiador, confirma sua habilidade de persuasão na passagem que segue:

" …Quando luto com ele – respondeu Tucídides – e o deito à terra, ele sustenta que não está derrubado e acaba por convencer disso os espectadores.» (Plutarco, Péricles reformador de Atenas, X. Trad. de A.Lobo Vilela. Lisboa: Editorial Inquérito, 1939).

Sua eloqüência lhe serviu para manter seu poder. Na verdade, Péricles se faz reeleger estratego quinze vezes, entre 443 e sua morte, em 429 a.e.c. As visões que os antigos tinham dele eram ambivalentes, do mesmo modo que conduzia sua própria carreira política.

"Ele podia conter a multidão sem lhe ameaçar a liberdade, e conduzi-la ao invés de ser conduzido por ela, pois não recorria à adulação com o intuito de obter a força por meios menos dignos ; ao contrário, baseado no poder que dava a sua alta reputação, era capaz de enfrentar até a cólera popular. Assim, quando via a multidão injustificadamente confiante e arrogante, suas palavras a tornavam temerosa, e quando ela lhe parecia irracionalmente amedrontada, conseguia restaurar-lhe a confiança. Dessa forma Atenas, embora fosse no nome uma democracia, de fato veio a ser governada pelo primeiro de seus cidadãos". (Tucídides, História da Guerra do Peloponeso,  II, 66. Trad. Mário da Gama Kuri, Brasília : Editora Universidade de Brasília, 1982).

Os codinomes de Péricles não se resumem a Olímpico. Uma outra comparação, esta, por sua vez, menos elogiosa, foi feita entre a forma de sua cabeça e uma cebola. Quando fala do nascimento de Péricles, Plutarco indica já esta particularidade de seu corpo ao dizer que  :

"Bem conformado em todo o resto (...) tinha a cabeça de dimensões desproporcionadas. Assim, todas as suas estátuas exibem um capacete na cabeça ; os escultores quiseram, sem dúvida, ocultar um defeito que os poetas atenienses, pelo contrário, lhe censuravam publicamente chamando-lhe Esquinocéfalo" (Plutarco, Péricles reformador de Atenas, III, 3-4. Trad. de A.Lobo Vilela. Lisboa: Editorial Inquérito, 1939).

Plutarco relata, ainda, uma passagem da comédia " Mulheres da Trácia", de um certo Cratinos, que zomba de Péricles:

"Este novo Zeus de cabeça de cebola, E cujo vasto crânio está prenhe do Odeon. Péricles vem até nós altivo, solene, Por ter evitado o naufrágio do ostracismo". (Plutarco, Péricles reformador de Atenas, XXII. Trad. de A.Lobo Vilela. Lisboa: Editorial Inquérito, 1939).

Estes dois versos cômicos denotam bem, e de maneira concentrada, os ataques desferidos contra Péricles : Cratinos evoca, ao mesmo tempo, muitas características de Péricles: sua eloqüência, seu poder soberano (tal Zeus), os trabalhos públicos faraônicos que ele empreende ou, ainda, as condenações infringidas pela assembléia, mas a seu pedido, contra seus dois principais rivais, Cimon e Tucídides, que foram ostracizados. Freqüentemente quis se desacreditar esses testemunhos trazidos pelas comédias, contudo, é necessário dar-lhes uma certa credibilidade, pois, estas peças foram apresentadas no teatro (ou no Odeon) pelos cidadãos contemporâneos aos acontecimentos. Para que essas linhas tivessem um efeito cômico, deve-se supor que elas veiculavam impressões partilhadas por um certo número de pessoas.

Homem político com diversos codinomes, Péricels era conhecido, igualmente, por suas qualidades de homem sensato e temperado. Na verdade, ele segue os ensinamentos da filosofia e era reputado muito moderado e justo. A pequena anedota que segue mostra sua clarevidência e seu espírito racional:

"… Péricles, para remediar todos estes males e prejudicar, ao mesmo tempo, os inimigos, mandou equipar uma frota de cento e cinqüenta navios, onde embarcou grande número de excelentes tropas de infantaria e cavalaria. Tão formidável armamento levantou as esperanças dos Atenienses e lançou o pânico entre os inimigos. Estavam os navios preparados para partir e já Péricles subia para a sua galera, quando sobreveio um eclipse do sol, que transformou o dia em trevas e que, sendo considerado como presságio sinistro, encheu de pavor todos os espíritos. Péricles, vendo o seu piloto perturbado e indeciso no que devia fazer, pôs-lhe o manto diante dos olhos e perguntou-lhe se achava que isso era alguma coisa de horroroso e de sinistro. O piloto respondeu-lhe que não via nisso motivo para se horrorizar. – Pois bem ! – disse Péricles – que diferença há entre o meu manto e aquilo que produz o eclipse, a não ser que o que provoca estas trevas é maior que o meu manto ? Mas é nas escolas dos filósofos que se devem tratar estes assuntos". (Plutarco, Péricles reformador de Atenas, LIV. Trad. de A.Lobo Vilela. Lisboa: Editorial Inquérito, 1939).

Estátua de PériclesNumerosos outros acontecimentos ou características de sua personalidade poderiam ser evocadas. Para citar algumas, ainda, Péricles foi, por exemplo, promotor da fundação pan-helênica de Thourioi, no sul da Itália, na localização da antiga Sybaris, assim como, também, de numerosos estabelecimentos atenienses mais modestos (as klerouchiai, em grego) implantados em diversas localizações do mundo mediterrâneo ; ele declara guerra contra Esparta, é o início da Guerra do Peloponeso, que dura muitos anos, entre 431 e 404 a.e.c.;  algumas fontes dizem que, com a declaração de guerra, ele queria eclipsar as suspeitas de mau uso do dinheiro durante os trabalhos de construção da Acrópole, suspeitas que acabaram por condenar Fídias.

Péricles foi considerado como imperialista por sua política a respeito das cidades membros da Liga de Delos, assim como seu poder quase absoluto foi comparado àquele dos tiranos ; ele foi condenado a pagar uma multa pelos maus resultados de sua política militar; reeleito, contudo, durante quinze anos estratego de Atenas, aí compreendida a multa, ele era considerado como arrogante e orgulhoso, mas também chamado de o mais moderado dos Atenienses, o primeiro e o mais honesto dos cidadãos.

Esta longa lista, que não é exaustiva, mostra bem a complexidade da imagem que  se pode fazer deste homem. Ele era, provavelmente, tudo isso às vezes, e, malgrado todas as críticas que se possa lhe endereçar, Péricles será, sempre, ligado ao apogeu de Atenas.

"Péricles merece, pois, toda a nossa admiração, não só pela brandura e moderação que sempre conservou em inúmeros negócios tão importantes e no meio de tantas inimizades, mas sobretudo pela elevação de sentimentos que lhe fazia considerar como a mais bela das suas ações o não ter nunca, dispondo de um poder tão absoluto, dado azo à inveja nem ao ressentimento e para ninguém ter sido um inimigo implacável. Parece-me que esta brandura de costumes, esta vida que ele mantém sempre impoluta no exercício da sua autoridade bastam por si só, para fazer perder ao nome pomposo e arrogante de Olímpico o que poderia ter de odioso, e mostram-nos, pelo contrário,  quanto este título lhe convinha, porque acreditamos que os deuses, sendo por natureza autores  de todos os bens, são incapazes de produzir males. É por este duplo título que os consideramos reis e senhores do mundo". (Plutarco, Péricles reformador de Atenas, LIX. Trad. de A.Lobo Vilela. Lisboa: Editorial Inquérito, 1939).

Uma última palavra de Tucídides, enfim, pode resumir bem as diferentes opiniões que os Atenienses podiam ter de seu governo:

"Por isso, aqueles e estes somente se sentiram aliviados de sua cólera contra Péricles quando lhe foi imposta uma multa. Não muito tempo depois, numa reviravolta muito ao gosto das multidões, os Atenienses o reelegeram comandante e lhe confiaram a condução de todos os assuntos da cidade". (Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, II, 65. Trad. Mário da Gama Kuri, Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1982)

   
A Morte de Péricles - 2'51"  

 

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Referência Bibliográfica:

  1. GIORDANI, Mario Curtis. Historia da Grécia, Petrópolis-RJ, Ed. Vozes, 2000;
  2. HERÓTODO, História; São Paulo, Ediouro, 2001;
  3. J. Pouilloux, Paris : Les Belles Lettres, 1992;
  4. Plutarco, Péricles reformador de Atenas, XVIII-XIX. Trad. de A. Lobo Vilela. Lisboa: Editorial Inquérito, 1939;
  5. Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, II, 65. Trad. Mário da Gama Kuri, Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1982.
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