Períodos de Formação da Civilização 

Linha do Tempo no Período Arcáico 
| 800 a.e.c. | 800 a.e.c. |
776 a.e.c. |
700 a.e.c. |
| Ascensão das Cidades-Estado Gregas - A Polis | 2ª Diáspora Grega | Instituído os Jogos Olímpicos | O Poeta Hesíodo, e as mudanças Político-Sociais |
| 624 a.e.c. | 546 a.e.c. | ||
| Tales de Mileto, o primeiro filósofo da história | Os Persas Conquistam a Lídia e as Cidade Gregas da Jônia | ||
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| Evolução Político-Social |
Anote-se que o genos primitivo era um pequeno mundo com sua religião, seu patrimônio, sua moral, sua justiça e seu chefe. No solo grego o genos nômade tornou-se sedentário. Homero mostra-nos exemplos de genos sedentário quando menciona as numerosas familias de Príamo, de Nestor, de Aiolos e de Alcínoo. O grupo assim formado goza de uma independência completa e não admite nenhum Iimite a sua soberania. Não conhece outras obrigações a não ser aquelas que lhe são impostas por sua própria religião; não concebe outras virtudes além daquelas que contribuem para sua honra e prosperidade. Tudo o que faz parte do grupo, pessoas, animais e coisas, estão unido pelos elos de uma solidariedade absoluta: é o que se chama philotés, palavra que se deve traduzir, a falta de urna equivalente, por "amizade", mas que designa uma relação mais jurídica que sentimental. Para empreendimentos de maior vulto, os genos se associavam em fratrias e essas, por sua vez, em tribos. Tais associações, entretanto, não feriam a soberania de cada genos. A reunião dos genos, das fratrias e das tribos resultaria na criação da pólls, um agruparnento politico, econômico e militar que tem por centro um altar. PolIticamente, os gregos evoluiram de um regime patriarcal para urn regime oligárquico. Na pólis encontramos uma tríplice hierarquia de reis: basileis, basilêuteros e, acima de todos, o basilêutatos. Assim nasceu uma espécie de feudalidade em que os senhores designados todos sob os nomes genéricos de reis, de principes ou de anciãos, formavam uma hierarquia de suseranos e vassalos, desde o chefe mais poderoso, possuidor do mais rico e do mais vasto domínio e basileus por excelência, até ao patriarca do mais humilde genos, proprietário — rei de um modesto campo. A realeza estava constanternente vigiada por uma aristocracia arrogante e ambiciosa, sempre pronta a aproveitar qualquer sinal de fraqueza dos governantes para assurnir o poder. Com efeito a realeza patriarcal acabou cedendo o lugar as poderosas oligarquias. |
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| Evolução Econômica |
A indústria começa a renascer; mas não existem oficinas nem patrões: o artifice trabalha diretamente para o público. Nos tempos homéricos a parte da indústria concernente a alimentacão e ao vestuário era doméstica. O comércio, muito mais que a indústria, assumiu grandes proporções. Nas relações corn regiões distantes através dos mares, desempenha papel importante a pirataria. Esta condizia com as qualidades belicosas da aristocracia: O tráfico é vilão, a pirataria é nobre. Sen te-se orgulho por operar uma razia em terra; como não se sentiria no roubo de rebanhos e pastores depois de atravessar um braço de mar, ou em trazer de expedições longínquas navios carregados de despojos? A lança nunca desdoura. Quando se recebe um hóspede desconhecido, pergunta-se-ihe corn deferência se é pirata.O mesmo homern que se indigna por lhe chamarem capitão-mercador conta que chefiou nove vezes bandos de corsários e concluiu com orgulho: "Assim couberam-me todos os bens em abundância; a minha casa aumentou rapidamente; torneime poderoso no meu pals e digno de respeito". A Odisséia, pergunta Cohen, é algo rnais que um panegirico a gloria de um pirata feliz?. Mas o comércio pacífico acabará por substituir a violência da pirataria. Surgem empresas comerciais, esboça-se um direito comercial. A intensificação das relações comerciais produz efeitos notáveis na vida citadina. Surgern novas riquezas e com elas uma poderosa burguesia. ▲Topo ▲----------------------------------------------------- |
| Evolução Religiosa |
As divindades da religião antiga, distantes e misteriosas, humanizam-se, tornam-se conhecidas. Os heróis das epopéias possuem noções claras sobre a natureza, o parentesco e o temperarnento dos deuses que aparecem revestidos de formas humanas com virtudes e defeitos numa mitologia límpida que é a parte mais original, a mais verdadeirarnente grega da religião nacional. ▲Topo ▲----------------------------------------------------- |
| Esparta |
Esparta, a cidade dórica, caracteriza-se pelo totalitarismo de suas concepções polIticas (O indivíduo absorvido pelo coletivismo estatal) as quais se subordinam suas instituições, sua maneira de viver, sua literatura, suas artes. As leis eram férreas e desumanas, a vida privada inteiramente regulada pelos interesses exagerados do Estado, a poesia grave e guerreira, as idéias filosóficas apegadas ao tradicionalismo intocável, a arquitetura e a escultura austeras. Esse quadro sombrio espelha Esparta a partir dos fins do século VII quando uma aristocracia belicosa interrompe a evolucão natural, a que estão submetidas as demais cidades da peninsula helênica, para estabelecer as margens do Eurotas urn sisterna de força arcaico que vai constituir, no decorrer da História Grega, um gritante anacronismo Esparta é a gravidade dórica que, de bom grado, se cerca de mistério. Atenas é o sorriso jônico, gracioso e claro. Admira-se Esparta; ama-se Atenas. Os indícios da História de Esparta são obscuros: as antigas tradições estão envoltas em lendas e deturpações. Numa região fértil, cercada de montanhas, banhada pelo rio Eurotas e defendida por uma costa de difIcil acesso, os invasores dórios dominaram as antigas populações, reduzindo a escravidão a maíor parte dos que não fugiram, e fundam Esparta unindo quatro aldeias (Pitané, Meson, Kynosura e Limnai) em urna ünica pólis (século IX a.e.c.).
A segunda guerra (Seculo VII a.e.c.) começou com uma revolta dos messênicos contra Esparta, revolta essa apoiada por outras cidades como Pisa e Orcôrneno. Esparta atravessava então uma grave crise interna: elementos descontentes haviam mesmo abandonado a Lacedemônia para fundar, em plagas distantes urna nova pátria (Cirene). Os rebeldes e seus aliados obtiveram, inicialmente, alguns êxitos, mas os espartanos, entusiasmados com os cantos guerreiros de Tirteu (segundo a tradição, poeta ateniense, coxo e mestre-escola), conseguiram a vitória final. Os vencidos abrigaram-se em diferentes regiões como a Arcadia, a ilha de Rodes e a SicIlia. Nesta ültima, os refugiados deram nome de Messina a Zanclé. Na política interna de Esparta, a realeza tradicional perde suas prerrogativas para uma orgulhosa aristocracia que assume o exercicio do poder executivo e legislativo. Os reis passam a desempenhar uma função meramente honorifica. |
| Atenas |
A cidade de Atenas nasceu da reunião de algumas aldeias que haviarn desenvolvido a sombra protetora da Acrópole, transformada em poderosa fortaleza desde épocas bem remotas. Em data que não podemos precisar, a nova cidade tornou-se pacificamente centro da unificação da Atica. Durante muito tempo, Atenas foi governada por reis, que, entretanto, foram obrigados a abdicar progressivamente de suas prérrogativas diante do poder crescente da Aristocracia. Após a decadência da Realeza, um fato importante a assinalar é a publicação do código de leis por Drécon em 621 a.e.c. A legislação draconiana visava entre outras coisas a combater a justica pelas próprias rnãos praticada por uma família contra outra em casos de homícidio; tais atos de vingança provocavam naturalmente graves perturbações da ordem. Para reprimir tais abusos, Drácon tomou severas medidas a ponto de afirmar-se exageradamente que suas leis haviarn sido escritas com sangue e não com tinta. O grande legislador de Atenas foi o aristocrata Solon que recebeu (594-593 a.e.c.) de seus concidadãos a missâo de reformar a legislação vigente. Solon, que unia inteligência e intensa experiência da vida um patriotismo sincero, fez importantes inovações de ordem social, econômica e política. Duas idéias caracterizam a atuação do legislador: liberação da propriedade imobiliária, possibilitando o aumento do número de proprietários e libertação do indivíduo, impedindo a escravização do devedor insolvente. O continuador de Solon foi o tirano Pisístrato (561-528 a.e.c.) que, dispondo da força, pôde levar a cabo as reformas de Solon, preparando o terreno para a implantacão da democracia por Clístenes. Abramos urn parêntese para breve explicacão sobre a forma de governo chamada tirania. Tirano — era o cidadão (em geral pertencente a nobreza) que, com o apoio das massas, se apoderava ilegalmente do poder detido entao pela aristocracia. O tirano não era necessariamente cruel ou despóstico. Assim, por exemplo, Pisístrato é louvado por Aristóteles por sua moderacão, filantropia, doçura e amor ao povo. A tirania foi, muitas vezes, na Grécia, uma festa de transição entre a aristocracia e a democracia. Sob a tirania de Pisístrato, Atenas conheceu uma provável prosperidade interna e externa. As obras públicas transformararn a capital da Atica de uma grande aldeia em uma grande cidade. No exterior, os atenienses desenvolveram seu comércio, conseguindo estabelecer-se no Helesponto, importante passagem da rota comercial que levava ao Ponto Euxino. Após a morte de Pisístrato, sucederam-lhe seus filhos HIpias e Hiparco. O segundo foi assassinado (514 a.e.c.) e o primeiro expulso de Atenas (510 a.e.c.). A queda dos tiranos foi mais o resultado da conspiração de nobres emigrados que de uma revolta popular. Clistenes (508-507). — Aristocrata inteligente e com idéias democráticas, ClIstenes marca na História de Atenas urna nova era de liberdade provocada por uma revolucão profunda politico-social. Para prevenir qualquer atentado contra a nova ordem democrática, ClIstenes fez votar a lei do ostracismo que permitia ao povo exilar, por meio do voto escrito em um pedaço de louça, por dez anos, o cidadão considerado perigoso para as instituições. O regime democrático de Atenas passou por uma prova de fogo quando a Atica foi atacada (506 a.e.c.) por uma coligação de inimigos externos (entre os quais figuravarn os espartanos) animados pelos inimigos internos (os aristocratas e os partidátios da tirania). A desunião entre seus adversários possibilitou a vitória da democracia ateniense. |
Referência Bibliográfica:
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Os helenos, agrupados outrora em clãs (genos), unidades independentes em que predominam os interesses coletivos, passam a integrar a pólis (cidade grega, cidade — estado). Na origem, simples aglomeração de clãs em torno do altar, de um mercado ou de um porto, a pólis iria, contudo, durar quase tanto tempo como a raca que a tinha concebido.

O nome de Lacedemônia, antiga cidade dos aqueus, iria designar o conjunto dos territórios dominados pelas conquistas dos espartanos.
Dois fatos chamam a atenção na História política de Esparta:
Após estender, ainda mais, seu território, Esparta, na segunda metade do século VI, procurou estabelecer uma aliança com outras cidades do Peloponeso, organizando a chamada simaquia peloponesiana que se fundamentava em dois princípios: a autonomia dos estados aliados (que não pagavam tributos a Esparta e mantinham ate mesmo uma certa liberdade na política externa) e a obrigação desses mesmos estados de reconhecerem a hegemonia espartana em caso de guerra, fornecendo, quando necessário, um contingente militar para a defesa dos interesses comuns. As assembléias gerais da simaquia realizavam-se em Esparta e as decisões importantes eram tomadas de acordo com a maioria. Entretanto, observa Gbotz, "podia ser perigoso opor-se a opinião dos lacedemônios".




