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Mitos de flores e plantas

Mitologia - Mitologia Grega

Entendendo Platão, um suprassumo em 5 minutos

Filosofia - Filosofia Clássica

Os céus e os submundos astecas

Mitologia - Mitologia Asteca

Esquizofrenia, afinal o que é isso

Psicologia - Psicopatologia

Os limites da raiva e do perdão

Psicologia - Psicologia Analítica

1/23/2021 5:23:44 PM | Por Alice Mills
Mitos de flores e plantas

Existem muitos mitos gregos sobre a origem de várias árvores, flores e outras plantas. A maior parte deles envolve metamorfoses de seres humanos que passam a ter uma forma vegetal; ocasionalmente, uma ninfa, como Dafne, também é transformada numa planta. Estas metamorfoses são irreversíveis. É muito raro na mitologia grega a transformação numa planta funcionar como uma recompensa, como acontece na estória de Báucis e Filémon. É muito mais freqüente a criação de uma nova planta ser ocasião para uma celebração amarga e doce. Na mitologia grega, nem mesmo os deuses conseguem repor a vida de um mortal quando a perde, mas, por vezes, como última escolha, homenageiam para sempre os amigos e os amantes queridos na forma de alguma nova planta.

Por vezes, a transformação de pessoas em plantas ocorre como uma punição, até mesmo um castigo auto-imposto, como no caso de Narciso, em que o insensato ser humano desperdiçou a sua preciosa vida, que não lhe podia ser dada novamente. A flor narciso, que nasce de novo todos os anos, troça da sua leviandade, ao mesmo tempo que homenageia a sua beleza.

Eco e Narciso

Narciso era filho da náiade Liríope e de um deus rio, Cefiso, o deus do mesmo rio em que Deucalião e Pirra se purificaram antes de se tornarem pais de uma nova raça humana, após o dilúvio. Aquando do nascimento de Narciso, o adivinho Tirésias profetizou que ele viveria por muito tempo, desde que nunca se visse a si mesmo.

Ninguém sabia o que esta profecia significava, mas tornou-se claro demasiado tarde, quando ele estava entre a adolescência e a idade adulta.

Narciso era o mais belo dos jovens pelo que despertava muitos desejos sexuais, ao que ele não ligava qualquer importância. Mantinha-se afastado, preferindo caçar animais selvagens do que desfrutar da companhia dos humanos ou das ninfas. Um dia, a ninfa Eco encontrou-o e apaixonou-se por ele de imediato e profundamente. Ela era uma ninfa e tinha sido amaldiçoada com o costume de não dizer nada de novo e apenas repetir a última parte do que outra pessoa dissesse ao seu ouvido. Esta maldição tinha-lhe sido lançada por Hera (Juno), rainha dos deuses, porque a tagarela Eco a tinha distraído demasiadas vezes, impedindo-a de se aperceber do indomável marido a divertir-se com outras ninfas. «Podes continuar uma tagarela», disse Hera, «mas nada do que disseres será da tua autoria.»

Eco esforçou-se por dizer a Narciso o quanto o amava, mas tinha de ficar em silêncio até ecoar o que alguém dissesse e esperando que essa pessoa desse voz ao desejo dela. Narciso ouviu um sussurro entre as árvores e perguntou: «Está alguém nos arbustos?» 

Eco respondeu:

«Nos arbustos.» 

E Narciso exigiu: 

«Sai e deixa-me ver-te!»

E ela respondeu: «Deixa-me ver-te!»

A seguir ela saiu detrás dos arbustos e avançou para ele abraçando-o.

Por momentos, Narciso ficou demasiado surpreendido e não fez nada, mas, logo a seguir, empurrou-a dizendo:

«Tira as tuas mãos de cima de mim! Metes-me nojo! Nunca mais ouses tocar-me assim!»

E tudo o que a pobre Eco conseguiu dizer foi: «Tocar-me assim!»

Eco definhou por amor a Narciso. Deixou de comer, afastou-se das outras ninfas e, finalmente, o seu corpo desapareceu. Tudo o que restou dela foi a voz, que continua a repetir a última coisa que alguém diz. Narciso não se abalou nada com o desgosto de Eco, nem com o de centenas de outras cujo amor rejeitou. Um dia, alguém que suspirava por Narciso apanhou uma fúria e pediu aos deuses que o enfadado rapaz se apaixonasse por quem o tratasse tão mal como ele tratava as outras.

Houve um dia em que ele foi caçar, como de costume, e começou a sentir sede, pois a tarde estava quente. Encontrou uma lagoa, ajoelhou-se para beber mas viu a sua imagem nas águas paradas e ficou de imediato apaixonado. Tentou convencer-se de que a imagem que vira na lagoa era a de outra pessoa, alguém que para troçar dele imitava os seus movimentos. Narciso estendeu uma mão para tocar o amado rapaz que estava na água, e o rapaz estendeu a mão em resposta, mas em vez de dedos quentes, o que ele sentiu foi apenas a água. Tentou beijar o seu amado, mas por mais que mergulhasse o rosto na água, aos seus lábios só chegava água. Narciso deixou de comer, deixou de dormir e não podia afastar-se da lagoa. Ele sabia que estava apaixonado pelo seu próprio reflexo, mas o seu coração ignorava tudo o que ele lhe dizia. Ele desejou separar-se dele próprio, para poder amar-se a si mesmo como desejava tão ardentemente. Narciso começou a definhar como tinha acontecido a Eco, até estar prestes a morrer.

Então Eco voltou à lagoa, para ouvir o seu amado Narciso pela última vez. «Sou tão infeliz», gemeu ele, e Eco respondeu: «Sou tão infeliz.»

Narciso lamentou-se: «O meu amor é fútil.»

E Eco retorquiu: «O meu amor é fútil.» Ele já não tinha forças para falar e não tardou a morrer.

As ninfas choravam sobre aquele corpo desperdiçado e preparavam-no para os ritos fúnebres, mas quando terminaram, o corpo tinha desaparecido. Tinha-se transformado numa flor branca e amarela, com pétalas em forma de trompeta, que floresce no início da primavera. Foi assim que nasceu o primeiro Narciso.

Apolo e Jacinto

Os homens e mulheres mortais que os deuses desejaram, normalmente morreram jovens, algumas vezes por terem rejeitado as investidas dos deuses e outras vezes porque algum outro deus ciumento decidiu puni-los. Jacinto morreu porque dois deuses se apaixonaram por ele ao mesmo tempo.

Ele era filho do rei Amiclas e da rainha Diomede e tornou-se famoso em toda a Lacônia pela sua beleza. Apolo apaixonou-se por ele e o mesmo aconteceu com Zéfiro, o rei do vento de oeste. Num dia quente de verão, Jacinto e Apolo estavam a jogar à malha, quando Zéfiro se meteu no jogo. Soprou tão violentamente a malha que Apolo tinha lançado, que esta foi bater com toda a força na cabeça de Jacinto tendo-lhe provocado a morte imediata. Apolo chorou sobre o corpo do belo rapaz, e transformou o sangue dele que caiu no solo numa flor, o jacinto. Nas suas pétalas podem ver-se as letras «AI», que também em grego são um lamento. Quando Jacinto morreu, o deus não pôde trazê-lo de volta à vida como ser humano, mas a planta jacinto morre em cada verão quente, como se fosse morta pelo Sol, e renasce na primavera do ano seguinte.

Apolo e Clítia

Afrodite (Vênus) decidiu que Apolo andava a imiscuir-se demais nos assuntos dela. Tinha sido ele que tinha contado ao marido Hefesto (Vulcano) do amor dela por Ares (Marte) e, como punição, ela pediu ao filho Eros (Cupido) para atirar uma flecha de amor sobre o deus Sol. Após ser atingido pela seta de Eros, Apolo apaixonou-se de imediato por Leucótoe, princesa da Pérsia e disfarçou-se da mãe dela. Ordenou então aos servos que saíssem do quarto e revelou-se a Leucótoe como um deus. Que mais podia ela fazer para além de se submeter e chorar?

A irmã de Leucótoe, Clítia, desejava Apolo também apaixonadamente, mas o deus Sol só se interessava pela sua amada Leucótoe. Naquela noite, quando ela se convenceu de que Apolo não queria saber dela, Clítia correu para junto do pai, o rei Oceano, e dominada pelos ciúmes contou-lhe que a irmã tinha um amante secreto. O rei sentenciou que Leucótoe fosse queimada viva imediatamente sob um monte de areia. Na manhã seguinte, Apolo olhou lá de cima do seu carro e viu o que tinha acontecido. Espalhou a areia, mas era tarde demais. Leucótoe estava esmagada e morta. A única coisa que o deus pôde fazer foi transformar o seu corpo sem vida numa nova planta, o incenso, cuja seiva aromática era queimada nos templos de Apolo.

Clítia sonhava que Apolo se pudesse apaixonar por ela agora que a irmã rival estava morta, mas ele odiava-a pelo que tinha feito. Clitia não podia comer nem beber, nem dormir e a única coisa que podia fazer era chorar toda a noite e ficar sentada ao Sol durante todo o dia, virando a cabeça para ver Apolo no seu carro. Após nove dias, as pernas transformaram-se em raízes e o fino corpo metamorfoseou-se num caule alto e fino, enquanto a cabeça se tornou numa flor dourada. Tinha-se tornado no primeiro girassol, uma planta cujas flores seguem os passos do Sol.

Báucis e Filémon

Freqüentemente, os deuses gostavam de se disfarçar de seres humanos, para investigar crimes, dar conselhos aos heróis e testar a devoção do povo. Um dia, Zeus (Júpiter) e o filho Hermes (Mercúrio) desceram à Terra, em Frígia, disfarçados de pessoas comuns e começaram a procurar um lugar para passarem a noite. Era dever de todos os Gregos serem hospitaleiros para os estranhos, mas os dois deuses tiveram de tentar muitas casas antes de encontrarem uma que os deixasse entrar. Era a mais pobre de todas, feita de lama, colmo e canas, e estava prestes a desmoronar-se no lamaceiro em que se erguia. Um casal idoso abriu imediatamente a porta da casa convidando os deuses a entrarem, enquanto pediam desculpa pela pobreza em que viviam. A mulher idosa, Báucis, pegou num bocado de presunto que há muito se encontrava pendurado no teto e cortou uma boa dose para fazer um guisado. O marido, Filémon, foi buscar todas as achas que tinha para fazer uma fogueira, depois foi à horta e apanhou os legumes e a fruta que encontrou, para os juntar ao guisado. Em seguida o casal deu água aos deuses para se lavarem e puseram as roupas de festa já muito remendadas no único colchão que tinham, esperando que os hóspedes inesperados se sentissem bem-vindos.

A mesa oscilava por todo o lado, o colchão estava gasto e as roupas de festa eram usadas, mas Báucis limpara a mesa com hortelã e colocara sobre ela toda a comida que tinha em casa: ovos, fruta, queijo, legumes frescos e depois o guisado de presunto e vegetais. Serviu vinho e água, e quando todos tinham comido, ofereceu aos hóspedes frutos secos e bagas, tâmaras e maçãs, e mel acabado de tirar da colmeia. Ela receava que, no fim da refeição, os convidados ainda tivessem fome e sede, mas não havia mais nada em casa que pudesse oferecer. Então ela reparou que o jarro do vinho continuava cheio, embora Filémon tivesse enchido as taças dos convidados várias vezes. Ela e o marido ajoelharam-se lado a lado, orando para que os visitantes divinos tivessem aceite a humilde refeição.

Filémon teve de repente uma idéia. Podia matar o ganso que guardava a cabana e que os avisava da chegada de visitantes com o seu grasnar incessante, e cozinhá-lo em honra destes convidados extraordinários. Filémon saiu para ir apanhar o ganso, mas a sua avançada idade tornava-o lento e o ganso correu rapidamente para dentro da casa e refugiou-se no regaço do grande Zeus. «Não mates o teu guarda fiel», disse o deus, «e não fiquem aqui mais tempo. Tencionamos vingar-nos de toda essa gente que nos virou as costas e violou assim a lei da hospitalidade a estranhos, mas vocês merecem viver. Subam a montanha connosco e não olhem para trás até chegarem ao cimo.» Báucis e Filémon levaram muito tempo a subir a montanha, e quando finalmente chegaram ao cimo olharam para trás e viram que todos os campos estavam inundados e apenas a casa deles continuava de pé, mas tinha deixado de ser uma cabana.

Em vez de lama e colmo, era agora um templo em mármore com um telhado de ouro. Zeus ofereceu a Báucis e Filémon tudo o que quisessem. «Deixem que vos sirvamos», responderam eles, «como sacerdote e sacerdotisa do vosso templo.

E depois, quando for altura de morrermos, fazei com que morramos no mesmo instante, para que nenhum de nós sofra a perda do outro.» Zeus teve muito gosto em satisfazer ambos os desejos.

Durante anos depois do ocorrido, o velho casal continuava a viver como sacerdote e sacerdotisa de Zeus, até que um dia pararam em frente do templo de mármore e constataram que não podiam continuar a andar.

As quatro pernas de ambos transformaram-se em raízes que se prenderam com firmeza ao solo e os corpos começaram a ganhar folhas. Zeus tinha satisfeito o desejo especial de ambos viverem a vida humana juntos e continuaram a viver como árvores entrelaçadas em frente do templo.

 
Mitologia - Mitologia Grega
1/20/2021 1:58:44 PM | Por Odsson Ferreira
Entendendo Platão, um suprassumo em 5 minutos

Platão, o mais "nobre" dos discípulos de Sócrates, foi o seu mais fiel defensor e o que mais fez referências a ele, a tal ponto que os estudiosos chegam a ter certa dificuldade em separar as suas ideias e conceitos das de Sócrates, que nunca escreveu nada. Platão tornou-se assim, a voz socrática que ecoa ao longo dos milênios. Platão nasceu em berço de ouro no V século antes da era comum mais precisamente em 428, e morreu em 347. Sua educação, como a de qualquer cidadão de família aristocrática, foi voltada ao governo e a guerra, educado nas letras clássicas e nos esportes, fato comprovado pelo seu epiteto "Platão" que significa “costas largas”. Platão era o filósofo atleta. Não há relatos sobre sua vida amorosa, diferentemente de Aristóteles que era conhecido por seu amor ao sexo feminino.

Platão fora fortemente abalado e influenciado pelo julgamento, condenação e execução de Sócrates, fato que considerava até certo ponto como sua própria culpa.

Como já foi dito, a obra de Platão foi fortemente orientada pelos "sermões" de Sócrates, mas também o fora pelos trabalhos de Parmênides e Heráclito. Era muito preocupado com a corrupção do sistema democrático ateniense e em certa altura, abandonou a política e a cidade se tornando consultor de reis e monarcas pela Hélade. Afirmava categoricamente que era necessário refazer o Estado, assentando sua base na Justiça e na Ética, pois como filósofo racionalista, afirmava que a fonte do conhecimento verdadeiro é o intelecto puro, independentemente dos sentidos, vemos aqui as influências de Sócrates.

Depois da experiência malfadada na Sicília, quando chegou a ser vendido como escravo, voltou para Atenas e fundou a Academia, a primeira Universidade do ocidente.

O sistema defendido por Platão era divido em três partes:

  • Conhecimento científico, o conhecimento verdadeiro.
  • Comportamento ético, virtude, o que é o Homem justo?
  • Política, quais as características de um Estado justo?

Conhecimento científico

Platão defendia a Teoria das ideias ou formas, onde haviam dois tipos de conhecimento: o do mundo sensível, e o do mundo inteligível.

O conhecimento do mundo sensível é relacionado a Heráclito e é o mundo dos sentidos; do senso comum (Doxa); um tipo de conhecimento raso e superficial que priva o saber apenas ao que o individuo sente ou experimenta através de seus sentidos como a visão, tato, olfato, audição e paladar. Este é o mundo empírico (emperia, ou seja a experiência). Nesse sentido para Platão, a realidade é apenas uma ficção, pois os sentidos nos enganam. Os sentidos ficam apenas na superfície do que de fato existe, funcionando assim como uma barreira que dificulta chegar a realidade verdadeira. Nosso mundo é na verdade um rascunho da realidade, onde cada elemento é uma cópia irregular do conceito, da ideia ou essência, que existe apenas no mundo inteligível.

O Conhecimento do mundo inteligível é relacionado a Parmênides. Aqui não existem emoções ou paixões na busca do conhecimento. Apenas o intelecto pode acessar essa dimensão e contemplar o que é Invisível aos sentidos e visível apenas a razão. Platão afirmava que nessa instância os conceitos não são criados por nós, sendo alcançados apenas por nossa inteligência. A realidade é a ideia, a essência que só pode ser atingida pelo intelecto e não pelos sentidos. Dessa forma, Platão defende uma dialética ascendente, onde os sentidos chocam-se com o pensamento racional. É preciso questionar, duvidar, contestar os sentidos para se alcançar uma verdade que já está presente desde o nascimento. Platão é filosofo inatista, pois para ele o conhecimento é inato e a psique e o intelecto já existiam no mundo inteligível antes do mundo sensível fazendo com que o papel da educação seja o de recordar aquilo que foi esquecido.

Comportamento ético

Para Platão havia uma tripartição da alma composta pela Alma racional, que é o equivalente da classe governante de seu Estado ideal (os magistrados), é a cabeça que governa o corpo; a Alma irascível (militares), que é responsável pelas emoções, a defesa da honra e que não consegue controlar a si mesma; e a Alma concupiscível (trabalhadores e comerciantes), que é responsável pelos desejos, pelos prazeres, e bens materiais e que também não consegue controlar a si mesma.

O indivíduo sábio, como o Estado ético, é aquele onde a Alma racional governa todo esse sistema. Uma pessoa ou Estado governado por suas emoções ou desejos é um indivíduo/sociedade desequilibrado, que inevitavelmente está fadado aos equívocos do mundo sensível, e portanto, longe do verdadeiro conhecimento: o conhecimento dos conceitos e essências.

Política

Platão, talvez influenciado pelo sistema espartano, defendia uma educação rígida onde as crianças deveriam pertencer ao Estado e não aos seus pais. Logo após os 7 anos de idade, todo menino e menina deveria ser entregue ao sistema educacional para que fosse educado(a) e assim no futuro ocupar a classe a qual terá aptidão e/ou direito. Em seu sistema de Estado perfeito, não havia diferença entre gêneros, assim sendo as mulheres deveriam ocupar em pé de igualdade todos os cargos e assumir todas as responsabilidades de um homem, algo impensável e até bizarro para os atenienses do século V e IV.

Para Platão a pirâmide do Estado ideal era composta por: trabalhadores e comerciantes, na base, classe preenchida por aqueles que descobriam essa aptidão no primeiro teste de sua vida educacional, aos 12 anos; pelos militares, no meio, classe preenchida pelos que se encaixassem na segunda prova de aptidão realizada aos 20 anos de idade; e pelos magistrados, no governo, pessoas anciãs que atingiam esse nível devido ao mérito de serem aprovadas no último teste aos 50 anos e se formarem sábias, conhecedoras das verdades da vida e por tanto, aptas a governar. Dessa forma, o Estado ideal de Platão era uma Sofocracia ou Aristocracia, um Estado justo governado pelos sábios e orientado pela Ética.

O fato mais notável na política de Platão é o seu ataque a democracia, pois para ele, um governo de "qualquer um" deixa o Estado susceptível aos equívocos do domínio dos militares (emoções) e/ou comerciantes (desejos), fazendo dessa sociedade uma organização injusta, governada pela tirania militar, ou pela barganha comercial. Um comerciante ou empresário jamais governaria e legislaria de forma neutra e idônea, sendo tentado a se corromper e a defender a sua própria classe e interesses pessoais. Um militar jamais governaria sem o uso da força e do estado de terror e intimidação. Por esse motivo ele acreditava que a democracia é um sistema destinado a ser corrupto, se colapsar e por fim se tornar uma tirania, pois apenas um "super homem", assim reconhecido pela sociedade ignorante, possuiria “super poderes” para colocar ordem ao caos, que seria o destino óbvio de um Estado injusto e em desequilíbrio.

Influências

A influência do pensamento de Platão foi e ainda é esmagadora na sociedade ocidental pós-moderna, herdeira direta do pensamento clássico. Tornou-se senso comum chamar tudo que é perfeito de "platônico". O amor platônico, por exemplo, seria o amor romântico, fogo fátuo do prazer dos amantes. Um equívoco bizarro, já que o amor para Platão era justamente o contrário, pois para ele o homem/mulher perfeitos eram orientados ao desapego, ou pelo menos ao controle total dos impulsos do desejo. O verdadeiro amor platônico é o amor ao conhecimento, a essência, a pureza do conceito no mundo inteligível e não tem nada a ver com reprodução da espécie ou prazer hedônico da carne.

Há também o exemplo do cristianismo, religião usurpadora por excelência que já havia se apoderado e se inspirado nos preceitos egípcios e zooratristas mas que viu no pensamento platônico uma oportunidade ideal de unir os "desejos" de um mundo justo, no céu, para aqueles que eram marginalizados e excluídos pelas outras religiões, como bandidos, doentes, mendigos, mulheres etc. Santo Agostinho durante a idade média dedicou a sua vida a ligar o cristianismo ao pensamento socrático e platônico com a finalidade de dar uma base, um vigor intelectual a fé cristã. Lembro-me, com horror, em uma aula sobre Teorias da Educação, quando o professor que discorria sobre Platão foi interrompido por um aluno e colega que questionou se Platão fora influenciado pelo cristianismo, pois segundo esse colega, a religião era atemporal e ancestral estando além das influências culturais e do desenvolvimento da história humana. Para mim foi um desses momentos em que sentimos vergonha pelo outro. Infelizmente o nível de esclarecimento da maior parte da população brasileira é muito baixo, e onde há vazio de conhecimento, há espaço para as mais exóticas ideologias.

Filosofia - Filosofia Clássica
1/20/2021 12:15:45 PM | Por A. S. Franchini
Os céus e os submundos astecas

Além da geografia horizontal, os astecas também possuíam uma vertical: um universo escalonado, composto por 22 níveis, divididos em 13 céus e 9 inframundos. A Terra, chamada de Tlalticpac ("Sobre a Terra"), era considerada o primeiro piso - ou a "capa" do inframundo. Diz a lenda que Tlalticpac, o mundo terrano, se originou de parte do monstro Cipactli, um crocodilo gigante que foi esquartejado pelos deuses. Parte dele se converteu na Terra e parte no céu, que foi erguido por quatro deuses ou gigantes e sustentado por pilares, a fim de não tornar a se juntar à Terra. Cipactli foi homenageado no calendário mágico (tonalpohualli) como o primeiro dos vinte signos do "zodíaco" asteca.

Mas que forma passou a possuir a Terra após essa gênese violenta?

Jean Marcilly diz que, para os astecas, a Terra é um disco chato, cruzado pelos pontos cardeais, sendo o ponto de confluência de duas pirâmides, cujos vértices principais se tocam. A pirâmide de cima são os céus; a de baixo, os inframundos. A de cima recebe as horas do dia; a de baixo, as horas da noite.
Ao redor do Tlalticpac (Terra) está um rio chamado Chicunauhapín ("A Corrente dos Nove").

A Região celeste

Do topo para baixo, são estes os céus astecas, em grau de importância:

13° céu: Omeyocín. ("Região da Dualidade"). Morada do deus supremo Ometeotl, "O Senhor da Dualidade", que se compõe de duas divindades: Ometecuhtli (masculino) e Omecihuatl (feminina). Ambos são os criadores de todos os demais deuses e de tudo quanto há no universo;

12° céu: Teteocín ("Morada dos Deuses"). A região onde os deuses vivem e assumem as mais diversas aparências;

11° céu: Yayauhtlín ("Região Vermelha"). Região do Sol no crepúsculo;

10° Céu: Cozauhquitlín ("Região do Amarelo"). Região da divindade amarela (teotlcozauhca);

9° Céu: Iztlín ("Região Branca"). Região da divindade branca (teotliztaca);

8° Céu: Iztlacoliuhqui ("Região Onde se Chocam as Lâminas de Obsidiana"). Essa região celeste é assim chamada porque nela se dão as tempestades. Tezcatlipoca comparece ali, junto com Tlaloc, disfarçado de deus do frio (Iztlacoliuhqui);

7° céu: Ilhuicatl Xoxouhqui ("Aquele que Mostra seu Rosto Durante o Dia"). É o céu do deus nacional asteca Huitzilopochtli, cujas cores são o azul e o verde;

6° Céu: Yayauhco ("Região Celeste Verde e Negra"). O céu dominado por Tezcatlipoca (verde e negro são as suas cores características). É a região onde nasce a noite;

5° Céu: Ilhuicatl Mamoloaco ("Lugar Onde as Estrelas Fumegam"). É a região celeste por onde transitam os cometas e as estrelas errantes. Quando os cometas possuem "cauda" se chamam Citlalmim; quando possuem "cabeleira"se chamam Xihuitli;

4° Céu: Ilhuictlal Huitztlín ("Onde se Move Vênus"). Ali habita a maior das estrelas, conhecida entre nós como Vênus e chamada pelos astecas de Hey Citlalin ("A Estrela Maior e mais Brilhante"). Está associada ao deus Quetzalcoatl como estrela da manhã e da tarde. A deusa do sal (ou das águas salgadas) Huixtocihuatl também vive ali, juntamente com as aves;

3° Céu: llhuicatl Tonatiuh ("Onde se Move o Sol"). Habitado por Tonatiuh, o Quinto Sol asteca;

2° Céu: llhuicatl Citlaco ("Onde se Movem as Estrelas"). Nesse céu, as estrelas estão divididas em dois grupos: as Estrelas do Norte (Centzon Mimixcoa) e as Estrelas do Sul (Centzon Huitzinahua). Além delas, temos também a Via Láctea (Citlaltonac) e a constelação da Ursa Maior e de Escorpião. Também ali vivem, segundo algumas versões, as tzitzimime, "mulheres de mau agouro" feitas só de ossos e encarregadas de devorar a humanidade no final dos tempos;

1° Céu: llhuicatl Meztli ("Onde se Move a Lua"). O mais próximo do Tlalticpac (Terra), é o céu, como o próprio nome diz, onde estão situadas a Lua (Meztli) e as nuvens. Entre as divindades habitantes desse primeiro céu estão, além de Meztli (ou Tlazolteotl, em sua "versão lunar"), Tlaloc, deus da chuva, e Ehecatl, deus do vento.

O inframundo asteca

Chamado genericamente de Mictlín, era uma espécie de "campo de provas" sobrenatural para o qual as pessoas iam após morrer (o destino estava vinculado ao tipo de morte sofrida, e não à conduta: todos quantos sofressem uma morte considerada natural deviam percorrer as regiões do Mictlín). Com uma pedra de jade enfiada entre os dentes, que funcionava como uma espécie de "coração de troca", o morto estava pronto para enfrentar uma longa viagem de quatro anos que o levaria até o nível mais profundo do inframundo, onde encontraria o repouso e a desaparição final.

A região subterrânea

Da Terra em direção às profundezas, são estes os nove níveis do inframundo asteca:

Apanohuaia ("Onde Passa o Rio"): situado na superfície da Terra, era o local onde corria o rio Chicunauhapín ("A Corrente dos Nove"), espécie de Aqueronte asteca que os mortos deviam atravessar com a ajuda de um cão (o local também era chamado de Itzcuintlín, "Lugar do Cão"). Normalmente, sacrificava-se o cão que pertencera ao morto para servir de guia ao seu dono. Tinha de ser cinza ou vermelho, pois o branco se recusaria a entrar nas águas pútridas do rio, a fim de não se sujar, e o preto para não desbotar (ou porque, misturado à treva, se tornaria invisível);

Tepectli Monanamictlín ("Lugar Onde as Montanhas se Chocam"): consistia de duas montanhas flutuantes que estão sempre se chocando (aqui não há como deixar de evocar os Rochedos Flutuantes da Odisseia). Esses rochedos, na verdade, seriam uma espécie de portas ou batentes os quais era preciso atravessar para se ingressar no Micilín propriamente dito;

Iztepetl ("Montanha das Navalhas"): era uma montanha incrustada de navalhas de obsidiana que o morto devia escalar em direção às profundezas (a contradição é apenas aparente: o Mictlán é um mundo invertido, sendo preciso subir, portanto, para se chegar ao subterrâneo.);

Itzehecayín ("Lugar do Vento de Obsidiana"): aqui a sovada metáfora do "vento cortante como uma navalha" se torna a mais pura realidade: ao chegar ao topo do monte Iztepetl o morto se depara com um vento glacial, feito de lâminas geladas de obsidiana. Desviar-se delas é tarefa que o ocupará suficientemente até conseguir ingressar no inframundo seguinte;

Paniecatlacayín ("Lugar Onde os Corpos Flutuam como as Bandeiras"): ali, como o próprio nome diz, os corpos dos mortos flutuam pelos ares, carregados pelo vento. Quando estão próximos de abandonar o local, um novo pé de vento os atira de volta ao redemoinho. (Alguns dizem tratar-se de um lugar "embandeirado", interpretando ao pé da letra o nome do lugar.);

Temiminaloyín ("Lugar do Flechamento"): lugar onde todas as flechas perdidas nas batalhas terrenas são reutilizadas contra os mortos por um arqueiro misterioso. Escapar à obstinação do flechador sobrenatural é a tarefa do morto;

Teocoyolcualoya ("Onde as Feras Devoram os Corações"): nesse local há uma fera - um jaguar, um coiote, ou mesmo um crocodilo, dependendo do exegeta - que se dedica a comer o coração do morto que ali ingressa. Segundo a crença, seria esta a razão de o morto levar entre os dentes uma pedra de jade, que ofertaria à fera no lugar do coração;

Yzmictlín Apochcaloca ("Onde se Perde a Visão no Caminho da Névoa"): também chamado de Apanhuiayo ("Laguna das Águas Negras"), é o local onde o morto, despido de toda a matéria, mergulha numa laguna de nove correntes, ingressando num sono profundo. A essa altura, exausto e reduzido a quase nada, já não teme nem deseja mais coisa alguma;

Chicnauhmictlín ("O Nono Lugar do Inframundo"): assim como há no topo dos treze céus um casal celestial, também aqui, no último nível do inframundo, há um casal ínfero: Mictlantecuhtli e sua esposa Mictlancihuatl. Espécie de contrafação macabra do casal celestial, eles são os anfitriões da última morada. Aranhas sobem e descem pelos seus corpos descarnados, enquanto morcegos se aninham nos seus cabelos brancos e ressecados. Diante da perspectiva de vir a tornar-se hóspede perpétuo deste casal abominável, o morto reencontra finalmente a paz de espírito, aceitando com gratidão a ideia de sua extinção definitiva nas trevas do Mictlín.

Mitologia - Mitologia Asteca
1/18/2021 7:56:53 PM | Por Ana Elizabeth Cavalcanti
Esquizofrenia, afinal o que é isso

A origem do interesse e da populariza­ção se deve ao grande número de portadores de patologias que procuram estar informados sobre possíveis causas e tratamentos. O proble­ma é que muitas vezes as informações obtidas (grande parte em sites da Internet) nem sempre se baseiam em conceitos acadêmicos, criando assim noções errôneas sobre essas doenças.A esquizofrenia é um exemplo. Muitas vezes, o termo é empregado para definir com­ portamentos estranhos e esquisitos das pessoas. Pode-se considerar que as “inverdades” sobre a esquizofrenia, assim como as de outras síndro- mes, são em grande parte propagadas na mídia por meio de conceitos contidos em romances, histórias e filmes, que não contêm embasamento científico. Assim, pessoas portadoras de diversas síndromes são rotuladas como esquizofrênicas sem uma relação coerente com a verdade. Esse fato é abordado por Lilifeld, Lynn, Ruscio e Beyerstein, em Os 50 maiores mitos populares da Psicologia (Editora Gente). Na obra, eles enumeram uma série de conceitos equivoca­ dos e mitos sobre diversas síndromes, divulgados principalmente em páginas da Web. Alguns, de forma totalmente equivocada, afirmam que a esquizofrenia é o mesmo que “dupla personali­dade’' ou “transtorno de personalidade múltipla”.

Segundo os autores, a esquizofrenia é, provavelmente, o termo psicológico mais mal empregado de todos os tempos. De acordo com a obra a confusão entre esquizofrenia e perso­nalidade múltipla é disseminada. Como exemplo eles citam um estudo realizado em 1977. por E.D Vaughn que constatou que 77% de alunos ma­triculados em cursos de introdução à psicologia endossaram a afirmação de que o esquizofrênico ê um indivíduo com uma personalidade dividida.

Acredita-se que a confusão entre os concei­tos sobre esquizofrenia e Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) tem origem em parte na contusão gerada pela terminologia. Lilifeld, Lynn, Ruscio e Beyerstein esclarecem que o psi­quiatra suíço Eugen Bleuler criou em 1911 o ter­mo esquizofrenia, que significa “mente dividida”.

Assim, tanto os leigos como alguns psicólogos, interpretaram mal a definição do estudioso. “Por esquizofrenia, Bleuler entendia que as pessoas por essa séria condição sofriam uma 'divisão’ em suas funções psicológicas, especialmente com re­lação às suas emoções e ao seu pensamento. Para a maioria das pessoas, o que sentimos em um momento corresponde ao que sentiremos no momento seguinte, assim como o que pensamos em um determinado instante corresponderá àquilo que pensaremos em seguida. Ou seja, se nos sen­timos tristes em um dado momento, frequente­ mente nos sentiremos tristes na sequência. Além disso, o que sentimos em um momento, em geral, corresponde ao que estamos pensando na­quele instante; em contrapartida, se temos pen­ samentos tristes, tendemos a nos sentir tristes".

Os estudiosos esclarecem que no caso da esquizofienia essas ligações sofrem frequen­ tes rupturas. Assim, as pessoas com esqui­ zofrenia possuem uma única personalidade que sofreu uma tragmentação ou cisão.

Em muitos casos, a doença pode es­ tar ligada a situações de risco como sui­ cídio. abuso de drogas ou álcool, etc.

O que é

A palavra esquizofrenia tem origem grega - schizein, equizo= dividir, cisão; phren, rema=mente - e significa “cisão da mente”. Segundo o dicionário Aulete Digital, o termo engloba várias e graves afecções mentais crôni­cas, de etiologia desconhecida, caracterizadas por uma dissociação entre o pensamento e a ação, e que provocam a perda do contato com a realidade e a desagregação da personalidade.

O psiquiatra suíço, Paul Eugen Bleu- er criou o termo em 1911 e definiu a es­ quizofrenia como uma doença psíquica caracterizada basicamente pela “cisão do pen­ samento, do afeto, da vontade e do senti­ mento subjetivo da personalidade”.

Trata-se de um transtorno mental que tem como característica a desintegração dos proces­sos de pensamento e a capacidade de resposta emocional. Ela tem como característica alterações na percepção ou expressão da realidade. Dessa forma, ela altera toda a estrutura vivencial do indivíduo que, muitas vezes, age como alguém que fica preso às suas fantasias e desconsidera a razão.

Pessoas com esquizofrenia podem ter distúrbios adicionais, incluindo transtorno de ansiedade e depressão. Alguns proble­mas sociais como o desemprego de longa duração, dificuldades financeiras e a falta de moradia, são comuns nesses pacientes.

Sintomas

Os sintomas da esquizofrenia geralmen­ te são divididos em positivos e negativos. Os sintomas positivos, segundo GJ Ballone em PsiqWeb. são “as alucinações (mais frequente­mente, as auditivas e visuais e, menos frequentes as táteis, e olfativas), os delírios (persecutórios, de grandeza, de ciúmes, somáticos, místicos, tantásticos), perturbações da forma e do curso do pensamento (como incoerência, prolixidade, desagregação), comportamento desorganizado, bizarro, agitação psicomotora e mesmo negligên­cia dos cuidados pessoais. Os sintomas negativos são, geralmente, de déficits, ou seja, a pobreza do conteúdo do pensamento e da fala, embotamen­to ou rigidez afetiva, prejuízo do pragmatismo, incapacidade de sentir emoções, incapacidade de sentir prazer, isolamento social, diminui­ção de iniciativa e diminuição da vontade”.

O delírio é considerado um sintoma marcante na esquizofrenia e pode ser entendi­do como um falso juízo da realidade. A pessoa interpreta erroneamente suas percepções e experiências. Ela pode, por exemplo, se sentir perseguida, ameaçada, enganada, atormentada ou espionada. Em alguns casos, a falsa percep­ção da realidade pode criar situações constran­gedoras. O indivíduo, por exemplo, ao ver um grupo de pessoas conversando, pode imaginar que algo está sendo planejado contra ele.

Segundo Barone, as alucinações podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial; ou seja, auditivas, visuais, olfativas, gustati­vas e tateis. As alucinações auditivas são as mais comuns e geralmente são experimentadas como vozes conhecidas ou estranhas, que são percebidas como distintas dos pensamentos da própria pessoa. O conteúdo pode ser bas­ tante variável, embora as vozes pejorativas ou ameaçadoras sejam especialmente comuns.

Sintomas e Tratamento

De acordo com as doutoras Alice Si­ bile Koch e Daynae Diomário da Rosa, em Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos (www abcdasaude.com.br), para fazer o diagnóstico o medico realiza uma entrevista com o pacien­ te e sua família visando obter uma história de sua vida e de seus sintomas o mais detalhada­ mente possível. “Até o presente momento não existem marcadores biológicos próprios dessa oença nem exames complementares especí­ ficos, embora existam evidências de alterações da anatomia cerebral demonstráveis em exames de neuroimagem e de metabolismo cerebral sofisticados, como a tomografia computadorizada.

De maneira geral os sintomas iniciais  são semelhantes aos de outros transtornos como a perda de interesse, desleixo com o aspecto pessoal, estreitamento de interes­ ses, irritação, morosidade nas ações. 

Segundo Ballone, alguns sintomas, em­ bora nao sejam específicos da Esquizofrenia, são de grande valor para o diagnóstico, como: audição dos próprios pensamentos sob a forma de vozes, alucinações auditivas que comentam o comportamento do paciente, alucinações somáticas, sensação de ter os próprios pensa­ mentos controlados, irradiação destes pensa­ mentos, sensação de ter as ações controladas e influenciadas por alguma coisa do exterior.

Tratamento

Até bem pouco tempo, acreditava-se que a esquizofrenia era um doença crônica que não tinha cura. Na verdade, não existe uma cura total. Entretanto, tem sido evidente a reabilita­ção psicossocial de um número expressivo de pacientes. Atualmente, muitas pessoas portado­ras da doença podem ter uma vida normal. As que apresentam quadros mais graves, apesar de dependerem de medicamentos, conseguem uma grande melhora, podendo inclusive desempe­nhar algum tipo de trabalho e constituir família.

Segundo Koch e Rosa, “As medicações antipsicóticas ou neurolépticos são o tratamen­to de escolha para a esquizofrenia. Elas atuam diminuindo os sintomas (alucinações e delírios), procurando restabelecer o contato do paciente com a realidade; entretanto, não restabelecem completamente o paciente. As medicações an­tipsicóticas controlam as crises e ajudam a evitar uma evolução mais desfavorável da doença. Em geral, as drogas antipsicóticas apresentam efeitos colaterais que podem ser bem controlados”.

Elas também afirmam que, em situações de crise grave, em que não houve resposta às medicações, pode-se fazer úso da eletroconvulsoterapia (ECT). Esse método, antigamen­te, era conhecido como eletro-choque e tem demonstrado resultados positivos na melhora dos sintomas da esquizofrenia. Há ainda a possibi­lidade do uso de antipsicóticos mais modernos conhecidos como atípicos ou de última geração.

As abordagens psicossociais, como acompa­nhamento psicoterápico, terapia ocupacional e familiar também são recomendadas pelos dou­tores, pois diminuem as recaídas e promovem o ajustamento social dos portadores da doença”.

Psicologia - Psicopatologia
Aqueles que os deuses amam morrem jovens

Os gêmeos Agamedes e Trofônio construíram uma entrada de pedra para o templo de Delfos. Apolo estava satisfeito com o trabalho deles, e o seu oráculo disse aos irmãos que deviam viver a vida ao máximo na próxima semana. Depois, no sétimo dia, cumprir-se-ia o desejo dos seus corações. Na sexta noite nem conseguiam adormecer com a excitação, mas caíram por fim a dormir e de manhã foram encontrados mortos nas suas camas. O mesmo dom foi dado a Cléobis e a Bíton, filhos de Hera (Juno) sacerdotisa de Argos. Um dos rituais de Hera envolvia um carro puxado por touros brancos. Nasceu o dia do festival, mas os touros tinham desaparecido. Cléobis e Bíton puxaram o carro pelo longo e penoso caminho até ao templo. A sacerdotisa orou à deusa para que recompensasse estes jovens cumpridores com o melhor dos dons que os deuses pudessem dar aos homens. Na manhã seguinte estavam mortos.

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9/5/2020 11:20:25 AM | História Viva, n. 49
Galileu Galilei na Inquisição

Com Galileu, houve uma dissidência entre os cientistas. Meio a contragosto, é verdade. Porque, animado por uma fé profunda, Galileu nunca ousou negar a existência de Deus, ou menosprezar a autoridade da Igreja. Bem longe disso. Sua erudição e eloquência persuasiva conquistaram o respeito da cúria romana que, deve-se acrescentar, jamais fez segredo de seu interesse pelas descobertas científicas.

História - Itália
9/5/2020 10:13:56 AM | Leituras da História, n. 05
Prostitutas, de deusas à escória da sociedade

Por volta de 3.000 a.e.c., tribos nômades passaram a criar gado e tornaram-se conscientes do papel masculino na reprodução. As sociedades matriarcais da deusa começaram a ser subjugadas. As primeiras civilizações da era histórica desenvolveram-se na Mesopotâmia e no Egito, e nasceram desse levante.

História - Civilização Suméria
9/3/2020 8:00:21 PM | História Viva, n. 104
Em Sarajevo, atentados em série

Tudo começou em 1913, em Viena, quando o herdeiro do trono, o arquiduque Francisco Ferdinando, resolveu que, no ano seguinte, iria inspecionar as tropas da guarnição na Bósnia-Herzegovina. Sua mulher, Sofia, o acompanharia. Quebrando a etiqueta imperial, ela, uma esposa morganática, seria autorizada a aparecer a seu lado, até mesmo no dia 28 de junho, data que lembrava a Francisco Ferdinando a humilhação sofrida, em 1900, às vésperas de seu casamento, quando teve de renunciar ao trono por seus filhos.

História - Primeira Guerra Mundial
7/27/2020 8:09:30 PM | História Viva, n. 01
Napoleão, o senhor da guerra

Durante a revolução, Napoleão Bonaparte é um oficial como os outros. Ou quase. Por seu gênio militar, será reconhecido e condecorado no exterior, o grande triunfo para se impor perante os franceses.

História - França
Todas as matérias
Estilos de emoções positivas ligados ao resfriado comum

As emoções positivas podem aumentar a resistência ao resfriado comum, segundo um estudo recente publicado em Psychosomatic medicine (vol. 65, n° 1). A pesquisa do Dr. Sheldon Cohen, da Universidade Carnegie-Mellon, nos Estados Unidos, e seus colaborado­res contribui para um corpo de literatura que sugere que os estilos emocionais influenciam a saúde. Os pesquisadores entrevistaram 334 voluntários saudáveis por telefone, durante sete finais de tarde ao longo de três semanas, para avaliar seus estados emocionais. Os participantes descreveram como se sentiam durante o dia em três áreas de emoção positiva - vigor, bem-estar e calma - e três áreas da emoção negativa - depressão, ansiedade e hostilidade - classificando suas emoções em uma escala de 0 a 4.

Após essa avaliação inicial, os pesquisadores administraram uma dose de um rinovírus, o germe que causa resfriado, no nariz de cada participante. Depois disso, os participantes foram observados por cinco dias, para ver se ficavam doentes e de que formas se manifes­tavam os sintomas do resfriado. Os voluntários eram considerados com resfriado clínico se estivessem infectados e correspondessem aos critérios da enfermidade.

“As pessoas com baixo escore para estilo emocional positivo tiveram três vezes mais probabilidades de ficarem doentes do que aquelas com estilos emocionais elevados”, disse Cohen. A seguir, os pesquisadores avaliaram como o estilo emocional afetava o relato de todos os participantes enfermos sobre os sintomas de resfriado. Cada dia da quarentena, os pesquisadores lhes pediam que informassem a gravidade de sintomas como nariz escorren­do, tosse e dores de cabeça, em uma escala de quatro pontos.

Embora o estilo emocional negativo não tenha afetado o fato de as pessoas desenvolve­rem ou não resfriados, o estudo concluiu que as que têm estilo emocional negativo mais elevado relatavam mais sintomas do que o esperado a partir de indicadores objetivos de saúde, afirma Cohen. As que têm mais emoções positivas informam menos sintomas de doença do que o esperado.

O estilo emocional positivo também foi associado a melhores práticas de saúde e níveis mais baixos de epinefrina, norepineffina e cortisol, três hormônios relacionados ao estresse, mas os pesquisadores concluíram que isso não explicava a relação entre estilos emocionais positivos e a doença.

Considerando-se que o adulto médio pega entre dois e cinco resfriados por ano, e as crianças, em média, sete a dez, o desenvolvimento de perfis de risco psicológico e a reflexão sobre formas de aumentar as emoções positivas podem reduzir o risco de se resfriar, diz Cohen.
Cohen acrescenta que a futura pesquisa deveria se concentrar no papel biológico único que as emoções cumprem na saúde.
 

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1/23/2021 5:28:45 PM | Por Simon Roberts
Mitos de criação e conselhos práticos finlandeses

Para além de contar as muitas aventuras de Vãinãmõinen,  llmarinen e Lemminkainen, o Kalevala descreve em pormenor as origens de várias coisas como o ferro
e o fogo, entre outras. Estes «mitos das origens» são como que encantamentos que conferem poderes místicos a quem os recita. O Kalevala também fornece conselhos práticos para leitores e ouvintes. Um capítulo inteiro (Runa) do Kalev é dedicado a conselhos às noivas. Escutai, oh donzela, o que vos conto, O que digo e o que vos conto,
Não deveis ir sem a roupa,
Nem sem camisa para a diversão, Nem andar sem roupa interior, E sem os sapatos a arrastar os pés,
Pois em choque ficará o noivo,
e o jovem marido de nariz torcido.
TRADUÇÃO LIVRE DA VERSÃO INGLESA DE W.F.KIRBY (1907)

Xamanismo e cultos ancestrais

Os Finlandeses da antigüidade acreditavam em um mundo tripartido. Em cima estavam os céus, onde viviam
os deuses, enquanto os vivos habitavam uma ilha rodeada por um grande rio. Do outro lado do rio, encontrava-se o reino da morte, Tuonela.

A unidade familiar era considerada como incluindo os membros vivos e os que tinham atravessado o rio pai o reino da morte. Os mortos não se libertavam dos seus deveres individuais ou familiares; o falecido continuava a fazer parte das vidas dos descendentes sob várias formas. Por outro lado, aos vivos era exigida a observância rigor dos rituais antigos e a continuação do trabalho dos ante passados. Esta prática estava profundamente enraizada na noção de vida familiar nos antigos Finlandeses.

Se os ritos de passagem para o Tuonela não eram devidamente cumpridos, o morto poderia tornar-se nurr alma penada, a que chamavam sijattomat sielut, que assombrava a casa de futuras gerações da família,
em vez de se integrar na unidade familiar alargada.

O Reino dos Mortos

Na mitologia finlandesa, o reino
dos mortos não é considerado como
um lugar de punição. Embora seja mais escuro que os outros reinos, o Sol brilha
e as plantas crescem. É governado pelo
rei Tuoni e pela sua mulher, Tuonetar.
As duas filhas são visões terríveis e causam toda a espécie de doenças e mal-estares.

Os antigos Finlandeses acreditavam
que era possível viajar até Tuonela, se bem
que a tentativa fosse como que uma morte
horrorosa, que, se não ocorresse na floresta densa e escura, a caminho, então ocorreria quase seguramente às mãos
dos habitantes do reino dos mortos. Lemminkainen,
um jovem, viajou até às margens do rio negro que rodeia
o reino dos mortos, quando ia em perseguição de um cisne maravilhoso; entrou no rio e ficou aos pedaços. Foi um trabalhão para a mãe, que teve de usar todas as suas habilidades mágicas para voltar a tê-lo inteiro.

Vãinãmõinen foi o único que pôde visitar o reino dos mortos e voltar vivo para contar a história.

Tinha viajado para Tuonela em busca de um encantamento que o ajudasse
a acabar o seu barco de cobre. Foi-lhe oferecida uma infusão de sapos e vermes, por Tuonetar, que lhe disse que ele jamais seria autorizado a partir. Mas, nessa noite, transformou-se em uma espécie de serpente e fugiu.

Os Xamãs

Uma família podia contatar com os antepassados do reino dos mortos através de um xamã que os convocava batendo no seu tambor mágico. Um xamã podia também comer certas espécies de cogumelos para ficar em um estado de transe necessário à comunicação com o morto.

Os sucessivos vizinhos e ocupantes da Finlândia olhavam para os xamãs com suspeição e medo. Na Idade Média,
os reis da Noruega proibiram os seus súbditos de viajarem para a Finlândia, para contatarem os xamãs. Nos séculos
XVI e XVII as autoridades suecas tentaram retirar-lhes as suas capacidades confiscando-lhes os tambores (quodbas).

Animismo

Há que ter algum cuidado quando se usa o Kalevala como um meio para averiguar as crenças dos antigos Finlandeses. Embora os cantares sejam
de origem primitiva, foram colecionados no século XIX
e ostentam algumas influências externas.

As análises feitas ao Kalevala
a respeito do lugar dos deuses finlandeses
em relação aos xamãs têm causado grandes discussões. Um comentador diz: «Os mortos eram os guardiães
da moral, os juizes dos costumes e eram eles
que mantinham a ordem na sociedade. Neste aspecto, nem mesmo o deus de regiões superiores podia competir com eles.» The New Larousse Encyclopaedía of Mythology (Hamlyn: Londres, 1968) refere que «xamamismo...
só dificilmente é compatível com a idéia de deuses que na sua essência sejam superiores à humanidade, visto que o xamã é capaz de dominar tudo com as suas palavras mágicas.»

É hoje geralmente aceito que os deuses do Kalevala são demasiado nebulosos para terem constituído a base de uma «religião» e é talvez mais correto sugerir que as crenças dos antigos Finlandeses residia algures entre a adoração da natureza e as divindades que habitam os fenômenos naturais.

Um Mundo Vivo

Os antigos Finlandeses acreditavam que todos os objetos tinham uma «essência», ou alma, a que davam o nome de haltijat. Esta essência não era como a alma cristã,
que vive para lá da morte daquele que a abriga; a haltijat é inalienável da sua forma física e morre juntamente
com o objeto em que habita.

Os Finlandeses consideravam que mesmo
os objetos inanimados tinham uma espécie
de vida. Existiam os espíritos da casa e do quintal, da arrecadação, dos cereais e do curral. Desde que estes espíritos fossem tratados com
a reverência adequada e não fossem «mortos», olhariam pelas atividades das pessoas que viviam e trabalhavam nestas construções. Até mesmo quando tiravam água de um poço, deveriam sempre devolver-lhe umas gotas em uma deferência para com o espírito do poço.

Uma Ligação Entre Oponentes

Acreditava-se que as almas dos animais viveriam enquanto os ossos dos animais existissem. O Kaleva descreve uma intrigante «festa de ursos.» Após
o urso ter sido morto e comido, os seus ossos
eram colocados em um túmulo com vários objetos.
O urso morto era então tratado como um amigo
e pedia-se-lhe que contasse aos outros ursos
as honras que os humanos lhe tinham prestado.
E até mesmo já no século XVII foi descrito um ritual semelhante com algum desdém pelo bispo luterano Isak Rothovius: «Quando matavam um urso faziam  uma festa, bebiam através do crânio do urso
e imitavam os seus rugidos para assegurar caça suficiente no futuro».

Os deuses finlandeses

O mito da criação no Kalevala descreve como Luonnotar, uma virgem, se fartou da sua vida estéril e solitária nos céus e se permitiu cair
do plano celestial para o vazio. Ficou aí a pairar durante sete séculos até um anjo aparecer, construir um ninho nos joelhos e incubar os seus
ovos. Finalmente, estes caíram dos joelhos
E Luonnotar - a gema transformou-se no Sol,
As claras em Lua e os fragmentos das cascas em estrelas.

Os heróis de Kalevala, incluindo o filho de Luonnotar, váinãmõinen, foram encarregados de cultivar as terras selvagens que ela criou.

A mitologia da Finlândia não estabelece uma hierarquia pormenorizada dos deuses, embora algumas invocações refiram Ukko como o chefe do panteão. Ele é por vezes descrito como «o deus do céu e do ar» e outras vezes, mais estritamente, como o deus do raio. De fato, deu o seu nome à palavra finlandesa para raio, ukkonen. Parece ser também responsável por todos os fenômenos naturais que emanam dos céus: nuvens, chuva, neve, granizo. A mulher dele era a divindade Rauni.

Os deuses que se conhecem são: Paiva (o Sol), Kun a Lua) e Uma (a divindade do ar cuja filha Luonnotar, referida no mito da criação). Entre as divindades menores havia: Pellervoinen (os campos), Atho (água), vtannu (Terra) e Metsola (floresta).

Mas as divindades finlandesas são numerosas. Mesmo divindades vulgares como tingir e tecer estão imbuídas
de divindades próprias (Sinettaret e Kankahattaret).


Assunções precipitadas

Quando Tácito descreve os Finlandeses como «incrivelmente bárbaros e miseravelmente pobres» ignorava que a riqueza deste povo estava na sua mitologia. O Kalevala, com a sua narrativa poética e viva dos feitos heróicos de Vãinãmõinen, ganha na comparação com os melhores contos míticos dos povos vizinhos.

O Kalevala foi escrito para ser recitado em vez de lido em silêncio. Felizmente para os amantes
dos contos antigos finlandeses, partes dele ainda hoje são cantadas por grupos de música popular.

Mitologia - Mitologia Finlandesa
1/23/2021 5:23:44 PM | Por Alice Mills
Mitos de flores e plantas

Existem muitos mitos gregos sobre a origem de várias árvores, flores e outras plantas. A maior parte deles envolve metamorfoses de seres humanos que passam a ter uma forma vegetal; ocasionalmente, uma ninfa, como Dafne, também é transformada numa planta. Estas metamorfoses são irreversíveis. É muito raro na mitologia grega a transformação numa planta funcionar como uma recompensa, como acontece na estória de Báucis e Filémon. É muito mais freqüente a criação de uma nova planta ser ocasião para uma celebração amarga e doce. Na mitologia grega, nem mesmo os deuses conseguem repor a vida de um mortal quando a perde, mas, por vezes, como última escolha, homenageiam para sempre os amigos e os amantes queridos na forma de alguma nova planta.

Por vezes, a transformação de pessoas em plantas ocorre como uma punição, até mesmo um castigo auto-imposto, como no caso de Narciso, em que o insensato ser humano desperdiçou a sua preciosa vida, que não lhe podia ser dada novamente. A flor narciso, que nasce de novo todos os anos, troça da sua leviandade, ao mesmo tempo que homenageia a sua beleza.

Eco e Narciso

Narciso era filho da náiade Liríope e de um deus rio, Cefiso, o deus do mesmo rio em que Deucalião e Pirra se purificaram antes de se tornarem pais de uma nova raça humana, após o dilúvio. Aquando do nascimento de Narciso, o adivinho Tirésias profetizou que ele viveria por muito tempo, desde que nunca se visse a si mesmo.

Ninguém sabia o que esta profecia significava, mas tornou-se claro demasiado tarde, quando ele estava entre a adolescência e a idade adulta.

Narciso era o mais belo dos jovens pelo que despertava muitos desejos sexuais, ao que ele não ligava qualquer importância. Mantinha-se afastado, preferindo caçar animais selvagens do que desfrutar da companhia dos humanos ou das ninfas. Um dia, a ninfa Eco encontrou-o e apaixonou-se por ele de imediato e profundamente. Ela era uma ninfa e tinha sido amaldiçoada com o costume de não dizer nada de novo e apenas repetir a última parte do que outra pessoa dissesse ao seu ouvido. Esta maldição tinha-lhe sido lançada por Hera (Juno), rainha dos deuses, porque a tagarela Eco a tinha distraído demasiadas vezes, impedindo-a de se aperceber do indomável marido a divertir-se com outras ninfas. «Podes continuar uma tagarela», disse Hera, «mas nada do que disseres será da tua autoria.»

Eco esforçou-se por dizer a Narciso o quanto o amava, mas tinha de ficar em silêncio até ecoar o que alguém dissesse e esperando que essa pessoa desse voz ao desejo dela. Narciso ouviu um sussurro entre as árvores e perguntou: «Está alguém nos arbustos?» 

Eco respondeu:

«Nos arbustos.» 

E Narciso exigiu: 

«Sai e deixa-me ver-te!»

E ela respondeu: «Deixa-me ver-te!»

A seguir ela saiu detrás dos arbustos e avançou para ele abraçando-o.

Por momentos, Narciso ficou demasiado surpreendido e não fez nada, mas, logo a seguir, empurrou-a dizendo:

«Tira as tuas mãos de cima de mim! Metes-me nojo! Nunca mais ouses tocar-me assim!»

E tudo o que a pobre Eco conseguiu dizer foi: «Tocar-me assim!»

Eco definhou por amor a Narciso. Deixou de comer, afastou-se das outras ninfas e, finalmente, o seu corpo desapareceu. Tudo o que restou dela foi a voz, que continua a repetir a última coisa que alguém diz. Narciso não se abalou nada com o desgosto de Eco, nem com o de centenas de outras cujo amor rejeitou. Um dia, alguém que suspirava por Narciso apanhou uma fúria e pediu aos deuses que o enfadado rapaz se apaixonasse por quem o tratasse tão mal como ele tratava as outras.

Houve um dia em que ele foi caçar, como de costume, e começou a sentir sede, pois a tarde estava quente. Encontrou uma lagoa, ajoelhou-se para beber mas viu a sua imagem nas águas paradas e ficou de imediato apaixonado. Tentou convencer-se de que a imagem que vira na lagoa era a de outra pessoa, alguém que para troçar dele imitava os seus movimentos. Narciso estendeu uma mão para tocar o amado rapaz que estava na água, e o rapaz estendeu a mão em resposta, mas em vez de dedos quentes, o que ele sentiu foi apenas a água. Tentou beijar o seu amado, mas por mais que mergulhasse o rosto na água, aos seus lábios só chegava água. Narciso deixou de comer, deixou de dormir e não podia afastar-se da lagoa. Ele sabia que estava apaixonado pelo seu próprio reflexo, mas o seu coração ignorava tudo o que ele lhe dizia. Ele desejou separar-se dele próprio, para poder amar-se a si mesmo como desejava tão ardentemente. Narciso começou a definhar como tinha acontecido a Eco, até estar prestes a morrer.

Então Eco voltou à lagoa, para ouvir o seu amado Narciso pela última vez. «Sou tão infeliz», gemeu ele, e Eco respondeu: «Sou tão infeliz.»

Narciso lamentou-se: «O meu amor é fútil.»

E Eco retorquiu: «O meu amor é fútil.» Ele já não tinha forças para falar e não tardou a morrer.

As ninfas choravam sobre aquele corpo desperdiçado e preparavam-no para os ritos fúnebres, mas quando terminaram, o corpo tinha desaparecido. Tinha-se transformado numa flor branca e amarela, com pétalas em forma de trompeta, que floresce no início da primavera. Foi assim que nasceu o primeiro Narciso.

Apolo e Jacinto

Os homens e mulheres mortais que os deuses desejaram, normalmente morreram jovens, algumas vezes por terem rejeitado as investidas dos deuses e outras vezes porque algum outro deus ciumento decidiu puni-los. Jacinto morreu porque dois deuses se apaixonaram por ele ao mesmo tempo.

Ele era filho do rei Amiclas e da rainha Diomede e tornou-se famoso em toda a Lacônia pela sua beleza. Apolo apaixonou-se por ele e o mesmo aconteceu com Zéfiro, o rei do vento de oeste. Num dia quente de verão, Jacinto e Apolo estavam a jogar à malha, quando Zéfiro se meteu no jogo. Soprou tão violentamente a malha que Apolo tinha lançado, que esta foi bater com toda a força na cabeça de Jacinto tendo-lhe provocado a morte imediata. Apolo chorou sobre o corpo do belo rapaz, e transformou o sangue dele que caiu no solo numa flor, o jacinto. Nas suas pétalas podem ver-se as letras «AI», que também em grego são um lamento. Quando Jacinto morreu, o deus não pôde trazê-lo de volta à vida como ser humano, mas a planta jacinto morre em cada verão quente, como se fosse morta pelo Sol, e renasce na primavera do ano seguinte.

Apolo e Clítia

Afrodite (Vênus) decidiu que Apolo andava a imiscuir-se demais nos assuntos dela. Tinha sido ele que tinha contado ao marido Hefesto (Vulcano) do amor dela por Ares (Marte) e, como punição, ela pediu ao filho Eros (Cupido) para atirar uma flecha de amor sobre o deus Sol. Após ser atingido pela seta de Eros, Apolo apaixonou-se de imediato por Leucótoe, princesa da Pérsia e disfarçou-se da mãe dela. Ordenou então aos servos que saíssem do quarto e revelou-se a Leucótoe como um deus. Que mais podia ela fazer para além de se submeter e chorar?

A irmã de Leucótoe, Clítia, desejava Apolo também apaixonadamente, mas o deus Sol só se interessava pela sua amada Leucótoe. Naquela noite, quando ela se convenceu de que Apolo não queria saber dela, Clítia correu para junto do pai, o rei Oceano, e dominada pelos ciúmes contou-lhe que a irmã tinha um amante secreto. O rei sentenciou que Leucótoe fosse queimada viva imediatamente sob um monte de areia. Na manhã seguinte, Apolo olhou lá de cima do seu carro e viu o que tinha acontecido. Espalhou a areia, mas era tarde demais. Leucótoe estava esmagada e morta. A única coisa que o deus pôde fazer foi transformar o seu corpo sem vida numa nova planta, o incenso, cuja seiva aromática era queimada nos templos de Apolo.

Clítia sonhava que Apolo se pudesse apaixonar por ela agora que a irmã rival estava morta, mas ele odiava-a pelo que tinha feito. Clitia não podia comer nem beber, nem dormir e a única coisa que podia fazer era chorar toda a noite e ficar sentada ao Sol durante todo o dia, virando a cabeça para ver Apolo no seu carro. Após nove dias, as pernas transformaram-se em raízes e o fino corpo metamorfoseou-se num caule alto e fino, enquanto a cabeça se tornou numa flor dourada. Tinha-se tornado no primeiro girassol, uma planta cujas flores seguem os passos do Sol.

Báucis e Filémon

Freqüentemente, os deuses gostavam de se disfarçar de seres humanos, para investigar crimes, dar conselhos aos heróis e testar a devoção do povo. Um dia, Zeus (Júpiter) e o filho Hermes (Mercúrio) desceram à Terra, em Frígia, disfarçados de pessoas comuns e começaram a procurar um lugar para passarem a noite. Era dever de todos os Gregos serem hospitaleiros para os estranhos, mas os dois deuses tiveram de tentar muitas casas antes de encontrarem uma que os deixasse entrar. Era a mais pobre de todas, feita de lama, colmo e canas, e estava prestes a desmoronar-se no lamaceiro em que se erguia. Um casal idoso abriu imediatamente a porta da casa convidando os deuses a entrarem, enquanto pediam desculpa pela pobreza em que viviam. A mulher idosa, Báucis, pegou num bocado de presunto que há muito se encontrava pendurado no teto e cortou uma boa dose para fazer um guisado. O marido, Filémon, foi buscar todas as achas que tinha para fazer uma fogueira, depois foi à horta e apanhou os legumes e a fruta que encontrou, para os juntar ao guisado. Em seguida o casal deu água aos deuses para se lavarem e puseram as roupas de festa já muito remendadas no único colchão que tinham, esperando que os hóspedes inesperados se sentissem bem-vindos.

A mesa oscilava por todo o lado, o colchão estava gasto e as roupas de festa eram usadas, mas Báucis limpara a mesa com hortelã e colocara sobre ela toda a comida que tinha em casa: ovos, fruta, queijo, legumes frescos e depois o guisado de presunto e vegetais. Serviu vinho e água, e quando todos tinham comido, ofereceu aos hóspedes frutos secos e bagas, tâmaras e maçãs, e mel acabado de tirar da colmeia. Ela receava que, no fim da refeição, os convidados ainda tivessem fome e sede, mas não havia mais nada em casa que pudesse oferecer. Então ela reparou que o jarro do vinho continuava cheio, embora Filémon tivesse enchido as taças dos convidados várias vezes. Ela e o marido ajoelharam-se lado a lado, orando para que os visitantes divinos tivessem aceite a humilde refeição.

Filémon teve de repente uma idéia. Podia matar o ganso que guardava a cabana e que os avisava da chegada de visitantes com o seu grasnar incessante, e cozinhá-lo em honra destes convidados extraordinários. Filémon saiu para ir apanhar o ganso, mas a sua avançada idade tornava-o lento e o ganso correu rapidamente para dentro da casa e refugiou-se no regaço do grande Zeus. «Não mates o teu guarda fiel», disse o deus, «e não fiquem aqui mais tempo. Tencionamos vingar-nos de toda essa gente que nos virou as costas e violou assim a lei da hospitalidade a estranhos, mas vocês merecem viver. Subam a montanha connosco e não olhem para trás até chegarem ao cimo.» Báucis e Filémon levaram muito tempo a subir a montanha, e quando finalmente chegaram ao cimo olharam para trás e viram que todos os campos estavam inundados e apenas a casa deles continuava de pé, mas tinha deixado de ser uma cabana.

Em vez de lama e colmo, era agora um templo em mármore com um telhado de ouro. Zeus ofereceu a Báucis e Filémon tudo o que quisessem. «Deixem que vos sirvamos», responderam eles, «como sacerdote e sacerdotisa do vosso templo.

E depois, quando for altura de morrermos, fazei com que morramos no mesmo instante, para que nenhum de nós sofra a perda do outro.» Zeus teve muito gosto em satisfazer ambos os desejos.

Durante anos depois do ocorrido, o velho casal continuava a viver como sacerdote e sacerdotisa de Zeus, até que um dia pararam em frente do templo de mármore e constataram que não podiam continuar a andar.

As quatro pernas de ambos transformaram-se em raízes que se prenderam com firmeza ao solo e os corpos começaram a ganhar folhas. Zeus tinha satisfeito o desejo especial de ambos viverem a vida humana juntos e continuaram a viver como árvores entrelaçadas em frente do templo.

 
Mitologia - Mitologia Grega
1/23/2021 11:45:18 AM | Por Jacques le Goff
O Papa e o Imperador: Confusão política na Idade Média

No plano politico da evolução histórica, os fenômenos aparecem muitas vezes complexos, perdidos nas particularidades dos homens, dos acontecimentos, e dos textos dos historiadores facilmente seduzidos por tais aparências e aparições superficiais. A historia política do Ocidente medieval é especialmente complicada porque reflete o extremo desmembramento em virtude da fragmentação da economia e da sociedade, e do monopólio dos poderes públicos pelos chefes de grupos mais ou menos isolados. Mas a realidade do Ocidente medieval não está somente nesta atomização da sociedade e do governo, está também na confusão horizontal e vertical dos poderes. Entre os múltiplos senhores, a Igreja e as igrejas, as cidades, os príncipes e os reis, os homens da Idade Media nem sempre sabem de quem dependem politicamente. No próprio âmbito da administração: e da justiça, os conflitos de jurisdição que se repetem continuamente exprimem esta complexidade.

Como conhecemos o desfecho da história, podemos neste domínio tomar como fio condutor a evolução dos Estados.

Pouco após o ano mil, dois personagens parecem guiar a Cristandade: o papa e o imperador. O conflito entre eles ocupara o primeiro plano ao longo de todo o período: Teatro de ilusões, por trás do qual se passarão as coisas mais importantes.

Após a morte de Silvestre II (1003), o papado não faz boa figura. Caiu nas mãos dos senhores do Lácio, e depois de 1146; nas mãos dos imperadores germânicos. Mas recuperou-se em seguida. Melhor ainda, libertou, também toda a Igreja do poder senhorial laico. É ao nome de Gregório VII (1073-1085) que se liga a Reforma Gregoriana, que constitui apenas o aspecto mais exterior do grande movimento da Igreja rumo às suas raízes. Tratava-se de restaurar a autonomia e o poder da classe dos sacerdotes em face da classe dos guerreiros. A Igreja teve que se renovar e dar contornos a si própria, de onde a luta contra a simonia e a lenta instauração, do celibato clerical. De onde a tentativa de independência do papado ao reservar a eleição do pontífice aos cardeais (decreto de Nicolau Item 1059). De onde, sobretudo, os esforços para subtrair o clero do domínio da aristocracia laica, para retirar do imperador e, por isso, dos senhores; a nomeação e investidura dos bispos; e para, ao mesmo tempo, submeter o poder temporal ao poder espiritual baixando o gládio temporal diante do gladio espiritual ou mesmo entregando os dois gládios ao papa. Gregório VII pareceu ter vencido por ocasião da humilhação do Imperador Henrique IV em Canossa (1077). Mas o penitente imperial teve em seguida sua revanche. Urbano 11, mais prudente, aprofundou a obra e recorreu ao expediente da Cruzada com o fim de atrair para si a autoridade sobre, a cristandade. Em 1122 chegou-se a um compromisso em Worms: o imperador reservou ao papa a investidura pelo: báculo e pelo anel prometeu respeitar a liberdade das eleições e consagrações, mas conservou a investidura "pelo cetro" do, poder temporal dos bispados.

A luta reacendeu sob outras formas com Frederico I  Barba-Ruiva (1152-1190) e atingiu o clímax na primeira metade do século 13 com Frederico II. Ao final, o papado pareceu definitivamente vitorioso. Frederico II morreu em 1250 deixando o imperador exposto a anarquia do Grande Interregno (1250-1273). Mas ao combater um ídolo de pés de barro, um poder anacrônico como o do imperador, o papa negligenciou chegando por vezes a favorecer a emergência de um novo tipo de poder, o dos reis.

O conflito entre o mais poderoso deles Filipe o Belo, rei da França, e o papa Bonifácio VIII, terminou com a humilhação do pontífice, esbofeteado - em Agnani (1303) e exilado, e com o "cativeiro" do papado em Avinhão (1305-1376). Na primeira metade do século 14, o confronto entre o papa Joao XXII e o imperador Luís da Baviera será apenas uma sobrevivência que permitirá aos partidários de Luís; sobretudo a Marsílio de Pádua, em seu Defensor Pacis (1324), definir um novo modelo de cristandade na qual os poderes espiritual e temporal estavam nitidamente separados. Com ele a laicização desembocou na ideologia politica: Dante, o último grande partidário da confusão dos poderes, o ultimo grande homem da Idade Media - a qual resumiu em sua obra genial -, morreu em 1321, com o olhar voltado para o passado.

História - França
1/20/2021 1:58:44 PM | Por Odsson Ferreira
Entendendo Platão, um suprassumo em 5 minutos

Platão, o mais "nobre" dos discípulos de Sócrates, foi o seu mais fiel defensor e o que mais fez referências a ele, a tal ponto que os estudiosos chegam a ter certa dificuldade em separar as suas ideias e conceitos das de Sócrates, que nunca escreveu nada. Platão tornou-se assim, a voz socrática que ecoa ao longo dos milênios. Platão nasceu em berço de ouro no V século antes da era comum mais precisamente em 428, e morreu em 347. Sua educação, como a de qualquer cidadão de família aristocrática, foi voltada ao governo e a guerra, educado nas letras clássicas e nos esportes, fato comprovado pelo seu epiteto "Platão" que significa “costas largas”. Platão era o filósofo atleta. Não há relatos sobre sua vida amorosa, diferentemente de Aristóteles que era conhecido por seu amor ao sexo feminino.

Platão fora fortemente abalado e influenciado pelo julgamento, condenação e execução de Sócrates, fato que considerava até certo ponto como sua própria culpa.

Como já foi dito, a obra de Platão foi fortemente orientada pelos "sermões" de Sócrates, mas também o fora pelos trabalhos de Parmênides e Heráclito. Era muito preocupado com a corrupção do sistema democrático ateniense e em certa altura, abandonou a política e a cidade se tornando consultor de reis e monarcas pela Hélade. Afirmava categoricamente que era necessário refazer o Estado, assentando sua base na Justiça e na Ética, pois como filósofo racionalista, afirmava que a fonte do conhecimento verdadeiro é o intelecto puro, independentemente dos sentidos, vemos aqui as influências de Sócrates.

Depois da experiência malfadada na Sicília, quando chegou a ser vendido como escravo, voltou para Atenas e fundou a Academia, a primeira Universidade do ocidente.

O sistema defendido por Platão era divido em três partes:

  • Conhecimento científico, o conhecimento verdadeiro.
  • Comportamento ético, virtude, o que é o Homem justo?
  • Política, quais as características de um Estado justo?

Conhecimento científico

Platão defendia a Teoria das ideias ou formas, onde haviam dois tipos de conhecimento: o do mundo sensível, e o do mundo inteligível.

O conhecimento do mundo sensível é relacionado a Heráclito e é o mundo dos sentidos; do senso comum (Doxa); um tipo de conhecimento raso e superficial que priva o saber apenas ao que o individuo sente ou experimenta através de seus sentidos como a visão, tato, olfato, audição e paladar. Este é o mundo empírico (emperia, ou seja a experiência). Nesse sentido para Platão, a realidade é apenas uma ficção, pois os sentidos nos enganam. Os sentidos ficam apenas na superfície do que de fato existe, funcionando assim como uma barreira que dificulta chegar a realidade verdadeira. Nosso mundo é na verdade um rascunho da realidade, onde cada elemento é uma cópia irregular do conceito, da ideia ou essência, que existe apenas no mundo inteligível.

O Conhecimento do mundo inteligível é relacionado a Parmênides. Aqui não existem emoções ou paixões na busca do conhecimento. Apenas o intelecto pode acessar essa dimensão e contemplar o que é Invisível aos sentidos e visível apenas a razão. Platão afirmava que nessa instância os conceitos não são criados por nós, sendo alcançados apenas por nossa inteligência. A realidade é a ideia, a essência que só pode ser atingida pelo intelecto e não pelos sentidos. Dessa forma, Platão defende uma dialética ascendente, onde os sentidos chocam-se com o pensamento racional. É preciso questionar, duvidar, contestar os sentidos para se alcançar uma verdade que já está presente desde o nascimento. Platão é filosofo inatista, pois para ele o conhecimento é inato e a psique e o intelecto já existiam no mundo inteligível antes do mundo sensível fazendo com que o papel da educação seja o de recordar aquilo que foi esquecido.

Comportamento ético

Para Platão havia uma tripartição da alma composta pela Alma racional, que é o equivalente da classe governante de seu Estado ideal (os magistrados), é a cabeça que governa o corpo; a Alma irascível (militares), que é responsável pelas emoções, a defesa da honra e que não consegue controlar a si mesma; e a Alma concupiscível (trabalhadores e comerciantes), que é responsável pelos desejos, pelos prazeres, e bens materiais e que também não consegue controlar a si mesma.

O indivíduo sábio, como o Estado ético, é aquele onde a Alma racional governa todo esse sistema. Uma pessoa ou Estado governado por suas emoções ou desejos é um indivíduo/sociedade desequilibrado, que inevitavelmente está fadado aos equívocos do mundo sensível, e portanto, longe do verdadeiro conhecimento: o conhecimento dos conceitos e essências.

Política

Platão, talvez influenciado pelo sistema espartano, defendia uma educação rígida onde as crianças deveriam pertencer ao Estado e não aos seus pais. Logo após os 7 anos de idade, todo menino e menina deveria ser entregue ao sistema educacional para que fosse educado(a) e assim no futuro ocupar a classe a qual terá aptidão e/ou direito. Em seu sistema de Estado perfeito, não havia diferença entre gêneros, assim sendo as mulheres deveriam ocupar em pé de igualdade todos os cargos e assumir todas as responsabilidades de um homem, algo impensável e até bizarro para os atenienses do século V e IV.

Para Platão a pirâmide do Estado ideal era composta por: trabalhadores e comerciantes, na base, classe preenchida por aqueles que descobriam essa aptidão no primeiro teste de sua vida educacional, aos 12 anos; pelos militares, no meio, classe preenchida pelos que se encaixassem na segunda prova de aptidão realizada aos 20 anos de idade; e pelos magistrados, no governo, pessoas anciãs que atingiam esse nível devido ao mérito de serem aprovadas no último teste aos 50 anos e se formarem sábias, conhecedoras das verdades da vida e por tanto, aptas a governar. Dessa forma, o Estado ideal de Platão era uma Sofocracia ou Aristocracia, um Estado justo governado pelos sábios e orientado pela Ética.

O fato mais notável na política de Platão é o seu ataque a democracia, pois para ele, um governo de "qualquer um" deixa o Estado susceptível aos equívocos do domínio dos militares (emoções) e/ou comerciantes (desejos), fazendo dessa sociedade uma organização injusta, governada pela tirania militar, ou pela barganha comercial. Um comerciante ou empresário jamais governaria e legislaria de forma neutra e idônea, sendo tentado a se corromper e a defender a sua própria classe e interesses pessoais. Um militar jamais governaria sem o uso da força e do estado de terror e intimidação. Por esse motivo ele acreditava que a democracia é um sistema destinado a ser corrupto, se colapsar e por fim se tornar uma tirania, pois apenas um "super homem", assim reconhecido pela sociedade ignorante, possuiria “super poderes” para colocar ordem ao caos, que seria o destino óbvio de um Estado injusto e em desequilíbrio.

Influências

A influência do pensamento de Platão foi e ainda é esmagadora na sociedade ocidental pós-moderna, herdeira direta do pensamento clássico. Tornou-se senso comum chamar tudo que é perfeito de "platônico". O amor platônico, por exemplo, seria o amor romântico, fogo fátuo do prazer dos amantes. Um equívoco bizarro, já que o amor para Platão era justamente o contrário, pois para ele o homem/mulher perfeitos eram orientados ao desapego, ou pelo menos ao controle total dos impulsos do desejo. O verdadeiro amor platônico é o amor ao conhecimento, a essência, a pureza do conceito no mundo inteligível e não tem nada a ver com reprodução da espécie ou prazer hedônico da carne.

Há também o exemplo do cristianismo, religião usurpadora por excelência que já havia se apoderado e se inspirado nos preceitos egípcios e zooratristas mas que viu no pensamento platônico uma oportunidade ideal de unir os "desejos" de um mundo justo, no céu, para aqueles que eram marginalizados e excluídos pelas outras religiões, como bandidos, doentes, mendigos, mulheres etc. Santo Agostinho durante a idade média dedicou a sua vida a ligar o cristianismo ao pensamento socrático e platônico com a finalidade de dar uma base, um vigor intelectual a fé cristã. Lembro-me, com horror, em uma aula sobre Teorias da Educação, quando o professor que discorria sobre Platão foi interrompido por um aluno e colega que questionou se Platão fora influenciado pelo cristianismo, pois segundo esse colega, a religião era atemporal e ancestral estando além das influências culturais e do desenvolvimento da história humana. Para mim foi um desses momentos em que sentimos vergonha pelo outro. Infelizmente o nível de esclarecimento da maior parte da população brasileira é muito baixo, e onde há vazio de conhecimento, há espaço para as mais exóticas ideologias.

Filosofia - Filosofia Clássica
1/20/2021 12:15:45 PM | Por A. S. Franchini
Os céus e os submundos astecas

Além da geografia horizontal, os astecas também possuíam uma vertical: um universo escalonado, composto por 22 níveis, divididos em 13 céus e 9 inframundos. A Terra, chamada de Tlalticpac ("Sobre a Terra"), era considerada o primeiro piso - ou a "capa" do inframundo. Diz a lenda que Tlalticpac, o mundo terrano, se originou de parte do monstro Cipactli, um crocodilo gigante que foi esquartejado pelos deuses. Parte dele se converteu na Terra e parte no céu, que foi erguido por quatro deuses ou gigantes e sustentado por pilares, a fim de não tornar a se juntar à Terra. Cipactli foi homenageado no calendário mágico (tonalpohualli) como o primeiro dos vinte signos do "zodíaco" asteca.

Mas que forma passou a possuir a Terra após essa gênese violenta?

Jean Marcilly diz que, para os astecas, a Terra é um disco chato, cruzado pelos pontos cardeais, sendo o ponto de confluência de duas pirâmides, cujos vértices principais se tocam. A pirâmide de cima são os céus; a de baixo, os inframundos. A de cima recebe as horas do dia; a de baixo, as horas da noite.
Ao redor do Tlalticpac (Terra) está um rio chamado Chicunauhapín ("A Corrente dos Nove").

A Região celeste

Do topo para baixo, são estes os céus astecas, em grau de importância:

13° céu: Omeyocín. ("Região da Dualidade"). Morada do deus supremo Ometeotl, "O Senhor da Dualidade", que se compõe de duas divindades: Ometecuhtli (masculino) e Omecihuatl (feminina). Ambos são os criadores de todos os demais deuses e de tudo quanto há no universo;

12° céu: Teteocín ("Morada dos Deuses"). A região onde os deuses vivem e assumem as mais diversas aparências;

11° céu: Yayauhtlín ("Região Vermelha"). Região do Sol no crepúsculo;

10° Céu: Cozauhquitlín ("Região do Amarelo"). Região da divindade amarela (teotlcozauhca);

9° Céu: Iztlín ("Região Branca"). Região da divindade branca (teotliztaca);

8° Céu: Iztlacoliuhqui ("Região Onde se Chocam as Lâminas de Obsidiana"). Essa região celeste é assim chamada porque nela se dão as tempestades. Tezcatlipoca comparece ali, junto com Tlaloc, disfarçado de deus do frio (Iztlacoliuhqui);

7° céu: Ilhuicatl Xoxouhqui ("Aquele que Mostra seu Rosto Durante o Dia"). É o céu do deus nacional asteca Huitzilopochtli, cujas cores são o azul e o verde;

6° Céu: Yayauhco ("Região Celeste Verde e Negra"). O céu dominado por Tezcatlipoca (verde e negro são as suas cores características). É a região onde nasce a noite;

5° Céu: Ilhuicatl Mamoloaco ("Lugar Onde as Estrelas Fumegam"). É a região celeste por onde transitam os cometas e as estrelas errantes. Quando os cometas possuem "cauda" se chamam Citlalmim; quando possuem "cabeleira"se chamam Xihuitli;

4° Céu: Ilhuictlal Huitztlín ("Onde se Move Vênus"). Ali habita a maior das estrelas, conhecida entre nós como Vênus e chamada pelos astecas de Hey Citlalin ("A Estrela Maior e mais Brilhante"). Está associada ao deus Quetzalcoatl como estrela da manhã e da tarde. A deusa do sal (ou das águas salgadas) Huixtocihuatl também vive ali, juntamente com as aves;

3° Céu: llhuicatl Tonatiuh ("Onde se Move o Sol"). Habitado por Tonatiuh, o Quinto Sol asteca;

2° Céu: llhuicatl Citlaco ("Onde se Movem as Estrelas"). Nesse céu, as estrelas estão divididas em dois grupos: as Estrelas do Norte (Centzon Mimixcoa) e as Estrelas do Sul (Centzon Huitzinahua). Além delas, temos também a Via Láctea (Citlaltonac) e a constelação da Ursa Maior e de Escorpião. Também ali vivem, segundo algumas versões, as tzitzimime, "mulheres de mau agouro" feitas só de ossos e encarregadas de devorar a humanidade no final dos tempos;

1° Céu: llhuicatl Meztli ("Onde se Move a Lua"). O mais próximo do Tlalticpac (Terra), é o céu, como o próprio nome diz, onde estão situadas a Lua (Meztli) e as nuvens. Entre as divindades habitantes desse primeiro céu estão, além de Meztli (ou Tlazolteotl, em sua "versão lunar"), Tlaloc, deus da chuva, e Ehecatl, deus do vento.

O inframundo asteca

Chamado genericamente de Mictlín, era uma espécie de "campo de provas" sobrenatural para o qual as pessoas iam após morrer (o destino estava vinculado ao tipo de morte sofrida, e não à conduta: todos quantos sofressem uma morte considerada natural deviam percorrer as regiões do Mictlín). Com uma pedra de jade enfiada entre os dentes, que funcionava como uma espécie de "coração de troca", o morto estava pronto para enfrentar uma longa viagem de quatro anos que o levaria até o nível mais profundo do inframundo, onde encontraria o repouso e a desaparição final.

A região subterrânea

Da Terra em direção às profundezas, são estes os nove níveis do inframundo asteca:

Apanohuaia ("Onde Passa o Rio"): situado na superfície da Terra, era o local onde corria o rio Chicunauhapín ("A Corrente dos Nove"), espécie de Aqueronte asteca que os mortos deviam atravessar com a ajuda de um cão (o local também era chamado de Itzcuintlín, "Lugar do Cão"). Normalmente, sacrificava-se o cão que pertencera ao morto para servir de guia ao seu dono. Tinha de ser cinza ou vermelho, pois o branco se recusaria a entrar nas águas pútridas do rio, a fim de não se sujar, e o preto para não desbotar (ou porque, misturado à treva, se tornaria invisível);

Tepectli Monanamictlín ("Lugar Onde as Montanhas se Chocam"): consistia de duas montanhas flutuantes que estão sempre se chocando (aqui não há como deixar de evocar os Rochedos Flutuantes da Odisseia). Esses rochedos, na verdade, seriam uma espécie de portas ou batentes os quais era preciso atravessar para se ingressar no Micilín propriamente dito;

Iztepetl ("Montanha das Navalhas"): era uma montanha incrustada de navalhas de obsidiana que o morto devia escalar em direção às profundezas (a contradição é apenas aparente: o Mictlán é um mundo invertido, sendo preciso subir, portanto, para se chegar ao subterrâneo.);

Itzehecayín ("Lugar do Vento de Obsidiana"): aqui a sovada metáfora do "vento cortante como uma navalha" se torna a mais pura realidade: ao chegar ao topo do monte Iztepetl o morto se depara com um vento glacial, feito de lâminas geladas de obsidiana. Desviar-se delas é tarefa que o ocupará suficientemente até conseguir ingressar no inframundo seguinte;

Paniecatlacayín ("Lugar Onde os Corpos Flutuam como as Bandeiras"): ali, como o próprio nome diz, os corpos dos mortos flutuam pelos ares, carregados pelo vento. Quando estão próximos de abandonar o local, um novo pé de vento os atira de volta ao redemoinho. (Alguns dizem tratar-se de um lugar "embandeirado", interpretando ao pé da letra o nome do lugar.);

Temiminaloyín ("Lugar do Flechamento"): lugar onde todas as flechas perdidas nas batalhas terrenas são reutilizadas contra os mortos por um arqueiro misterioso. Escapar à obstinação do flechador sobrenatural é a tarefa do morto;

Teocoyolcualoya ("Onde as Feras Devoram os Corações"): nesse local há uma fera - um jaguar, um coiote, ou mesmo um crocodilo, dependendo do exegeta - que se dedica a comer o coração do morto que ali ingressa. Segundo a crença, seria esta a razão de o morto levar entre os dentes uma pedra de jade, que ofertaria à fera no lugar do coração;

Yzmictlín Apochcaloca ("Onde se Perde a Visão no Caminho da Névoa"): também chamado de Apanhuiayo ("Laguna das Águas Negras"), é o local onde o morto, despido de toda a matéria, mergulha numa laguna de nove correntes, ingressando num sono profundo. A essa altura, exausto e reduzido a quase nada, já não teme nem deseja mais coisa alguma;

Chicnauhmictlín ("O Nono Lugar do Inframundo"): assim como há no topo dos treze céus um casal celestial, também aqui, no último nível do inframundo, há um casal ínfero: Mictlantecuhtli e sua esposa Mictlancihuatl. Espécie de contrafação macabra do casal celestial, eles são os anfitriões da última morada. Aranhas sobem e descem pelos seus corpos descarnados, enquanto morcegos se aninham nos seus cabelos brancos e ressecados. Diante da perspectiva de vir a tornar-se hóspede perpétuo deste casal abominável, o morto reencontra finalmente a paz de espírito, aceitando com gratidão a ideia de sua extinção definitiva nas trevas do Mictlín.

Mitologia - Mitologia Asteca
1/18/2021 7:56:53 PM | Por Ana Elizabeth Cavalcanti
Esquizofrenia, afinal o que é isso

A origem do interesse e da populariza­ção se deve ao grande número de portadores de patologias que procuram estar informados sobre possíveis causas e tratamentos. O proble­ma é que muitas vezes as informações obtidas (grande parte em sites da Internet) nem sempre se baseiam em conceitos acadêmicos, criando assim noções errôneas sobre essas doenças.A esquizofrenia é um exemplo. Muitas vezes, o termo é empregado para definir com­ portamentos estranhos e esquisitos das pessoas. Pode-se considerar que as “inverdades” sobre a esquizofrenia, assim como as de outras síndro- mes, são em grande parte propagadas na mídia por meio de conceitos contidos em romances, histórias e filmes, que não contêm embasamento científico. Assim, pessoas portadoras de diversas síndromes são rotuladas como esquizofrênicas sem uma relação coerente com a verdade. Esse fato é abordado por Lilifeld, Lynn, Ruscio e Beyerstein, em Os 50 maiores mitos populares da Psicologia (Editora Gente). Na obra, eles enumeram uma série de conceitos equivoca­ dos e mitos sobre diversas síndromes, divulgados principalmente em páginas da Web. Alguns, de forma totalmente equivocada, afirmam que a esquizofrenia é o mesmo que “dupla personali­dade’' ou “transtorno de personalidade múltipla”.

Segundo os autores, a esquizofrenia é, provavelmente, o termo psicológico mais mal empregado de todos os tempos. De acordo com a obra a confusão entre esquizofrenia e perso­nalidade múltipla é disseminada. Como exemplo eles citam um estudo realizado em 1977. por E.D Vaughn que constatou que 77% de alunos ma­triculados em cursos de introdução à psicologia endossaram a afirmação de que o esquizofrênico ê um indivíduo com uma personalidade dividida.

Acredita-se que a confusão entre os concei­tos sobre esquizofrenia e Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) tem origem em parte na contusão gerada pela terminologia. Lilifeld, Lynn, Ruscio e Beyerstein esclarecem que o psi­quiatra suíço Eugen Bleuler criou em 1911 o ter­mo esquizofrenia, que significa “mente dividida”.

Assim, tanto os leigos como alguns psicólogos, interpretaram mal a definição do estudioso. “Por esquizofrenia, Bleuler entendia que as pessoas por essa séria condição sofriam uma 'divisão’ em suas funções psicológicas, especialmente com re­lação às suas emoções e ao seu pensamento. Para a maioria das pessoas, o que sentimos em um momento corresponde ao que sentiremos no momento seguinte, assim como o que pensamos em um determinado instante corresponderá àquilo que pensaremos em seguida. Ou seja, se nos sen­timos tristes em um dado momento, frequente­ mente nos sentiremos tristes na sequência. Além disso, o que sentimos em um momento, em geral, corresponde ao que estamos pensando na­quele instante; em contrapartida, se temos pen­ samentos tristes, tendemos a nos sentir tristes".

Os estudiosos esclarecem que no caso da esquizofienia essas ligações sofrem frequen­ tes rupturas. Assim, as pessoas com esqui­ zofrenia possuem uma única personalidade que sofreu uma tragmentação ou cisão.

Em muitos casos, a doença pode es­ tar ligada a situações de risco como sui­ cídio. abuso de drogas ou álcool, etc.

O que é

A palavra esquizofrenia tem origem grega - schizein, equizo= dividir, cisão; phren, rema=mente - e significa “cisão da mente”. Segundo o dicionário Aulete Digital, o termo engloba várias e graves afecções mentais crôni­cas, de etiologia desconhecida, caracterizadas por uma dissociação entre o pensamento e a ação, e que provocam a perda do contato com a realidade e a desagregação da personalidade.

O psiquiatra suíço, Paul Eugen Bleu- er criou o termo em 1911 e definiu a es­ quizofrenia como uma doença psíquica caracterizada basicamente pela “cisão do pen­ samento, do afeto, da vontade e do senti­ mento subjetivo da personalidade”.

Trata-se de um transtorno mental que tem como característica a desintegração dos proces­sos de pensamento e a capacidade de resposta emocional. Ela tem como característica alterações na percepção ou expressão da realidade. Dessa forma, ela altera toda a estrutura vivencial do indivíduo que, muitas vezes, age como alguém que fica preso às suas fantasias e desconsidera a razão.

Pessoas com esquizofrenia podem ter distúrbios adicionais, incluindo transtorno de ansiedade e depressão. Alguns proble­mas sociais como o desemprego de longa duração, dificuldades financeiras e a falta de moradia, são comuns nesses pacientes.

Sintomas

Os sintomas da esquizofrenia geralmen­ te são divididos em positivos e negativos. Os sintomas positivos, segundo GJ Ballone em PsiqWeb. são “as alucinações (mais frequente­mente, as auditivas e visuais e, menos frequentes as táteis, e olfativas), os delírios (persecutórios, de grandeza, de ciúmes, somáticos, místicos, tantásticos), perturbações da forma e do curso do pensamento (como incoerência, prolixidade, desagregação), comportamento desorganizado, bizarro, agitação psicomotora e mesmo negligên­cia dos cuidados pessoais. Os sintomas negativos são, geralmente, de déficits, ou seja, a pobreza do conteúdo do pensamento e da fala, embotamen­to ou rigidez afetiva, prejuízo do pragmatismo, incapacidade de sentir emoções, incapacidade de sentir prazer, isolamento social, diminui­ção de iniciativa e diminuição da vontade”.

O delírio é considerado um sintoma marcante na esquizofrenia e pode ser entendi­do como um falso juízo da realidade. A pessoa interpreta erroneamente suas percepções e experiências. Ela pode, por exemplo, se sentir perseguida, ameaçada, enganada, atormentada ou espionada. Em alguns casos, a falsa percep­ção da realidade pode criar situações constran­gedoras. O indivíduo, por exemplo, ao ver um grupo de pessoas conversando, pode imaginar que algo está sendo planejado contra ele.

Segundo Barone, as alucinações podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial; ou seja, auditivas, visuais, olfativas, gustati­vas e tateis. As alucinações auditivas são as mais comuns e geralmente são experimentadas como vozes conhecidas ou estranhas, que são percebidas como distintas dos pensamentos da própria pessoa. O conteúdo pode ser bas­ tante variável, embora as vozes pejorativas ou ameaçadoras sejam especialmente comuns.

Sintomas e Tratamento

De acordo com as doutoras Alice Si­ bile Koch e Daynae Diomário da Rosa, em Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos (www abcdasaude.com.br), para fazer o diagnóstico o medico realiza uma entrevista com o pacien­ te e sua família visando obter uma história de sua vida e de seus sintomas o mais detalhada­ mente possível. “Até o presente momento não existem marcadores biológicos próprios dessa oença nem exames complementares especí­ ficos, embora existam evidências de alterações da anatomia cerebral demonstráveis em exames de neuroimagem e de metabolismo cerebral sofisticados, como a tomografia computadorizada.

De maneira geral os sintomas iniciais  são semelhantes aos de outros transtornos como a perda de interesse, desleixo com o aspecto pessoal, estreitamento de interes­ ses, irritação, morosidade nas ações. 

Segundo Ballone, alguns sintomas, em­ bora nao sejam específicos da Esquizofrenia, são de grande valor para o diagnóstico, como: audição dos próprios pensamentos sob a forma de vozes, alucinações auditivas que comentam o comportamento do paciente, alucinações somáticas, sensação de ter os próprios pensa­ mentos controlados, irradiação destes pensa­ mentos, sensação de ter as ações controladas e influenciadas por alguma coisa do exterior.

Tratamento

Até bem pouco tempo, acreditava-se que a esquizofrenia era um doença crônica que não tinha cura. Na verdade, não existe uma cura total. Entretanto, tem sido evidente a reabilita­ção psicossocial de um número expressivo de pacientes. Atualmente, muitas pessoas portado­ras da doença podem ter uma vida normal. As que apresentam quadros mais graves, apesar de dependerem de medicamentos, conseguem uma grande melhora, podendo inclusive desempe­nhar algum tipo de trabalho e constituir família.

Segundo Koch e Rosa, “As medicações antipsicóticas ou neurolépticos são o tratamen­to de escolha para a esquizofrenia. Elas atuam diminuindo os sintomas (alucinações e delírios), procurando restabelecer o contato do paciente com a realidade; entretanto, não restabelecem completamente o paciente. As medicações an­tipsicóticas controlam as crises e ajudam a evitar uma evolução mais desfavorável da doença. Em geral, as drogas antipsicóticas apresentam efeitos colaterais que podem ser bem controlados”.

Elas também afirmam que, em situações de crise grave, em que não houve resposta às medicações, pode-se fazer úso da eletroconvulsoterapia (ECT). Esse método, antigamen­te, era conhecido como eletro-choque e tem demonstrado resultados positivos na melhora dos sintomas da esquizofrenia. Há ainda a possibi­lidade do uso de antipsicóticos mais modernos conhecidos como atípicos ou de última geração.

As abordagens psicossociais, como acompa­nhamento psicoterápico, terapia ocupacional e familiar também são recomendadas pelos dou­tores, pois diminuem as recaídas e promovem o ajustamento social dos portadores da doença”.

Psicologia - Psicopatologia
1/18/2021 9:52:52 AM | Por Ana Elizabeth Cavalcanti
Os limites da raiva e do perdão

A emoção faz parte da vida huma­na e sem ela provavelmente a vida não teria muito sentido. Na verdade, é uma experiência subjetiva ligada ao jeito de ser de cada um, como personalidade ou temperamento. Ela sempre é motivada por alguma coisa, boa ou má, que nos afeta diretamente. Neste contexto, pode-se dizer que a emo­ção provoca reações. Esta situação pode ser observada facilmente com os comportamen­tos que ela produz: sorriso, choro, fuga, etc. Algumas emoções são agradáveis, como ale­gria, empatia ou gratidão. Outras nem tanto, como o rancor, a mágoa ou a inveja. Dentre as emoções negativas, que produzem sensações desgastantes e  desagradáveis, muito provavelmente a mais intensa é a raiva que acontece quando alguém ou alguma coisa nos prejudica, nos magoa ou nos decepciona de forma intencional ou não. Ela surge quando o ego se sente ameaçado ou ferido. Sua intensidade varia de acordo com o grau de decepção que ela causa na pessoa.

Mas será que a raiva pode ser usada de forma positiva? A analista junguiana Clarissa Pinkola Estés, assim como muitos estudiosos da Psicologia, acre­dita que sim, pois ela é capaz de iluminar lugares em nós que geralmente não enxergamos ou perce­bemos. Por outro lado, Estés descreve que, quando a raiva é usada apenas em seu sentido negativo, age como um ácido capaz de gerar uma úlcera e de causar prejuízos à nossa psique. A estudiosa consi­dera que o ciclo da raiva é similar a qualquer outro: ­ “ela sobe, cai, morre e é liberada como energia nova. Sempre que nos permitimos aprender com a nossa raiva, assim transformando-a, nós a dispensamos”.

Geralmente é muito difícil ficar calado diante de injustiças ou “oferecer a outra face”, da forma que apregoa muitas crenças religiosas. Em algumas situa­ções, a raiva pode ser liberada por meio de “explosões”. Para Estés, o grande aprendizado da raiva se dá pelo perdão, embora seja muito difícil. Entretanto, “per­doar” não significa necessariamente apenas “virar a página”, esquecer de uma hora para outra a decepção, pois também acontece por meio de etapas, ou ciclos.

Estés é conhecida por seus trabalhos realiza­dos a partir de mitos, contos de fadas e lendas, com
o objetivo de resgatar a natureza instintiva femini­na. Uma de suas obras mais famosas é Mulheres que correm com os lobos (Editora Rocco) onde, por meio de diversas histórias, revela uma psicologia da mulher em seu estado mais puro e a busca do conhecimento da alma. As histórias são lições que nos levam à reflexão e à ação. A autora as considera como um material capaz de nos dar coragem para a busca e a conquista da liberdade natural. Embora seja um livro dedicado às mulheres, Estés nos dá grandes lições de vida que podem trazer resultados benéficos a qualquer pessoa.

 

O URSO DA MEIA-LUA

Em um dos capítulos, ela nos conta uma história tradicional do Japão, O Urso da Meia-Lua, em que descreve os limites da raiva e do perdão. Segundo a narrativa, uma mulher ficou muito feliz com o retomo de seu marido para casa. Há anos, ele estava na guerra e retomava ao lar devido a um ferimento. Apesar de ser bem recebido pela mulher, ele se mostrou com um péssimo humor. Esta­va arredio e com muita raiva. Apesar dos agra­dos da mulher, não entrou na casa, dormiu ao relento e rejeitou a pontapés toda a comida que ela preparara especialmente para a ocasião.

Muito triste com a situação, a mulher procurou por uma curandeira porque desejava que o marido voltasse a ser amoroso e gentil, e deixasse toda aquela raiva de lado. A curandeira prometeu ajudá-la, mas para tanto precisava que a mulher fosse ao alto da monta­nha de gelo pegar um pelo do Urso da Meia-Lua.

Muito feliz, a mulher saiu à busca do Urso, sem pensar nos perigos que teria que en­ frentar em sua missão, pois seu amor pelo com­panheiro era maior que qualquer coisa.

Durante dias, ela atravessou montanhas, vales e florestas até chegar à montanha de gelo. Mesmo cansada a escalou e quando chegou ao topo, se abrigou em uma pequena toca para dormir. Quando percebeu a presença do grande urso negro, atirou para ele um bocado de comida que trouxera numa sacola. Atraído pelo cheiro do alimento o urso a deixou em paz. Ele comeu e se abrigou em sua própria caverna. Para evitar um futuro ataque do urso, a mulher, durante dias, passou a deixar comida perto de seu abrigo.

Alguns dias depois, o urso notou as peque­nas pegadas da mulher ao lado do pote de comida e decidiu procurá-la. Em pouco tempo, estavam cara a cara. Embora estivesse assustada, a mulher não saiu do lugar e enfrentou os rugidos fortes do animal.

Ao perceber que ia ser atacada, ela lhe pediu com carinho e gentileza que a ajudasse. Contou então a história do marido e que precisava de um pelo do seu pescoço para curá-lo. O animal ficou penalizado com a história e permitiu que ela arrancasse o pelo.

Ao fazê-lo, o urso sentiu dor e, apesar da permissão que havia dado, ficou enfurecido. A mulher saiu correndo, assustada, mas feliz porque estava levando o ingrediente importante para a cura do esposo. Dias depois, ela chegou à casa da curandeira, cansada, suja e com as roupas rasgadas, mas eufórica com a ideia de ter um remédio que curasse a raiva do marido.

A curandeira pegou o pelo de suas mãos e simplesmente o atirou ao fogo. Perplexa com o gesto,
a mulher não conseguia compreender o que estava acontecendo. A curandeira então lhe disse que na verdade o pelo não tinha nenhuma importância na cura do marido e lhe disse: “Fique calma. Tudo está bem. Você se lembra de cada passo que deu para escalar a montanha? Você se lembra de cada passo que deu para conquistar a confiança do Urso da Meia-Lua? Você se lembra do que viu, do que ouviu e sentiu?

A mulher respondeu que se recordava de tudo. A curandeira então lhe aconselhou: “Então minha filha, volte, por favor, para casa, com seus novos conheci­mentos e proceda da mesma forma com o seu marido”.

ENTENDENDO A ESTÓRIA

A estória do Urso da Meia-lua trata de um tema comum em diversas partes do mundo: a procura por um objeto mágico e transformador, que pode ser feita tanto por uma mulher como por um homem. Na verdade, retrata, segundo Estés, um modelo completo para tratar a raiva e para se curar dela “a procura de uma força restauradora calma e sábia (a ida à curandeira), a aceitação do desafio de entrar em um terreno psíquico que nunca havíamos abordado antes (a escalada da montanha), o reconhecimento das ilusões (a atitude para escalar as rochas, para correr debaixo das árvores), o descanso propiciado aos nossos velhos sentimentos e pensamentos obsessivos, o agrado ao grande Self com­passivo (a alimentação do urso com paciência e a retri­buição da gentileza por parte do urso), a compreensão do lado furioso da psique compassiva (o reconheci­mento de que o urso, o Self compassivo, não é manso. A história mostra a importância de trazer esse conheci­mento psicológico até aqui embaixo, até nossa vida real (a volta para a aldeia), de aprender que a cura reside na busca e na prática, não numa única ideia (destruição do pelo). O cerne da história é, ‘‘aplique tudo isso à sua raiva, e tudo correrá bem” (o conselho da curandeira para que volte para casa e aplique esses princípios).”

 

OS QUATRO ESTÁGIOS DO PERDÃO

Sempre que a raiva se transforma numa re­presa para o pensamento e a ação criativa, ela pre­cisa ser abrandada ou modificada. Algumas pessoas naturalmente têm mais facilidade para perdoar do que outras. Para alguns indivíduos, trata-se de um dom, enquanto para outros se trata de uma técnica a ser aprendida. Em seu trabalho, Estés descreve quatro níveis de perdão que podem ser úteis a qualquer pessoa.

1- DEIXAR PASSAR

Antes de perdoar, é preciso deixar passar algum tempo, “tirar” umas férias sobre o assunto. O importante nessa etapa é tirar a atenção da raiva, pois, do contrário, nos sentiremos exaustos. Esse estágio, de acordo com Estés, “é um bom treino para o aban­dono definitivo que mais adiante advirá do perdão.

A ideia não é a de fechar os olhos, mas a de adqui­rir força e agilidade para se desligar da questão”.

2- CONTROLAR-SE

Controle, neste caso, significa abster-se do desejo de punir o ofensor, representa “não pensar no fato nem reagir a ele, seja em termos grandes, seja em termos pequenos. Essa atitude concentra a atenção à hora em que a pessoa se dirigir aos próximos passos”.

Assim, controlar-se significa o mesmo que ter paci­ência, resistir e canalizar a emoção, é ser generoso.

3- ESQUECER

Para Estés, esquecer não significa entorpecer ou enfraquecer o cérebro, mas afastar da lembrança. O esquecimento consciente significa deixar o aconteci­mento de lado, ou seja, não permitir que ele permaneça em primeiro plano na mente. O ideal é que o fato saia do cenário. A analista pondera ainda que, esquecer não é uma atitude passiva, “significa não trazer certos ma­teriais até a superfície, nem revirá-los constantemente, nem se irritar com pensamentos, imagens ou emo­ções repetitivas. O esquecimento consciente significa a determinação de abandonar a prática obsessiva”.

4- PERDOAR

O perdão “final” é uma decisão consciente que se desliga do ressentimento, o que inclui o perdão
da ofensa e a desistência do revide. Estés esclare­ce que algumas pessoas optam pelo perdão total,
ou seja, liberam para sempre a pessoa de qualquer tipo de reparação. Há ainda pessoas que preferem “interromper a reparação no meio, abandonando a dívida, alegando que o que está feito está feito e que a compensação já é suficiente. Outro tipo de perdão consiste em isentar a pessoa sem que ela tenha feito qualquer reparação emocional ou de outra natureza”.

A analista considera ainda que para algumas pessoas finalizar o perdão é considerar o outro com indulgência. Alguns perdoam e ainda ajudam o ofensor de forma compassiva. “O perdão é um ato de criação. Você pode escolher entre muitas for­mas de proceder. Você pode perdoar por enquanto, perdoar até que, perdoar até a próxima vez, perdoar, mas não dar outra chance - começa tudo de novo se acontecer outro incidente”. Neste contexto, pode­mos dar mais uma chance ou muitas. Na verdade, somos nós que decidimos a forma de perdão.

Psicologia - Psicologia Analítica
1/17/2021 9:27:08 AM | Por Roque Laraia
A cultura interfere no plano biológico

Comecemos pela reação oposta ao etnocentrismo, que é a apatia. Em lugar da superestima dos valores de sua própria sociedade, numa dada situação de crise os membros de uma cultura abandonam a crença nesses valores e, consequentemente, perdem a motivação que os mantém unidos e vivos. Diversos exemplos dramáticos deste tipo de comportamento anômico são encontrados em nossa própria história. Os africanos removidos violentamente de seu continente (ou seja, de seu ecossistema e de seu contexto cultural) e transportados como escravos para uma terra estranha habitada por pessoas de fenotipia, costumes e línguas diferentes, perdiam toda a motivação de continuar vivos. Muitos foram os suicídios praticados, e outros acabavam sendo mortos pelo mal que foi denominado de banzo. Traduzido como saudade, o banzo é de fato uma forma de morte decorrente da apatia.

Foi, também, a apatia que dizimou parte da população Kaingang de São Paulo, quando teve o seu território invadido pelos construtores da Estrada de Ferro Noroeste. Ao perceberem que os seus recursos tecnológicos, e mesmo os seus seres sobrenaturais, eram impotentes diante do poder da sociedade branca, estes índios perderam a crença em sua sociedade. Muitos abandonaram a tribo, outros simplesmente esperaram pela morte que não tardou.

Entre os índios Kaapor, grupo Tupi do Maranhão, acreclita-se que se uma pessoa vê um fantasma ela logo morrerá.

O principal protagonista de um filme, realizado em 1953 por Darcy Ribeiro e Hains Forthmann, ao regressar de uma caçada contou ter visto a alma de seu falecido pai perambulando pela floresta. O jovem índio deitou em uma rede e dois dias depois estava morto. Em 1967, durante a nossa permanência entre estes índios (quando a história acima nos foi contada), fomos procurados por uma mulher, em estado de pânico, que teria visto um fantasma (um “anan”). Confiante nos poderes do branco, nos solicitou um “anan-puhan” (remédio para fantasma). Diante de uma situação crítica, acabamos por fornecer-lhe um comprimido vermelho de vitaminas, que foi considerado muito eficaz, neste e em outros casos, para neutralizar o malefício provocado pela visão de um morto.

É muito rica a etnografia africana no que se relere às mortes causadas por feitiçaria. A vítima, acreditando efetivamente no poder do mágico e de sua magia, acaba realmente morrendo. Pertti Peito descreve esse tipo de morte como sendo consequência de um profundo choque psicofisiológico: “A vítima perde o apetite e a sede, a pressão sanguínea cai, o plasma sanguíneo escapa para os tecidos e o coração deteriora. Ela morre de choque, o que é fisiologicamente a mesma coisa que choque de ferimento na guerra e nas mortes de acidente de estrada.” É de se supor que em todos os casos relatados o procedimento orgânico que leva ao desenlace tenha sido o mesmo.

Deixando de lado estes exemplos mais drásticos sobre a atuação da cultura sobre o biológico, podemos agora nos referir a um campo que vem sendo amplamente estudado: o das doenças psicossomáticas. Estas são fortemente influenciadas pelos padrões culturais. Muitos brasileiros, por exemplo, dizem padecer de doenças do fígado, embora grande parte dos mesmos ignorem até a localização do órgão. Entre nós são também comuns os sintomas de mal-estar provocados pela ingestão combinada de alimentos.

Quem acredita que o leite e a manga constituem uma combinação perigosa, certamente sentirá um forte incômodo estomacal se ingerir simultaneamente esses alimentos.

A sensação de fome depende dos horários de alimentação que são estabelecidos diferentemente em cada cultura.

“Meio-dia, quem não almoçou assobia”, diz um ditado popular. E de fato, estamos condicionados a sentir fome no meio do dia, por maior que tenha sido o nosso desjejum. A mesma sensação se repetirá no horário determinado para o jantar. Em muitas sociedades humanas, entretanto, estes horários foram estabelecidos diferentemente e, em alguns casos, o indivíduo pode passar um grande número de horas sem se alimentar e sem sentir a sensação de fome.

A cultura também é capaz de provocar curas de doenças, reais ou imaginárias. Estas curas ocorrem quando existe a fé do doente na eficácia do remédio ou no poder dos agentes culturais. Um destes agentes é o xamã de nossas sociedades tribais (entre os Tupi, conhecido pela denominação de paie ou pajé). Basicamente, a técnica de cura do xamã consiste em uma sessão de cantos e danças, além da defumação do paciente com a fumaça de seus grandes charutos (petin), e a posterior retirada de um objeto estranho do interior do corpo do doente por meio de sucção. O fato de que esse pequeno objeto (pedaço de osso, insetos mortos etc.) tenha sido ocultado dentro de sua boca, desde o inicio do ritual, não é importante. O que importa é que o doente é tomado de uma sensação de alívio, e em muitos casos a cura se efetiva.

A descrição de uma cura dará, talvez, uma ideia mais detalhada do processo. Após cerca de uma hora de cantar, dançar e puxar no cigarro, o pajé recebeu o espírito. Aproximando-se do doente que estava sentado em um banco, o pajé soprou fumaça primeiro sobre as próprias mãos e, em seguida, sobre o corpo do paciente.

Ajoelhando-se junto a ele, esfregou-lhe o peito e o pescoço. A massagem era dirigida para um ponto no peito do doente, e o pajé esfregava as mãos como se tivesse juntado qualquer coisa. Interrompia a massagem para soprar fumaça nas mãos e esfregá-las uma na outra, como se quisesse livrá-las de uma substância invisível.

Após muitas massagens no doente, levantou-lhe os braços e encostou seu peito ao dele. Queria assim passar o ymaé (a causa da doença, aquilo que um ser sobrenatural faz entrar no corpo da vítima) do doente para o seu próprio corpo. Não o conseguiu e voltou a repetir as massagens, dessa vez dirigidas para o ombro. Aí aplicou a boca e chupou com muita força. Repetiu as massagens e sucções, intercalando-as com baforadas de cigarro e contrações como se fosse vomitar. Finalmente conseguiu extrair e vomitar o ymaé, que fez desaparecer na mão. Nas curas a que assistimos, os pajés jamais mostraram o ymaé que extraíam dos doentes. Guardavam-nos por algum tempo dentro da mão, livre do cigarro, para fazê-lo desaparecer após. Explicavam, porém, à audiência a sua natureza, o que parecia bastante. Dizem que os pajés mais poderosos o fazem, e algumas pessoas guardam pequenos objetos que acreditam terem sido retirados de seu corpo por um pajé.

 

Ciências humanas - Antropologia
1/16/2021 3:12:08 PM | Por Gregory J. Feist, Jess Feist, Tomi-Ann Roberts
Antecedentes do sistema de personalidade cognitivo-afetivo

Alguns teóricos, como Hans Eysenck e Gordon Allport, acreditavam que o comportamento era, sobretudo, um produto de traços de personalidade relati­vamente estáveis. Contudo, Walter Mischel contestou esse pressuposto. Sua pesquisa inicial (Mischel, 1958, 1961a, 1961b) o levou a acreditar que o comportamento era, em grande parte, função da situação. Mischel constatou que tanto leigos quanto psicólogos profis­sionais parecem acreditar de modo intuitivo que o compor­tamento das pessoas é relativamente consistente, embora evidências empíricas sugiram muita variabilidade no com­portamento, uma situação que Mischel denominou paradoxo da consistência. Para muitas pessoas, parece evidente, por si, que disposições pessoais globais, tais como agressivi­dade, honestidade, avareza, pontualidade, entre outras, ex­pliquem muito do comportamento. As pessoas elegem po­líticos para um cargo porque os veem como honestos, leais, determinados e íntegros; os gerentes de pessoal selecionam empregados que sejam pontuais, leais, cooperativos, traba­lhadores, organizados e sociáveis. Uma pessoa se mostra, de modo geral, amistosa e gregária, ao passo que outra costu­ma comportar-se de modo hostil e taciturno. Os psicólogos, bem como os leigos, há muito tempo sintetizaram o com­portamento das pessoas usando tais definições de traços descritivos.

Assim, muitas pessoas presumem que os traços de personalidade globais se manifestem por um período de tempo e também conforme a situação. Mischel sugeriu que, na melhor das hipóteses, essas pessoas estão apenas parcial­mente certas. Ele argumentava que alguns traços básicos, de fato, persistem ao longo do tempo, mas existem poucas evi­dências de que eles se generalizam de uma situação para ou­tra. Mischel contestava enfaticamente as tentativas de atri­buir o comportamento a esses traços globais. Uma tentativa de classificar os indivíduos como amistosos, extrovertidos, conscienciosos pode ser uma forma de definir a personalida­de, mas essa é uma taxonomia que não consegue explicar o comportamento (Mischel, 1990,1999,2004; Mischel et aL, 2002; Shoda 8t Mischel, 1998).

Por muitos anos, as pesquisas não conseguiram apoiar a consistência dos traços de personalidade entre as situa­ções. Hugh Hartshome e Mark May, em seu estudo clássi­co de 1928, constataram que as crianças em idade escolar eram honestas em uma situação e desonestas em outra. Por exemplo, algumas colavam nos testes, mas não rou­bavam lembrancinhas de festas; outras quebravam as re­gras em uma competição atlética, mas não colavam em um teste. Alguns psicólogos, como Seymour Epstein (1979, 1980), argumentaram que estudos como o de Hartshome e May usavam comportamentos muito específicos. Epstein defendia que, em vez de se basearem em um único com­portamento, os pesquisadores precisam agregar medidas do comportamento; ou seja, eles devem obter uma soma de muitos comportamentos. Em outras palavras, Epstein referia que, muito embora as pessoas nem sempre exibam um traço pessoal forte, por exemplo, conscienciosidade, a soma total de seus comportamentos individuais reflete uma essência geral de conscienciosidade.

Entretanto, Mischel (1965) anteriormente havia des­coberto que um comitê de avaliação de três pessoas, que usava informações agregadas de uma variedade de escores, não conseguia predizer de forma confiável o desempenho de professores do Peace Corps. A correlação entre o jul­gamento do comitê e o desempenho dos professores era um 0,20 não significativo. Além do mais, Mischel (1968) defendia que correlações de cerca de 0,30 entre diferentes medidas do mesmo traço, assim como entre os escores dos traços e dos comportamentos subsequentes, representa­vam os limites externos da consistência do traço. Assim, essas correlações relativamente baixas entre traços e com­portamento não decorrem da falta de fidedignidade do instrumento de avaliação, mas de inconsistências no compor­tamento. Mesmo com medidas perfeitamente fidedignas, argumentava Mischel, comportamentos específicos não predizem com precisão os traços de personalidade.

Interação pessoa-situação

Com o tempo, no entanto, Mischel (1973, 2004) acabou percebendo que as pessoas não são vasos vazios sem traços de personalidade duradouros. Ele reconheceu que a maio­ria tem alguma consistência em seu comportamento, mas continuou a insistir em que a situação tem um efeito po­deroso sobre o comportamento. A objeção de Mischel ao uso de traços como preditores de comportamento não se baseava em sua instabilidade temporal, mas na inconsis­tência de uma situação para outra. Para ele, muitas dispo­sições básicas podem ser estáveis por um longo período de [363] tempo. Por exemplo, um estudante pode ter um histórico de conscienciosidade no trabalho acadêmico, mas não ter a mesma postura para limpar seu apartamento ou manter seu carro em condições de funcionamento. Sua falta de cuidado com a limpeza do apartamento pode ser devida a desinteresse, e sua negligência com seu carro pode ser resultado de conhecimento insuficiente. Assim, a situação específica interage com competências, interesses, objeti­vos, valores, expectativas, entre outros, etc. para predizer o comportamento. Para Mischel, essas visões de traços ou disposições pessoais, embora importantes na predição do comportamento humano, negligenciam o significado da situação específica em que a pessoa funciona.

As disposições pessoais influenciam o comportamen­to somente sob certas condições e em determinadas situa­ções. Essa visão sugere que o comportamento não é causa­do por traços pessoais globais, mas pelas percepções que as pessoas têm de si mesmas em uma situação particular. Por exemplo, um jovem que em geral é muito tímido perto de mulheres jovens pode se comportar de maneira sociável e extrovertida quando está com homens ou com mulheres mais velhas. Esse jovem é tímido ou extrovertido? Mischel diria que ele é ambos - dependendo das condições que o afetam durante uma situação específica.

A visão condicional sustenta que o comportamento é moldado pelas disposições pessoais e pelos processos cog­nitivos e afetivos específicos de uma pessoa. Enquanto a teoria dos traços sugere que as disposições globais predi­zem o comportamento, Mischel argumenta que as crenças, os valores, os objetivos, as cognições e os sentimentos in­teragem com essas disposições para moldar o comporta­mento. Por exemplo, a teoria dos traços tradicional sugere que as pessoas com o traço de conscienciosidade tendem a se comportar de uma maneira conscienciosa. No entan­to, Mischel assinala que, em uma variedade de situações, a conscienciosidade pode ser usada com outros processos cognitivo-afetivos para atingir um resultado específico.

Em um estudo exploratório para testar esse modelo, Jack Wright e Mischel (1988) entrevistaram crianças de 8 e 12 anos e adultos e pediram que relatassem tudo o que sabiam sobre “grupos-alvo" de crianças. Tanto os adultos quanto as crianças reconheceram a variabilidade do com­portamento de outras pessoas, porém os adultos estavam mais certos acerca das condições sob as quais comporta­mentos particulares ocorrem. Enquanto as crianças res­tringiram suas descrições a termos como: “Carlo às vezes bate em outras crianças", os adultos foram mais específi­cos, por exemplo: “Carlo bate quando provocado". Esses dados sugerem que as pessoas reconhecem prontamente a inter-relação entre situações e comportamento e que elas, de modo intuitivo, seguem uma visão condicional das dis­posições.

Nem a situação isolada nem os traços de persona­lidade estáveis isolados determinam o comportamento. Em vez disso, o comportamento é produto de ambos. Portanto, Mischel e Shoda propuseram um sistema de personalidade cognitivo-afetivo que procura conciliar es­sas duas abordagens de predição dos comportamentos humanos.

Psicologia - Teoria da aprendizagem social cognitiva
1/16/2021 11:50:13 AM | Por Robert Graves
Zeus e Hera, um casal conflituoso

Só Zeus, o pai do Céu, podia controlar o raio. Era com a ameaça do seu lampejo fatal que controlava sua família briguenta e rebelde do monte Olimpo. Ele também ordenava os corpos celestes, compunha leis, fazia cumprir juramentos e pronunciava oráculos. Quando sua mãe Reia, prevendo os problemas que sua lascívia viria a causar, proibiu-o de se casar, ele, furioso, ameaçou viola-la. Apesar de ela imediatamente ter-se transformado em uma serpente apavorante, Zeus não se deixou intimidar, transformando-se, por sua vez, em uma serpente macho que, enrolando-se nela num no indissolúvel, cumpriu a ameaça. Foi então que começou sua longa serie de aventuras amorosas. Ele gerou as Estações e as três Moiras com Têmis; as Cárites (Graças, entre os romanos) com Eurínome; as três musas com Mnemosine, com quem partilhou o leito por nove noites; e também, diz-se, Perséfone (Proserpina, entre os romanos), a rainha do mundo subterrâneo, com a qual seu irmão Hades casou-se à força, na presença da ninfa Estige. Portanto, não lhe faltava poder acima ou abaixo da Terra, e sua mulher, Hera, estava em pé de igualdade com ele apenas num ponto: ela podia conceder o dom da profecia a qualquer homem ou animal que desejasse.

Zeus e Hera brigavam constantemente. Irritada com suas infidelidades, ela o humilhava frequentemente com suas maquinações. Embora acostumado a revelar-lhe seus segredos e, por vezes, aceitar seus conselhos, Zeus jamais confiou totalmente na esposa. Hera sabia que, caso uma ofensa ultrapassasse um certo limite, ele poderia açoita-la, ou mesmo arremessar-lhe um raio. Ela se limitava, portanto, a intrigas inescrupulosas, como, no caso do nascimento de Hercules (Héracles), e, as vezes, tomava emprestada a cinta de Afrodite, a fim de excitar a paixão do marido e, assim, aplacar sua fúria. Ele agora alegava ser o filho primogênito de Cronos.

Em um determinado momento, o orgulho e a petulância de Zeus se tornaram tão intoleráveis que Hera, Posídon, Apolo e todos os outros deuses, à exceção de Hestia, cercaram-no rapidamente enquanto dormia em seu feito e o amarraram em correias de couro cru com uma centena de nós, que o impediam de se mover. Zeus os ameaçou com morte instantânea, mas, como eles haviam colocado o raio fora de seu alcance, insultaram-no com escárnio. Enquanto celebravam a vitória e discutiam ciosamente sobre quem seria o sucessor, Tétis, a Nereida, prevendo uma guerra civil no Olimpo, apressou-se em buscar o hecatônquiro Briareu, que prontamente desfez os nós, utilizando suas cem mãos ao mesmo tempo, e libertou seu amo. Por ter sido Hera quem liderara a conspiração, Zeus a pendurou no céu com um bracelete dourado em cada pulso e uma bigorna amarrada a cada tornozelo. As outras divindades ficaram profundamente contrariadas, mas não ousaram tentar resgatá-la, apesar de seus comoventes clamores. Finalmente, Zeus comprometeu-se a libertá-la mediante o juramento de que nunca mais se rebelariam contra ele. E foi o que, com relutância, cada uma das partes fez. Zeus puniu Posídon e Apolo, mandando-os como escravos ao rei Laomedonte, para trabalhar na construção da cidade de Troia, mas perdoou os outros, por considerar que eles tinham agido sob coação.

As relações maritais entre Zeus e Hera refletem as da era dórica bárbara, em que as mulheres eram privadas de todo seu poder mágico, exceto a profecia, além de serem vistas como propriedade dos homens. Na ocasião em que o poder de Zeus foi salvo graças a ajuda de Tétis e Briareu, depois da conspiração dos outros deuses contra ele, é possível que príncipes vassalos do Alto Rei helênico tenham feito uma revolução palaciana, através da qual quase conseguiram destroná-lo. A ajuda deve ter vindo de uma companhia de tropas domesticas leais neo-helênicas, recrutadas na Macedônia, lar de Briareu, e de um destacamento de magnésios, o povo de Tétis. Nesse caso, a conspiração deve ter sido instigada pela suma sacerdotisa de Hera, que o Alto Rei, logo depois, humilhou, conforme a descrição do mito.

O fato de Zeus haver violado a deusa da Terra Réia significa que os helenos, adoradores de Zeus, passaram a controlar as cerimonias agrícolas e funerárias. O fato de ela ter proibido Zeus de se casar significa que, ate então, a monogamia era desconhecida, pois as mulheres tinham quantos amantes quisessem.

Sua paternidade sobre as Estações e sobre Têmis significa que os helenos assumiram também o controle do calendário: Têmis ("ordem") era a Grande Deusa que determinara o ano de 13 meses, dividido pelos solstícios de verão e de inverno em duas estações. Em Atenas, essas estações foram personificadas por Talo (ou Acale) e Carpo (originalmente "Carfo"), significando respectivamente "broto" e "murcho", cujo templo incluía um altar ao Dionísio Fálico. Eles aparecem em uma pedra entalhada em Hattusha, ou Pteria, onde constituem aspectos gêmeos da deusa-leão Hepta, nascida das asas de uma águia-sol bicéfala.

Carite ("graça") tinha sido a deusa em seu aspecto irresistível, na ocasião em que a suma sacerdotisa escolhia o rei sagrado como seu amante. Homero menciona duas Carites - Pasiteia e Cale, que parecem ser a separação forçada de três palavras: Pasi thea cale, "a deusa que é bela para todos os homens". As duas Carites, Auxo ("aumento") e Hegemone ("mestria'), que os atenienses honravam, correspondiam as duas Estações. Mais tarde, as Carites passaram a ser veneradas como uma tríade, a fim de se equipararem as três Moiras - a deusa tripla em sua mais irredutível forma. O fato de serem filhas de Zeus com Eurinome, a Criadora, significa que o senhor helênico tinha o poder de dispor de todos as jovens núbeis.

As musas ("deusas da montanha'), originalmente uma tríade, são a deusa tripla em sua forma orgíaca. A alegação de que Zeus era o pai delas é tardia. Hesíodo as chama de filhas da Mãe Terra e do Ar.

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A revolução dos Cravos

A rebelião do exército em 25 de abril de 1974 marcou o início de um autêntico processo revolucionário em Portu­gal que durou até novembro de 1975. Os primeiros dias, particularmente em Lisboa, foram eufóricos. Não se dis­parou um só tiro em defesa do regime ditatorial quando os soldados tomaram posse das ruas, saudados como he­róis pela multidão cheia de júbilo. Os observadores co­mentaram o grande número de rostos felizes nas ruas; houve um que afirmou finalmente ter descoberto que os portugueses tinham dentes, “agora que se podia vê-los sorrir”. A libertação de prisioneiros políticos causou gran­de regozijo. Por todo o país, a perspectiva da volta da de­mocracia e do fim das impopulares guerras coloniais foi amplamente bem recebida.

Em apenas dois meses, nada menos que 50 partidos po­líticos surgiram em Portugal. Os militares continuaram no controle do executivo, mas a direção futura da revolu­ção estava longe de ser clara. Uma onda de greves assolou o país em meados de 1974, e ascensão do partido comu­nista era vista com nervosismo. O apoio aos principais partidos políticos - os comunistas, os socialistas e os de­mocratas populares, de centro - se expandiu enorme­mente em 1974-1975, mas em meados de 1975 explodi­ram rebeliões civis nas áreas rurais como reação à tendência esquerdista da revolução. A rebelião ocorreu nas regiões em que os camponeses ricos dominavam a economia local; a maioria dos distúrbios ocorreu a não mais de 120 quilômetros de Lisboa, dentro da área agríco­la ao norte da cidade. A revolta rural mudou o rumo da re­volução. Em novembro de 1975, elementos moderados recuperaram o controle dos militares, e a revolução, para todos os efeitos, terminou.

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7/20/2020 8:16:52 PM | Psicanálise, n. 25
Chantagem emocional

Você tem medo de ser reprovado ou tem medo do outro? Você sente que deve a alguém uma obrigação, mesmo quando se trata de algo que você não deseja fazer ou que é ruim para você? Você se sente culpado quando não cede às solicitações do outro? Situações deste tipo fazem você se sentir que não é uma pessoa boa? De acordo com a autora Susan Forward, se você respondeu sim a qualquer destas pergun­ tas, existe uma grande chance de que você possa “sucumbir” à chantagem emocional do outro.

Psicologia - Psicanálise
7/10/2020 7:16:58 PM | MenteCérebro, n.141
Mentira, um componente da inteligência social

Psicólogos, antropólogos e neurobiólogos confirmam: mentir não é apenas um processo cognitivo complexo, mas também um componente decisivo de nossa competência social.

Psicologia - Neuropsicologia
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Um homem não sente dificuldade em caminhar por uma tábua enquanto acredita que ela está apoiada no solo; mas ele vacila — e afi­nal despenca — ao se dar conta de que a tábua está suspensa sobre um abismo...

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22 Jan , 2021, 16:35h
Como a economia do Egito Antigo permitiu a construção das caras pirâmides
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Dinossauro encontrado na Argentina pode ser o maior conhecido
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Por que civilizações antigas não reconheciam a cor azul
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Dioníso como marido
Dioniso e Ariadne

Apesar da sua reputação de apreciador de orgias, Dioniso (Baco) era o único deus, talvez à exceção do deus do amor, Eros (Cupido), que era absolutamente fiel ao casamento. Ele encontrou Ariadne a chorar na Ilha de Naxos, onde Teseu a tinha abandonado. Dioniso desposou-a e tiveram muitos filhos. Ariadne foi feita deusa aquando do casamento, e Zeus (Júpiter) pegou na coroa que ela estava a usar e colocou-a no céu onde ficou como constelação Carona Borealis

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11/22/2019 6:04:27 PM | Danna
A Chegada da Tribo de Danna

A tribo de Danna aportou na Irlanda e ninguém os viu chegar. Vieram encobertos por uma nuvem mágica densa. Nesse tempo os Firbolg habitavam a ilha e viviam oprimidos pelos Fomore, o povo das trevas, que, travadas diversas lutas, lhes exigiram por fim tributos extorsivos. Agora um espesso nevoeiro cobria toda a Irlanda em uma única camada de nuvem. Os Firbolg sentiram uma terrível ameaça. Era a terra que se dissolvia em abismo a seus pés, foi o que pensaram. Diante de tão incompreensível poder, buscaram refúgio e por três dias e três noites se recolheram oprimidos pela grande nuvem que se abateu sobre o país.

Seus magos por fim descobriram que o fenômeno era efeito de encantamento, e a custo fizeram uma contra-magia dissolver o nevoeiro. Saíram de seus abrigos e perceberam que um novo povo tinha aportado no país. Já tinham construído uma fortificação em Moyrein. Era a tribo de Danna que chegava trazendo poderosas forças e tesouros de magia desconhecidos. Tinha sido Morrígu, auxiliada por Badb e Macha, deuses guerreiros dessa tribo, que tinha evocado o nevoeiro usando formulas druídicas.

Os Firbolg enviaram um de seus guerreiros, Sreng, para saber quem eram os misteriosos invasores. O povo de Danna enviou, por seu turno, Brian para os representar. Os dois embaixadores examinaram as armas de cada um com grande interesse. As lanças dos Danna tinham pontas agudas e eram leves. As dos Firbolg eram pesadas e rombudas. Brian propôs que os dois povos dividissem a Irlanda pacificamente, juntos derrotassem os Fomore e defendessem o país de futuros invasores. Os Firbolg não se impressionaram com a superioridade dos Danna, eram para eles novos intrusos que chegavam para também os oprimir. A irmandade que ofereciam era dissimulação e astúcia para os dominar. Foi o que pensaram, e decidiram recusar a proposta: Se concedemos parte do país, logo exigirão o país todo, e nos exigirão tributos insuportáveis, disse Eochai, seu rei. A batalha foi travada no Campo de Moytura, no sul de Mayo, perto do lugar hoje chamado Cong. Liderava os Firbolg seu rei, Eochai Mac Erc; o rei Nuada comandava os Danna.

O povo de Danna ergueu-se no campo de batalha em fileiras flamejantes, levando escudos sólidos, brilhantes e de bordas vermelhas. Nas fileiras dos Firbolg faiscavam espadas, lanças e lançadores. A peleja começou. Vinte e sete Danna enfrentaram e derrotaram o mesmo número de Firbolg. Seguiu-se nova embaixada para deliberar sobre o modo de continuar a batalha. Nuada obteve de Eochai a garantia de que os dois exércitos lutariam com números iguais de combatentes. A luta recomeçou com uma série seguida de combates singulares. No fim do dia retomavam cada um para seu campo, ao descansavam e se curavam das feridas de guerra com banhos de ervas medicinais. A luta durou quatro dias, com terríveis baixas para ambos os lados.

Um herói dos Firbolgs, Sreng, partiu em dois o escudo de Nuada, o rei dos deuses, e com um terrível golpe decepou uma de suas mãos. Eochai, rei dos Firbolg, menos afortunado, perdeu a vida. Os Danna obtiveram vitória, protegidos por sua arte mágica de cura. Por fim, os Firbolg, derrotados e morto seu rei, ficaram reduzidos a apenas trezentos homens. Sabendo que para eles não havia salvação, pediram combate até a morte de todos os combatentes de um dos lados. Mas, em vez de consentir, os Danna ofereceram a eles a quinta parte da Irlanda: que tomassem para si uma província de sua escolha. Concordaram e escolheram Connacht, que se tomou seu território.

Como resultado da perda de uma de suas mãos, Nuada ganhou o codinome de Argetlam, o Mão-de-Prata. Diancecht, o medico da tribo Danna, fez para ele uma mão artificial de prata, tão habilmente que se ligou em todas as juntas, e tão forte quanto uma real. Contudo, por mais excelente que fosse o trabalho de Diancecht, era uma mão artificial, e, de acordo com os costumes celtas, nenhum homem mutilado podia ocupar o trono. Nuada foi deposto, e a tribo de Danna reuniu-se em assembléia para escolher um novo rei.

Escolheram Bress, filho de En e Elathan, para reinar em seu lugar. Esse Bress, agora rei, embora forte e belo, trazia a sua parcela de alma escura, herança de sua raça, os Fomore. Não apenas permitiu que os inimigos de Erin, os Fomore, oprimissem seu povo com tributos insuportáveis; ele próprio tratou de taxar extorsivamente seus súditos. Era tão mesquinho, que não dava hospitalidade nem a chefes nem a nobres nem a músicos nem a poetas, tampouco tinha a alma generosa. Reunia em si os piores vícios num príncipe, intoleráveis entre o povo da tribo Danna.

Não bastassem as taxas extorsivas, obteve com um estratagema hábil todo o leite produzido entre os Danna. Inicialmente, exigiu apenas a produção de vacas castanhas e sem pêlo, e o povo de Danna consentiu de boa—vontade. Mas Bress passou todo o gado de Erin entre duas piras de fogo, de maneira que perderam o pêlo e ficaram queimadas. Foi desse modo fraudulento que obteve todo o leite produzido e ficou com o monopólio de toda a fonte de alimento da Irlanda. Para obter sobrevivência, todos os deuses, mesmo os maiores, foram forçados a trabalhar para ele. Ogma, o seu herói, tornou-se coletor de lenha para o fogo. Dagda, o construtor de fortalezas e castelos.

Bress provocou a ira dos deuses. Era inadmissível um rei que não fosse liberal com seus súditos. Na corte de Bress ninguém jamais teve entre as mãos uma faca untada de gordura, ou sentiu o aroma da cerveja. Os poetas, músicos e ilusionistas já não davam divertimento ao povo, pois Bress não compensava sua arte. Por último ele cortou toda a subsistência dos deuses. Tão escassa era a comida, que começaram a ficar fracos de fome. Ogma só tinha forças para apanhar um terço da lenha necessária ao fogo, e passaram todos a sofrer tanto com o frio quanto com a fome.

A crise se agravava. Foi então que dois médicos, Miach e Airmid, filho e filha de Diancecht, o deus da medicina, vieram ao castelo onde Nuada, o antigo rei, vivia. Examinaram seu pulso e viram que a juntura da mão de prata tinha causado uma grave infecção. Miach quis saber onde estava a mão mutilada. Tinha sido enterrada. Ele exumou a mão e a colocou no coto, pronunciou fórmulas mágicas: tendão com tendão, nervo com nervo se juntem! Em três dias a mão tinha se recomposto e se fixado no braço, e desse modo Nuada estava novamente perfeito.

Diancecht, pai de Miach, ficou furioso quando soube do feito do filho: Então, será possível que ele exceda a mim em talentos medicinais? Não, e preciso extirpar isso. Ninguém além de mim tem maior ciência em medicina e arte mágica de curar. Foi ao encalço do filho e abriu-lhe a cabeça com a espada. Miach facilmente se curou. Diancecht o feriu novamente. Novamente Miach se curou. Pela terceira vez Diancecht o feriu. Dessa vez o golpe tinha rompido a membrana que envolve o cérebro. Novamente Miach foi capaz de curar-se. E pela quarta vez, Diancecht veio ate ele e, cego de ciúmes e despeito, cortou-lhe a cabeça, partindo seu cérebro em dois. Miach não pôde fazer nada, era impossível a cura. Satisfeito, Diancecht tratou de sepultá—lo. Sobre seu túmulo nasceram 365 ervas, cada uma com propriedades curativas para as doenças de cada um dos 365 nervos que formam o corpo. Airmid, a irmã de Miach, colheu todas cuidadosamente e as ordenou segundo a propriedade de cada uma. Mas o ciúme e o despeito do pai novamente impediram que esse bem prosperasse. Embaralhou e confundiu todas entre si. A jovem irmã não pôde mais separá-las. Não fosse esse ato promovido por um instinto sombrio, dizem os poetas da Irlanda, os homens teriam o remédio para todas as doenças e seriam imortais. Diancecht é o pai da discórdia e o destruidor das esperanças do homem. Nunca mais houve outra oportunidade como essa. Miach foi o único ser dotado de tão excelente conhecimento e magia. Ninguém mais houve que excedesse seus divinos dons.

Lamentável o fim a que seu dom o levou. Embora morto, os efeitos benéficos de sua arte continuaram a exercer domínio entre os deuses. Os poetas da Irlanda — e ouçamos os poetas, entes que sensivelmente captam os mistérios do mundo — disseram a respeito da morte de Miach: Esse deus luminoso que morre, ainda que a sorte o tenha apartado dos seus, permanece atuando entre aqueles a quem amou. Assim acontece aos luminosos: parecem destinados a trazer toda ventura a seus pares e nenhuma para si mesmo.

Tem razão os poetas. O luminoso Miach tinha curado a mutilação de Nuada, e o fizera novamente homem sem defeito. Esse acontecimento oportuno foi uma bênção para os deuses, filhos de Danna, que nessa ocasião deliberavam sobre a necessidade imediata de depor Bress e acabar com sua tirania. Um evento recente tinha aviltado a todos. A tribo de Danna amava seus poetas e lhes dedicava grande honra. Toda consideração lhes era concedida e eles partilhavam da mesa dos reis. Aconteceu que o injusto e indelicado Bress tinha feito um agravo ao poeta Cairpré, filho de Ogma, deus da literatura, que insuflou na mente do filho o divino dom da poesia.

O sagrado poeta tinha ido visitar Bress. Em vez de ser tratado com as honras que lhe cabiam, o indelicado rei o instalou em um aposento escuro e pequeno, um cubículo, desprovido de toda benevolência e amizade. Fogo não havia, cama não havia, mobiliário não havia. Um cubículo nu, desconfortável, com uma miserável mesa sobre a qual havia pedaços de bolo velho, pão seco, nenhuma água. Cairpré passou frio, fome e sede a noite toda. Na manha seguinte levantou cedo e, sem dizer uma palavra ao rei, deixou em silêncio o palácio. Era costume entre os poetas criar um panegírico em honra do rei por sua hospitalidade. Cairpré, porém compôs uns versos satíricos mágicos. A primeira sátira composta na Irlanda, que dizia:

Nenhuma carne nos pratos, nenhum leite nas taças;

nenhum abraço aos visitantes;

nenhum prêmio aos menestréis:

Eis o louvor que Bress oferece!

E foi esse poeta mágico que completou a tarefa de Miach. A sátira de Cairpré foi tão virulenta, que o rosto de Bress arrebentou todo em pústulas vermelhas. Era isso também uma mutilação que impedia um rei de continuar reinando. Os Danna exigiram que ele renunciasse, e Nuada, novamente perfeito pelas mãos de Miach, reassumiu o reino.

Obrigado a deixar o trono, Bress procurou sua mãe Eri e lhe pediu que lhe declarasse quem era seu pai: Seu pai, ela disse, é Elathan, que me seqüestrou secretamente em uma noite e, depois de me copular, deixou comigo esse anel para dar àquele em cujo dedo ele se ajustasse e, dizendo isso, colocou o anel no dedo de Bress. De posse do anel e do segredo de seu nascimento, ele retornou ao país dos Fomore, sob o mar. Queixou-se ao seu pai, Elathan, pedindo a ele que reunisse um exército para reconquistar o trono. Reuniram-se os maiorais em conselho: Elathan, Tethra, Balor-do-Olho-Maligno, Indech, todos os guerreiros e chefes. Decidiram organizar uma grande hoste, e levar a Irlanda para o fim do mar onde o povo de Danna nunca mais a encontrasse.

Mitologia Celta
11/22/2019 5:49:58 PM | Culhwch
As tarefas impossíveis de Culhwch

Um dos contos mais populares de Mabinogion narra a estória de Culhwch e Olwen. Culhwch é de sangue real, pois é primo de Arthur. O seu nascimento foi invulgar. Antes de ele ter nascido, a mãe, Golenddyd, ganhou uma profunda antipatia por porcos, pois quando passava por uma vara deles, assustou-se e deu à luz um filho que abandonou. Um guardador de porcos pegou nele e levou-o para os pais criarem. Golenddyd morreu e o marido, Cilydd, voltou a casar com uma mulher que tinha uma filha que ela queria casar com Culhwch. Mas ele não quis, afirmando ser ainda muito jovem. A rainha então rogou uma praga a Culhwch, segundo a qual ele só viria a casar com Olwen, filha de Ysbaddeden, o Chefe dos Gigantes. Bastou a Culhwch ouvir o nome dela para se apaixonar profundamente.

Culhwch decidiu então pedir ajuda a Arthur para encontrar esta donzela e partiu num grande esplendor, completamente armado com machados de guerra, espada dourada e uma pequena machadinha que «podia fazer o ar sangrar.» Tinha também um chifre de marfim, dois galgos e montava um cavalo fantástico. Quando Culhwch chegou à corte de Arthur o porteiro tentou barrar-lhe a entrada, mas ele ameaçou dar três gritos de tal intensidade que as mulheres ficariam estéreis e as que estivessem grávidas abortariam.

É claro que ele passou. Encontrou-se com Arthur que se deixou convencer a ajudá-lo a procurar Olwen. As buscas decorreram durante um ano, sem sucesso. Por fim, juntaram um grupo dos melhores cavaleiros, cada um deles abençoado com peculiaridades extraordinárias. Um deles, Kay, tinha uma espada que provocava feridas que nenhum médico podia tratar; outro, Bedwyr, o mais veloz de todos, e Gwalchmai, que nunca voltava de uma missão sem a cumprir.

Após mais dia buscas, Olwen foi finalmente encontrada.

Ela correspondeu ao amor de Culhwch, mas explicou que o pai Ysbaddeden estava destinado a morrer quando se casasse. Olwen pediu a Culhwch que aceitasse qualquer condição que o pai lhe impusesse. Culhwch aproximou-se do Chefe dos Gigantes que lhe ordenou uma longa série de «tarefas impossíveis.» A mais intimidante delas consistia em recuperar uma tesoura, uma navalha da barba e um pente que estava entre as orelhas do grande e destruidor javali Twrch Trwyth. Apesar de tudo, Culhwch aceitou de boa vontade toda as tarefas. Ele e Arthur conseguiram atrair a ajuda de Mabon, o caçador que tinha estado preso num castelo após ter sido roubado. Na ocasião, ele tinha sido libertado Era conhecido como «o jovem» se bem que fosse o mais velho de todos os seres. Mabon Culhwch e os cavaleiros foram ajudados por animais mágicos: a Águia de Gwemabwy, o Melro de Kilgory, o Veado de Rhedynvre, Salmão de Llyn Law e outros bichos encantados. Um dos homens de Arthur, Gwrhyr, tim a capacidade de falar com cada um deles na sua própria linguagem. Após uma longa perseguição através do sul do País de Gales, da Cornualha e da Irlanda, durante a qual o diabólico javali devastou uma grande parte da terra, foi enfim possível, com a ajuda de Mabo dominá-lo e conduzi-lo para o mar. A navalha da barba, a tesoura e o pente foram entregue: e Culhwch pôde finalmente casar com Olwe.

Mitologia Celta
11/19/2019 7:57:26 PM | Math Ap Mathonwy
Math Ap Mathonwy e os dois sobrinhos

A história complicada de Math Ap Mathonwy, Lorde de Gwynedd, no Norte, constitui o quarto livro de Mabinogion. Tal como sucede em muitos destes contos, nela existe decepção e magia, e oscila com facilidade para trás e para a frente entre este e o Outro Mundo. É uma história de magia na qual o mal é punido, mas apenas na medida certa. Quando Math, um mago, não estava fora a vigiar as suas terras ou em alguma guerra, ele tinha de pousar os pés no regaço de uma donzela. Ele tinha dois sobrinhos, filhos da deusa Don, Gilfaethwy e Gwydion, que desejavam a virgem onde o tio pousava os pés e cujo nome era Goewin. Os irmãos, que tinham sido treinados na arte da magia pelo próprio Math, planejaram uma forma de o distraírem, começando uma guerra com Pryderi, Lorde de Dyfed, no Sul. Gwydion intrujou Pryderi com os seus porcos brancos mágicos e, tal como planejara, rebentou a guerra entre as cidades de Gwynedd e Dyfed.

Enquanto Math estava na guerra os irmãos por magia, violaram Goerin e depois regressaram ao campo de batalha. Em seguida Gwydion matou Pryderi, através das suas magias. Quando Math regressou, a sua ira ao descobrir o que tinha sucedido a Goewin levou-o a punir os dois irmãos, transformando-os durante três anos consecutivos em pares de animais: um veado e uma corça; um javali e uma porca; um lobo e uma loba, forçando-os a seguir as respectivas naturezas. Os irmãos alternavam o gênero masculino e feminino e em cada ano produziam um descendente. No fim deste período, Math perdoou os sobrinhos e voltou a dar-lhes a forma humana assim como aos descendentes, que, no mínimo, mantiveram os nomes de animais.

 

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