Períodos de Formação da Civilização 
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Linha do Tempo na Era do Bronze 
| 3000 a.e.c. | 2600-1950 a.e.c |
1600-1580 a.e.c |
1600-1100 a.e.c |
1200 a.e.c. |
| Civilização Minoana na Ilha de Creta | Invasão dos Jônios | Invasão dos Aqueus e Eólios | Civilização Micênica na Hélade | A Guerra de Tróia |
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| Introdução | ||||||
As fontes da História da Grécia, não so vieram confirmar a tradição literária (por exemplo, obras de Homero, Ésquilo e Pausânias), no sentido da existência no solo grego de uma civilização brilhante bem anterior a chamada civilizacão clássica, mas, e sobretudo, vieram corrigir dita tradição colocando os diferentes acontecimentos que se desenrolaram durante séculos na peninsula helênica dentro de uma perspectiva bimilenar na qual podemos distinguir, de um modo geral, trés períodos chamados Heládicos. Essa expressão, no sentir de Glotz, é "vaga w enganadora" e possui, para uma deterrninada época, um sentido puramente geográfico, pois se refere a uma Hélade em que não existem ainda helenos.
Se assim tiver sido, podemos perder a esperança de encontrar uma literatura escrita na Civilização Miceniana. Existia, então, uma literatura oral que se transmitia graças a memória prodigiosa dos trovadores que, em versos épicos, cantavam para Os príncipes micênicos as gloriosas façanhas de seus antepassados. A escrita não merecia a honra de grafar tão sublimes feitos. Ainda Cottrell aventa uma hipótese para explicar-nos a razão por que não são encontrados nos túmulos dos príncipes nem sequer nomes e a indicação de suas atividades: tal ausência se deve a um tabu religioso. Teria havido a proibição de reproduzir o nome dos principes, considerado algo sagrado que não podia ser profanado por um meio tão vulgar como a escrita. Ouçarnos Cottrell: "Se os micênios fizeram essa proibição, não é de estranhar que os nomes de seus reis nunca apareçam inscritos nas tumbas, nem que os muros dos palácios micênicos e minóicos, embora adornados com afrescos que representam seres humanos, careçam de textos escritos. De modo geral, creio que é mais provável que a ausência de inscriçôes nos túmulos, de histórias escritas e de poernas, seja devido ao fato de que nos tempos de que falamos (aproximadaniente 1600 a 1100 a.e.c.), a escrita não era mais que um. instrumento útil e que os historiadores-poetas micênicos aprenderam de cor seus poemas e transmitiram-nos oralmente de geração em geração". |
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| Geografia | ||||||
Nos tempos pré-helênicos, os viajantes que, por mar, vinham do Oriente em demanda de Corinto penetravam pelo golfo de Argos, atingiam a baía de Náuplia, desembarcavam e, formando caravanas, chegavam a Corinto em dois dias de viagem. Nesse itinerário eram vigiados e controlados desde que aportavarn a Náuplia onde, instalada sobre elevada falésia, a atalaia de Asiné assinalava de longe as embarcaçôes; através da Argólida, a acrópole de Tirinto, a cidadela de Argos e outras praças fortes como Midéia e Micenas guarneciarn o caminho. Esta última ocupava uma posicão inexpugnável sobre uma colina elevada e escarpada, protegida ao norte e a leste por dois enormes blocos de rocha e cercada por duas torrentes que, com o correr do tempo, abrirarn profunda vala que aumentava ainda mais as defesas naturais da cidade dos Atridas. Das alturas de Micenas se descortina a soberba paisagern dos montes da Argólida desde o golfo de Saronica até a planície de Argos.
Na realidade, como verernos mais adiante, a influência de Micenas se fez sentir num quadro geográfico bem mais amplo que abrangia não só diversas regiões da península grega mas os mares Jônio e Egeu. "A extensão miceniana, tal como foi estabelecida pelas escavações arqueológicas, suscita problemas difíceis. Desde logo observou-se que muitas vezes os micenianos não haviam feito outra coisa senão substituir Os minoanos e que, de qualquer modo, haviam marchado nas pegadas daqueles". ▲Topo ▲----------------------------------------------------- |
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| Os Períodos Heládicos | ||||||
Helád. Antigo: 2500 - 1900 a.e.c. | Helád. Médio: 1900-1600 a.e.c. | Helád. Recente: 1600-1100 a.e.c.
Costuma-se dividir essa época obscura em três períodos heládicos que, em linhas gerais, coincidiram com os três períodos minoanos da Civilização Cretense. Para evitar equívocos, digamos, desde logo, que a Civilização Miceniana corresponde, principalmente, ao terceiro desses períodos, o Heládico Recente. Note-se que as datas são aproximadas e variam de autor para autor. Briard apresenta a seguinte Cronologia:
Heládico Antigo (2500 - 1900 a.e.c.) - Nesse período a Grécia assiste a diversas transformações culturais entre as quais a mais importante é a substituição dos objetos de pedra polida e obsidiana por congêneres de metal. Estamos pois em plena transicão entre a Idade da Pedra e a do Metal. Observe-se de passagem que o Neolítico grego se divide em duas fases denominadas, de acordo corn lugares da Tessália, fase de Sesklo (a mais antiga) e fase de Dimini (a mais recente). O estilo da cerâmica e a maneira de construir sofrem também alterações no Heládio Antigo. Em relação a cerâmica, notamos o uso de um verniz que empresta aos objetos um aspecto brilhante e, mais tarde, o emprego de tintas e de ornamentação geométrica simples. Nas construções aparece o plano retangular do megaron importado de Tróia. Há tambérn um tipo curioso de edifIcio circular, as vezes monumental, formado de dois muros de tijolos corn o exterior e, de quando em vez, reforçado por meio de contrafortes. No fim do Heládico Antigo, a metalurgia toma um notável desenvolvimento, conforme atestam os vestígios de fundições, fornos e moldes encontrados no litoral oeste da Atica aonde chegava, com facilidade, o cobre proveniente das Cicladas ou de Chipre. -----------------------------------------------------▲Períodos Heládicos▲ Heládico Médio (1900 - 1600 a.e.c.) - No início do segundo milênio a.e.c. a Grécia é afetada por ondas de invasões. Essas penetrações devem estar ligadas a um movimento de povos bem mais amplo: os indo-europeus fazem sua entrada solene no palco da História. Observe-se que a expressão indo-europeu possui mais urn sentido linglístico que propriamente racial. E é precisamente a linglística que nos esclarece sobre a organização social, as crenças, o gênero de vida e talvez, até mesmo sobre o primitivo "habitat" dos indo-europeus. Assinalemos, aqui, apenas para facilitar seu estudo, três grandes correntes da migração indo-européia que se localiza, cronologicamente, a partir do fim do terceiro milênio: a primeira corrente, oriental, atinge a Trácia e a Frégia, destrói a segunda cidade de Hissarlik (a Tróia 9 que Schliernann julgou ser a Tróia hornérica) e provoca dramáticas conseqüências na Asia Menor: hititas e cassitas sob a pressão dos invasores vão cair, em épocas diferentes, sobre a Mesopotâmia. Os povos semitas da Capadócia e da Alta Síria são jogados no estreito corredor sirio. Os hiceos se abatem sobre o Egito e dominam o Delta enquanto, ao sul, a reação em torno dos principes tebanos vai preparar a resistência nacional e, mais tarde, a expulsão dos invasores. "Haviam durante tanto tempo errado no interior das terras que perderam a palavra indo-européia designativa de "mar" e, antes de tomar dos pré-helenos o vocábulo thalassa ou chamaram-no "o saIgado" ou "a passagem". Da fusão dos invasores corn os elementos já estabelecidos na península surgiu uma nova civilização que se manifesta por uma cerâmica tIpica chamada "miniana". Essa denominação provém do nome de popuIaçôes miticas da região de Orcômeno, onde, pela primeira vez, foi encontrado o novo tipo de cerâmica que, embora tecnicamente bastante mediocre no que tange a qualidade da argila e a fabricação, teve grande difusão. As armas metálicas se multiplicam no Heládico Médio: punhais, facas, pontas de flechas em obsidianas e machados de combate em pedra polida. Outra caracteristica do Heládico Médio é a maneira como eram sepultados os mortos: colocavam-nos em cofres ou jarros e os sepulcros eram agrupados em necrópoles on espalhados ao redor ou mesmo dentro das habitações. -----------------------------------------------------▲Períodos Heládicos▲ Heládico Recente (1600 - 1100 a.e.c.) - A partir do II milênio a.e.c., os povos do Norte começam a penetrar na peninsula grega. É bem provável que essa penetracão não se tenha feito sob a forma de uma única invasão, mas, como mais tarde os bárbaros no Império Romano, em vagas sucessivas precedidas, talvez, por uma lenta infiltração. Os senhores aqueus não limitam seu poderio a penInsula helênica, mas estendem-no sobre o Egeu. Assim, por exemplo, a grande quantidade de cerâmica miceniana descoberta em Tell el-Arnarna prova a intensidade dos contatos de Micenas com os faraós da XVIII dinastia. Pelo firn do século XV a.e.c., os aqueus tornam-se os dominadores de Creta. Outro acontecimento da "História" dos aqueus é a guerra de Tróia que corresponde ao acontecirnento contado por Homero e que, segundo alguns, teria ocorrido por volta de 1184 a.e.c., segundo outros em cerca de 1270 a.e.c. Pelo ano 1100 a chegada dos dórios, guerreiros gregos que usavam armas de ferro, teria, segundo a opinião tradicional, posto fim a civilização miceniana. Mencionemos, entretanto, uma curiosa tese do Prof. Wace. Segundo este especialista, os efeitos da invasão dórica foram exagerados pelos historiadores. Os dados arqueológicos sugerern, ainda de acordo corn a teoria de Wace, que não houve corte definitivo nem racial nem cultural, mas que se tratou sirnplesmente de uma revolucão poiltica. A cidade de Micenas foi incendiada ao finalizar a Idade do Bronze, porém não houve uma verdadeira interrupção em sua civilização. -----------------------------------------------------▲Períodos Heládicos▲ ▲Topo ▲----------------------------------------------------- |
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| Estrutura Político-Social | ||||||
Nesse item levaremos em consideracao apenas dois tipos de fontes: os monumentos e os textos homéricos. No item seguinte daremos uma visão da estrutura politico-social baseada principalmente nas decifrações de inscrições da linear B. Os monumentos fornecem-nos amplas notícias sobre diferentes aspectos da vida dos aqueus. Tais notícias, porém, podem ser completadas pelos textos homéricos que devem ser confrontados com os dados da arqueologia. o uso dos poemas homéricos como fonte histórica será legítimo desde que seja levado em consideração:
Após a invasão e conquista efetuadas pelos aqueus surgem, na peninsula grega, numerosos pequenos principados organizados pela confederaçào de cidadezinhas ou de grupos de familias, sob a chefia de principes aqueus "que são essencialmente possuídores de terras e guerreiros". Encontramos esses senhores instalados em castelos fortificadíssimos situados, por exemplo, na Beóeia, na Atica e na Argólida, nos quais uma arte original de construir se alia a uma decoracão visivelmente inspirada na civilizacão egéia. Os aqueus conquistadores constituem uma nobreza proprietária das terras. Cada chefe é, em seu dominio não muito extenso, um senhor todo poderoso que possui o direito de vida e de morte sobre seus dependentes mais próximos: parentes e escravos.
Esses principes indo-europeus traziam no sangue o espírito belicoso de seus ancestrais. Subjugadas as populacôes encontradas na peninsula, surgiram, naturalmente, as dissensões entre os vencedores. Os motivos para essas lutas não terão faltado: Querelas e rivalidades entre famllias, cobiça de vales e planicies férteis numa região em que o solo não é predominantemente produtivo, etc., etc... "A tradição literária havia conservado a lembrança dessas épocas conturbadas: os combates entre heróis, de que a Ilíada está cheia, relembram, sem diivida, guerras de tribos com tribos, cujas narrativas foram, mais tarde, agrupadas artificialmente em torno da História do sitio de Tróia". Quais as relações hierárquicas entre os diferentes prIncipes aqueus? Podemos falar na existência de uma realeza a que estariam subordinados vassalos poderosos? A estabilizacão territorial gerou, entre as tribos vizinhas, elos permanentes que resultaram num agrupamento natural que possuia urna assembléia de reis das tribos superior a simples assembléia tribal. Esses novos chefes aos quais, aos poucos, foi reservado, com exclusividade, o título de rei, formaram urn conseiho que, entre seus membros, escolhia o rei dos reis. Surgiu, assim, urna hierarquia feudal que, alargando constantemente o território da confederacão, criou a primeira forma de Estado. Pirenne assim descreve a estrutura desse Estado: "No cimo do Estado, a autonidade mais elevada é detida pelo conselho aos reis. Mas o conselho mesmo não é mais que a emanação das assembléias das tribos no seio das quais, em cada uma delas, os possuidores de domínios escolheram seu rei. A confederação das tribos, substituindo as antigas assembléias tribais por uma assembléia mais ampla que reunia todos os proprietários de tribos confederadas, faz desaparecer pouco a pouco, como órgão de Estado, a assembléia tribal. A tribo torna-se urn grupo estável; o rei, que outrora era eleito, passa a hereditário pelo simples fato do desaparecimento das assembléias tribais. Constitui-se, assim, entre os proprietários do solo, uma verdadeira nobreza principesca sobre a nobreza aqueana dos possuidores da terra. Doravante, para impor-se aos outros homens, não bastará ser um bom guerreiro e rico em terras; será necessário ser também de ascendência nobre, pertencer a essas famIlias principescas que os deuses investiram na missão de comandar os outros homens". Concluamos essas linhas concernentes as classes dominantes com a observação de Aymard e Auboyer: "Impossível, em tais condições, pensarmos numa realeza única, ainda que esta concedesse a vassalos poderosos — senhores "feudais", diz-se freqüentemente, porque as fortalezas evocam os burgos medievais — certas partes de seu territóiro. Tanto em principio como de fato, trata-se de príncipes independentes, entre os quais devemos irnaginar rivalidades e, portanto, guerras. A hipótese de uma preponderância honorífica, reconhecida a um deles e que justificasse o seu comando nos empreendimentos coletivos, apóiase, apenas, na Iliada.
O comércio alimentava também uma numerosa classe de artesãos livres tais como carpinteiros, pedreiros, ferreiros, ceramistas. Falemos, ainda, para completar esse rápido esboço, da população autóctone encontrada pelos invasores aqueus. Apesar do espirito belicoso dos conquistadores, não se deve imaginar que tenha havido urn extermínio populacional na península. Boa parte dessa população primitiva foi reduzida a escravidão e forneceu aos aqueus a mão-de-obra servil. Outra parte conservou uma certa liberdade e ate mesmo seus bens imóvejs. Com o correr dos séculos era inevitável uma fusão racial entre vencedores e vencidos. Lembremos que estes últimos já usufruíam dos beneflcios de um estágio de civilizacão bem superior aos rudes costumes dos aqueus. Baseamos nossas informações na tradição homérica e nos rnonumentos. No presente item vamos fornecer ao internauta uma nova revisão da estrutura politico-social dos aqueus de acordo com os dados fornecidos pelos textos em linear B. Inútil observar que ainda pisamos urn terreno hipotético. Futuras descobertas e futuros estudos propiciar-nos-ão material para um quadro definitivo.— O sistema governamental era monárquico, fato esse que se depreende da palavra "Wanax", existente nos documentos de Cnossos e Pilos. Esse vocábulo (encontrado nos dialetos aqueus quando se trata de deuses) faz supor que o chefe supremo do estado micênico possuIa um caráter divino. Observamos a sobrevivência desse caráter divino em expressöes como "nascido de Zeus, nutrido de Zeus", etc... usadas por Homero. Não conhecemos as atribuiçöes do Wanax. Sabemos que o mesmo possuía uma porção de terra — témenos — com uma certa quantidade de semeadura e de oficiais régios tais como o oleiro, o pisoeiro, etc... Abaixo do Wanax situa-se o lawagetas cujas funções nos são desconhecidas. Da comparacão com o vocábulo lawos (que entra na formação de lawagetas), empregado por Homero com o significado restrito de guerreiro, concluiu-se que lawagetas poderia ser o chefe do exército. Sabemos que o mesmo possuía também um témenos porém inferior ao do Wanax. Telestai (parece que esse vocábulo deriva de niXo; = renda, obrigaçäo) são os homens que pagam renda, isto é, feudatários. L. R. Palmer (Achaeans and Indo-Europeans), equipara-os a barões. Em Pilos encontramos telestai que desfrutavam de concessões e rendas e eram proprietários de uma pequena porção de terra cultivada chamada Kotona. Devemos distinguir Kotona Kitimena e Kotona Kekemena. A primeira seria a terra particular aforada aos telestai, a segunda seria a terra comunal administrada pelo damos (comunidade rural). Os telestai, além de possuidores de terra particular, podiam também receber rendas de outras pequenas porções de terra. Neste caso os que pagavam a renda são chamados, nos textos, onata e os que recebiam (os telestai) recebem a designacão de onatere. Os Eqetai ( companheiros do rei, comites, em Homero) constituíam uma classe importante e, ao que parece, desempenhavam as funções de oficiais do estado maior do exército. "Em Pilos e Cnossos, eram, provavelmente, personagens de família nobre e na qualidade da sua alta posição possuíam carros e uniformes e tinharn escravos a seu serviço" (Dias Palmeira). Korete on Korester era uma espécie de burgomestre. "A palavra designa agente, como indica o sufixo ter, e, as vezes, aparece precedida de pro com valor de vice ou sub (prefixo que não se conservou no grego clâssico), que serve, certamente, para designar um oficial subalterno ou um substituto do Korete: é o pro-Korester. Os textos revelam também a existência de um Oficial com o título de basileus que deve ter sido uma espécie de senhor feudal que governa seu território ligado ao rei pelos lacos de vassalagem. Os textos de Pilos mencionam a gerousia (conseiho de anciãos) que auxiliava o governo do basileus. Note-se que a escravidão era uma das características da civilização aquéia. "Sobretudo, chama a atenção a grande quantidade de mulheres registradas nos textos de Pilos, que trabaihavam no palácio em ocupações diferentes — a candar, a fiar o linho, a tecer, a moer o grão, a transportar água, etc... Estas mulheres e os seus filhos ou eram prisioneiros de guerra, ou tinham sido, de qualquer outro modo, adquiridos pelo rei, noutras paragens. Fosse como fosse, o certo é que viviam na escravidão e deviam com o seu trabaiho contribuir também para o incremento das indústrias palacianas" (Dias Palmeira). ▲Topo ▲----------------------------------------------------- |
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| Vida Privada e Social | ||||||
Ao tratarmos da vida privada e social micênica, surge logo a idéia de compará-la com a cretense. Waltz acentua desde logo:"Uma profunda diferenca existia entre os costumes de Creta e os da Grécia". Ainda aqui impôe-se a observação de que, como na estrutura político-social, também na vida privada e social (intimamente liga a dita estrutura) houve evolução com o correr dos séculos. A posição da mulher em Micenas, "antes da adoção de costumes cretenses", como salienta Glotz, era bastante inferior. Entretanto o fascínio da civilização minoana não deixaria de influir sobre a vida feminina. Antes de mais nada, as mulheres aqueanas trataram de adotar "com entusiasmo" as modas de Cnossos, conforme nos atestam os afrescos de Tirinto e de Tebas. O elemento masculino, porém, mais conservador em assuntos de vestuário, limitouse a adotar o calçado Cretense, conservando o traje nacional, a túnica de mangas curtas ajustada ao corpo por um cinto e caIda até a metade das coxas.
A luta e as corridas de touro eram, além da caça, outros divertimentos favoritos da aristocracia miceniana "brutal e essencialmente belicosa". Esse espIrito rude salta aos olhos quando comparamos castelos micênicos, construídos em lugares de difícil acesso e reforçados com poderosas muralhas, com as belas residências minoanas, abertas e sem defesa, indícios de uma civilização equilibrada em que predominava a consciência da segurança individual e social. Mas é curioso notar que, mesmo encerrados em suas fortalezas, os aqueus não puderam subtrair-se a influência de Creta: o interior dessas moradas ostentavam decorações em estilo minoano e os arquitetos da ilha deixaram evidentes vestígios na construção de canalizaçöes d’água. Observe-se, alias, que a influência cretense foi, cada vez mais, amenizando os costumes aqueanos: "É nas cidades marítimas que a brutalidade começa a ser temperada. Alcinos em seu suntuoso palácio vangloria-se dos costumes amenos e, após haver feito Ulisses admirar os combates que se travarn entre os principes, diz-Ihe: "O pugilato não e nosso forte, nem a luta; somos bons corredores e marinheiros excelentes; mas para nós, em qualquer tempo, nada vale o festim, a citara e a dança, a roupa branca sempre fresca, os banhos quentes e o amor".
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| Econômia | ||||||
Nos grandes domínios dos senhores aqueus as principais atividades econômicas consistiam principalmente na criação de gado. Os rebanhos, segundo a Odisséia, constituíam o essêncial da riqueza de Ulisses (Odisséia, XIV, 10-25, 955-1105; I, 245-250). O mesmo se depreende da Ilíada (XI, 220-244) com relação aos nobres da Trácia. Quando os súditos não pagavam o devido, os reis organizavam expedições de represália, arrebatando tropas de bois, cavalos, rebanhos de ovelhas e de cabras e varas de porcos (Illada, XI, 670-690). Ao lado da criação de gado, a agricultura adquiriu, mais tarde, grande valor econômico. A vinha e a oliveira são introduzidas e cuidadosamente cultivadas. Os domínios dos senhores são trabalhados metodicamente. A Iliada (XVIII, 541 ss) pinta-nos um vivo quadro de atividades agrícolas: "Numerosos trabalhadores fazem, aí, ir e vir seus animais, levando-os numa e noutra direção. Quando fazem meia volta, chegando ao limite do campo, um homern se aproxirna e põe-lhe nas mãos um copo de doce vinho; e eles vão assim fazendo meia volta a cada sulco: querem, a todo preço, chegar ao fim do alqueire profundo. Atrás deles, a terra enegrece"... "Operários ceifam, com a foice cortante nas mãos. As paveias tombam na terra, umas sobre as outras"... As atividades comerciais tiveram grande desenvolvirnento quando aqueus e cretenses estreitaram suas relações por volta (talvez) do século XVII a.e.c. Essas relações refletem-se nas residências senhoris de Micenas, Argos, Tirinto e Pilos onde os palácios, construídos e decorados por minoanos, vão substituir antigas fortalezas. Outro indício da influência cretense é a adoção de pesos e medidas da ilha de Minos. O comércio traz a prosperidade. Micenas transforma-se em importante centro comercial onde o ouro se acumula. Pilos negocia ativamente coM Creta e o Ocidente. Corinto é frequentada por numerosas ernbarcações. Orcômeno, ponto de encontro das estradas do Peloponeso e de Eubéia, ve afluir ouro em quantidade. Mas os aqueus, povo inteligente, ambicioso, empreendedor e aventureiro, não se contentam apenas em transacionar com os minoanos. Em breve rivalizam com eles para, logo após, superá-los e substituí-los definitivarnente. Piratas e comerciantes aqueus percorrem audazrnente as antigas trilhas das embarcacôes minoanas. Embarcações mercantes de quilha redonda, movidas a remo e a vela, navios de guerra de cinqüenta remadores asseguram o domínio dos mares e dispensam a intermediação minoana. Os faraós e os senhores de Micenas transacionam diretamente. A destruição de Cnossos confirma a hegemonia micênica. A Argólida transforma-se no centro do mundo egeu. No porto de Faros o aqueu substitui o rninoano. Em Rodes fundam diversas cidades, em Chipre introduzem seu dialeto, conservado no cipriota da época clássica. Penetram no vale do Nilo adentro e seus vasos passam a ser comerciados na longínqua Nábia. Na Síria são fundadas numerosas feitorias e Ugarit se torna uma verdadeira colônia miceniana. No país de Canaã circulamvasos micenianos. Os turbulentos e belicosos aquens instalam-se no litoral da Asia Menor, em Lesbos, na Lícia e na PanfIlia e entram em relações frutuosas com os povos limítrofes. Tabuinhas encontradas nos arquivos de Boghaz-Keui e decifrados alguns anos atrás mostram-nos os reis hititas Mursil II e Tudália III ocupados em intervir nas desavenças provocadas pelos aqueus com seus vizinhos da Cilícia e da Cária. No Ocidente encontramos os aqueus atingindo o fundo do mar Adriático a fim de trocar o âmbar do Norte e o estanho da Boêmia pelo cobre de Chipre. A SicIlia, a Sardenha e até as Baleares foram atingidas pelas mercadorias micenianas. É possível que no distante Ocidente essas mercadorias tenham chegado por intermédio de marinheiros indigenas, fato esse que explicaria, ao mesmo tempo, a influência miceniana e o esquecimento dessas paragens pelos gregos do I milênio até a segunda metade do século VII a.e.c. ▲Topo ▲----------------------------------------------------- |
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| Vida Artística | ||||||
A arquitetura miceniana é monumental, diferindo, essencialmente de sua congênere cretense "não nas formas mas, sobretudo, no espIrito".
Não existe chaminé (para a fumaça); mas há uma abertura no teto, em sentido vertical, sustentada por quatro colunas que enquadram a lareira. Assim aquecido, este cômodo se torna, naturalmente, o compartimento nobre, o mais decorado, aberto aos hóspedes. Nêle os poemas homéricos hão de desenvolver os seus banquetes, e serão no mégaro do palácio de Itaca que Ulisses brandirá seu arco contra os pretendentes. Será tambérn do mégaro que derivará o templo grego". O palácio de Micenas ocupa o cimo de uma acrópole cercada de imponentes muralhas construídas com blocos irregulares. A entrada principal era precedida de um corredor no qual se encontrava uma porta, a famosa Porta do Leão. Note-se que encontramos nos palácios micenianos diferentes elementos arquitetônicos de inegável procedência cretense tais como propileus, pilastras retangulares, colunas de madeira, etc...
Surgem, depois, as tumbas com câmara e, por fim, as tumbas com cúpula. "Perpendicularmente ao flanco de uma colina, entalhavam um corredor de acesso e, depois, uma escavação de forma circular; leitos de pedra, notavelmente dispostos, reforçavam as paredes e, estreitando-se, formavam o teto da escavação; em seguida era tudo fechado, não se deixando ao ar livre senão o corredor que terminava numa porta". Esse corredor chama-se dromos. ExempIo clássico de tholos é a tumba encontrada em Micenas e conhecida como Tesouro de Atreu. Na escultura miceniana encontramos a técnica cretense aliada a uma concepcão estética e a um espírito totalmente diverso. Assim, por exemplo, nos afrescos que ornavam os palácios de Micenas e de Tirinto vemos representações de desfile de guerreiros, de caça ao javali e de bataihas. Com relação a cerâmica miceniana, convém lembrar as ânforas de Argos e de Pilos. Quanto a ourivesaria e a glíptica, é difIcil discernir as influências nórdicas ou cretenses das inspirações regionais. Os trabalhos são, entretanto, abundantes: "para os senhores opulentos de Micenas", "rica em ouro", os artistas continuam a cinzelar luxuosas jóias de ouro e de prata, com um trabalho refinado, e a arte dos armeiros tornase digna dos punhais damasquinados e das espadas de Creta". Concluamos lembrando que as artes menores micenianas tiveram, no seu conjunto, um caráter popular e industrial. A clientela flumerosa surgida corn o desenvolvimento comercial era um estímulo para a produção em massa que, se proporcionava lucros, rebaixava o nivel artístico. ▲Topo ▲----------------------------------------------------- |
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| Religião | ||||||
O primeiro problema que se apresenta no estudo das idéias e práticas religiosas da civilização miceniana versa sobre as origens das mesmas. De um modo geral, podemos afirmar que a religião continental na época miceniana deve ter sofrido influências maiores ou menores dos seguintes elernentos:
Quanto ao substrato das crenças dos primitivos habitantes da península, convém observar que desde a época neolitica, a Grécia continental tinha tido sua história particular e até bastante particularizada. Ora, esse particularismo se refletiu, certamente, no espirito religioso de cada comunidade e deixou, muitos séculos depois, sua marca na complexidade impressionante da própria religião grega que, não foi jamais a mesma, de uma acrópole a outra mais próxima. No que tange ao patrimônio religioso dos indo-europeus, o mesmo deixou vestígios "no domínio das crenças mediterrâneas, mitos e ritos. As influências orientais Se fizeram sentir indiretamente através da própria religião cretense que continha elementos asiáticos e egípcios e, diretamente, através das relações com a Anatólia e com o Egito. As tumbas do Peloponeso revelam essa contribuicão direta do Egito nas crenças e práticas relacionadas com o além-túmulo: psicostasia, mumificacão parcial do cadaver, uso de máscaras de ouro, câmaras laterais nos sepuicros, etc. — A arqueologia revelou-nos a existência de locais de culto da época micênica em Éfeso, Atenas, Elêusis, Delos, Delfos, Micenas, Asiné, e outros. Ruínas de santuários e túmulos forneceram-nos grande quantidade de ídolos femininos de terracota; representacöes de tipos de animais, sobretudo bovídeos, foram também encontradas. Como vemos, as divindades femininas existem em grande quantidade, o que é um forte indício da influência cretense. Ao que parece, vai processar-se uma lenta evolucão na hierarquia divina em favor dos deuses. O que se pode mais legitimamente constatar é um desenvolvimento das prerrogativas dos gênios masculinos já aparecidos na época minoana. A demonologia miceniana continua a minoana. Em geral se assiste a um prolongamento mais ou menos conservador, em todo o caso significativo por si mesmo, do panteão minoano e do mundo de seres sobrenaturais anteriores a época miceniana. Uma quantidade de deuses ou semideuses minoanos sobreviveram, alguns mais ou menos reduzidos em sua gloria, e sujeitos a poderes Iocais. Os cultos funerários micênicos revelam influências egípcias. O sepultamento dos mortos com objetos como armas e jóias sugere-nos uma crença na sobrevivência da alma e preludiam, talvez, o culto dos herois na Grécia Clássica. ▲Topo ▲----------------------------------------------------- |
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| O Legado | ||||||
Já fizemos alusão a tese segundo a qual a invasão dórica não tehna simplesmente extinguido a civilização miceniana. O que podernos afirmar com certeza é que essa civilização sobreviveu através de múltiplas heranças. Sintetizemos os principais legados aqueanos:
Concluamos. Que as facanhas guerreiras dos aqueus e suas realizações culturais não pereceram, provam-no cabalmente on mais belos e famosos poemas épicos da Antiguidade, a Ilíada e a Odisséia, cujos cantos constituem, muitas vezes, o eco multissecular dos triunfos e das glórias dos antigos dominadores de Micenas. ▲Topo ▲----------------------------------------------------- |
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Referência Bibliográfica:
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Com relação a escrita, já mencionamos o fato da difusão da linear B na penInsula. infelizmente as tabuinhas encontradas e decifradas até o presente, pouco nos adiantam para um conhecimento mais aprofundado da Civilização Miceniana. Ao que parece, a escrita foi adotada, nesses tempos remotos, apenas com a finalidade prática do fazer certos registros e anotar determInadas contas; era um instrumento útil para mercadores, coMerciantes e funcionários, poréM, como observa Cottrell, "indigno de reis e prIncipes".
Ésquilo, no inicio da tragédia ."Agamenon", mostra-nos o sentinela atento no alto do palácio dos Atridas a contemplar fatigado o vale sombrio, o mar e as distantes montanhas a espera de que apareça o resplendor dos fogos com que os gregos anunciariam a vitória sobre Tróia.
Micenas na Argólida constituiu um dos mais brilhantes centros da civilização que leva seu nome, a Civilizacão Miceniana. Seria, entretanto, um equivoco imaginar que o âmbito geográfico dessa civilização estivesse restrito a uma região do Peloponeso.


É evidente que devemos ser cautelosos ao tentar um esboço da sociedade aqueana. Além da deficiência das fontes, convém lembrar que a elaboração e evolução dessa sociedade se processaram durante séculos. Pirenne chama a atencão para essas transformações: "Pouco a pouco, os costumes dos aqueus se aperfeiçoaram. Seu estabelecimento definitivo sobre o solo, introduzindo entre os mesmos as novas noções da propriedade privada e do território, criando relações permanentes entre vizinhos, as quais fizeram nascer, ao lado da antiga solidariedade familiar, uma solidariedade nova e mais ampla, resultante do solo, introduziu uma organização social nova que, sobreposta a famIlia, iria amenizar os costumes familiares".
É possível que a Argólida acabasse por predominar; mas Micenas e Tirinto subsistiram lado a lado, e sua coexistência duradoura em tal proximidade estabelece um problema insolível. — A Grécia aqueana não era, evidentemente, habitada apenas por uma aristocracia feudal. Encontramos nas cidades uma burguesia constituída de ricos comerciantes e prósperos armadores que contribuíam de modo decisivo para a riqueza do país.
Mas o desprezo pela veste cretense não se estendeu ao armamento que, em parte, teve sua origem na ilha de Minos.
Assim, por exemplo, os aqueus utilizavam a grande espada de bronze e o escudo alto, meio cilIndrico, feito de vime e recoberto de couro.
Na caça os senhores aqueanos costumavam usar o carro de guerra, costume este que encontramos entre os soberanos assírios e egípcios. Os afrescos de Tirinto apresentam-nos uma notável seqüência de cenas cinegéticas: "caçadoras misturadas com caçadores, homens armados de dardos, carros puxados por dois cavalos, cães seguros em correias por mulheres, lebres, um bando de cervos e a caça com rede tal como a descreve Xenofonte, com o javali acuado pela matilha e trespassado por venábulos".
As vastas relações comerciais puseram os aqueus em contato com os costumes refinados dos povos orientais, o que, certamente, contribuiu para elevar o nível da vida social sob o ponto de vista artístico, intelectual e até religioso. Nas cortes dos senhores aqueanos pululam os estrangeiros: medicos, adivinhos, cantores, artesãos e artistas. Os aedos, cretenses provavelmente, que no final dos banquetes cantavam seus poemas, preparavam, sem o saberem, a futura literatura grega.
O castelo miceniano abrange um patio com pórticos (influência minoana) e o mégaro cercado de passadicos junto aos quais existiam mégaros secundários e outras dependências.
O mégaro principal é o elemento essencial do castelo Micênico. Sua origem remonta, talvez, ao norte da Ásia Menor, "tendo chegado a Europa pelo norte do Egeu". "Constitui um corpo de edifício retangular. Para o exterior, depois das colunas que suportam a parte avançada do teto, há um vestíbulo que recebe ar e luz. Uma parede cortada por uma porta separa-o de grande sala, o mégaro propriamente dito, compartirnento aquecido por lareira fixa, redonda, instalada no centro.
A preocupação do grandioso revela-se também na construção dos túmulos com cúpulas chamados tholoi. A principio havia as tumbas de poço.
Mais tarde é introduzida na decoracão dos vasos a representação da figura humana e dos grandes quadrúpedes, mas, como anota Lavedan, "o desenho é de uma esquematização geométrica quase caricatural".
No que tange a contribuicão cretense, a questão promete debates e surpresas.
Não se trata de pôr em dúvida essa influência, mas, sim, de precisa-la e limitá-la no tempo e no espaço. De uns anos para cá, procura-se estabelecer uma nítida distinçâo entre a religião miceniana e a religião cretense.




