Filosofia Clássica - Período Pré-socrático

Períodos da Filosofia Clássica

Pre-Socrático Socrático Pós Socratico / Helenismo

Período Pré-Socrático

Escola Jônica Escola Itálica Escola Eleática Escola Atomista

 

 

 

 

 

 

Anaxímenes de Mileto é o terceiro e último importante filósofo da escola jônica antiga, no quadro ainda da fase milesiana.

Embora pouco se saiba de sua vida, ele é contudo citado com frequência para dizer que foi sua a proposição do ar como elemento básico na formação de tudo.
Dedicou-se à  meteorologia, foi o primeiro a considerar que a lua recebe a luz do  sol. Era companheiro de Anaximandro. Hegel diz que Anaxímenes ensina que nossa alma é ar, e ele nos mantém  unidos, assim um espírito e o ar mantém unido o mundo inteiro. Espírito e ar são a mesma coisa.

A substância da origem volta a ser uma coisa determinada como em Tales.  Anaxímenes identificou o ar talvez porque tenha visto seu movimento  incessante, e que a vida e o ar andam juntos, na maioria dos casos. A respiração é um processo vivificante, dependemos dela durante toda a nossa vida. Ele via     que no céu existem nuvens, e que a matéria possui diferentes graus de solidez.

Vida

Vida - Anaxímenes de Mileto, filho de Eurístrato, foi discípulo de Anaximandro. Nasceu quando Anaximandro tinha 25 anos, possivelmente no ano 585 a.e.c., no mesmo ano do eclipse predito por Tales. Anaxímenes nasceu, quando Mileto ainda era florescente cidade independente e liderava as cidades da confederação jônica. Sardes, capital do reino Lídio, fora conquistada mais cedo pelos persas em 546 a.e.c. e também mais cedo foi destruída. Mileto, ainda por algum tempo, continuou próspera, mesmo quando reduzida à parte da satrapia 1 persa instalada com domínio sobre toda a Jônia.

O verdadeiro significado de Anaxímenes está em haver dado continuidade à ciência e à filosofia em curso. Por Anaxímenes se constata que a ciência e a filosofia, já nascidas, prosperam definitivamente por fora das tradições dogmáticas mitológicas.
A influência de Anaxímenes ocorreu sobre os mais diversos filósofos, como por exemplo Pitágoras, Melisso, Anaxágoras, Demócrito, Diógenes de Apolônia.

Nada mais se sabe sobre sua vida e profissão. Supõe-se que escreveu um livro pois segundo as informações de Diógenes Laércio “escreveu em dialeto jônico em um estilo simples e conciso”. Vale lembrar que naquela época os autores se utilizavam de papiros 2, uma vez que não existiam livros de fato.

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Obras

Restam somente três reduzidos fragmentos dos escritos de Anaxímenes de Mileto. Estes se devem às citações feitas por Plutarco e Aécio. "escreveu em língua jônica, com simplicidade e sobriedade" 3 . O idioma grego se falava em 4 dialetos básicos, o acádico, de Atenas, se tornou o principal, sendo que o jônico, muito próximo do acádico, foi também a língua de importantes obras. Se Diógenes Laércio avaliou o estilo de Anaxímenes, isto pode significar que o livro do filósofo Anaxímenes de Mileto ainda se conservava ao seu tempo. Mais provável, entretanto, é que a informação tenha vindo através de Teofrasto, que, por sua vez, poderia ter conhecido a obra.

De outra parte, a observação sobre a simplicidade e sobriedade do estilo de Anaxímenes pode indicar diferença com aquele de Anaximandro, ao qual tinha como poético.

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Doutrinas

Ar como 1º Elemento | Cosmologia

Ar como primeiro elemento na composição da matéria - O ar como primeiro e infinito elemento. Divergindo de Tales, proponente da água e de Anaximandro do infinito, agora Anaxímenes propõe o ar como elemento fundamental da natureza, a partir de cuja complexificação se formam todas as coisas, e no qual elas todas se decompõem. A idéia fundamental continua a mesma, de que tudo se forma a partir de um elemento primeiro, o qual subsiste por si só e é consequentemente divino.

Anaxímenes propõe como arché o ar  que é um principio infinito, como o ápeiron de Anaximandro; mas determinado, como a água de Tales. Por isso podemos interpretar a filosofia de Anaxímenes como uma espécie de síntese entre Tales e Anaximandro. o racionalismo de Anaximandro é um racionalismo aberto pois a transformação de umas coisas em outras só é possível por meio do ápeiron. Em Anaxímenes assistimos novamente o racionalismo cercado do grupo de transformações. O ar como arché substitui a água de Tales, mas por sua vez incorpora algumas das propriedades do ápeiron de Anaximandro. Em Anaximandro o arché é infinito e indeterminado. Para Anaxímenes o ar, como arché, é um ápeiron (infinito), mas determinado.

Anaxímenes encontrou no ar empírico uma série de propriedades que desempenhariam melhor que os outros elementos as funções de arché. Por esse motivo ele não escolheu o fogo, a terra ou a água. Em primeiro lugar l invisibilidade do ar. Segundo Hipólito 4 o ar “quando é perfeito é imperceptível à visão”. O ar é infinito, mas determinado. Mas a determinação do ar é mais abstrata a os sentidos que a água: é invisível como o ápeiron.

O ar é infinito e “envolve todo o cosmos” 5 pois o ar empírico parece não ter limites, ocupa uma vasta região do mundo já desenvolvido e penetra todas as coisas: A onipresença extensiva do ar empírico é maior que a da água. O ar é, além disso, um princípio ativo e em movimento (empurra os barcos, movimenta as ondas, etc.).

Em segundo lugar o ar tem caráter divino “Anaxímenes diz que o ar é Deus” 6 e se compara com a alma. Melhor que a água o ar constitui a matéria adequada para o racionalismo do grupo de transformações. A condensação e a rarefação são atribuídas por Simplicio 7 tanto a Tales como a Anaxímenes. Além disso, segundo informações de Hipólito 8 o ar se manifesta distintamente ao condensar-se, se fazendo mais sutil”. O ar ao rarefazer-se aumenta o volume e se converte em fogo.

Ao condensar-se diminui o volume e se transforma em água e em terra. São por tanto as mudanças quantitativas (aumento o diminuição de volume) que produzem as diferenças qualitativas. Anaxímenes introduz um principio gradualista ao passo da quantidade à qualidade: natura non facit saltus. Além do mais os dois opostos (quente e frio) que Anaximandro extraía do ápeiron, Anaxímenes os constrói por meio da condensação e da rarefação: comprimido e condensado é frio e rarefeito é quente 9.

A partir das noticias de Simplicio (as demais coisas se produzem a partir destas sustâncias) 10 e de Cícero (Anaxímenes disse que o ar é infinito, mas as coisas dele nascem finitas: a terra, a água, o fogo e, a partir destas, todas as demais) 11, Anaxímenes para explicar a formação dos corpos compostos não necessita remontar-se ao ar como principio, bastando fazê-lo a partir de sustâncias básicas ou elementos simples (fogo, ar, vento, nuvens, água, terra) que compõem os demais corpos. Se isto for verdade, Anaxímenes seria o pioneiro da idéia de elemento, já que esta idéia não foi anunciada formalmente até Empédocles: conhecer racionalmente os fenômenos não significa explicar as coisas por seus últimos princípios (por exemplo, a partir do ar) mas a partir dos elementos.

Para Anaxímenes, o Sol girava em torno da terra que era plana, passando por trás de pontos altos da terra durante a noite.

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Cosmologia -

As informações que temos da cosmologia de Anaxímenes são escassas e, por geral, manifestam opiniões bastante ingênuas. Assim, a terra, o sol, a lua e os demais astros ígneos cavalgam sobre o ar e são planos. Os astros não se movem de baixo da terra, mas ao redor dela “como gira um chapéu ao redor de nossa cabeça”. O sol gira ao redor da terra em um plano horizontal e se oculta porque o cobrem as partes mais elevadas da terra e porque aumenta a distância em relação a nós 12.

A Terra está suspensa no cosmos pelo ar, enquanto a luz do sol reflete na lua durante o giro em torno de pontos altos da terra (noite)

Em outras ocasiões suas opiniões se acercam mais da verdade que as de seu mestre Anaximandro. Assim mantém a tese de que a lua refletia a luz do sol, que os eclipses do sol e de lua acontecem quando estes corpos são ocultados por outros corpos celestes.

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Principais Fragmentos

I “...O sol é largo como uma folha...".

II “... Do ar nascem todas as coisas existentes, as que foram e as que serão, os deuses e as coisas divinas...”.

III “... O Ar é Deus...”.

IV “... O ar contraído e condensado da matéria é frio, e o ralo e frouxo é quente. Como nossa alma, que é ar, soberanamente nos mantém unidos, assim também todo o Cosmo, sopro e ar mantém...''.

Referências

1 Cada uma das províncias em que estava dividido o antigo império persa.
2 Grande erva da família das ciperáceas (Cyperus papyrus), própria das margens alagadiças do rio Nilo, na África, cujas compridas folhas forneciam hastes das quais se obtinha o papiro, material sobre o qual se escrevia; Manuscrito antigo, feito de papiro.
3 D.L., II, 2
4 Ref. I 7, 3
5 Aecio, I 3, 4
6 Aecio, I 7, 13
7 Fís. 180 14-16
8 Ref. I 7, 3
9 Plutarco, De primo frigido, 7, 947 F.
10 Fís. 22, 26
11 Acad. II, 37, 118
12 Hipólito, Ref. I 7, 6

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