Civilização Grega - História da Civilização

Períodos de Formação da Civilização

Linha do Tempo no Período Clássico

Revolta das Cidades Gregas 1ª Guerra Médica 2ª Guerra Médica Hegemonia Ateniense A Guerra do Peloponeso Hegemonia Espartana
499-496 a.e.c.
490 a.e.c.
480 a.e.c.
478 a.e.c.
Revolta das cidades Gregas da Jônia contra os Persas 1ª Guerra Médica 2ª Guerra Médica A Hegemonia de Atenas e a Formação da Liga de Delos
431-404 a.e.c. 404-371 a.e.c.
A Guerra do Peloponeso A Hegemonia de Esparta

 

 

Introdução

Campanhas de Xerxes, 480 a.e.c.A revolta do Egito, a morte de Dario e uma insurreição na Caldéia, já sob o reinado de Xerxes, impediram por dez anos que os persas voltassem. a atacar a Hélade. Enquanto os gregos se desentendem em perpétuas rivalidades, Xerxes prepara sistematicamente a guerra. A própria Cartago é convidada a atacar os gregos da Sicília e da Itália.

O exército persa cornpunha-se de homens de todas as províncias do império fomando uma multidão heterogênea com as mais diferentes vestes e armas. Ignoramos o efetivo exato dessa massa humana; as cifras anotadas por Heródoto são, sem dúvida, exageradas. A frota compunha-se de centenas de embarcações fornecidas principalmente por fenícios, jônios e egipcios. Segundo a tradição, o exército de Xerxes levou sete dias e sete noites para atravessar o Helesponto em duas pontes de barcas.

Os persas receberam numerosas submissões. A própria Tessália com sua importante cavalaria aderiu aos invasores. Trezentos espartanos sob o comundo de Leônidas e com alguns milhares de aliados se opõem a Xerxes no desfiladeiro das Termópilas. A traição causa a derrota do chefe espartano que, com os que lhe ficam fiéis, luta ate a morte obediente às leis de Esparta em 480 a.e.c. No mesmo dia da batalha de Termópilas a esquadra persa inicia o ataque aos navios gregos. O resultado da batalha naval de Artemísio fica indeciso, mas os gregos, sabedores da passagem pelas Termópilas, retiram-se para o sul.

2ª Guerra Médica, a vingança de Xerxes

Esparta não quisera enviar major número de soldados às Termópilas porque reservara suas tropas para a defesa do istmo. Tal atitude egoística teve como consequência o avanço persa ate a Atica. Os atenienses, convencidos por Temístocles, abandonam a cidade sob a proteção da esquadra. Um pequeno número sacrifica-se defendendo a Acrópole. A capital da Atica tomba em poder de Xerxes.

Trava-se a 29 de setembro de 480 a batalha naval em que as embarcações helênicas destroem a esquadra persa no estreito canal de Salarnina a vista do rei dos reis. Xerxes, ante esse desastre, resolve retirar-se deixando Mardônio corn tropas de elite na Tessália. No ano seguinte 479 a.e.c. essas tropas seriam derrotadas em Platéias e o próprio Mardônio encontraria a morte combatendo os espartanos de Pausânias. A Grécia estava definitivamente liberta dos persas. A vitória naval de 479 a.e.c. Mícale (na Asia Menor) completa o triunfo dos helenos.

Em 478 os atenienses conquistam Sestos, posição-chave para o domínio da rota para o Ponto.
Esparta, desejosa de não ficar em segundo lugar, envia uma expedição marítima sob o comando de Pausânias. Com o auxílio de aliados, entre os quais Atenas, a expedição conquista Chipre e domina Bizâncio. A atitude orgulhosa de Pausânias desacredita os espartanos e consolida a hegemonia de Atenas que, com uma frota, vai ser doravante a garantia da Grécia contra qualquer nova tentativa dos persas.

Efetivos MilitaresA vitória sobre os persas teve como consequência imediata uma onda de entusiasrno entre os gregos que, mais do que nunca, se sentiam orgulhosos de sua civilização. Atenas, que fora a alma da resisténcia contra o invasor e que sofrera uma implacável destruição, surgia com um prestígio enorme. A estreiteza de vista da oligárquica Esparta, preocupada sempre com um grave problema interno (a submissão dos hilotas), impossibilitava-a de assurnir a liderança da civilização helênica. Esse papel coube a democrática Atenas que para o mesmo fora preparada através das contínuas reformas de suas instituições por homens sábios e moderados e, sobretudo, de larga visão. A época de Pericles assinala a hegemonia incontestável dos atenienses e o apogeu da civilização grega. Não fora a vitória sobre os persas e os milênios futuros não teriam usufruído o legado que a capital da Atica iria deixar ao patrimônio cultural da humanidade.

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Formação da Liga Pan-Helênica

TemístoclesEm 486 a.e.c., Dario I morreu e foi sucedido por Xerxes I, que apenas três anos depois iniciou os preparativos de uma nova guerra, com requisições de soldados de todas as províncias do império e portentosos trabalhos de engenharia. Os atenienses anteviam o perigo e Temístocles, o novo general, convenceu a cidade a construir uma armada de 200 embarcações.

Em 482 a.e.c., não só a máquina de guerra estava em pleno funcionamento de ambos os lados, como também, entre os gregos, as alianças foram estabelecidas: reuniu-se o Congresso na cidade de Corinto, Esparta e outras cidades-Estado gregas, como Atenas, tinham decidido resistir juntas a invasão de Xerxes. O futuro da aliança, conhecida como Liga Helênica, não parecia muito promissor. Além da grande inferioridade numérica, os gregos tinham de lidar com as eternas briguinhas entre as cidades-Estado.

Além dos atenienses, o alvo principal da invasão, sobraram do lado da resistência basicamenre Esparta e seus aliados do Peloponeso, a região do extrerno sul da Grécia. Como a invasão persa ia empregar Exército e Marinha, a estratégia grega só podia ser também anfíbia. Para isso era indispensável a ajuda da Marinha ateniense, com seus 200 trirremes, os navios com três andares de remadores comuns na época. Temístocles, o almirante ateniense, era o verdadeiro cérebro por trás da resistência grega.

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A Marcha Persa

As Istoriai - em grego, investigaçôes ou explorações — de Heródoto de alicarnasso (490-425 a.e.c.),
constituem a fonte primordial do que sabemos sobre a façanha das Termópilas. Antes de pôr em foco este evento, definitivo na Segunda guerra médica, convém uma r ápida retrospectiva sobre os decênios ao longo dos quais se produziram “as grandes proezas realizadas, seja pelos gregos, seja pelos bárbaros”, como declara o historiador logo ao inicio de sua obra. Em vez de demonizar a Pérsia, ele visitou-a, admirou-a e tentou entendé-la.

Entre 492 e 490 a.e.c. ocorreu a primeira guerra, decidida a favor dos gregos na batalha de Maratona, planície costeira cerca de 35 krn a nordeste de Atenas. Dois anos depois da malograda tentativa de invasão persa de 492, uma segunda esquadra oriental cruzou o mar Egeu. Artafernes, o Jovem, e Datis, sobrinho de Dario I, conquistaram Erétria, na ilha de Eubéia, com cerca de 25 mil homens, entre infantes e cavaleiros. Hípias, o tirano deposto de Atenas, fliho de Pisístrato, acompanhava as tropas persas no intuito de restaurar seu poder. Tratava-se, assim, do primeiro teste de viabilidade militar do então recente regime democrático ateniense em oposição aos dois antigos sistemas descritos por Heródoto: a tirania e o império.

Em setembro de 490, Miltíades, general e político ateniense, opôs aos soldados persas 10 mil atenienses e mil aliados de Platéia em batalha campal na planície de Maratona. A tática de ataque frontal e envolvimento lateral do inimigo foi bem­sucedida e os persas baterarn em retirada com 6.400 baixas, contra apenas 192 mortos do lado grego, entre estes, Calímaco, o chefe supremo do exército. A batalha de Maratona foi uma vitória espetacular, tanto maior por quebrar a reputação de invencibilidade do exército persa. Mas no cômputo geral do enfrentamento, ambos os lados podiam cantar vitória. Se os hoplitas atenienses haviam barrado o caminho de Atenas, Dario ostentava, de seu lado,
uma meia-vitória: seu exército retomava a Asia com o butim de Erétria, a cidade que, em 500 a.e.c., ao lado de Atenas, ajudara os jônios revoltosos.

A submisão aos persas, porém, não era pior que a imposta pelos gregos aos vencidos. Demonstra-o bem o próprio Heródoto, que visitou os eretrianos cativos na Persia, 40 anos depois: “Antes de sua captura, o rei Dario nutria ódio pelos eretrianos, pois estes tinharn injustamente sido os primeiros a atacar. Quando os viu diante dele, reduzidos a sua mercé, o único mal que lhes impôs foi enviá-los a Ardérica. Eles ainda lá habitavam em meus dias e haviam conservado sua lIngua”.

A segunda guerra Medica ocorreu entre 480 e 479 a.e.c. Em 480, Xerxes desfechou por terra e por mar o rnaior ataque já visto no confronto, e talvez de todas as guerras mediterrânicas da Antiguidade, contra o norte da Grécia.

Se não fosse pela complicação natural de disciplinar e alimentar uma multidão de 200 mil soldados por três meses, a jornada de Xerxes, filho de Dario, teria sido quase um passeio. O novo Grande Rei dos persas herdou do pai o desejo de vingança contra os gregos, mas teve de lidar com outros rebeldes no Egito e na Babilônia antes de iniciar sua marcha rumo à Europa, na primavera de 480 a.e.c.

Para chegar a seu destino, o exército de Xerxes precisava cruzar um braço de mar de alguns quilômetros de extensão, o atual estreito de Dardanelos. O rei ordenou a construção de uma ponte feita de centenas de barcos, unidos por cabos e linho e papiro, cobertos com um tablado, para permitir que seu exército literalmente marchasse sobre o mar. Com seu exagero de constume, o historiador grego Heródoto diz que a multidão de homens e animais levou uma semana para atravessar o estreito.

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A Batalha de Artemisio

Os dois lados utilizavam a trirreme, a “senhora da guerra” da antiguidade clássica. A trirreme era um navio de aproximadamente 35 metros de comprimento, tripulado por 200 homens e movido a vela ou remos. Em seu perfil estreito e elegante se acotovelavam 170 remadores, distribuídos em três linhas de remos de cada bordo. Os homens da bancada superior eram chamados de tranitas, os da bancada transversal de zeugitas e os posicionados mais abaixo de talamitas. A proa acomodava um esporão de bronze, firmemente afixado na altura da linha d’água.

Trirreme GregaCom ele era possível golpear navios adversários na tentativa de romper seus cascos e assim fazê-los naufragar pelo conseqüente alagamento dos porões A tripulação contava com apenas 16 marinheiros. Este pequeno grupo era responsável por tarefas especializadas, como o manuseio das velas (usadas somente nas travessias), a condução da navegação, a manobra do navio e a gerência do penoso labutar dos remadores. Dez soldados de infantaria e quatro arqueiros completavam a tripulação, investidos da missão de proteger os remadores (que não portavam armas) e rechaçar qualquer tentativa de abordagem, especialmente no momento em que a trirreme fincava o seu esporão no costado inimigo.

O combate deste modo se dava como uma dança mortal. Trirremes buscando atingir com seus esporões as partes mais frágeis dos adversários (popa e lateral) e manobrando para evitar possíveis contra-ataques. O engajamento de proa contra proa eram desaconselhável já que o resultado do impacto entre duas áreas igualmente reforçadas teria resultado imprevisível e provocaria danos mútuos. Outra possibilidade tática era manobrar para destruir uma fileira de remos do adversário, passando bem junto à sua lateral. Os estragos seriam notáveis, na medida em que não só os remos seriam partidos como também os remadores sofreriam graves ferimentos. Privada de seu principal propulsor, a trirreme tornava-se um alvo fácil.

De um modo ou de outro, trirremes necessitavam de espaço para acelerar e desferir seus golpes mortais. De 1987 a 1994 a trirreme experimental Olympia, construída sob os auspícios da Marinha Helênica, mostrou-se capaz de guinar 180º em dois minutos, perfazendo uma volta de apenas 60 metros de diâmetro. Um feito que comprova a boa manobrabilidade das trirremes. Todavia a velocidade observada caiu pela metade. Assim, para manter a velocidade e, por conseguinte, a energia cinética necessária ao emprego do esporão, os timoneiros decerto guinavam mais suavemente, perfazendo raios de giro maiores, de mais de cem metros. Para um engajamento bem-sucedido era preciso considerável habilidade e noção espacial do timoneiro e do comandante.

Em desvantagem numérica, os gregos deveriam buscar o combate em regiões estreitas de mar, onde armadas muito grandes não teriam espaço para evoluir.

Em junho de 480, após os persas cruzaram o Helesponto, isto é, o estreito de Dardanelos, sobre a ponte apoiada em embarcaçoes alinhadas com amarras, que mais tarde serviriam de trofeu aos gregos. Uma frota de 1.207 navios assegurou a cobertura militar e logística a ofensiva terrestre, mobilizando centenas de milhares de pessoas, provenientes de todas as províncias do império. As cifras de Heródoto são hoje consideradas excessivas: as forças navais e terrestres totalizariam 2,3 milhôes de combatentes, mas uma inscrição registra o total de 3 milhões de invasores.

As tropas de Xerxes invadiram a Tessália e os tessalianos e beócios - salvo os de Plateia e de Tespies —, aterrorizados, renderam-se e aliaram-se aos persas, tornando-se, segundo Heródoto, “seus auxiliares mais úteis”.

A tempestade assolou os navios de Xerxes

Era o fim do verão, normalmente uma época de mar calmo, muito calor e céu azul no mar Egeu. Boa parte da frota persa, estava ancorada longe da costa, quando um vento violento veio do norte, levantou ondas e arremessou trirremes e tripulacões contra os rochedos do liroral. É provável que uma centena de navios tenha se perdido em três dias de tormenta.

Enfim recuperada da tempestade e ainda muito superior ao inimigo em número, a frota do Grande Rei pôs em marcha um plano para esmagar de vez a marinha grega. Enquanto a maior parte dos trirremes persas permanecia diante do Artemísio, 200 navios, assim que a noite caiu, partiram para contornar a ilha de Eubéia e bloquear a retaguarda grega. Ao descobrir o plano, os gregos pediram reforços e logo partiram para atacar alguns contingentes persas que ainda estavam se recuperando da tempesrade.

Conseguiram capturar 30 navios e mecuaram para o Artemísio no cair da tarde com uma bela vitória parcial nas mãos. E então os deuses dos ventos resolveram mais uma vez favorecer a causa helênica. Duranre a madmugada, uma nova tempestade sacudiu o mar e lançaram os 200 navios persas que queriam selar o destino dos gregos contra as rochas da Eubéia. Nenhum deles conseguiu voltar para o combate no Artemísio.

Termopilas e Artemisio

Atenas era a cidade que mais contribuíra com navios para armada que se dirigira a Artemísio. Temístocles não só comandava esta parcela significativa da força como também fora o homem que arquitetara a sua construção. Anos antes, quando a cidade se engalfinhava com sua vizinha potência naval (Égina), Temístocles convenceu os atenienses da necessidade de contribuir para a construção e manutenção de uma marinha respeitável, utilizando as riquezas advindas das minas de prata de Lauros. Contra Égina esta força de fato nunca foi usada. E os eginetas, a contragosto, cerraram ombros em Artemísio com seus antigos rivais. Era premente unir forças diante da ameaça devastadora de Xerxes, sucessor de Dário e sua longa lista de aliados. Entre as 1.207 trirremes do soberano formavam esquadrões egípcios, fenícios e de povos de origem grega subjugados pela expedição invasora

Os persas propriamente ditos não possuíam trirremes e contribuíram essencialmente com um reforço de infantaria embarcada. Tal “reforço” não pode ser entendido como verdadeiramente eficaz, pois infantes de tropas genuinamente terrestres não se adaptam facilmente às vicissitudes do combate sob um convés balouçante. É bem provável que alguns deles sequer tenham visto o mar alguma vez na vida antes de se incorporar na expedição persa Heródoto, o historiador basilar da guerra, corrobora esta percepção abordando o estado de espírito dos persas após um dos dias de batalha no mar: “e logo ao cair da noite sobreveio uma forte chuva, que se prolongou até o dia seguinte, acompanhada de terríveis trovões. As vagas e o vento levaram até Afetos os corpos dos soldados mortos em mistura com destroços dos navios, que vieram encalhar junto à proa das outras embarcações, embaraçando o movimento dos remos. Os soldados persas, apavorados com o ribombar dos trovões, esperavam morrer a qualquer momento.

Porque provações não passaram eles! Mal haviam se refeito de um rude combate, e logo uma chuva impiedosa os fustigava, trovões e relâmpagos deixavam-nos transidos de medo”. Afetos era a localidade onde estava estacionada a força naval invasora, em suporte direto aos exércitos de Xerxes nas Termópilas. A pouco mais de dez quilômetros dali, do outro lado do canal formado pela ilha de Eubéia e o continente, Temístocles mantinha seus duzentos e setenta e um navios reunidos, à espera de oportunidades para combater dentro dos termos a que se propunha. O comando oficialmente estava depositado nas mãos do espartano Euribíades, pois que “um comandante espartano” foi a precondição imposta pelas cidades gregas para compor com Atenas a força de coalizão.

Na costa da Magnésia, antes de chegar a Afetos, quatrocentos navios persas haviam perecido, vítimas de uma tempestade. Quinze ficaram desgarrados da força principal e ao adentrarem pelo canal tomaram como força amiga os navios gregos concentrados em Artemísio, assim rumando para lá. Quando se aperceberam do equívoco, já era tarde demais e Temístocles caiu sobre eles, pondo os tripulantes a ferros e submetendo-os a interrogatório. Ainda assim, quase 800 navios chegaram a Afetos. E a despeito do grande naufrágio os persas permaneceram convencidos de que a vitória se avizinhava. Resolveram enviar uma parcela de suas trirremes para contornar a ilha da Eubéia e cercar os gregos, obstruindo a rota de uma fuga eventual para Atenas. Desejavam aniquilar os helênicos de um só golpe, mas só o fariam quando o esquadrão destacado estivesse em posição.

Alertados da manobra inimiga por espiões nativos, os gregos confabularam e decidiram permanecer em Artemísio, conservando a energia dos seus remadores até que a força que circunavegava a Eubéia se apresentasse para o combate – fato que nunca aconteceu. Navegando em mar aberto, todas as 200 trirremes foram engolfadas por uma tempestade (na verdade uma extensão do mau tempo observado nos dias anteriores) e se espatifaram junto às costas desabrigadas da ilha.

Não tendo notícia do esquadrão persa, os gregos assumiram a iniciativa das ações e se puseram a fustigar os adversários em Afetos, realizando um ataque próximo ao horário do pôr-do-sol. Na antiguidade era costume não combater à noite, pois os sinais visuais (bandeiras, reflexos de luz) eram importantes recursos utilizados para coordenar as ações e identificar os oponentes. Temístocles sabia bem que o combate seria rápido, dado que a escuridão separaria obrigatoriamente as forças em litígio. Sobre esta batalha, disse Heródoto com propriedade: “Os generais e os soldados de Xerxes, vendo os gregos aproximarem-se em tão reduzido número, consideraram-nos insensatos e preparam-se para recebê-los, certos de que desbaratariam facilmente a todos, dando-lhes dura lição.”

De forma perspicaz os gregos concentraram esforços numa das alas persas, obtendo sucesso surpreendente. Trinta navios adversários foram tomados com maestria, sem que a marinha helênica sofresse revés, o que ratificava o valor da postura tática assumida por Temístocles. Antidoro de Lemnos, até então a serviço de Xerxes, desertou na ocasião, juntando-se à coalizão helênica. Tanto Xerxes quanto seus assessores diretos mostravam ignorância desmedida sobre a vida no mar. Considerando que as técnicas de navegação da época apoiavam-se na experiência prática e na identificação visual do relevo costeiro, eram temerárias singraduras em mar aberto durante a noite, em região desconhecida – especialmente sob fortes tormentas.

Embalados pela notícia do naufrágio nas costas da Eubéia, a coalizão grega partiu para um segundo dia de ataques bem-sucedidos após receberem o reforço de mais 50 trirremes atenienses. Já no terceiro dia, os persas assumiram a ofensiva e se engajaram num combate encarniçado com os gregos, posto que não se conformavam com o assédio de uma força naval bem menor que a deles. Não houve vencedores, e os combatentes se recolheram ao anoitecer para lamber suas feridas.

Neste dia Leônidas e seu pequeno contingente foram massacrados nas Termópilas, como relata Heródoto: “Os gregos possuíam dois espiões, encarregados de observar o movimento das tropas inimigas. Um deles, chamado Polias e natural de Antícira, encontrava-se em Artemísio. Dispunha ele de um pequeno navio bem equipado, e sua missão era pôr as tropas das Termópilas ao corrente do que pudesse sobrevir à força naval. O outro encontravase junto a Leônidas. (...) Foi esse Abrônico o espião que veio ter ao acampamento grego para anunciar o resultado da batalha travada pelos lacedemônios sob o comando de Leônidas, na qual perdeu a vida esse grande chefe.”

Segundo o plano dos aliados, postar­se nas Termópilas fazia todo o sentido. O desfiladeiro era a única passagem decente para o centro da Grécia, Penhascos escarpados erguiam-se de um lado, e do outro só havia o mar. Com pouco espaço para manobrar ou usar cavaleiros e arqueiros, a superioridade numérica persa de nada valia ali. Mas, para que a idéia funcionasse, era essencial barrar a frota persa por mar. Do contrário, os trirremes persas desembarcariam seus soldados na retaguarda dos defensores gregos. Daí a necessidade de coordenar a defesa das Termópilas com a do Artemísio, uma praia na ilha de Eubéia que fica imediatamente na frente do desfiladeiro. Enquanto Euribíadas, o almirante espartano, junto com Temístocles e os demais comandantes navais, ocupavam o Artemísio com cerca de 250 navios, uma força de uns 7 mil hoplitas, liderada por Leônidas, um dos dois reis de Esparta, postou-se nas Termópilas.

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A Batalha das Termópilas

O Desfiladeiro | A Batalha | A Traição | Triunfo Persa

O Desfiladeiro - Os gregos concentraram seus hoplitas no desfiladeiro das Termópilas, e suas forças navais no cabo de Artemísia, norte de Eubeia. O desfiladeiro estendia-se por 6 km, e era a única passagem conhecida entre o mar e o monte Calidromos, um contraforte das montanhas do Eta, localidade para onde, agonizante, Hercules fora levado por seu filho Hilo e colocado em uma pira acesa pelo herói Fioctetes. Hoje em dia, os aluviões modificaram consideravelmente o sítio, fazendo recuar o mar em alguns quilômetros, mas na epoca, a passagern dominava imediatamente o mar. Ao longo dela, três gargantas funcionavam como “portas” ou muralhas. A garganta intermediária era chamada Termópilas, as, “portas das aguas quentes”, porque ali se encontravam fontes de águas termais.

Leônidas, um dos Reis de Esparta, responsavel pelo exércitoSua estreiteza era tal que nela só cabia uma carroça de cada vez. Os habitantes da Fócia, os antigos eólidas, para se proteger das investidas dos tessalianos, haviam construído um muro, que os gregos reforçaram “para fechar a Grécia ao bárbaro’, nas palavras de Heródoto. De uma ponta a outra do desfiladeiro postavam-se as tropas adversarias. Do lado grego, havia 300 hoplitas de Esparta, 500 de Tegeia, 500 de Mantineia, 120 de Orcômenos, na Arcadia, e mil do resto dessa região. Corinto enviara 400 homens; Flionte, 200 e Micenas, 80. Da Beócia, vinham 700 tespianos e 400 tebanos - estes, dirá Heródoto, “com bem outras intenções”. Da Fócida, vinham mais mil combatentes. Embora pouco numerosos, os gregos, como diz Heródoto em uma passagem memoravel, “nada tinham a terner, pois a Grécia não tinha diante de si um deus, mas um homem; portanto, o invasor, sendo mortal, devia tambem conhecer o seu dia de derrota”. O comandante supremo dos gregos era um lacedemônio, Leônidas, cujos antepassados remontavam diretamente a Hercules.

A Batalha - O Grande Rei ordenou que seus homens atacassem os espartanos no desfiladeiro. “Capturem-nos e tragam-nos diante de mim”, teria dito Xerxes a seus soldados. As lanças de 2 metros de comprimento, as couraças peitorais, capacetes e escudos de bronze dos gregos os colocavam em grande vantagem naquele espaço estreito. As lanças dos persas eram bem mais curras (cerca de metade do tamanho das gregas), e os escudos dos invasores eram de vime.

Advertido por um conselheiro grego do valor dos espartanos, Xerxes lançou contra eles as primeiras tropas de medos e cissianos. Depois, sua tropa de elite, os “Imortais”, sob o comando de Hidarnes. Mas as circunstâncias do terreno, o armamento e os súbitos contra-ataques espartanos impediam os persas de fazer valer sua superioridade numérica.

Soldado PersaHoplita GregoQuando o primeiro ataque falhou, o Grande Rei enviou sua tropa de elite, os 10 mil imorrais (assim chamados porque todo soldado fora de combare era imediatamente substituído por outro). Os espartanos, porém, passaram a usar uma espécie de finta: davam a impressão de que estavam fugindo, levavam os atacantes a persegui-los de forma desordenada logo depois se voltavam de novo contra eles, massacrando muitos.

O segundo dia de combate não foi muito diferente. Outro ataque-surpresa da frota grega, feito no fim da tarde, Ievou a melhor antes que os persas tivessern tempo de reagir. Nas Termópilas, novas tentativas de forçar a passagem na base da força bruta fracassaram. Dois dias inteiros de batalha não resultaram em progresso para os persas, que haviam sofrido baixas consideráveis.

Leônidas descobriu que sua posição tinha um calcanhar-de-aquiles: quem obtivesse dados detalhados sobre o relevo da região descobriria que um caminho relativamente amplo e pouco Íngreme pelas montanhas possibilitava contornar a muralha e ir parar bem na reraguarda de Leônidas.
O   rei rnandou para o sul um pedido urgente de reforços. Era essencial que mais espartanos viessem — Leônidas só conrava com 300 de seus conterrâneos.

Ninguém sabe por que suas forças eram tão pequenas. Talvez o comando espartano tivesse achado que 7 mil homens seriam suficientes para deter os persas por algum tempo. Há, porém, quem aponte uma motivação mais mesquinha: Esparta e as outras cidades do Peloponeso só estavam interessadas em defender sua própria região e, por isso, não quiseram colocar a maior parte de seus homens em perigo só para impedir que Xerxes chegasse a Atenas.

A Traição - Heródoto transmite duas versões da traição que permitiu a Xerxes superar o impasse, mas desabona a segunda como inverossímil. Segundo a primeira, um certo Efialto, fliho de Euridemo, informou os persas de uma passagem pela montanha de Calídromos — o monte Saromata, chamado por Heródoto Anopéia —, que permitia contornar o desfiladeiro das Termópilas através de uma fenda em um rochedo chamado Melampige.

Desfiladeiro as TermópilasEfialtes, foi levado a presenca de Xerxes. Ele revelou a existência do atalho nas montanhas e ofereceu-se para guiar os persas ate a retaguarda dos gregos — em troca, é claro, de uma rica recompensa. O Grande Rei deu essa missão aos imortais, que partiram no começo da noite. Eles ainda toparam com urn destacamento de mil hoplitas focídios, cuja responsabilidade era guardar o atalho. Bastou que os imortais lançassern uma saraivada de flechas sobre eles para que o contingente grego coresse em busca de proteção, deixando livre o caminho.

Por ela passararn, durante a noite, talvez os 10 mil que cornpunham os “Imortais”, a tropa de elite persa, talvez urn número bem menor. Não, entretanto, sem chamar a atenção das sentinelas, que soaram o alarme. Heródoto nao sabe ao certo o que aconteceu então. Mais que uma simples deserção ou debandada, parece-lhe mais provável uma decisão tomada por urn conselho de guerra, segundo a qual as forças gregas abandonariam suas posições, com exceção dos 300 espartanos, que se declararam prontos, com Leônidas, a resistir. Com eles, ficaram apenas os tespianos, sob o comando de Demófilos, filho de Diadromes. Também os tebanos ficaram, mas não sabemos se como reféns, conforme afirrna Heródoto, ou se como combatentes voluntários, como sustenta, mais de meio milênio depois, Plutarco, que acusou o historiador de caluniar seus compatriotas beócios.

Triunfo Persa - Xerxes não queria mais correr riscos. Por volta das nove da manha, ele ordenou um ataque frontal, sabendo que os imortais logo cercariam Leônidas. O rei espartano ficou sabendo que sua posição estava perdida ainda de madrugada, quando alguns gregos da Asia, servindo no exército do Grande Rei, desertaram e foram avisá-lo. Tudo indica que ele decidiu salvar a maior parte de seus homens, enviando-os de volta para o sul. Mas o único jeito de impedir que o inimigo exterminasse todos seria montar uma força de retaguarda, que segurasse Xerxes pot mais algum ternpo.

Esse foi o papel que Leônidas escolheu para si mesmo e seus 300 espartanos. Dois outros grupos, 400 hoplitas tebanos e 700 téspios, decidiram ajudá-lo nessa tarefa suicida. Com a determinação sombria de quem não tem mais nada a perder, esse punhado de homens avançou para a parte mais ampla do desfiladeiro e atacou os persas. Sua fúria era tamanha, conta Heródoto, que os generais de Xerxes tinham de usar chicotes para fazer com que seus homens continuassem a lutar. Dois imãos do Grande Rei morreram nessa primeira fase, Em seu livro VIII, Heródoto mostra uma sublime veia narrativa na descrição dos momentos finais dos resistentes:

“Xerxes e os bárbaros atacaram e os gregos e Leônidas, a caminho da morte, avançaram, bem mais que antes, em terreno aberto. Os bárbaros caíam em massa, pois em sua retaguarda seus chefes os obrigavam a avançar a golpes de chicote. Os gregos, conscientes de estar prestes a morrer, apelaram para todo seu valor contra os bárbaros e deram a vida com furor. Suas lanças, quase todas, se quebraram, mas eles continuaram a massacrar os persas com a espada. Leônidas caiu como um herói nesta ação, e outros espartanos ilustres com ele.

Persas e lacedemônios disputaram ferozmente o corpo de Leônidas, mas enfim os gregos, graças a sua bravura, trouxeram-no de volta as suas fileiras e rechaçaram quatro vezes os adversários, quando então sobrevieram os persas, guiados por Efialto. Neste mornento, o combate muda: os gregos recuam para a parte mais estreita do desfiladeiro, passam do outro lado do muro e colocam-se todos juntos, salvo os tebanos, sobre uma elevação - o local onde hoje se encontra o leão de mármore, erguido a memória de Leônidas. De Ia, enquanto lutavam com suas espadas curvas, se ainda alguma ihes restava, os bárbaros os cobriam de flechas”.

Sobre os túmulos dos espartanos caIdos no estreito das Termópilas, três inscrições reportadas por Heródoto oferecem testemunho desta heróica resistência. Uma delas diz: “Aqui, contra 3 milhôes de homens lutararn outrora 4 mil, vindos do Peloponeso”. Mas espartanos tem um epitáfio especial:
“Estrangeiro, vá dizer a Esparta que aqui jazemos, dóceis as suas ordens”. Termópilas não foi em vão, pois deu aos gregos o tempo necessánio para reorganizar suas linhas de defesa e vencer os persas na batalha naval de Salamina e na batalha campal de Platéia.

No mar, após um dia de combates, tanto gregos quanto persas tinham sofrido baixas pesadas. Temístocles e Euribíadas jé cogitavam uma retirada, quando um mensageiro chegou para avisá-los do fim de Leônidas. Craças à traição e à falta de homens no desfiladeiro, o carninho pata Arenas estava aberto para Xerxes.

Por volta de 500 a.e.c., Heráclito escrevia: “A guerra é o pai e o rei de todos, e faz aparecer uns como deuses, outros como homens. A uns, faz escravos; a outros, homens livres”. Graças aos 300 de Esparta, que a guerra fez como deuses, os gregos continuariam a ser homens livres. Atenas fora saqueada, a Acrópole, devastada, mas de suas ruínas, o século de Pericles podia nascer.

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Saque da Ática e Destruição de Atenas

Antes da batalha das Termópilas os atenienses enviaram embaixadores à cidade de Delfos, em busca de conselhos do famoso oráculo da região. Diante do inexorável avanço de Xerxes, o que eles deveriam fazer? A resposta da primeira consulta não foi nada animadora, e os embaixadores retornaram para uma segunda tentativa, obtendo como resposta uma declaração enigmática, cuja parte inteligível é a seguinte: “(...) Júpiter, que tudo vê, concederá a Palas (Atena) uma muralha de madeira, a única que não poderá ser destruída; ela vos será útil, a vós e vossos filhos. Não esperai, pois, a cavalaria e a infantaria do poderoso exército que virá atacar-vos por terra; fugi antes e voltai-lhe as costas.

Com a queda das Termópilas nada mais se interpunha entre Xerxes e Atenas. Temístocles se viu obrigado a pôr fim à campanha de Artemísio e retornar com brevidade para o sul da Ática onde ele e seus homens levariam a cabo a evacuação da cidade. Quase toda a população seria transferida para Ilha de Salamina onde se estabeleceria um bastião de resistência à ocupação estrangeira, Salamina também era citada na resposta, mas sem muita clareza. As interpretações que se seguiram foram diversas, mas Temístocles fez valer a sua como a primaz entre as lideranças atenienses. A muralha de madeira era a marinha. Salamina era o refúgio. Entre a ilha e uma Atenas ocupada, estariam as trirremes e seus tripulantes.

A persuasão das elites atenienses foi efetiva, amparada na credibilidade do famoso oráculo. A maior parte da população abandonou suas casas refugiando-se em Salamina, numa empreitada que durou os cinco primeiros dias de setembro. Outras famílias se evadiram para Égina e Trezena. O poderoso exército invasor chegou antes que o verão terminasse, rompendo em poucos dias o perímetro defensivo da acrópole. A força naval persa seguiu os passos de Xerxes escolhendo a baía de Falero como ponto de concentração.

Em Salamina, após a extenuante tarefa de transporte, reuniram-se os 380 navios da coalizão. Em virtude de sua composição diversificada, reunindo rivais históricos, a força de coalizão não conheceu o consenso quanto à linha de ação a ser adotada. Alguns comandantes, diante da ocupação maciça do litoral pelos persas, defendiam a idéia de abandonar a ilha e estabelecer uma linha de barragem naval mais ao sul, junto às tropas gregas que se ajuntavam na região do Peloponeso. Era uma idéia bastante palatável, mas pouco interessante para Temístocles e seus compatriotas. Bastava que ele caminhasse até a praia para ver as construções da acrópole ardendo em chamas, a alguns quilômetros dali.

Atenas caíra, mas os atenienses ainda estavam de pé e haviam dado uma retumbante demonstração de resistência e organização social ao constituir um enclave provisório em Salamina. Não havia mais para onde recuar. No calor da discussão Adimanto, de Corinto, chegara a chamá-lo de “homem sem pátria”. Não se contendo, Temístocles afirmou que tinha uma pátria, sim, enquanto possuísse seus quase 200 navios tripulados por cidadãos atenienses. Euribíades se pôs ao seu lado, provavelmente receoso da falta que fariam os atenienses no esforço de guerra. Ainda sim o consenso não foi obtido.

Na medida em que o tempo passava, a confusão aumentava no conselho e algumas alas da coalizão ameaçavam abandonar a ilha. Diante do risco iminente de desagregação, Temístocles agiu de forma decisiva e surpreendente. Ele abandonou a reunião e pôs a termo um ardil engenhoso, suficientemente eficaz para aglutinar seus aliados e ao mesmo tempo induzir Xerxes a combater em situação desfavorável.

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Batalha de Salamina
   
A Batalha de Salamina - 9'14"  

Batalha de Salamina, 480 a.e.c.Sicínio, homem da confiança de Temístocles, preceptor de seus filhos, foi enviado em sigilo ao continente durante a noite. Lá buscou contato com os persas limitando-se a transmitir o seguinte recado de seu chefe: “O comandante dos atenienses, estando bem intencionado com relação ao vosso soberano, preferindo o êxito das vossas armas ao dos gregos, enviou-me secretamente aqui para vos comunicar que estes últimos, atemorizados ante a aproximação da vossa frota, estão decidindo se devem ou não empreender a fuga. Não vos resta senão praticar a mais bela de todas as vossas ações, não permitindo que eles escapem. Não existe acordo perfeito entre eles, levantando discussões estéreis entre si, em lugar de concertar planos para resistir às vossas forças”.

A suposta traição de Temístocles era plausível e aceitável posto que as deserções em favor de Xerxes eram relativamente comuns. Na batalha das Termópilas o traidor Efialtes garantira o êxito no cerco a Leônidas. Demarato, um antigo rei de Esparta, estava entre os conselheiros do soberano e costumava dar-lhe respeitável assessoria. Por que não Temístocles? Considerando verdadeira a informação fornecida (e de fato parcialmente era), Xerxes vislumbrou a oportunidade de ouro para massacrar a marinha da coalizão helênica.

Xerxes observando o fiasco de sua força naval perante os Gregos em SalaminaNão perdeu tempo. Determinou que seus navios se fizessem ao mar imediatamente, partindo da enseada de Falero de modo a amanhecerem em posição diante de Salamina. Os gregos deveriam ser apanhados em fuga. Não se sabe ao certo, mas é provável que simultaneamente Temístocles tenha feito correr em Salamina rumores de que Xerxes estaria a caminho para a batalha decisiva. De qualquer modo esta informação chegou ao conselho de comandantes tendo como fonte primária o ateniense Aristides, o grande rival de Temístocles na política doméstica; foi também confirmada por uma trirreme dos tênios, que desertara durante a noite. Nada mais cômodo e crível.

Xerxes tomou ainda mais duas decisões importantes. Sob o manto da noite desembarcou tropas na Psitália, pequena ilha posicionada no acesso sul do canal e, à “moda de Artemísio”, enviou um esquadrão para circunavegar a ilha de Salamina e obstruir a rota de fuga ao norte, no estreito de Mégara. Na ocasião, considerando as perdas acumuladas e a incorporação de mais 120 trirremes, o soberano contava com pouco mais de 700 navios. Descontando o esquadrão egípcio, enviado na missão insólita de contornar Salamina, restariam em torno de 500 navios. Mas no trecho mais estreito do canal, com menos de dois quilômetros de largura, não caberiam mais do que os esquadrões fenícios e jônios, designados para compor a vanguarda persa.

O amanhecer no golfo sarônico revelou o esboço do que seria a maior batalha naval da antiguidade e uma das maiores de toda a história humana. A sorte já estava decidida, bastando que os gregos fizessem a sua parte. Afinal, os esquadrões persas haviam remado durante toda a noite e no “alçapão de Temístocles” no máximo 300 trirremes persas teriam espaço para se posicionar e lutar contra 380 navios da coalizão helênica. Ainda recordando as provas de mar da Olympia, foi observado que uma trirreme poderia ser guarnecida em 10 a 15 minutos utilizando duas pranchas de embarque.

Tripulações muitíssimo treinadas foram capazes de embarcar em menos de dois minutos e abandonar o navio em menos de um . É portanto bastante provável que os gregos tenham se preparado para a batalha desde o alvorecer, mas que tenham abandonado a baía de Paloukia apenas instantes antes do combate, poupando seus infantes. marinheiros e especialmente os remadores. Segundo Ésquilo, autor de “Persas”, o moral entre os gregos elevara-se antes da refrega, ganhando tons de um frenesi de combate.

É de se esperar que muitos comandantes em geral, e Temístocles em particular, tenham inflamado o espírito de seus homens com discursos memoráveis. Os historiadores modernos acreditam firmemente que Ésquilo tenha de fato tomado parte da batalha, e que sua percepção corresponda à realidade: “Os gregos emitiram triunfalmente um grito cantado (...) e ao mesmo tempo as rochas da ilha devolveram em eco aquele som agudo.” Setenta e seis mil homens entoando gritos de guerra era um espetáculo inesperado e certamente aterrador para os persas. Eles ali estavam para perseguir uma armada em fuga, desmotivada e dispersa. E os gregos certamente não lhes pareceram assim, ao se apresentarem coesos e perfeitamente organizados em longas linhas de frente.

Ao que se puseram os gregos em marcha, partiram os persas para o confronto. Atenienses e eginetas engajaram fenícios e jônios causando pesadas baixas entre os navios do soberano filho de Dário. A despeito dos boatos e lendas denegrindo os coríntios, é bem possível que eles tenham tomado parte decisiva do plano de batalha se evadindo pelo canal norte (simulando a fuga informada por Sicínio) e em momento apropriado retornado ao combate.

Luta entre marinheiros gregos e persasAdestruição dos navios fenícios e jônios espalhou o caos entre os esquadrões da retaguarda, que se
encontravam fora do estreito, acabando por obstruir acidentalmente a fuga dos persas que se encontravam dentro do “caldeirão” montado por Temístocles. Heródoto descreve o ocorrido comentando também a pouca intimidade dos persas com o mar: “Não foram grandes as perdas registradas entre os gregos. Como eram exímios nadadores, os que não pereciam pelas mãos do inimigo quando seu navio era destruído, ganhavam a costa a nado. Mas os bárbaros, na sua maioria, eram tragados pelas águas, por não saberem nadar.

Os persas perderam grande parte dos seus navios da seguinte maneira: quando os que iam na frente batiam em retirada, os que navegavam atrás, esforçando-se por tomar a dianteira, para dar provas ao
soberano da sua bravura e intrepidez, chocavam-se com os que viravam de bordo, espatifando-se”. Havia um bom motivo para “dar provas ao soberano da sua bravura e intrepidez”. Xerxes a tudo assistia do monte Egaleu, em frente a Salamina. Sua derrota fragorosa logo se tornou patente e ele, inconformado, exigia explicações e comentários dos representantes de cada nação envolvida na batalha. Chegara até mesmo a determinar o registro daqueles comandantes e navios que, em
contrapartida, realizaram grandes feitos em combate. Salamina terminou com uma grande debandada dos persas, perseguidos de modo implacável ao longo do Golfo Sarônico. Estima-se, segundo uma fonte da época dos romanos, que os gregos teriam perdido 40 trirremes, enquanto 200 navios persas teriam soçobrado.

Com Atenas ocupada, e com um bom punhado de trirremes sobreviventes de Salamina, Xerxes ainda estaria em vantagem. Mas num mundo permeado de deuses e superstições, a interpretação dos fatos não o levava a crer que a sorte lhe sorria. Os gregos no mar se mostravam tão duros quanto nas Termópilas, e os deuses daquela terra ocupada pareciam lutar junto aos seus devotos, destruindo quase metade da frota persa com força dos ventos (de Bóreas) e das águas (de Posîdon).

Estes são pensamentos que bem poderiam ter povoado a mente de Xerxes. Na prática a derrota marcou uma mudança de postura do soberano, que passou a recear pelo o que os gregos poderiam fazer, agora que se achavam revigorados. Ele temia em especial pela ponte construída no Helesponto (atual estreito de Dardanelos, na Turquia moderna) que constituíra a sua rota de invasão, e que era necessária ao regresso para a Pérsia. Destacou assim suas forças navais para defendê-la, deixando suas tropas na Ática sem apoio. O soberano em pessoa também abandonaria a região, deixando seu maior general à frente do exército persa. Exército que seria derrotado no ano seguinte, na batalha de Platéia.

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Batalha de Plateias

Afrota de Xerxes tinha recuado para a Asia Menor; o Grande rei preparava-se para passar o inverno na seguranca de Sárdis, depois da traumática experiência de assistir de camarote a derrota retumbante de suas trirremes na ilha de Salamina. O ateniense Temístocles e o espartano Euribíadas, líderes da Marinha helênica, tinham sido recebidos em Esparta com coroas de louro, a grande honra concedida pelos gregos aos vencedores no esporte e na guerra. Mas ainda era cedo para comemorar o feito: o major general persa continuava na Grécia.

A grande ambição de Mardônio, primo de Xerxes, era tornar-se o sátrapa (governador) dos helenos derrotados. Talvez por isso o Grande Rei tenha deixado com ele as unidades de elite de seu exército (provavelmente uns 60 mil soldados) e lhe dado a tarefa de “completar" a conquista” da província rebelde. Sem a frota para ajudar no transporte de suprimentos e com a chegada do outono (a batalha de Salamina provavelmenre aconteceu no fim de setembro), a preocupacão mais imediata do general era a fome. Por isso, Mardônio recuou para a Tessália, onde tinha provisôes e aliados leais, dando a Liga Heiênica uma falsa sensação de seguranca.

Batalha de Plateias

Enquanto isso, sob as ordens de Temistocles, os atenienses chegararn a reocupar suas terras e preparar o solo para o plantio. Ciente de que não gozava mais de uma superioridade numérica esmagadora, Mardônio viu nesse fato uma oportunidade: pôs-se a negociar com Atenas usando como emissário Alexandre, rei da Macedônia (e, como o nome sugere, ancestral de Alexandre, o Grande).
Os termos de Mardônio, segundo Heródoto, eram bem generosos: aliança com os persas, independéncia para Atenas em assuntos internos, reconstrução dos templos destruidos pelo invasor e ate ampliacão do território ateniense (a custa, pode-se imaginar, das terras dos demais gregos, quando estes fossem derrotados pela nova aliança entre a cidade e Xerxes). Logo correu a notícia de que Alexandre estava negociando corn Atenas, e Esparta, preocupada com a situação, mandou seus próprios emissários para Ia. Os espartanos não queriam enfrentar Mardônio fora do Peloponeso, mas ofereceram ajuda financeira aos civis atenienses e advertiram seus aliados de que não deveriam confiar nos persas.

A resposta oficial de Atenas a Alexandre, registrada por Heródoto, mostrou que os aliados do Peloponeso nada tinham a temer. “Transmita a Mardônio as palavras dos atenienses: enquanto o sol seguir o mesmo curso atual, jamais concluiremos um acordo corn Xerxes.” Ao mesmo tempo, uma nova mensagem foi enviada a Esparta: “Mandai-nos o mais depressa possível um exército”.

Mardônio e seus homens partiram da Tessália e reocuparam Atenas, deixando os conterrâneos de Temístocles cada vez rnais revoltados corn a inação de Esparta. Uma última embaixada ateniense partiu para falar com os éforos, os principais magistrados espartanos: Atenas ameaça­va fazer as pazes corn Xerxes. Com a tradicional calma espartana, os éforos enrolaram dez dias para dar uma resposta: tinham acabado de mandar, em sigilo, 5 mil soldados de sua cidade ao encontro de Mardônio.

Pausanias, principe espartano sobrinho de LeônidasOs embaixadores atenienses foram escoltados para o forte por mais 5 mil hoplitas periecos (moradores das vilas vizinhas de Esparta, politicamente subordinados aos espartanos). No caminho, eles foram arrebanhando milhares de outros guerreiros das cidades do Peloponeso. O novo comandante desse exército, e também general das forças de terra da Liga Helênica, era o prIncipe espartano Pausânias, sobrinho do rei Leônidas. Ao se reunir coM os hoplitas de Atenas e de outras cidades, Pausânias tinha sob suas ordens cerca de 40 mil gregos fortemente armados, além da infantaria ligeira.

Mardônio não perdeu tempo em recuar quando soube da chegada dos homens do Peloponeso. Reorganizou então suas forças perto de Tebas, a mais poderosa cidade grega a se aliar ao invasor. Os soldados de Mardônio atravessaram o rio Asopo e postararn-se perto de uM conjunto de pequenos Morros; o mesmo fizeram os gregos, num local de topografia parecida, do lado oposto do rio. Durante uma sernana, ninguém atacou, apostaram tudo na guerra de nervos.

Os persas tinham a mobilidade da Cavalaria de seu lado, e não deixariam de usa-la. Seus arqueiros montados conseguiram contornar as posições gregas nos morros e aniquilar os comboios de provisões que vinham do Peloponeso. Durante alguns dias, Pausânias viu os suprimentos de seus homens diminuírem perigosamente. Finalmente, ele decidiu recuar, durante a noite, para perto da cidade aliada de Plateias, de forma a proteger os comboios. Muito provavelrnente, os persas veriam esse movirnento como uma retirada e decidiriarn atacar.

Funcionou e não funcionou. Funcionou porque, cansados daquele jogo de xadrez, e vendo que os gregos tinham desaparecido da margern do rio, os persas partiram para o ataque de forma impetuosa e desordenada na manhã seguinte. E não funcionou porque a maior parte dos contingentes gregos, proveniente de uma miscelânea de cidades e formada por cidadãos recrutados, não se mexeu com a mesma eficiência de espartanos e atenienses e acabou deixando um buraco nas linhas helênicas.

Assim, a luta começou em duas frentes: de um lado, os espartanos e seus aliados de Tagea, na Arcadia, enfrentavam o grosso da infantaria e da cavalana persas, aguentando uma chuva de flechas; do outro, os atenienses e seus velhos companheiros de Plataia tinham de se haver com os hoplitas e cavaleiros das cidades gregas traidoras, liderados por Tebas.

Numa batalha desse tipo, o fiel da balança, mais do que qualquer estratégia ou tática militar, eram os soldados. E foi isso que levou os gregos a vitória, mostrando mais uma vez a superioridade de suas armas e equipamentos defensivos, bem como a incrIvel coesão das fileiras espartanas.

Morte de MardonioMassacrados no campo de batalha, o próprio Mardônio morreu, derrubado de seu corCeI branco por uma pedra atirada pelo espartano Aimnesto, as forças persas fugiram para uma paliçada que haviam construído perto de Tebas. O cercado virou um sangrento abatedouro: menos de 3 mil persas saíram vivos dele. Era a última vez que soldados do Grande Rei andavam pela Grécia européia. Chegara a hora da revanche: gregos da ilha de Samos, perto da costa asiática, entraram em contato com a Marinha aliada e avisaram que seu povo estava pronto a se revoltar Contra Xerxes. Sob as ordens do rei espartano Leotiquidas, a esquadra grega viajou ate a Asia, no Cabo Mícale, e esmagou o que restava da força naval persa na região. Os gregos asiáticos revoltaram-se em massa logo depois. A maré definitivamente tinha virado.

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Batalha de Mícale

Pausânias chegando a Mícale para expulsar os últimos invasores persasA Batalha de Micale foi uma das duas grandes batalhas que concluíram a derrota dos persas e o fim da 2ª Guerra Médica. A batalha aconteceu aproximadamente (ou exatamente) em 27 de Agosto de 479 a.e.c. aos pés do Monte Micale, na Jônia, perto da Ilha de Samos. A batalha resultou na destruição de uma das principais forças persas na Jônia, bem como de sua frota no Mediterrâneo. A Batalha de Platéias, no mesmo dia, na Grécia, foi também uma vitória para os gregos, e os persas tiveram de se retirar dos dois locais, acabando com a dominação persa.

Na primavera de 479 a.e.c., várias cidades da Jônia começaram a se revoltar contra seus governantes persas. Logo tiveram que se voltar para a Grécia pedindo ajuda. Enquanto os Espartanos se preparavam, uma delegação de Samos chegou a Esparta pedindo ajuda. Uma frota grega de 110 navios partiu de Delos sob o comando de Leotícides.

Ao verem a aproximação dos gregos, os persas em Samos decidiram enfrentá-los na terra. Foram para a península próxima de Micala, a leste da cidade, e formaram uma muralha de navios, tanto no mar quanto na terra. Os gregos, ao chegarem, organizaram-se para o combate, com os espartanos sempre à direita. Os atenienses atacam primeiro pela praia e conseguiram forçar os persas a se retirarem para um forte construído na praia. Os atenienses então capturaram o forte e os persas sobreviventes fugiram, apenas para enfrentar seus outros inimigos, da cidade de Mileto, na retaguarda. Os poucos sobreviventes alcançaram Sardes.

Quando os espartanos chegaram, o acampamento persa havia sido pilhado e seus navios destruídos. Ao voltar a Samos, eles discutiram os movimentos seguintes. Os espartanos propuseram que se evacusassem as cidades da Grécia Jônica e trouxessem a população para o continente. Os atenienses, contudo, não queriam perder suas colônias, mas aceitaram as colônias em uma liga contra a Pérsia.

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Batalha de Eurimedonte

Címon partiu da ilha de Gnidos e da cidade de Tnópio com duzentas galeras, que desde o início haviam sido muito bem construídas e distribuidas por Temístocles, tanto para singrar com facilidade como para girar com rapidez. Címon, porém, mandou alargá-las e tirar-lhes o soalho de um costado a outro, para que pudessem transportar maior número de combatentes, para atacar os inimigos.

Primeiro foi ao encontro dos fasélitos, que, não obstante serem gregos de nascimento, negavam-se a auxiliá-los e opunham-se à entrada de suas esquadras em seus portos. Chegou inesperadamente e apoderou-se de toda a planície da região e a seguir achegou suas forças às muralhas. Havendo, na armada de Címon, antigos amigos dos fasélitos, naturais de Quio, eles procuraram aplacar a cólera de seu chefe, e deram notícias suas, aos que se achavam na cidade, por meio de cartas que amarravam a flechas e jogavam por cima das muralhas.

Por fim eles entraram em acordo, obrigando-se os fasélitos a pagar uma multa de dez talentos, correspondentes a seis mil escudos, aproximadamente, e a seguilos, combatendo com eles e para eles, contra os persas. Anomandes, filho de Góbnas e tenente do rei, tendo a maior autoridade sobre toda a esquadra ancorada junto ao rio Eurimedonte, não se decidia a entrar em ação por estar à espera de um reforço de oitenta navios fenícios, que lhe deviam chegar de Chipre. Procedendo de modo contrário, Címon tratou de atacá-los, antes que as naus fenícias pudessem lá chegar, para obrigá-los à defesa, caso não se decidissem a ir-lhe ao encontro voluntariamente. Percebendo isto, os persas recolheram-se à embocadura do rio Eurimedonte, para não serem envolvidos pela retaguarda, nem obrigados a entrar em combate contra vontade. Mas, ao verem os atenienses irem-lhes ao encontro, rumaram para eles com uma frota de seiscentas naus que correspondesse ao avultado número de navios postos em ação; pelo contrário, voltaram sem demora as proas para o rio, e os que conseguiram alcançá-lo a tempo passaram-se para as forças de terra, que não estavam longe, em posição de combate; os outros, que foram apanhados no trajeto foram mortos, e as suas galeras, de fato numerosas, postas a pique ou aprisionadas. Os atenienses também fizeram duzentos prisioneiros.

Isto não impediu que o exército se aproximasse da costa, porque Címon mostrou-se indeciso se devia ou não ordenar o desembarque de sua gente. Parecia-lhe difícil e perigoso desembarcar contra a vontade dos inimigos, e expor os gregos, fatigados e fartos do primeiro combate, aos persas que se achavam íntegros, em boa forma, descansados e em muito maior número.

Todavia, vendo que sua gente confiava nas próprias forças, e que, entusiasmada com a primeira vitória, desejava ir ao encontro dos inimigos, ordenou o desembarque. Os atenienses correram então cheios de incontido ardor e em altos brados, contra os persas, que os esperaram a pés firmes, e sustentaram valentemente o primeiro embate. Neste encontro, áspero e cruel, pereceram os melhores e maiores elementos do exército atacante; os outros, porém, combateram com, tal denodo, que se tornaram senhores do campo e puseram os persas em fuga, matando muitos e aprisionando numerosos outros, com suas tendas e pavilhões repletos de toda espécie de bens e de riquezas.

Címon já havia adquirido renome como campeão das lutas sagradas, na qualidade de atleta, e, como guerreiro, nas brilhantes vitórias alcançadas pelos gregos no canal de Salamina e na cidade de Plateia, tanto no mar como em terra, quando foi avisado de que as vinte e quatro naus fenícias, vindas muito tarde para enfrentar o primeiro combate, haviam chegado ao cabo de Hidra. Sem perda de tempo, singrou para lá. Os comandantes fenícios nada sabiam de positivo sobre o desastre de sua armada principal, e duvidavam que ela houvesse sido destroçada. De modo que ficaram surpreendidos, ao verem aparecer ao longe a esquadra vitoriosa de Címon.

Travada a luta, os fenícios perderam todas as naus e a maior parte de sua gente, entre afogados e mortos em combate. Este feito de armas abateu e venceu de tal modo o orgulho do rei da Pérsia, que ele fez o tratado de paz pelo qual prometeu e jurou que, dali em diante, suas armadas não se aproximariam mais do mar da Grécia com velocidade superior à de um cavalo, e que suas galeras e outros vasos de guerra não iriam além das ilhas Caledônias e Cianéias.

Com os Persas derrotados, os Espartanos retornaram ao continente. Atenas, agora mais forte com a união com as colônias da Jônia, começou a exercer um poder cada vez maior na área, o que levou, mais tarde, ao começo da Guerra do Peloponeso.

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Referência Bibliográfica:

  1. GIORDANI, Mario Curtis. Historia da Grécia, Petrópolis-RJ, Ed. Vozes, 2000;
  2. HERÓTODO, História; São Paulo, Ediouro, 2001;
  3. J. S. MORRISON, J. F. COATES e N. B. RANKOV; The Athenian Trireme, The History and Reconstruction of an Ancient Greek Warship Cambrigde, Cambrigde University Press - 2000;
  4. MORKOT Robert, Historical Atlas of Ancient Greece, London, Penguin Group, 1996;
  5. Revista Aventuras na Historia, Grandes Guerras, Ed 16 Março 2007;
  6. Revista História Viva, Ed 43;
  7. STRAUSS, Barry ; A Batalha de Salamina; Rio de Janeiro, Record, 2007.
Guerras
Pausânias
Expansão Persa
512-490 Invasão da Trácia
Campanhas de Dario, 492-490 a.e.c
Batalha de Maratona 490 a.e.c.
Campanhas de Xerxes, 480 a.e.c.
Batalha de Salamina, 480 a.e.c.
O Império Ateniense
Guerra do Peloponeso
Alianças
Cerco da Cidade de Siracula, Sicília
2ª Liga Ateniense
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Sobre o Autor | Mapa do Site | Publique seu Artigo | Contato | ©2007 Templo de Apolo - Por Odsson Ferreira
"Nas asas do amor a alma anseia em voar de volta para casa, para o mundo das ideias. Ela quer se libertar da prisão do corpo..." Platão